2.2. Talep Tahmini
2.2.6. Talep Tahmini ile İlgili Çalışmalar
Pelo fato de se ter uma amostra ampla (oito cidades pequenas e seus respectivos estabelecimentos industriais principais) para o debate da pesquisa é preciso esclarecer que as argumentações embasam-se numa visão panorâmica, bem como no sentido qualitativo da argumentação. O objetivo não é apresentar uma análise aprofundada das particularidades e especificidades das cidades pequenas, e muito menos oferecer um leque variado de estatísticas e descrições a respeito do fenômeno da indústria no cenário quantitativo.
O texto prioriza a discussão geográfica, a análise subsetorial da indústria e dos principais estabelecimentos industriais instalados nas cidades pequenas selecionadas para a investigação (trazendo reflexões em tópicos distintos ou em conjunto acerca desses centros e de seus estabelecimentos). Embora, saliente-se que as cidades pequenas apresentam suas singularidades enquanto centros diferenciados entre si (como será levantado adiante), particularidades no que diz respeito a sua inserção na rede urbana e aspectos mais amplos (gerais) comuns, como inserção na economia de mercado, participação na divisão territorial do trabalho, atendimento das demandas mínimas da população, etc.
Tal empreitada intenta responder, portanto, ao objetivo específico de avaliar as informações coletadas nas empresas e órgãos relacionados à indústria, procurando evidenciar em diferentes momentos as estratégias espaciais das empresas e as interações espaciais no que diz respeito à circulação de mercadorias, compra de matérias-primas, centros consumidores, etc., no contexto da difusão espacial da produção industrial, na região suplementar-articulada de Presidente Prudente.
Assim, caberia ressaltar que a literatura sobre interações espaciais é bastante ampla e diversa e, por isso, neste trabalho tomou-se o devido cuidado de selecionar teoricamente as interpretações de Roberto Lobato Corrêa (1997, 2006) para embasar as interpretações analítico-descritivas elaboradas, reconhecendo que:
As interações espaciais constituem parte integrante e tradicional do temário geográfico. A continuidade desta tradição, em um mundo que rapidamente tem suas interações complexificadas constitui uma tarefa que os geógrafos devem assumir, visando contribuir para, através de sua visão particular da realidade, torná-la desmistificada e inteligível. (CORRÊA, 1997, p. 314).
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Em linhas gerais, são interpretadas as interações que se constituem em ligações amplas que podem se processar tanto no âmbito de fluxos de pessoas (o que envolve necessariamente a dimensão de fixos), quanto de dinheiro, ordens, relações de consumo, bem como:
As migrações em suas diversas formas (definitivas, sazonais, pendulares etc.), as exportações e importações entre países, a circulação de mercadorias entre fábricas e lojas, o deslocamento de consumidores aos centros de compras, a visita a parentes e amigos, a ida ao culto religioso, praia ou cinema, o fluxo de informações destinadas ao consumo de massa ou entre unidades de uma mesma empresa são, entre tantos outros, exemplos correntes de interações espaciais em que, de uma forma ou de outra, estamos todos envolvidos. (CORRÊA, 1997, p. 302).
Desse modo, pelo fato das interações espaciais serem muito extensas, neste texto, serão consideradas apenas as interações no âmbito da dimensão econômica, no que diz respeito ao universo dos estabelecimentos industriais, no circuito de aquisição de matérias-primas, mercados consumidores, bem como à interpretação das exportações e importações nas cidades pequenas (como já adiantado anteriormente).
Com isso, cabe frisar que os outros capítulos já tocaram, em diferentes momentos, alguns pontos da realidade socioespacial encontrada nesses pequenos centros e fazem parte do estilo do autor em não revelar o conteúdo desses centros de maneira direta e em único tópico, mas de contemplá-los à luz de todo trabalho, em diferentes momentos, fazendo com que o leitor “pince” em cada detalhe descrito o desejo de mais bem conhecer o recorte espacial da pesquisa e ao final do trabalho construa uma leitura geral sobre o assunto. A abordagem é conseqüentemente pouco específica.
Neste intuito, a tarefa é organizar a argumentação em torno das interações espaciais e estratégias espaciais dos principais estabelecimentos industriais nas cidades pequenas (na escala municipal) de Dracena, Adamantina, Lucélia, Osvaldo Cruz, Álvares Machado, Pirapozinho, Rancharia e Presidente Epitácio.
Tais variáveis foram pensadas a partir da escala municipal, embora o foco analítico seja as cidades pequenas (como mencionado anteriormente). Em termos de PIB (em milhões de reais correntes), em 2006, o destaque foi Rancharia que apresentou o maior valor, isto é, 607,58, acompanhado por Adamantina (419,26), Dracena
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(406,46). No ICMS arrecado pela indústria (2002), em reais correntes de 2008, comparecem Pirapozinho com 11.646.168, Osvaldo Cruz 5.320.600 e Lucélia 2.875.496. Em 2006 (reais correntes de 2008), no quesito IPI, os municípios com maior expressão eram Rancharia (142.737), Presidente Epitácio (132.755) e Dracena (83.901). Para tanto, a argumentação foi fundamentada no sentido de apresentar sinteticamente as cidades e de expor, logo em seguida, a atuação das principais empresas no contexto geográfico para, por último, sintetizar as informações a respeito das exportações e importações e, portanto, se construa um quadro geográfico sobre as interações e estratégias espaciais que, nesse caso, são embasadas nas proposições teóricas decorrentes do trabalho de Fischer (2008). Tal autor resume o assunto das estratégias espaciais ao afirmar que:
Em todo processo industrial, a empresa, qualquer que seja seu tamanho, é levada a tomar decisões fundamentais que lhe permitirão definir suas principais estratégias (a estratégia sendo aqui definida como o conjunto de dispositivos decisionais que permitem à firma antecipar seus futuros resultados). As respostas às questões sobre o que produzir e em qual quantidade (escolha do mercado e da escala) permitem definir as estratégias econômicas; a resposta à questão como produzir; conduzem a definir uma estratégia às vezes social e técnica; a resposta à questão onde equivale a definir a estratégia espacial da empresa? Desse modo, essas questões e as estratégias que elas sustentam são sempre estreitamente interdependentes. (FISCHER, 2008, p. 23).
Em outras palavras, buscar-se-á a partir da leitura dos principais estabelecimentos industriais instalados nas cidades pequenas a descrição das interações e estratégias espaciais, mesmo que para isso se tome como foco analítico, em muitos casos, a empresa, o grupo, a corporação, embora cada uma dessas expressões carregue consigo significados distintos, ao mesmo compasso que não se desvinculam do plano material e das relações sociais.
Nesse contexto, observar-se-á que as unidades industriais selecionam o espaço onde irão atuar, seja por relações de apego familiar dos dirigentes/fundadores com dado local, seja por justificativas econômicas e pelo contexto geográfico.
Pierre Veltz (1997), em estudo mais amplo sobre a mundialização e as cidades, verificou que os custos sociais são maiores nas cidades pequenas porque tais custos são diluídos nas cidades de porte maior e isso tem também repercussão na dimensão total dos vínculos empregatícios que são concentrados nos grandes centros. Entretanto, pode-
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se avaliar que a estratégia espacial de instalação industrial nem sempre é pensada a partir da temática dos custos sociais, uma vez que as empresas da região de Presidente Prudente têm alegado motivações de origem diversa para sua instalação industrial nos pequenos centros.
Com isso, compreende-se que a difusão espacial da produção industrial na região de Presidente Prudente coloca-se como ponto analítico para a leitura geográfica proposta e sintetiza as transformações socioespaciais que as cidades pequenas vêm passando. As interações e estratégias espaciais entram nessa questão, portanto, na medida em que colaboram para melhor caracterizar a dinâmica industrial e para se evidenciar as alterações que as cidades pequenas e as indústrias vêm processando.
Assume-se, nessa postura, a concepção de que a indústria tem um papel significativo nas cidades pequenas ainda que no estágio atual não seja possível verificar elos fortes de cooperação, multiplicação de estabelecimentos por relações inter e intra- setoriais, grandes alterações em termos de expansão de urbanização e ampliação da população em função de um denso processo de industrialização.
Ademais, tanto as empresas quanto as cidades pequenas representam, no sentido espacial, diferentes lógicas, embora algumas possam ser semelhantes, convergentes/divergentes ou mesmo contraditórias na produção do desenvolvimento desigual do espaço e no cenário mais amplo da difusão da indústria entendida enquanto instalação industrial rarefeita, no âmbito da região suplementar-articulada de Presidente Prudente.