III. ÇOCUK HAKLARI KOMİTESİNİN BAŞVURUYU DEĞERLENDİRME SÜRECİ
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O termo EA é citado pela primeira vez em 1965, por conta de um evento sobre educação na Universidade de Keele do Reino Unido, segundo Loureiro (2004a). Porém, sua história começa quando em 1968, um grupo de cientistas de países desenvolvidos decidiu realizar uma reunião, conhecida como Clube de Roma, para debater questões sobre o consumo e as reservas de recursos naturais, bem como as perspectivas do crescimento da população mundial até o século XXI. Nas conclusões dessa reunião ficou evidente a necessidade urgente de criar possibilidades para a conservação dos recursos naturais, o controle do crescimento populacional e a mudança radical das formas de consumo e procriação. Na oportunidade os participantes da mesma, segundo Reigota (2004, p. 13-14) atentaram que “O homem deve examinar a si próprio, seus objetivos e valores. O ponto essencial da questão não é somente a sobrevivência da espécie humana, porém ainda mais, a sua possibilidade de sobreviver sem cair em estado inútil de existência.”
A reunião do Clube de Roma resultou no livro “Limites do Crescimento”, editado em 1978, que se tornou referência internacional para diversos projetos e ações governamentais, embora tenha sofrido críticas de intelectuais latino-americanos que perceberam no seu contexto a colocação sutil de que para conservar o padrão de consumo dos países desenvolvidos era fundamental o controle do crescimento populacional dos países pobres. Entretanto, deve-se destacar a importância do Clube de Roma no tocante a atenção dada à questão ambiental global, uma situação-problema, complexa e causadora de prejuízos, direta ou indiretamente, á qualidade de vida de todo cidadão planetário, que impulsionou a Organização das Nações Unidas (ONU) a organizar, em 1972, em Estocolmo (Suécia) a Primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente Humano, tendo como principal tema a poluição das indústrias (REIGOTA, 2004, p. 14).
É importante lembrar que o Brasil e a Índia, na época, viviam o período chamado “milagres econômicos” e por isso, defendia que “a poluição é o preço que se paga pelo progresso” e com esse pensamento as portas desses países foram abertas, sem qualquer seletividade, para as multinacionais poluidoras, já impedidas ou restritas de funcionarem em seus países de origem. O preço para esse dito “progresso”, que não necessariamente significa desenvolvimento social para todos, pode ser expresso com os seguintes exemplos: Cubatão (Brasil) ocasionando o nascimento de crianças acéfalas e o desastre químico em Bophal (Índia) provando a morte de milhares de pessoas que juntamente com o acidente da usina
nuclear de Chernobyl, representam para a época grandes prejuízos ecológicos (REIGOTA, 2004, p. 15).
Reigota (2004) situa o Brasil na época da Conferência de Estocolmo enquadrando-o no grupo econômico de exploração dos recursos naturais e contraditório, pois cria a Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA). Essa contradição é compreendida pelas posições extremas conservacionistas, mas com práticas e políticas contrárias, logo a EA no país teve nesse período apenas um papel histórico. Entretanto, independente do governo desenvolveu-se uma consciência ambiental crítica envolvendo pequenos grupos sociais e pessoas isoladas. Reigota (2004) destaca que em 1984, Sorocaba/SP aconteceu o primeiro encontro paulista de EA que, embora regional, conseguiu reunir ambientalistas e pesquisadores com apresentação de trabalhos. Mas, foi com o assassinato de Chico Mendes e com a pressão internacional sobre o desmatamento da Amazônia que aconteceu o boom da EA, bastante falada na mídia, porém pouco fundamentada, filosoficamente e pedagogicamente.
Um dos frutos da Conferência de Estocolmo foi a resolução da necessidade de educar o cidadão no sentido de solucionar os problemas ambientais, pois provavelmente a partir desse momento surgiu o que se convencionou de Educação Ambiental. Entretanto, travar discussões e soluções integradas e participativas por parte da sociedade globalizada, de maneira a promover uma equidade social e a preservação e conservação adequada dos ecossistemas não é tarefa fácil para os organismos internacionais. Por isso, a Organização das Nações Unidas para a Educação (UNESCO), a Ciência e a Cultura assumiu a responsabilidade de propagar e efetivar essa nova modalidade educacional (REIGOTA, 2004, p. 15).
A UNESCO atualmente realiza seminários e produz um vasto material sobre a educação ambiental. Dentre esses seminários ressalta-se o de Belgrado, atual Iugoslávia (1975), quando foram definidos os objetivos da educação ambiental, editados na cognominada “A Carta de Belgrado” e o seminário de Tilissi, na Geórgia (ex-URSS), em 1977, que sediou o Primeiro Congresso Mundial de Educação Ambiental, no qual foram apresentados os primeiros trabalhos de educação ambiental (REIGOTA, 2004, p. 15).
Somente dez anos depois, o Segundo Congresso de Educação Ambiental acontece em Moscou. Nessa época, muitos especialistas sentiram-se desestimulados em debater sobre educação ambiental e cidadania, pois a própria União Soviética, anfitriã do evento, estava vivendo, no seu momento inicial da perestroika e da glasnost, época em se produzia armas nucleares. Enquanto isso, a primeira ministra norueguesa, Gro-Brundtland, investe em
reuniões com discussões sobre as questões apresentadas na conferência de Estocolmo em diversas cidades do mundo, inclusive São Paulo. O “material colhido” originou a produção e tradução, em várias línguas, do livro “O Nosso Futuro Comum” ou “Relatório Brundtland”, resultando em temas para a ECO-92 (REIGOTA, 2004, p. 16-17).
O livro O Nosso Futuro Comum facilitou a divulgação do conceito de desenvolvimento sustentável e a importância da EA. E, no espaço entre os eventos em Estocolmo e Rio de Janeiro, houve uma significativa mudança na concepção de meio ambiente, inicialmente compreendido restritamente na relação homem e natureza e depois associado à idéia de desenvolvimento econômico. Essa concepção é percebida nos discursos, projetos e práticas de EA, o que refletiu no surgimento de várias práticas autodefinidas como EA, algumas criativas, revelando sua importância e outras muito simplistas, ingênuas, oportunistas e confundindo teorias, conceitos e política (REIGOTA, 2004, p. 17).
No movimento de evolução do pensamento acerca da EA é importante destacar que aconteceram outros eventos, paralelamente a ECO-92 ou Rio-92, nomes pelos quais é mais conhecida a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), sediada no Rio de Janeiro, como:
[...] a reunião do World Bussiness Council for Sustainable Development (WBCSD), o workshop sobre educação ambiental, organizado pela Assessoria de Educação Ambiental do MEC, o Fórum Global, o qual envolveu a jornada internacional de Educação Ambiental que teve como principal documento o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (MATOS, 2009, p. 17).
Dentre os eventos paralelos a ECO-92, Loureiro (2004a), de acordo com a UNESCO (1976) destaca o Taller Subregional de Educación Ambiental para Educación Secundaria, realizado em Chosica, Peru (1976), embora pouco conhecida pelos brasileiros, constituiu uma das mais completas e complexas abordagens sobre a EA, evidenciando a necessidade de transformação das sociedades atuais e de estabelecer um elo entre o social e o natural strictu sensu e defender a necessidade de uma metodologia de EA participativa, permanente, interdisciplinar, construída a partir da realidade cotidiana, com implicações sobre o formato curricular no ensino fundamental.
Na percepção de Matos (2009) as conferências citadas tiveram uma repercussão sobre grupos e instituições ambientalistas brasileiras. Inicialmente um dinamismo ao movimento ambientalista em si, impulsionados com a preparação dos eventos, entretanto, após este momento não houve solidez nas bases institucionais para um direcionamento dos objetivos das questões ambientais. Assim, “[...] com o fim da Rio-92 assistimos a um
processo de ‘desorientação’ do ambientalismo brasileiro, fruto da rápida perda de seu principal marco de referência simbólico e organizativo na conjuntura.” (VIOLA; LEIS, 2001, p. 142).
Acseltrad (2001, p. 76-77 apud MATOS, 2009, p. 18) aponta dois processos de influência para a resistência de autores sociais aos abusos ambientais gerados pelo sistema capitalista, predominante na sociedade contemporânea:
[...] o primeiro diz respeito à concentração crescente do poder de controle dos recursos naturais nas mãos de poucos agentes e é marcado pela apropriação capitalista de vastas riquezas naturais, seja no campo dos recursos hídricos, para a geração de energia, ou das terras para a monocultura agrícola; o segundo é o da “privatização do uso do meio ambiente comum, mais especificamente do ar e das águas, de que dependem todos os grupos humanos. O capital apropria-se desses recursos e, sobre eles lança os detritos da produção, sem preocupar-se com sua capacidade de recuperação ou com as consequências danosas. (MATOS, 2009, p. 18).
Para Acseltrad (2001, p. 79 apud MATOS, 2009, p. 19) as lutas sociais por acesso aos ambientes naturais, antecedem a formulação atual das questões ambientais e seus objetivos foram absorvidos pelos discursos ambientalistas, culminando na inserção de debates no campo governamental, juntamente com a adoção de discursos ecológicos por parte dos grupos privilegiados dos países desenvolvidos. O citado autor ressalta e reforça Reigota (2004) quando reflete que, no Brasil ainda é recente a presença do termo “ambiente” nas políticas governamentais que contribuiu para na década de 70 criar a Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA) em resposta a ECO-92, e em 1984, foi estruturado o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) contribuindo para a articulação dicotômica da política ambiental de meio ambiente (MATOS, 2009, p. 19).
A partir da segunda metade da década de 1970 foi que o movimento ambientalista avançou em Fortaleza-CE, destacando-se em 1976, a criação da Sociedade Cearense de Defesa da Cultura e do Meio Ambiente (SOCEMA) por professores da Universidade Federal do Ceará (UFC), profissionais e estudantes de arquitetura, biologia e geografia interessados em atuar nas questões ambientais da cidade. Nesse contexto, destaca-se entre as mobilizações feitas pela SOCEMA, a luta pela criação do Parque Ecológico do Cocó, com a promoção do “Piquenique Ecológico” realizado em 02 de abril de 1978, conseguindo agregar 1.500 pessoas num objetivo comum, ou seja, o direito legislado, ao acesso público a um ambiente natural e propício ao lazer gratuito para toda a comunidade (MATOS, 2009, p. 20-21).
Esse movimento resultou na inauguração do Parque Adahil Barreto, que por não abranger as áreas de entorno do rio Cocó o deixou exposto à especulação imobiliária,
inclusive cogitando-se a possibilidades de doação de hectares da margem do rio para construção da sede do BNB. O fato fortaleceu o movimento ambientalista, surgindo o SOS Cocó, mobilizando a sociedade a uma tomada de decisão para criação de uma Área de Proteção Ambiental – APA, e efetivação da criação do parque ecológico. Em 1989, o entorno do rio Cocó passa a ser considerada, pelo governo estadual, área de interesse social para fins de desapropriação, embora até hoje, o parque oficialmente não existe.
As mobilizações sociais em torno da questão ambiental aumentaram independentes de sua territorialidade, pois a força do pensar coletivo é contagiante e fortalece a pressão sobre as barreiras políticas e econômicas de gestão do meio ambiente. Em uma visão otimista, a humanidade caminha, embora a passos lentos, para uma maior integração do ser humano em sua relação socioambiental planetária. O homem no seu processo de evolução atravessa atualmente a fase de transição da era do Ter para a era do Ser. A sutileza dessa passagem pode ser percebida, por exemplo, na sua busca pela longevidade com qualidade de vida. Isso possibilita uma mobilização do sistema humano para mudanças de paradigmas educacionais no estilo de viver, ou seja, posiciona a pessoa a fazer opções como: consumir produtos naturais, demandar por áreas verdes, etc.
Reigota (2004), dentro de uma perspectiva futura da EA, defende que a ECO-92 proporcionou o surgimento de duas correntes: o modismo ambiental (numerosa, oportunista e muito ligado aos megaeventos) esta, entretanto, deve passar e ficar somente a segunda corrente que representaas propostas consistentes, considerando a importância da questão, ou seja, resgatando a EA praticada antes do boom, traduzindo um movimento educativo da Sociedade. Os espaços da EA estão sendo ampliados, as pesquisa científicas estão aumentando e sendo divulgadas em eventos e em outras formas de trabalho (livros, artigos etc.). A ECO-92 provocou uma reação na educação nacional e mundial. No Brasil gerou o surgimento de especializações em EA algumas sérias, mesmo voltadas para técnicas de ações governamentais e privadas, mas ainda são poucas as especializações direcionadas para formação de professores de primeiro e segundo graus, os quais representam uma base importantíssima para a efetivação de uma EA em grande escala populacional, ou seja, capaz de atingir os jovens, as crianças e as famílias dos mesmos.
A ciência, enquanto desafio, e mesmo em pequena escala, vem desenvolvendo tecnologias alternativas importantes à sustentabilidade ambiental, como o biocombustível e a reciclagem de materiais industrializados, pois é evidente o esgotamento dos recursos naturais. Entretanto, é fundamental repensar a lógica capitalista de produção econômica das sociedades atuais, o que implica em construir ou reconstruir as relações culturais, sociais, econômicas e
políticas do mundo globalizado, culminando para uma equidade e sustentabilidade socioambiental, norteada por uma EA crítica, com princípios éticos e de valorização da vida, capaz de exercer um papel dinâmico e transformador de realidades.