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BÖLÜM 2 MUHASEBE STANDARTLARI VE VERGİ USUL KANUNUNDAKİ

3.3. TÜRKİYE MUHASEBE STANDARTLARINA GÖRE DEĞERLEME

3.3.4. Tarımsal Faaliyetlerdeki Değerleme Ölçütleri

No âmbito do nosso projecto de tradução, é para nós relevante para tradução prosseguir com uma breve descrição da dimensão variacional do texto traduzido, aspecto que nos foi salientado pela leitura e análise do manual do Professor Sinner, que a ele lhe dedica um subcapítulo inserido em capítulo próprio sobre contacto linguístico, desenvolvendo depois no capítulo oitavo a problemática das variação como dificuldade de tradução. Pensamos poder afirmar que o esquema “pós-funcionalista” de Nord e a adequação ao receptor de alguma forma reforçam o estatuto da tradução como criação e recriação de variedade.

De acordo com Sinner, a tradução representa um caso especial de contacto linguístico relacionado com a competência bilingue do tradutor e a (possível) adopção de estruturas da LP na LC (cf. Sinner 2014: 255). Do ponto de vista tradutológico, a questão premente é a de perceber se os textos traduzidos constituem uma variedade própria da LC, ou seja, um tipo específico de variedade induzida por contacto. Ainda que possa partilhar traços com os fenómenos de variedades linguísticas sincrónicas induzidas por contacto ou as variedades típicas de aprendentes de língua estrangeira ou de migrantes (cf. Sinner 2014: 244), não se deve aqui confundir com o conceito de línguas mistas, tais como os chamados portunhol, spanglish ou mesmo portalemão19,

conceito que, aliás, não recebe consenso de credibilidade nos estudos linguísticos, para cuja difusão errónea de motivação conceptual Sinner alerta, num contexto de “caos terminológico”, do qual os linguistas, defende, se devem distanciar (cf. Döring 2007: 32). Importa igualmente não confundir variedade na tradução com tradutorês, indício de uma tradução menos conseguida e que a denuncia como tal, a que faremos referência mais à frente.

19 Termo avançado por Dias (1989), por referência aos “falares emigreses” que descreve, em particular à variante do português falada por emigrantes e seus descendentes em solo alemão, cuja forma de língua nativa influenciada por línguas de contacto, devido à sua relevância numérica e por meio das visitas a Portugal e reemigração, terá já influenciado as variedades do português em Portugal (Sinner 2005: 1- 20).

Conforme Haßler (2001), a tradução diferencia-se das mais habitualmente reconhecidas formas de contacto linguístico, nomeadamente dos seus fenómenos e produtos, mediante uma série de características que incluem:

1. a consciência do estabelecimento do contacto, já que as soluções tradutórias não surgem por si próprias na sequência de regularidades e preferências induzidas por contacto e a tradução só de forma restrita será comunicação espontânea, pois o tradutor reflecte nas estruturas da LP à disposição e tanto pode evitar interferências, como utilizar empréstimos;

2. o facto de as grandezas de partida da tradução serem enunciados cuja devolução de sentido na LP tem de encontrar verbalização numa LC por recurso a outros meios linguísticos. O grau de classificação do processo tradutório como contacto imediato depende da finalidade da tradução, que, por sua vez, dependerá fortemente, e sincronicamente, do tipo de texto (cf. Haßler 2001: 154).

A tradução, sabe-se, não é apenas uma mera transposição, antes a transposição para um novo mundo textual, processo que se torna tanto mais problemático quanto se considerar as diferentes arquitecturas das variedades das línguas envolvidas. A já clássica distinção, por Catford (1965), dos três tipos de tradução (palavra a palavra, literal e livre) corresponderá ao nível da transcodificação, sendo igualmente legítima como oferta de verbalização. Contudo, por contraste com o processo de transcodificação, metalinguístico e direccionado à transparência das estruturas da LP e à equivalência entre elementos individuais, a tradução, por seu lado, não se limita à referenciação de um termo isolado e sim antes busca a verbalização numa outra língua do Äußerungssinn (significado da enunciação). Tais Äußerungen vivem de relações dentro dos próprios enunciados e de outras que residem no sistema linguístico. A esta dimensão estruturalista somar-se-á, na esteira do conceito de norma de Coseriu, o vínculo textual dos elementos linguísticos, implicando a realização relativamente estável de meios linguísticos cujo efeito ultrapassa o do texto em que ocorrem. Os textos utilizados transculturalmente exibem propriedades próprias e a tradução circulará num contínuo entre textos de cariz conceptual e textos referenciais (cf. Haßler 2001: 161).

Cada elemento linguístico num texto opõe-se a uma simples transcodificação devido a uma série de factores: pertencer a um sistema gramatical e estar condicionado por relações gramaticais específicas; os lexemas possuirem, além do seu significado referencial, uma qualidade semântica condicionada pragmaticamente, como Jakobson apontara já (1966); determinados elementos – inclusive sintagmas – estarem vinculados a textos de referência concretos, transportando a tal mundividência textual que deverá ser explicitada na tradução. Certas propostas de verbalização são usadas pelo tradutor quando as soluções na LC não são satisfatórias, podendo incluir empréstimos, decalques, etc., contudo, o sucesso de tais resultados pode levar a que actuem além do texto e sejam integrados no sistema da LC (ex.: variantes morfémicas, anglicismos sintácticos, etc.) (cf. Haßler 2001: 165).

As variedades possíveis para esta actividade além da transcodificação poderão restringir-se a duas, se se considerar a tradução por parte de nativos da LC ou a de não- nativos da LC, ou ainda a três, mais incomum, que compreenderia a tradução de não- nativos de LP e LC. Certo será que existe um consenso sobre o facto de os textos traduzidos exibirem aspectos particulares face aos textos originais na mesma língua, tais como frequências divergentes de utilização de meios linguísticos (cf. Sinner 2014: 256).

A literatura consultada parece desvalorizar o conceito de erro como relevante para a aferição da tradução como variedade, reduzindo-o a “tradução incompetente”, como refere Tirkkonen-Condit (2002) e designando-o por “translationese”, termo usado pejorativamente e que remete para conceitos da Linguística das Variedades como o jargão e a gíria, significando uma avaliação negativa da qualidade de uma tradução, por oposição às caracterísitcas linguísticas ou textuais que não podem ser evitadas nos textos traduzidos, os chamados universais de tradução (cf. Tirkkonen-Condit 2002: 208).

Em nossa opinião, porém, e pensando no conceito de competência defendido por Bernardo e apontado em I.2, o conceito de erro não deve ser totalmente relegado da consideração de traduções como variedades, isto se se tiver em conta uma classificação de texto traduzido mais kolleriana e se se pensar que estamos perante uma tradução de trabalho e não uma tradução finalizada. Além disso, consideramos mais adequada a noção de erro avançada por Nord (1991), que difere do mero desvio de uma norma,

convenção ou sistema de regras, da quebra de uma norma numa situação de contacto linguístico, resultado de deficiente competência linguística e factual. Nord disseca esta noção dizendo que se refere a dois tipos de erro: a falta de compreensão será um erro em parte linguístico e em parte pragmático, ligado à recepção; a violação de uma norma pode ocorrer tanto na fase de transfer como de produção do TC. Assim, avança a autora alemã uma noção funcionalista de erro, segundo a qual um enunciado não contém em si a qualidade da incorrecção mas esta é-lhe atribuída pelo receptor à luz de uma determinada norma, surgindo os erros de tradução, por conseguinte, em função do skopos. Um erro de tradução será, assim, a falha no cumprimento de uma instrução de tradução, de uma expectativa de modelo de acção, uma frustração das expectativas (Nord 1991: 187), mas sempre do lado do receptor. Apesar de esta visão estar integrada numa perspectiva pedagógica e de gestão das dificuldades das tarefas tradutórias, julgamos ser útil porque igualmente recoloca o foco no texto traduzido como produto linguístico resultante de contacto e interferência linguísticas, sendo sujeito a fenómenos típicos da comunicação intercultural e da dinâmica de interafectação entre as variedades de uma ou de várias línguas. Com efeito, em Linguística das Variedades, conceitos como gramaticalidade e aceitabilidade não são pacíficos (Sinner 2014: 81) e a catalogação de certas realizações como agramaticais ou inadequadas pode reflectir não apenas mau juízo sobre a variedade em presença, como igualmente uma noção autoritária de política linguística.

Curiosamente, porém, a literatura específica desta área (Delaere 2012: 220) aponta para uma maior estandardização, ou aproximação à norma vigente, nos textos traduzidos, em especial certos tipos de textos (nos quais se insere a nossa tradução de um texto não-ficcional). No caso do estudo de Delaere, ainda assim, tais achados são contrapostos com questões como a real originalidade dos textos originais na LC (o que obrigaria a estudos sobre a influência de L2 nos mesmos), o papel de tradutores literários versus tradutores técnicos na aplicação de tal estandardização, as políticas editoriais e o papel das casas editoriais nos dados encontrados, entre outros (Delaere 2012: 221).

Regressando de novo a um local de consenso, já Baker (1993) havia referido a existência de uma série de fenómenos típicos em tradução relacionados não com os sistemas linguísticos envolvidos mas com o processo tradutório. Os textos traduzidos

serão mais explícitos e menos ambíguos, mais conservadores e mais simplificados, havendo também a tendência para a utilização de estruturas tidas como standard, o evitar repetições e a preferência por construções características da LC (cf. Sinner 2014: 256).

Enquanto que Baker designou tais características de universais de tradução, outros autores usaram termos diferentes, como Toury (1995), que menciona duas leis, precisamente a referida crescente estandardização e a da interferênica do TP. A ideia de normalização assemelha-se ao conceito de convencionalidade de Chesterman (1997), que reformulou a lei de Toury, dado que os tradutores tendem a substituir itens específicos do texto por itens institucionalizados: as traduções tendem a ser menos idiossincráticas e mais convencionalizadas do que os seus originais (Delaere 2012: 206). Stewart (2000), numa referência à visão de Chesterman sobre itens institucionalizados, afirma que essa convencionalização implica que boa parte do uso linguístico é rotineiro, relacionando a hipótese da convencionalidade com o facto de que geralmente se presume que os tradutores produzam uma linguagem menos criativa que os produtores originais. Acrescenta que os tradutores que traduzem para uma língua não-nativa produzem ainda mais texto convencional do que os que o fazem para a sua língua; acrescenta também a ideia de que os corpora podem apresentar uma tendência normalizante nos textos traduzidos e que, quando utilizados no estudo da tradução, na verdade contribuem para a tendência normalizadora ao reduzir o aspecto criativo nas traduções (cf. Delaere 2012: 206).

A explicitude em Baker significa que existirão menos itens potencialmente ambíguos, tais como referências a nomes próprios sem um atributo genérico, ou referências intertextuais por explicar, tais como alusões ou citações. A simplificação lexical implica uma maior raridade de vocabulário menos frequente, prevendo a hipótese da normalização que as traduções tendem a exagerar características frequentes da LC, que metáforas e expressões idiomáticas serão mais convencionais e que as expressões dialectais e coloquiais surgirão menos frequentemente (cf. Tirkkonen-Condit 2002: 208).

Katharina Reiß (1971) sugerira já que as traduções não explorariam todos os recursos linguísticos da LC. Ao discutir os mecanismos de avaliação de qualidade da

tradução sem recurso ao TP, propõe esta autora o teste de se recolher as palavras mais frequentes na LC que não existam na LP e verificar até que ponto surgem na tradução. Estas palavras em falta revelariam se o tradutor domina a LC o suficiente para obter uma boa qualidade na sua tradução. Segundo Reiß, esta regra geral aplicar-se-á não apenas àquelas palavras em falta mas também a todos os conceitos e expressões que são enunciados na outra língua com diferentes meios linguísticos (cf. Tirkkonen-Condit 2002: 209).

A este propósito, Tirkkonen-Condit (2002) avança uma hipótese potencialmente universal que designa de hipótese dos itens únicos. Refere-se ao facto de os textos traduzidos poderem manifestar menores frequências de elementos linguísticos que não dispõem de equivalentes linguísticos na LP, de tal forma que poderiam igualmente ser usados como equivalentes de tradução. Os elementos únicos não serão intraduzíveis, podendo ser fenómenos frequentes, típicos e completamente normais na língua. Serão únicos apenas no que toca ao seu potencial de tradução, dado que não se manifestam de forma semelhante noutras línguas, ou pelo menos nas LP das traduções (cf. Tirkkonen- Condit 2002: 209).

Uma série de estudos com base em corpora e que comparam textos originais e traduções numa mesma língua mostraram que a existência de universais de tradução tem vindo a ser considerada uma consequência do processo de tradução e de edição, permitindo concluir-se que as traduções podem constituir variedades próprias no seio de uma língua (cf. Sinner 2014: 256). Anthony Pym (2008) parece reforçar essa preponderância do processo de produção, propondo que a tendência para estandardizar e para canalizar a interferência da LP são ambas estratégias adversas ao risco e que o seu estatuto enquanto leis possíveis depende da relativa ausência de recompensas para os tradutores que assumem riscos, sendo que será na dinâmica da gestão de risco que se poderão encontrar possíveis leis futuras. Numa tentativa de unificar as contradições que assinala entre as leis de Toury e os universais de Baker, nomeadamente o facto de Baker apenas ter em conta a primeira das leis tourinianas e não considerar suficientemente a interferência, Pym argumenta que os tradutores tendem a estandardizar e a veicular interferência porque são estas as duas formas principais de reduzir ou transferir o risco comunicativo. Se o TP e a CP são autoritários ou prestigiosos, faz sentido permitir que tal prestígio absorva o risco, produzindo assim interferência. Da mesma foram, se a

sintaxe da LP é particularmente difícil de interpretar, faz sentido investir em reduzir-lhe a incompreensibilidade, produzindo assim estandardização (cf. Pym 2008: 19). Revemo-nos nestas últimas observações no que toca à tradução que empreendemos.

Não se deve confundir esta questão de se considerar a tradução como variedade própria no seio de uma língua com o desafio que representa a variação diassistemática para a tradução. Podemos aventar, contudo, que um TC é variedade no seu, digamos, diassistema de chegada (DC) também porque qualquer TP se insere num diassistema próprio, de partida (DP). Apoiamo-nos aqui, novamente, na noção de lealdade de Nord para com a intenção do emissor e na observação de que os factores de análise textual propostos remetem na sua totalidade para categorias e dimensões elas próprias integrantes do posicionamento do TP como variedade da língua, ou como locus variacional.

Encontra-se isto em linha com a já extensa literatura tradutológica que avança tipologias de variedades relevantes para a tradução. Sinner (2014) refere a de Catford (1965), bem como a de Mayoral (1990), uma sintetização da catfordiana, que inclui variedades mediais, estilísticas, origem geográfica, individuais (etnolecto), de género, etárias, temporais (estados de língua, segundo Catford), socio-económicas, profissionais, temáticas (registo) e segundo o tipo de texto (cf. Sinner 2014: 259). No contexto da equivalência conotativa em tradução, Koller (1992) menciona as dimensões diassistemáticas sob a forma de conotações: relativas ao nível de língua, sociais (específicas de grupos), atinentes à origem geográfica, próprias do meio, específicas do efeito estilístico, típicas da frequência, especiais do domínio de aplicação (linguagem técnica) e particulares em termos de avaliação (cf. Sinner 2014: 261).

Tradicionalmente, os trabalhos sobre tradução de variedades diassistemáticas têm-se debruçado mais preferencialmente sobre o nível diatópico, menos sobre o diastrático, e mais sobre os textos literários ou ficcionais (cf. Sinner 2014: 262)20.

Interessam-nos mais, pela natureza do nosso projecto, os textos não-ficcionais, nos quais parece reinar o consenso de que o problema da variação em tais textos se reduz à

20 Um exemplo clássico desta problemática em Tradutologia é a peça Pygmalion, de Bernard Shaw. Destacamos a sua abordagem por Ramos Pinto (2008), que analisa, do ponto de vista dos estudos descritivos e com base em corpora, as estratégias tradutórias de recriação ou não recriação da variação linguística de partida por relação com a manutenção da relação de equivalência formal entre coerência interna de ambos os textos e suas consequências para a função prospectiva do TC.

detecção de pistas que a denunciem e à sua dissolução em língua comum/norma-padrão pela tradução (Sinner 2014: 270). Em termos do exercício da profissão, a presença de variedades diassistemáticas em textos não-ficcionais desempenhará papel relevante apenas no sentido em que o tradutor deverá saber reconhecer certas estruturas como marcas dialectais ou construções passivas próprias de uma variedade diatópica ou diastrática e diafásica (linguagem médica em alemão e em português, por exemplo), bem como reconhecer que tais estruturas não são transponíveis (Sinner 2014: 270). Contudo, esta redução de marcas dialectais à norma-padrão no TC não se coaduna com a necessidade de se identificar com precisão as relações intralinguais entre termos aparentemente idênticos mas provenientes de variedades (tecnolectos, por exemplo) específicas de tais línguas e com realizações também específicas nas variedades da LC21. A designação “variacionista”, por exemplo, parece ser mais frequente na literatura

sobre Linguística das Variedades (ou variacional) preponderante no português do Brasil, devido a uma maior influência da sociolinguística laboviana.

Seria necessária uma análise mais detalhada à tradução de trabalho que incluimos neste projecto para se avaliar de que maneira as observações atrás expostas se conformam aos resultados da análise ao TP por nós obtidos. As nossas expectativas vão no sentido, contudo, de que o nosso TC apresentará crescente estandardização, conservadorismo e menor criatividade que o TP e outros textos originais comparáveis na LC.

21 Especialmente no caso das línguas pluricêntricas como o português e tendo em conta a forte ancoragem cultural de muitos textos não-ficionais - textos jurídicos, por exemplo.

CONCLUSÕES

Christiane Nord (1991) refere que o processso tradutório circular pode ser visto por analogia com um conceito hermenêutico moderno em que o círculo de compreensão constitui uma metáfora para a interdependência de movimentos de tradição e do movimento do intérprete (cf Nord 1991: 35, citando Gadamer 1972). Levý (1967) havia já chamado a atenção para o jogo com informação completa, em que cada jogada é influenciada pelos conhecimentos adquiridos na anterior e pela situação daí resultante (in Nord 1991: 35). Paepcke (1986) sustenta que a base da tradução é a interpretação e que, também devido ao papel de actor social por parte do tradutor, o processo de tradução, como pergunta aberta que é, permanece sempre inacabado.

Concordamos com esta visão e o nosso projecto reflecte isso mesmo. A análise que empreendemos poderia conter níveis sucessivos de profundidade e rigor que iriam influenciar a utilização das peças do jogo comunicativo. Por este motivo, e também devido às limitações de tempo e escopo que se nos apresentam, esta memória não inclui ainda uma análise crítica ao TC, dando apenas a entender que traços são expectáveis na mesma (e que podem ser contrastados com os trechos anexados) com base na análise textual do TP.

A essa incompletude do processo não serão alheias as dificuldades e problemas que sentimos, recorrendo à tipologia enunciada por Nord (1991).

Quanto às primeiras, pensamos ter sentido com maior veemência as dificuldades dependentes do tradutor, um nível de conhecimento e competência por vezes insuficientes, tendo em conta que mesmo o tradutor mais experiente encontra dificuldades relacionadas com a inexistência de uma competência total, havendo sempre uma décalage entre o domínio da LP e o da LC, a nativa;

dificuldades pragmáticas relacionadas com a não formulação clara de instruções de tradução, dado que, no nosso caso, foram sendo definidas ao longo do processo;

dificuldades técnicas, resultantes da diferença de conhecimentos entre a temática e conteúdo do TP e o nível de conhecimento do tradutor, o que se tentou minorar com a consulta de textos paralelos e de textos de referência, bem como de materiais de apoio (como o Dicionário de Termos Linguísticos, organizado por Maria Francisca Xavier e Maria Helena Mateus, e a composição de um glossário).

No que toca aos problemas, pensamos que:

a nível pragmático, a situação de uso do TP apresenta diferenças substanciais face à situação prospectiva do TC (espaço, pressupostos, meio), mas não obstam estes (em virtude da preponderância temática) a uma equifuncionalidade pragmática;

ao nível das convenções, não parece haver diferenças abissais, inclusive havendo indícios de assimilação, por parte da CC, das convenções da CP por apresentar menor estatuto;

em termos de problemas linguísticos, certas diferenças estruturais entre LP e LC ao nível lexical e sintáctico permanecem por resolver na nossa análise, nomeadamente uma análise terminológica sistemática e o aprofundamento da análise tema-rema e dos tipos de frases, manifestamente por falta de uma