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Hafta Konuları 1

DERS TANITIM FORMU

47 Fonte: Supremo Tribunal Federal dos Estados Unidos do Brasil. Processo 16.037. Recurso de Habeas-Corpus\18 de julho de 1925, p. 34\35, p. 32; 33. Imagem

Anexa 7 e 8. Referência:

Figura 1: Fonte: \ Revista Era Nova, 04 de Outubro de 1923.

Segundo informações da Guarda Civil, durante os setes anos que trabalhou como na instituição, aparentemente nunca foi preso, apresentando boa conduta. Antônio Carlos havia entrado para a Guarda Civil do Estado da Parahyba do Norte no ano de 1917, como guarda de segunda classe, para servir por dois anos. E em junho de 1922, segundo documento expedido pelo Major Comandante da Guarda Civil da Capital (Rodolpho Athayde), foi excluído do estado efetivo da corporação, a seu pedido. Em 18 de julho de 1923, foi reincluido no estado efetivo desta corporação, para servir por mais dois anos, como guarda de terceira classe (de número 33). Sua exclusão definitiva só saiu em março de 1925. 49

Nas circunstâncias narradas acima, o Roteiro Policial, no Capitulo IX, art. 44, § VI, VII, e VII (1917, p. 16 e 17), respectivamente, orientava os oficiais de justiça e outros agentes da policia a: empregar o grau de força necessário para efetuar a prisão, se o intimado o não obedecesse e procurasse evadise; se tomar ao preso qualquer arma encontrada em seu poder, e a fazer presente a autoridade que ordenou a prisão, e usar das armas que forem necessárias para a sua defesa, se o intimado a prisão resistir armado; no entanto, segundo Nicolau T. das Neves, no momento que viu Sady ferido sob o calçamento, não havia arma nenhuma com ele. Já no momento da prissão do guarda 33, este se encontrava com seu cassetete à mão, mas ouvira dizer que o aludido cassetete fora antes do crime arrebatado das mãos do denunciado pelo estudante e seus colegas.

Vale resaltar que ambas os testemunhos elencadas há pouco foram usadas pela defesa do acusado para tentar, em 1925, a nulidade do processo, para só assim, ser “processado na forma legal e julgado por juiz competente”. Portanto, a análise das fontes em questão requer atenção, pois elas foram usadas para reforçar os argumentos da defesa em favor do guarda 33. Segundo a primeira testemunha, o guarda 33, ao tentar efetuar a prisão do estudante Sady, havia sido agredido e teve seu cassetete tomado de suas mãos pelo próprio Sady que, em seguida, passou para as mãos dos demais estudantes. Já a segunda testemunha reforça essa

49 Fonte: Supremo Tribunal Federal dos Estados Unidos do Brasil. Processo 16.037. Recurso de Habeas-Corpus\18 de julho de 1925. Titulo de Eleito de Antonio Carlo de Menezes. Imagem Anexa 13. Referência.

Figura 2. Fonte: NÓBREGA, Trajano Pires da. A Família Nóbrega. São Paulo: Instituto Genealógico Brasileiro, 1956, p. 152.

afirmação, acrescentando os bons antecedentes do guarda 33, bem como coloca em dúvidas quaisquer desavenças anteriores entre eles. O fato doe o guarda 41 afirmar que, no momento em que efetuou a prissão do acusado, o mesmo estava de posse da referida arma, bem como não ter ele encontrado arma nenhuma junto ao moribundo Sady, não necessariamente desqualifica a primeira testemunha, pois o mesmo ouviu dizer por terceiros, que antes, a referida arma (cassetete) havia sido tomada das mãos do guarda 33 pelos estudantes. Por outras razões que desconheço as demais testemunhas não aparecem nas peças jurídicas encontradas.

Assim, enquanto o guarda era conduzido preso, o estudante Sady Castor achava-se caído no chão, agonizando em sangue, rolando no chão, “nas convulsões terríveis dos últimos momentos de vida”. A notícia de que um estudante havia sido baleado se espalhou com rapidez, provocando uma aglomeração não só de amigos da vitima, mas também de professores, alunos de outras escolas e curiosos nas proximidades do Jardim Público, causando, inclusive, momentos de pânico à saída das aulas da Escola Normal. Ágaba, ao saber acerca de quem se tratava, passa mal e desmaia nos braços de suas amigas ainda no interior da Escola (VASCONCELOS, 2009, p. 66.).

Socorrido rapidamente por amigos e professores do Lyceu, o rapaz foi levado no automóvel do 22 BC - Batalhão de Caçadores - até a residência do então Juiz Federal, Dr. Francisco de Gouveia Nóbrega, residente na Av. General Osório.

O Dr. Francisco de Gouveia Nóbrega, nascido em S. Brás, Município de Soledade, no dia 18.06.1865, era o parente mais próximo da família Castor residente na Capital. Proeminente bacharel em Direito pela Faculdade de Recife, em 1892, atuou como advogado e promotor público, até ser eleito deputado para a Assembleia Legislativa do Estado, na terceira Legislatura, de 1896 a 1899. Em seguida, ocupou o cargo de fiscal do Governo Federal junto ao Liceu Parahybano. Na época do crime, era juiz substituto na Parahyba, cargo que exerceu durante 29 anos. Pai de Silvino Carneiro da Cunha Nóbrega, Dr. Cassiano Carneiro da Cunha Nóbrega, Maria da Piedade Nóbrega de Andrade, Francisco Carneiro da Cunha Nóbrega, Dr.

Fernando Carneiro da Cunha Nóbrega, Dr. Genard Carneiro da Cunha Nóbrega, Dr. Apolônio Carneiro da Cunha Nóbrega, Dr. Humberto Carneiro da Cunha Nóbrega estes últimos muito próximos de Sady (NÓBREGA 1956 p.150). Na verdade, o Dr. Gouveia era cunhado do Coronel Carlos Castor, Tio de Sady Castor. Segundo Inocêncio Nóbrega (1974, p. 72), o Dr. Carlos Castor era cassado com Francisca Nóbrega, então Irmã do Dr. Francisco Gouveia e foi, propriamente, o primeiro prefeito de Soledade, iniciando sua administração em 1895, após sua vinda do Amazonas, ficando no cargo até 1905.

O trajeto até a caso do Dr. Gouveia era rápido, ainda mais feito de carro até a Av. General Osório, alguns quarteirões por traz do Palácio do Governo. Chegando lá, rapidamente, recebeu as primeiras assistências dos médicos Adhemar Londres e Newton de Lacerda. Apesar dos esforços destes, Sady veio a falecer por volta das 16 horas, logo após receber os últimos sacramentos ministrados pelo Padre José Coutinho50. Menos de 45 minutos depois da morte de Sady os estudantes “saíram em massa pelas ruas da cidade em protestos veementes contra tão horripilante cena de barbaridade”. (VASCONCELOS, 2009, p79). Segundo Menezes (Apud NÓBREGA, 1950 p. 158 a 160), “mal acabava de falecer o estudante Sady [...] uma revolta coletiva dominou a fisionomia da gloriosa Filipéia de Nossa Senhora das Neves; os colegas do morto apedrejaram sem reação, o edifico da guarda civil”, uma prévia do que viria acontecer no dia seguinte.

Em sinal de luto, os liceanos solicitaram aos representantes da família de Sady na Capital, o Dr. Francisco Gouveia Nóbrega, para que seu corpo fosse velado no salão nobre do Lyceu, em "câmara ardente" durante toda noite. O velório de Sady foi um dos raros momentos em que o salão nobre do Lyceu serviu para este fim, ficando lotado. Na ocasião, contaram com a presença de amigos, alunos de outras escolas, professores, jornalistas, familiares e “expoente da sociedade parahybana”, que se revezaram em discursos inflamados, gerando grande comoção. Ao mesmo tempo em que o corpo era velado, uma comissão de estudantes visitava a sede do jornal A União, a fim de que se fizesse público o convite ao sepultamento na manhã do dia seguinte51.

O corpo foi velado por toda a noite de sábado e madrugada de domingo, coberto de flores, entre quatro círios e coroas que chegavam a toda hora, com mensagem “lembranças dos alunos do Lyceu Parahybano: Homenagem do Corpo Docente do Lyceu Parahybano; Ao Sady Castor, lembranças da Diretoria do Lyceu Parahybano”, além de inúmeras outras coroas

50 Fonte: Jornal A União 25/09/1923. Imagem Anexa 14. Referência: Dscn 5588.

de flores e ramalhetes, enviados aos colegas do morto de vários cantos da Cidade. Durante a madrugada, ainda era considerável o número de pessoas presentes, ficando uma grande quantidade de alunos ao lado do caixão por toda a madrugada52.

No dia seguinte, domingo, 23 de setembro, por voltas das 08h00min da manhã, o cortejo sai da porta do Lyceu em direção ao Cemitério Senhor da Boa Sentença, sendo presenciado por uma multidão de pessoas, acompanhada pela banda de música do exército que executou as machas do estilo53. Entre as pessoas ali presentes, o repórter do jornal Correio da Manhã registra os nomes do Sr. Severino de Lucena, oficial do gabinete da Presidência do Estado, representando o presidente Sólon de Lucena (que se encontrava adoentado), autoridades e funcionários públicos, professores e alunos de varias escolas, oficiais do exército, advogados, médicos, negociantes, operários, sacerdotes e muitas crianças54. A comoção tomou conta de todos os presentes. Acompanhando o cortejo, a banda de música do 22 BC - Batalhão de Caçadores - tocou várias machas fúnebres.

O cortejo desceu pela Rua da República, passando pela Praça Venâncio Neiva. Não só nesse logradouro como em todo o percurso, viam-se vários grupos de famílias, que aguardavam o préstito repleto de pessoas em todas as janelas e portas. Segundo o repórter do jornal O Norte, Gabriel de Oliveira, o enterro de Sady foi um dos maiores acontecimentos do tipo já visto pela Cidade, só equiparado ao de Dom Ulrico Sonntag55. O Dr. Lindolpho Correia, diretor do Lyceu Parahybano, recebia copiosos votos de pesar, entre os quais os de Srs. Drs. Baete Neves, encarregada do Serviço de Esgoto desta Capital e Octávio Rocha, da Profilaxia Rural. Após os discursos e aplausos, a encomendação do corpo e bênção do túmulo foram feitas pelo Reverendo Monsenhor Odilon Coitinho, auxiliado pelo cônego Pedro Anysio. O Cemitério se tornou intransitável56.

No cemitério, ao baixar o corpo à sepultura, falou em nome do corpo discente o estudante César de Oliveira Lima e, em seguida, o professor Miguel Santa Cruz, em nome do corpo docente do Lyceu, seguindo pelo Coronel José Peregrino de Medeiros (pai de Ágaba), pela loja maçônica – Regeneração do Norte. Todos os oradores estavam sensivelmente

52 Fonte: Jornal A Tarde, 24 de setembro de 1923 [s/n]: ESTUDANTES QUE PASSARAM A NOITE VELANDO O CADAVER. Imagem Anexa 16.

Referência. PTDC0091.

53 Fonte: Jornal A tarde, 24 de setembro de 1923 [s/n]: DA ENORME MULTIDÃO QUE ACOMPANHOU, DESTACAMOS OS SEGUINTES. Imagens