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regulando a cláusula compromissória arbitral e possibilitando a concessão de tutelas de

urgência pelo árbitro, fazendo com que o processo arbitral tenha menos pontos de encontro

com o juízo estatal, sendo certo que, quanto mais a arbitragem venha a necessitar do Poder

Judiciário, mais prejudicados ficam a celeridade e o sigilo dos atos

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(principais qualidades

da arbitragem, juntamente com a especificidade do árbitro

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), isto é, mais comprometido

fica o próprio instituto da arbitragem

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.

78 Para se ter uma idéia da demora brasileira em regular de forma eficaz a arbitragem, verifica-se que a

Convenção Interamericana sobre Arbitragem Comercial Internacional (subscrita pelo Brasil) é de 30 de janeiro de 1975. Igualmente, enquanto a Bélgica (em 1972), a França (em 1980), Portugal (em 1986), a Itália (em 1983) e a Espanha (em 1988) aboliram ou mitigaram as exigências de homologação da sentença arbitral, isso somente veio a ocorrer no Brasil em 1996, com a Lei n.º 9.307/96 (Cf. CARMONA, Carlos Alberto. Arbitragem e Processo..., p. 5). Com relação às arbitragens para soluções de conflitos oriundos do comércio internacional, a burocracia e a lentidão legislativa no Brasil continuam emperrando a adoção de tratados e convenções sobre o tema. Como lembra LUIS FERNANDO GUERRERO, a Convenção de Viena sobre contratos de compra e venda internacional de mercadorias, que foi desenvolvida pela UNCITRAL (sigla em inglês para a “Comissão das Nações Unidas para o Direito Comercial Internacional”) e assinada em abril de 1980, ainda depende da atuação de nosso Congresso para a sua aprovação e para a sua aplicação expressa no Brasil, embora já tenha sido “aprovada por mais de 78 países, representativos de mais de 90% do comércio mundial e de 75% do comércio internacional brasileiro”. Para suprir essa demora na aprovação da Convenção de Viena pelo Congresso brasileiro, “são cada vez mais comuns cláusulas compromissórias em contratos, abarcando empresas brasileiras, que indicam a Convenção de Viena como ‘regra de direito’ a ser utilizada para a solução de litígio em vez da lei nacional de cada uma das partes, que figura em uma relação de compra e venda internacional de mercadorias.” (in “Convenção de Viena e a arbitragem”, matéria publicada no jornal “Valor Econômico”, caderno “Legislação e Tributos”, de 15/06/2012).

79 BRUNO OPPETIT destaca que “o tribunal arbitral não se submete ao princípio da publicidade; ao contrário, o

segredo protege suas deliberações.” (Etudes offertes..., p. 192). Isso porque, na França, o art. 1479 do Código de Processo Civil prevê, expressamente, o sigilo da decisão arbitral: “Arte. 1479. Les délibérations du

tribunal arbitral sont secrètes.” (trad. livre: “Art. 1479. As decisões do tribunal arbitral são secretas.”). NEIL ANDREWS também pontifica que “arbitration does not embody the principle of publicity. This is because

arbitration proceedings are not held in public but are instead confidential.” (trad. livre: “a arbitragem não abarca o princípio da publicidade. Isso porque os processos arbitrais não correm em público, mas, ao revés, são confidenciais.”) (Arbitration and mediation in England..., p. 111). JOSÉ ANTÔNIO FICHTNER, SERGIO NELSON MANNHEIMER e ANDRÉ LUÍS MONTEIRO mencionam que, “inegavelmente, a confidencialidade na arbitragem é uma qualidade reconhecida internacionalmente. A Comissão das Nações Unidas para o Direito do Comércio Internacional, em suas Notes on Organizing Arbitral Proceedings, de 1996, reconhecem na primeira parte do item 31, que ‘it is widely viewed that confidentiality is one of the advantageous and helpful

features of arbitration’.” (“Cinco pontos sobre a arbitragem no Projeto do novo Código de Processo Civil”. Revista de Processo – RePro, ano 37, n.º 205. São Paulo: RT, março de 2012, pp. 307/331, p. 321). O Projeto de Lei n.º 8.046/2010, em trâmite na Câmara dos Deputados, que institui um novo CPC, contém previsão que preserva a confidencialidade da arbitragem no processo judicial: “Art. 164. Os atos processuais são públicos. Correm, todavia, em segredo de justiça os processos: (...) IV – que dizem respeito ao cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo”.

80 NEIL ANDREWS anota que a arbitragem “offers the benefits of (i) confidentiality, (ii) consensual choice of

arbitrator and (iii) selection of substantive norms, (iv) potential procedural flexibility, and (v) speedy enforcement of norms.” (trad. livre: “oferece os benefícios da (i) confidencialidade, (ii) escolha consensual do árbitro e (iii) seleção das normas substantivas, (iv) potencial flexibilidade do procedimento, e (v) celeridade da execução das decisões.”) (Arbitration and mediation in England…, p. 108). O autor ainda ressalta que os

Não há dúvida, pois, de que a Lei n.º 9.307/96

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, instituiu

uma nova visão sobre a arbitragem, possibilitando a efetiva utilização desse meio de

solução de controvérsias no país em maior escala e com mais segurança, tanto por pessoas

físicas, como jurídicas, para o fim de dirimir questões envolvendo direitos patrimoniais

disponíveis.

árbitros não precisam ser advogados, podendo ser escolhidos pelas partes com base em sua especialidade, em seu conhecimento e na sua experiência (idem, p. 114).

81 BRUNO OPPETIT alerta que a “freqüente utilização – da jurisdição estatal pela arbitragem – ameaça alterar a

natureza profunda da justiça privada”, bem como que o “vai e vem contínuo entre os recintos arbitrais e o palácio da justiça” deve ser corrigido. Caso contrário “tais desvios – cujos primeiros responsáveis são as partes e seus advogados -, pelos custos, pelo prolongamento dos procedimentos e complicações decorrentes, comprometerão a utilidade e a própria vocação da arbitragem.” (OPPETIT, Bruno. Etudes offertes..., p. 194). Corroborando esse entendimento, PAULO HOFFMAN ressalta “que essa intervenção [do Poder Judiciário na arbitragem] deve ser sempre residual e limitada a casos estritamente necessários, sob pena de aniquilar-se com o processo arbitral.” (HOFFMAN, Paulo. “Arbitragem: algumas dúvidas processuais práticas quando o juízo estatal é chamado a intervir”. Arbitragem no Brasil – aspectos jurídicos relevantes. JOBIM, Eduardo; MACHADO, Rafael Bicca (coord.). São Paulo: Quartier Latin, 2008, pp. 301/326, p. 309).

82 Ressalte-se que, dezesseis anos após o início da vigência da Lei de Arbitragem brasileira, o Senado Federal

criou uma comissão especial para elaborar o anteprojeto de sua reforma, comissão essa que será presidida pelo Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO e que será composta pelos juristas: MARCO MACIEL,JOSÉ ANTÔNIO FICHTNER, CAIO CESAR ROCHA, JOSÉ ROGÉRIO CRUZ E TUCCI, MARCELO ROSSI NOBRE, FRANCISCO ANTUNES MACIEL MUSSNICH, TATIANA LACERDA PRAZERES, ADRIANA BRAGHETTA, CARLOS ALBERTO CARMONA, ELEONORA COELHO, PEDRO PAULO GUERRA DE MEDEIROS, SILVIA RODRIGUES PEREIRA PACHIKOSKI e FRANCISCO MAIA NETO (www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI168151,31047-Designada+ comissao+que+ira+elaborar+proposta+de+atualizacao+da+lei+de. Acessado em 03/12/2012). Na justificativa da proposta apresentada pelo Senador Renan Calheiros, ele afirmou que a arbitragem cresceu muito desde a sanção da Lei n.º 9.307/96, bem como que as regras do instituto precisam ser atualizadas. O Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO disse que o objetivo da comissão “é fortalecer a arbitragem como meio viável e célere de resolução de conflitos”, lembrando que “por mais curioso que possa parecer, é o próprio Judiciário que vem fortalecendo e atualizando de forma indireta a Lei de Arbitragem. Os precedentes do STJ vêm no sentido de garantir a autonomia da decisão arbitral.” (cf. www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area= 398&tmp.texto=106824. Acessado em 04/09/2012).

CAPÍTULOIII

NATUREZAJURÍDICADAARBITRAGEME A SUA

IMPORTÂNCIA NA DELIMITAÇÃO DOS PODERES DO

Benzer Belgeler