CHAPTER 2: LITERATURE REVIEW
2.4. The Place of Culture in EFL Coursebooks
2.4.2. Target Culture
A resiliência percebida na unidade familiar como um todo é denominada resiliência familiar. Segundo Walsh (2005), principal expoente das pesquisas sobre resiliência familiar, as pesquisas têm mostrado que a resiliência em crianças está fortemente vinculada ao contexto familiar e social em que ela está inserida pois a resiliência das crianças às dificuldades é maior quando elas têm acesso a pelo menos um pai/mãe atencioso, um cuidador ou outro
adulto que lhes dê apoio na sua família ampliada ou mundo social.
De acordo com Walsh (2005), existem alguns processos-chave na resiliência familiar: os sistemas de crenças da família, os padrões organizacionais presentes e os processos de comunicação. As crenças têm um importante papel na família e são consideradas forças muito importantes para a resiliência. A autora, através de pesquisas e conhecimento prático, enumerou três sistemas de crenças que facilitam a resiliência em famílias que enfrentam muitos desafios: a) extrair sentido da adversidade; b) manter uma perspectiva positiva, tendo coragem, visão otimista das situações, esperança, mantendo o foco na força e aceitando o que não pode ser mudado; c) transcendência e espiritualidade. O segundo elemento são os processos organizacionais da família: em primeiro lugar, as famílias precisam ser flexíveis para se adaptarem a mudanças como por exemplo no caso de um divórcio ou doenças graves na família, que exigem mudança nos papéis desempenhados dentro da família. Em segundo lugar, está a “conexão”, termo utilizado por Walsh para descrever o equilíbrio entre o indivíduo e o grupo familiar: “os membros da família podem ser extremamente conectados e se unir em épocas de crise e, ao mesmo tempo, respeitar as diferenças entre si.” (2005, p. 83). Em terceiro lugar, estão os recursos sociais e econômicos, que envolvem a mobilização da família ampliada e recursos vindos da comunidade. Walsh (2005) enfatiza a importância de estabelecer um vínculo com o mundo social, e este vínculo é muito importante para a resiliência da família. Segundo Stinnet et al. (apud WALSH, 2005) as famílias mais fortes são aquelas que conseguem admitir que precisam de ajuda e recorrem à família ampliada, redes de apoio e serviços especializados como terapia. Segundo os autores, o isolamento da família e a falta de apoio social contribuem para a disfunção em situações de estresse. Além da mobilização da família e recursos da comunidade, o sistema de recursos sociais e econômicos envolvem a melhoria da segurança financeira e o equilíbrio entre a família e o trabalho.
O terceiro elemento são os processos de comunicação. Segundo Walsh (2005), uma boa comunicação facilita o funcionamento saudável da família e afirma que “os esforços de intervenção para fortalecer a resiliência familiar concentram-se em aumentar a competência dos membros da família para se expressar e reagir às necessidades e preocupações e para negociar a mudança do sistema para satisfazer novas demandas e situações de crise.” (2005, p. 104). Existem três aspectos da comunicação que são considerados fundamentais para a resiliência familiar: o primeiro é a clareza na comunicação, que diz respeito a mensagens e ações claras e diretas. O segundo aspecto é o compartilhamento das emoções de forma aberta.
De acordo com Walsh, é importante que as famílias consigam mostrar sentimentos como alegria e amor e também raiva, tristeza e desapontamento. Para a autora em algumas famílias existe um clima de medo e desconfiança que impossibilita uma comunicação clara das emoções. O terceiro aspecto diz respeito à forma como os problemas são resolvidos. Todas as famílias enfrentam problemas e crises e o que diferencia as famílias resilientes é a maneira como enfrentam esses problemas e crises.
Walsh (2005) apresenta algumas diretrizes práticas para fortalecer famílias que se encontram em situação de extrema vulnerabilidade e suas considerações aproximam-se do campo da saúde. Estas diretrizes são utilizadas para apoiar os esforços da família para administrarem suas vidas em meio a adversidades: “ao se concentrarem em seu potencial, essas famílias adquirem uma sensação de esperança e confiança de que podem vencer a persistente adversidade.” (p. 225). Primeiramente, a autora afirma que atualmente os serviços destinados a esta classe social tendem a se basear no déficit, se concentrar no indivíduo, se mostrarem fragmentados, reativos à crise e inacessíveis.
De acordo com Ooms e Preister (apud Walsh, 2005), existem alguns princípios básicos que devem ser seguidos em um novo modelo de serviço concentrado na família: 1) identificar as potencialidades e recursos familiares que capacitam as famílias e confiar neles; 2) usar uma abordagem familiar para os problemas individuais; 3) os serviços devem ser flexíveis e holísticos; 4) enfatizar a intervenção precoce e prevenção; 5) formar parcerias estruturadas na comunidade.
Além do foco passar a ser nos recursos, é importante que a abordagem passe do indivíduo para uma abordagem centrada na família. Segundo Walsh (2005) os indivíduos são categorizados baseado nos sintomas que apresentam e falta uma atenção para o indivíduo como um todo ou à família e ao contexto social; uma abordagem concentrada na família se mostra necessária no trabalho relacionado com o bem estar infantil, atenção à saúde física e mental, tratamento de abuso de substância e educação: “uma vez que sejamos capazes de encarar a família como uma rede entrosada de relacionamentos, identificar os padrões que conectam os vários membros, problemas e possíveis soluções, podemos começar a extrair significado de situações complicadas e ter maior probabilidade de êxito.” (WALSH, 2005, p. 230). Outra diretriz importante ressaltada pela autora é que os serviços passem a ser holísticos, pois uma das falhas observadas é que eles são fragmentados e não apresentam uma
comunicação funcional. Algumas consequências são famílias sendo enviadas de um serviço para outro e membros da mesma família sendo atendidos por serviços diferentes que não trocam informações. Para que o atendimento seja eficiente, é necessário visualizar os membros e as necessidades das famílias como inter-relacionados, que requerem serviços coordenados e integrados. Ainda segundo a autora, os serviços devem ser orientados para a prevenção e não reativos à crise:
prestamos pouca atenção às crianças e às suas famílias e gastamos pouco dinheiro com elas até que seja absolutamente necessário. Para estar qualificado para receber ajuda, um indivíduo ou uma família é classificado, recebe um rótulo patológico e é colocado sob os auspícios de uma agência federal ou estadual. Essa experiência é desumanizadora e estigmatizadora; pior ainda, a ajuda em geral chega tarde demais. Como sociedade precisamos realizar uma mudança filosófica. (KAPLAN, GIRARD apud WALSH, 2005).
Podemos perceber que na abordagem da resiliência familiar, que tem como sua principal expoente a americana Froma Walsh, existe uma aproximação com alguns preceitos importantes do cuidado em saúde no contexto do SUS, como por exemplo a necessidade do trabalho familiar no lugar do individual, a importância dos serviços não serem fragmentados e basearem-se na prevenção. Além disso, a autora traz contribuições importantes ao afirmar que é fundamental identificar os recursos presentes nas famílias e não focar em suas faltas e carências. Seus estudos baseiam-se na realidade dos Estados Unidos, porém suas contribuições são válidas para o contexto brasileiro.