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Tamamlayıcı Etkis

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ATAD’IN DAVAYA İLİŞKİN KARARI, İHLAL DAVASINDA BİREYLERİN ROLÜ VE İHLAL DAVASININ ÖNKARAR USULÜ İLE İLİŞKİSİ

B. ÖNKARAR USULÜNÜN İHLAL DAVASI İLE İLİŞKİSİ

1. Tamamlayıcı Etkis

Entre os pensadores que se voltaram “exclusivamente para as coisas que deviam a existência ao homem”, Vico, o autor de Ciência nova, de 1725, ocupa um lugar proeminente, uma vez que também se colocou como tarefa analisar as possibilidades e os limites do conhecimento. Há um consenso entre os intérpretes de Vico de que se trata de um pensador um tanto fora de seu tempo, incompreendido por seus contemporâneos e cuja escrita um tanto barroca afugentava os leitores.

O historiador Peter Burke diz que a influência de Vico se fez notar em pensadores tão distintos como Herder, Goethe, Michelet (que o traduziu e dizia ter nascido de Vico), Marx, Cassirer, Auerbach, Joyce (“minha imaginação cresce quando leio Vico”) e Croce.102 O fato

de que pensadores tão distintos tenham manifestado apreço pelas ideias de Vico sugere certo ecletismo em sua obra.103 A própria Arendt (1992, p. 111) reconhece que a influência de Vico seria sentida “mais de duas gerações após a sua morte”. Não foi possível determinar o grau da influência de Vico na reflexão histórica de Arendt, mas é provávelmente maior do que ela

102 Cf. BURKE, 1997b, p. 17.

103 Devemos essa observação à arguição do professor Elias Thomé Saliba, por ocasião do exame de qualificação

própria admite, especialmente quanto ao tema da imaginação, que os intérpretes da autora atribuem à influência de Kant e que ela aborda de forma mais detida nas Lições. Trata-se de um tema que tem profundas ressonâncias na obra de Arendt, pois vai ao cerne do trabalho historiográfico, uma vez que a imaginação, diferentemente da pura fantasia, é a capacidade de tornar presente o que está ausente.104

Burke (1997b, p. 85-6, grifo nosso) ainda recorda que Vico “tinha um notável talento para ver o geral no particular e, assim, elaborar hipóteses que se revelaram férteis. Este é um lembrete salutar à nossa comunidade científica sobre a importância da imaginação histórica”. Ora, a partir do que se viu até aqui, não se pode dizer exatamente o mesmo em relação a Arendt?

Convém notar que ela conhecia a obra do historiador inglês Collingwood, tradutor e divulgador da obra de Vico. Fuster Peiró (2005, p. 409), que examinou os papéis de Arendt na Biblioteca do Congresso Americano, comenta que

Arendt não foi a única pensadora a advertir sobre a importância da imaginação nas ciências históricas. Antes dela, o filósofo inglês Robin George Collingwood, seguindo o empreendimento de Kant, vai conceder à imaginação um papel central ao trabalho do historiador.105

Para Collingwood (1972, p. 299), a principal tarefa da imaginação histórica é a de “imaginar o passado: não um objeto de possível percepção, uma vez que já não existe, mas um objeto suscetível de se tornar, através da imaginação histórica, um objeto do nosso pensamento”. Apesar da importância da imaginação histórica para Arendt, ela parece procurar em Vico menos o autor de “notável talento para ver o geral no particular”, conforme apontou Burke, e mais o pai da moderna consciência historiográfica para quem só podemos conhecer algo quando nós o fazemos. Menos as “hipóteses que se revelaram férteis”, e mais o antípoda de Descartes, para quem o estudo da história (das letras) seria um desperdício, já que não proporcionaria nenhum conhecimento verdadeiro. Nesse aspecto, Arendt segue Collingwood (1972, p. 88-9), para quem Vico estava à procura de um princípio capaz de “distinguir aquilo que pode ser conhecido daquilo que não pode ser”, o que encontrará na doutrina

104 Cassirer (1997, p. 294, grifo nosso) sublinha: “Os grandes historiadores [...] não carecem de “espírito poético.

É da perspicácia para a realidade empírica das coisas, combinada ao talento livre da imaginação, que depende a síntese ou a sinopse histórica”.

105 Na mesma página, Fuster Peiró comenta numa nota que Arendt faz uma referência crítica à obra de

Collingwood (1889-1943), bem como a M. Oakeshott e E. R. Carr em dois cursos inéditos que têm o mesmo título Political Experiences in the Twentieth Century: um deles em 1965, na Universidade de Cornell, e o outro na primavera de 1968, na New School for Social Research.

[...] de que verum et factum convertuntur: isto é, a condição de ser capaz de conhecer verdadeiramente qualquer coisa, de compreendê-la como oposta à sua simples percepção, é que o próprio conhecedor a tenha criado. [...] Conclui-se do princípio do verum-factum que a história – que é algo feito enfaticamente pelo espírito humano – está especialmente apta a ser objeto de conhecimento humano.

Assim, na perspectiva de Vico, da mesma forma que Deus pode conhecer a natureza porque Ele a fez, os homens podem conhecer a história porque a fizeram. Trata-se, portanto, de um empreendimento com profundo caráter epistemológico, uma vez que entre os objetivos de Vico estava o desenvolvimento de um saber racional acerca da sociedade civil com o fito de compreender a autoria das práticas humanas. Assim, diferentemente de Agostinho, Vico abria espaço à liberdade humana da ação do homem na história, ainda que permaneça latente em sua obra uma tensão entre a liberdade humana e a providência divina.

Para Arendt (1992, p. 88), a atitude pragmática de Vico “já é a razão inteiramente articulada pela qual voltou sua atenção para a História e se tornou assim um dos pais da moderna consciência histórica”. Tal atitude implicou um deslocamento da ênfase “do interesse das coisas para o interesse em processos, dos quais as coisas iriam em breve se tornar subprodutos quase que acidentais” (p. 88, grifo nosso).106 O alegado pragmatismo de

Vico, porém, tinha uma importância meramente teórica:

Para Vico, como mais tarde para Hegel, a importância do conceito de História era basicamente teórica. Jamais ocorreu a nenhum deles aplicar este conceito utilizando-o diretamente como um princípio de ação. Concebiam a verdade como sendo revelada ao vislumbre contemplativo e retrospectivo do historiador, o qual, por ser capaz de ver o processo como um todo, estaria em posição de desprezar os “desígnios estreitos” dos homens de ação, concentrando-se em vez disso nos “desígnios superiores”, que se realizam por detrás de suas costas (ARENDT, 1992, p. 112).

Entretanto, se para Vico e para Hegel o conceito de fazer história não era concebido como princípio de ação, isto é, a ação não era concebida prospectivamente, à imagem de um processo de fabricação, mas sim retrospectivamente – e só nesse sentido retrospectivo pode-se falar que o historiador fabrica uma história, que ele verdadeiramente a faz como autor –, o mesmo não se deu em Marx. Para Arendt, o sentido da história, por princípio algo desconhecido e incognoscível, transformou-se em Marx numa finalidade da ação. Explorando essa indistinção entre sentido e finalidade, Arendt (1992, p. 114) vai procurar demonstrar que,

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O interesse que a questão desperta para este trabalho – a ser retomado no último capítulo – é que um dos pilares da educação moderna é justamente a crença de que “só é possível conhecer e compreender aquilo que nós mesmos fazemos” (ARENDT, 1992, p. 232).

quando “os sentidos são degradados em fins, segue-se que os próprios fins não mais são compreendidos, de modo que, finalmente, todos os fins são degradados e se tornam meios”.

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