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2.1. Elektrikli Makine ve Cihazlar Sektörü

2.1.3. Transformatörler

2.1.3.1. Yağlı Tip Dağıtım ve Güç Transformatörlerinin İmalatı

2.1.3.1.3. Mekanik Ana Yarı Mamul İmalatı

Como destacado, no item anterior, o espaço não é neutro e está em constante transformação. Esse processo é acompanhado por contradições, formação de pares dialéticos e pelo desenvolvimento desigual e combinado, produzindo espaços de pobreza e riqueza, combinando progresso ao atraso na conformação de sínteses geográficas, como explicitado no estudo da região de Presidente Prudente e das cidades pequenas.

Na tentativa de compreender a região de Presidente Prudente e sua dinâmica econômica foram incorporadas ao debate as concepções teóricas propostas por Armando Corrêa da Silva (1975, 1978) e por outros autores. Silva, por exemplo, apresentou contribuição original para a discussão do capitalismo e para a compreensão das relações de dependência ao discorrer sobre a formação do Litoral Norte do Estado de São Paulo. Estudos dessa envergadura na Geografia são reduzidos e pontua-se que sua reflexão extrapola uma visão de Geografia Regional e fornece, em certa medida, subsídio argumentativo para outras áreas, tais como o Pensamento Geográfico, a Geografia Econômica, etc. Isso porque a maioria

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dos trabalhos tende a se concentrar na interpretação de espaços centrais, marginalizando dimensões com menor concentração econômica e que carecem de estudos mais aprofundados.

Silva (1975) considerou geograficamente o Litoral Norte do Estado de São Paulo (especificamente os núcleos urbanos de São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba), explicitando algumas noções históricas para a sua compreensão descrevendo que a região, em questão, foi editando novos conteúdos com o passar do tempo, dos quais se podem citar de maneira geral a:

a) Região isolada: “Desde o início de sua definição espacial o Litoral Norte viveu

momentos diversos e periódicos de isolamento”. (SILVA, 1975, p. 245). O autor explica que esse relativo isolamento se dava num primeiro momento em razão da ocupação feita pelos indígenas (limitando os avanços de incorporação portuguesa) e, posteriormente, os franceses que restringiam a maior exploração das terras pelos lusitanos. Depois, foi o caso do crescimento da economia do açúcar do Nordeste, que no século XVII, restringiu a valorização de um espaço pouco habitado e ainda inexpressivo economicamente (tratando-se do Litoral Norte de São Paulo no momento).

b) Região marginal: com a decadência do açúcar nordestino, ainda no século XVII, as atividades econômicas no Litoral Norte paulista ganharam um novo significado e, conseqüentemente: “De fins do século XVII a início do XVIII o ouro daria ao Litoral Norte condições de importância marginal por força de sua circulação pelos portos de São Sebastião e Ubatuba. (BRUNO, E. da S., 1957: 9).” (SILVA, 1975, p. 246).

O autor ainda explicou que o mesmo fato se processou no século XIX, quando o café passa pela região (mas, não alcança grande produtividade) e depois deixa em seu rastro a crise econômica ao ser introduzido em outras áreas mais produtivas e rentáveis economicamente do território paulista.

A partir do momento em que a região isolada começa a manter maior nível de relação econômica e política com a região central seu caráter se altera e passa a categoria de região marginal, mas tal quadro pode ser transitório porque seu papel tende a se alterar e tornar-se complementar, em função dos desígnios da região central.

c) Região complementar: quando se constrói o porto de São Sebastião, ele é colocado

como alternativa ao de Santos, explanando que tal processo transcorreu por volta de 1966, uma vez que: “Essa complementaridade resulta, simultaneamente, da

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acentuação das características de uma economia agrária-exportadora e dos esforços que se fazem para romper essa situação de origem colonial.” (SILVA, 1975, p. 246). Esse movimento de complementaridade é visto no sentido de integração às demandas do território paulista e completando sua interação com a capital.

d) Quando a região central tende a incorporar a periferia, o significado de

complementaridade ganha força, assim como a região central que se expande e torna-se ainda mais forte. Desse modo: “A região periférica interna pode tornar-se uma unidade da região central passando a adquirir características próprias a esta.” (SILVA, 1975, p. 251, grifo nosso).

Assim, tal argumentação será também importante para compreender a região de Presidente Prudente. Não se trata de efetuar uma importação conceitual de Silva (1975), mas de melhor compreender geograficamente o seu significado, revisá-lo e contribuir para a análise da dinâmica econômica regional criticamente e à construção da idéia de região

suplementar-articulada, algo que não foi sugerido, por exemplo, na abordagem de Silva

(1975) e que se coloca como noção original nessa pesquisa.

Diferentemente de Silva (1975) que definiu a análise da região do Litoral Norte em grandes períodos históricos, o presente trabalho evidenciou ao longo do tempo a conformação na região de Presidente Prudente de um desenvolvimento desigual e combinado, engendrando, por fim, a região suplementar-articulada. Assim, uma transformação no significado regional não exclui a outra, mas se combina contraditoriamente, a nosso ver, de maneira desigual e combinada, atritando/unindo/mesclando/negando/reafirmando/sintetizando o atraso à superação (ou ao contrário), o tradicional ao moderno (vice-versa) e produzindo recortes/fragmentações/saltos/rupturas espaço-temporais.

O que se pretende afirmar, com isso, é o caráter polissêmico da região em questão. A região isolada significa um momento de não integração ao processo produtivo econômico. Talvez seu significado pudesse ser mais bem espelhado nas relações produzidas a partir das tribos indígenas aqui existentes (especialmente os kaingangs).

Entretanto, a expressão isolada pode induzir o leitor a pensar que não havia comunicação espacial com as demais parcelas do território brasileiro e pensar tal conceito como dado inerte. Por isso, o presente trabalho procura afastar essa noção do entendimento da região de Presidente Prudente e das cidades pequenas.

Ao invés da utilização da expressão de região isolada, a terminologia adotada é de

territórios dos indígenas (expressão que cunhamos no plural para expressar as diversas tribos

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natureza). Busca-se nessa nomenclatura oferecer subsídios para a compreensão desse quadro, baseado na posse comunal das terras pelos indígenas e na relação estabelecida com a natureza por meio da pesca, caça e coleta de frutos, sem uma divisão social muito complexa que pudesse desencadear um processo de urbanização e gerar cidades.

Como escreveu Monbeig (1984, p. 27), “Assim, em 1870, os planaltos e as florestas do oeste de São Paulo e do norte do Paraná constituíam vasto sertão, região mal conhecida, habitada sobretudo por índios, na qual se perdiam alguns sertanistas audazes”. Ou seja, tais terras tinham proprietários iniciais: os indígenas e esses tinham os seus territórios, algo que foi perturbado com o adensamento da ocupação branca, embora Monbeig não afirmasse o sertão pela visão dos territórios indígenas, mas como região, conforme visto no trecho citado.

Grosso modo, no discurso científico clássico produzido pela Geografia (LEITE 1972, 1998; ABREU, 1972; MONBEIG, 1984) o que comparece, nesse período, sobre as concepções do que hoje se entende pela região de Presidente Prudente (SPOSITO; DUNDES, 2010) é o desconhecido, o atraso e o sertão que precisam ser incorporados pelo capitalismo, com a derrubada da mata, fundação de cidades, expulsão dos indígenas e instalação da ferrovia para trazer o “progresso e a modernidade”. Nessa concepção, poderia se ressaltar que: “[...] inicialmente, era nos ‘terrenos pouco explorados’ que se constrói o atual ‘Oeste Paulista’, ocupado e civilizado, e do qual faz parte a Região de Presidente Prudente." (SPOSITO; DUNDES, 2010, p. 5).

Na realidade, segundo Leite (1998) e Abreu (1972) a última vila a Oeste da província de São Paulo, no século XIX, era Botucatu e, portanto, sendo entendido esse espaço como desconhecido e despovoado. Nesse momento, o que havia, em termos de ocupação, era:

esparsos agrupamentos indígenas de origem tupi-guarani. Além deles, as ruínas de fortes e

antigas missões jesuíticas do Vale do Paranapanema, que há muito haviam sido destruídas pelas bandeiras”. (LEITE, 1998, p.31).

Ainda, nesse momento, a área em questão foi descrita cientificamente e compareceu nos estudos do Serviço Geográfico e Geológico do Estado de São Paulo. Pouco a pouco, os territórios dos indígenas vão sendo ameaçados e ceifados pelas forças econômicas da época e o sertão dando lugar ao nascimento de cidades pequenas e à derrubada da mata, originando um novo território da técnica e do capital que suplanta a natureza primeira e a transforma radicalmente. Por isso, Monbeig ressaltou que: “[...] Desde o seu início, a marcha para o oeste foi um episódio da expansão da civilização capitalista, surgida nas duas margens do Atlântico. Ambas não cessaram de ser solidárias.” (1984, p. 105).

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Em interpretação mais recente, Sposito e Dundes (2010) buscaram compreender a região de Presidente Prudente e os discursos que foram criados em torno de seus significados ao descreverem que houve algumas metamorfoses na compreensão conceitual dessa região. Ou seja, nela é o território que aos poucos se transforma em região e acaba por sofrer metamorfoses, na conformação/negação de uma identidade regional (algo muito semelhante do que é explorado nessa pesquisa em relação aos territórios dos indígenas). Nessa concepção, tais autores buscam demonstrar:

[...] como o território se transforma em região por meio de uma recuperação histórica da construção de um território e da formação de um conceito que impregna o habitus e conforma a compreensão do lugar onde se vive e é referenciado como espaço do devir e espaço do atraso. (SPOSITO; DUNDES, 2010, p. 1).

Na visão clássica, não havia uma preocupação mais concreta por parte dos autores que retrataram a época em melhor diferenciar o que era considerado território do conceito de região, dando a impressão, em muitos casos, de que se estivesse tratando de sinônimos. Assim, caberia frisar que:

[...] O discurso corrobora imagens que consolidam a identidade regional, e esta se torna um trunfo político na territorialização do poder, este compreendido como um conjunto de relações sociais que extrapolam essa noção segmentada e da idéia de uma força emanada de um centro. (SPOSITO; DUNDES, 2007, p. 2-3).

Acompanhando esse raciocínio, basta citar que até mesmo institutos oficiais de pesquisa também não se preocupavam em distinguir conceitos como território e zona de região. Na década de 1950, o IBGE utilizava a expressão zona fisiográfica para caracterizar uma dada porção espacial que apresentasse características semelhantes em termos de ocupação em seu conjunto de municípios. Mencionava-se, então, a Zona Pioneira para designar Presidente Prudente e outros municípios adjacentes, Zona do Sertão do Rio Paraná para denominar áreas recém ocupadas a exemplo de Adamantina, Presidente Epitácio etc. Em 1960, com o avanço da urbanização e com o fortalecimento de cidades com portes maiores o mesmo órgão passou a vincular as zonas ao centro urbano dominante e assim eram reconhecidas Zonas de São Paulo, Presidente Prudente, entre outras. Porém, tais nomenclaturas foram momentâneas, sendo substituídas posteriormente por mesorregiões e

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microrregiões homogêneas e na década de 1980, pelo uso das mesorregiões e microrregiões geográficas (termo esse que permanece ainda nos estudos do IBGE).

Portanto, no momento inicial de incorporação econômica e destruição dos indígenas, a natureza era caracterizada como indomada e os obstáculos à ocupação do território foram destruídos, pois:

A marcha pioneira paulista deslocava o sertão para além das barrancas do rio Paraná e o Mato Grosso passava a ser o sertão. O avanço do “progresso” representado pelas cidades semeadas nos trilhos das ferrovias empurrava as cercas do sertão atrasado para mais oeste. (SPOSITO; DUNDES, 2010, p. 8).

Tal processo foi iniciado a partir das atividades de colonização pelos mineiros sob a tutela de José Teodoro de Souza que conseguiu legalizar de maneira questionável essas terras em seu nome. Dessa maneira, o grande golpe dado pela elite branca aristocrata brasileira foi a assinatura da Lei de Terras em 1850, restringindo o acesso à terra ao processo de compra e venda, o que resultou em diversos processos de grilagem no território, visto que “Os falsários deram provas de imaginação e habilidade diabólicas” (MONBEIG, 1984, p. 114) ao criarem títulos de propriedade falsos e ao enganarem as autoridades, como aconteceu ostensivamente no Pontal do Paranapanema (alvo crescente das reivindicações dos movimentos sociais pela reforma agrária, até hoje). Nesse sentido, mais uma vez a região passa por processo de mutação e absorve o significado de território de reivindicações a partir do Pontal do Paranapanema, sendo quando a “[...] região passa a ser território de atuação de movimentos sociais de luta pela terra, especialmente pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)” (SPOSITO; DUNDES, 2010, p. 15-16, grifo nosso), mais recentemente.

No século XIX, com a destruição e morte dos indígenas, deu-se início ao processo de incorporação privada dessas terras. Os territórios dos indígenas perderam paulatinamente sua significação, transformando-se em corredor de passagem e como via de acesso para outras regiões como o Norte do Paraná e o Mato Grosso do Sul, conformando uma nova definição predominante, isto é, de região marginal (sendo tal realidade entendida como transitória até a introdução do café).

Região marginal, pois, não era central economicamente, estando no limite geográfico com outros estados da federação e porque representava o esforço das forças econômicas da época em ampliar seu poder, especular e apropriar-se dos recursos naturais e da mais-valia daí produzida.

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Com isso, “para a ‘natureza selvagem’ dos sertões paulistas, para as grandes distâncias, o moderno foi carregado nos trilhos das ferrovias.” (SPOSITO; DUNDES, 2010, p. 10). Conforme Monbeig (1984, p. 197), os trilhos da Sorocabana atingiriam Presidente Prudente, em 1920 e Presidente Epitácio, em 1922, entretanto, o povoamento pioneiro já se processava em Presidente Prudente por volta de 1916. Por seu turno, os núcleos urbanos nasciam das demandas da especulação de lotes de terras vastos e em ampla relação com as atividades desempenhadas no campo, assegurando a fixação da população e atendendo as necessidades rotineiras de consumo.

Essas terras se encontravam em vizinhança ao Mato Grosso do Sul e ao Paraná e distantes em termos quilométricos da capital paulista. Era necessário um esforço de colonização acentuado e isso porque o que existia era o chamado sertão com seus indígenas. Para que novos territórios e regiões pudessem surgir deu-se a incorporação econômica autoritária destas terras e a destruição dos territórios indígenas existentes com a transformação da natureza e o nascimento de diversas cidades pequenas, do mercado consumidor, da rede urbana, da indústria, etc.

Era necessário explorar a renda da terra, apropriando-se não somente do valor da

renda absoluta, mas também se partindo para a exploração da renda31 diferencial, uma vez

que, “[...] a colonização era uma questão de segundo plano, vindo antes o desejo de especular.” (MONBEIG, 1984, p. 143).

Alguns fatores, nessa perspectiva, determinam a renda diferencial I agrícola, ou seja, a fertilidade e a localização, enquanto que a renda diferencial II decorreu do emprego de capital e trabalho na terra. Na região de Presidente Prudente, a localização das terras já desfavorecia maior valorização econômica, porém, tornava mais fácil sua aquisição em razão dos preços menores se comparada a áreas já incorporadas à esfera produtiva paulista. A questão da fertilidade poderia ser um atrativo para exploração da renda diferencial, visto que determinadas partes do território paulista já tinham sido exploradas e não apresentavam grande fertilidade.

Isso teve que ser feito com o acréscimo de trabalho e com a notícia de que tais terras seriam integradas territorialmente às outras parcelas do estado paulista com a instalação de ferrovias para o escoamento da produção, algo que até então poderia compensar a

31 Karl Marx no livro “O capital” baseou seus estudos de renda da terra tendo como fundamento a renda

fundiária agrícola, mas essa deve ser entendida “[...] como realização econômica da propriedade privada, considerando o solo urbano também como base dessa relação social [...]”. (SPOSITO, 1990, p. 16), ou seja, tal abordagem pode ser transposta para um cenário mais amplo: o da colonização e urbanização da região de Presidente Prudente.

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“desvantagem” da localização na obtenção de maiores lucros. Conseqüentemente, “[...] a marcha para oeste, considerada nas suas relações com os solos, não aparece como uma conquista valiosa, mas como uma devastação sem freio” (MONBEIG, 1984, p. 75).

Mesmo se as terras não contassem com a instalação da ferrovia e com dotação técnica produtiva e infra-estrutural poderiam gerar renda absoluta ao seu proprietário, “[...] pelo simples fato de a ele pertencer juridicamente como propriedade privada.” (SPOSITO, 1990, p. 25). Nesse entendimento, visando a ampliação dos lucros houve a necessidade de produção capitalista e da propriedade fundiária e, portanto, parte da mais-valia excedente é apropriada por outros setores da economia não somente pelo agrícola. Sobre essas considerações, Sposito (1990), resume o assunto da incorporação paulista da renda fundiária da terra ao explicar que:

Mais terras para a compra e venda, mais terras para especular. Ampliação do território, ampliação do número de pessoas aptas a se tornarem proprietárias da terra. Ampliação do território, mais terras para especular, aumento do preço do solo. Eis, em resumo, a produção capitalista do espaço no oeste do estado de São Paulo. (SPOSITO, 1990, p. 60).

Assim, antes da ferrovia e da expansão urbana assistida regionalmente, não existiam propriamente relações de cunho comercial fortes, havendo trocas e consumo para subsistência. Eram, especialmente, negociações mercantis embasadas em relações de trabalho não assalariadas.

O que se instaura, posteriormente, a partir da economia cafeeira é o colonato, ou seja, relações de poder econômico em que o trabalhador não era assalariado, mas obtinha renda por meio de contrato, uma vez que poderia cultivar a terra e era preso a ela, devendo repassar a maior parte da produção e dos lucros ao proprietário das terras, ou seja, ao fazendeiro.

Esse fato estabelecido no início do século XX foi uma tentativa de incorporar a mão- de-obra branca, oriunda especialmente da Europa, do nordeste e de outras áreas do país que aqui se estabeleciam em busca de trabalho e de melhores condições de vida. Monbeig a esse respeito ressaltou que: “Na Alta Sorocabana uma massa de 17.310 imigrantes distribuíam-se entre Assis e Presidente Venceslau (7,4%), sendo que os melhores solos, os de Paraguaçu Paulista e Presidente Prudente foram os melhores aquinhoados.” (MONBEIG, 1984, p. 194).

Em âmbito nacional, esse processo revelou-se numa tentativa de excluir mão-de-obra

negra recém “liberta” da escravidão32 do acesso à terra e construindo a arquitetura do

32 Rangel (1993) observou, por exemplo, que o Brasil ao longo de 500 anos reeditou em sua economia o comunismo primitivo que é anterior ao “descobrimento”, o escravismo, o feudalismo e o capitalismo. Tais processos demoraram mais tempo para ocorrer na Europa, diferentemente do caso brasileiro que em pouco

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cativeiro da terra (MARTINS, 1979) e do não acesso às condições de vida dignas que tal

população definitivamente merecia.

Desse modo, num primeiro momento de ocupação agrícola, as relações econômicas estabelecidas se deram por meio do colonato e pelos arrendatários, e o trabalhador se via preso à terra por um contrato. “[...] O colono era essencialmente um operário rural [...]” (MONBEIG, 1984, p. 156).

No entanto, tal estrutura vai sendo minada, especialmente na Nova Alta Paulista, pois os trabalhadores vão acumulando recursos a partir da sua produção e gerando um processo de comercialização da produção (mesmo que incipiente), possibilitando a alguns deles comprarem pequenas extensões de terra, fracionando cada vez mais as grandes propriedades em menores porções e/ou possibilitando a essa população partir para os núcleos urbanos recém-fundados, com o intuito de investir no comércio e em outras atividades.

Logo, São Paulo ao incorporar Presidente Prudente33 a sua esfera produtiva de

influência no complexo cafeeiro, transforma essa região em complementar, integrando o

território pelo princípio da subordinação de companhias de colonização nacional e/ou estrangeira, uma vez que, antes, em algumas partes da região já se praticava a pecuária (em pequena escala) ou como corredor de passagem para outras áreas do território nacional e aos países da vizinhança, como ficou evidente em Sposito (1982), ao descrever que a mesma ganhou um fluxo maior de passagem, sobretudo, durante a Guerra do Paraguai.

Benzer Belgeler