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Os resultados da análise de variância dos valores de CE50-48 h calculados

nos testes com sulfato de cobre encontram-se na Tabela 4. Verifica-se nestes dados os efeitos altamente significativos dos dois fatores estudados e da interação entre ambos. As análises dos desdobramentos dos graus de liberdade dos níveis dos fatores e da interação estão apresentados na Tabela 5

Tabela 4. Análise de variância dos valores de CE50-48 h do sulfato de cobre para as três

espécies de daphnias na ausência e presença de sedimento.

Causas de variação G.L. S. Q. Q. M. F Espécies (E) Sedimento (S) Interação E x S 2 1 2 0,211 0,2204 0,799 0,0105 0,2204 0,0400 12,3** 257,6** 46,6**

**significativo ao nível de 1% de probabilidade C.V. = 18,2(%)

Tabela 5. Desdobramento dos graus de liberdade dos fatores do teste de toxicidade aguda de

sulfato de cobre para as três espécies de daphnias na ausência e presença do sedimento. Espécies CE50 – 48h (mg/L) Agrotóxico Sedimento D. magna CE50-48h D. similis CE50-48h D. laevis CE50-48h Médias sulfato de cobre Ausente Presente 0,045 b B 0,347 a A 0,042 b B 0,282 b A 0,107 aA 0,140 c A 0,065 B 0,257 A Médias seguidas seguidas por letras minúsculas diferentes, na linha, indica diferenças significativas entre espécies.

Médias seguidas por letras maiúsculas diferente na coluna, indica diferenças entre presença e ausência de sedimento

DMS (5%) Espécies = 0,4 mg/L; DMS (5%) Sedimento = 0,02 mg/L

Na Tabela 5 verifica-se que na ausência de sedimento, a Daphnia magna e a

Daphnia similis não apresentaram diferenças de sensibilidade ao sulfato de cobre, enquanto

que a Daphnia laevis foi significativamente menos sensível que as outras duas espécies. A maior tolerância de Daphnia laevis ao sulfato de cobre pode ser devida ao fato de ser uma espécie nativa e, conseqüentemente, mais rústica.

Poucos estudos de avaliação da sensibilidade constataram similar sensibilidade entre membros da família Daphnidae. Esta constatação podem ser devida a comparações de pequeno número de dados de toxicidade aguda (CANTON e ADEMA, 1978; HIECKEY, 1989, MARCHINI et al.; 1993; LILIUS et al, 1995; VESSTEEG, et al, 1996). Estas pesquisas evidenciam uma comparação sistemática da história de vida, distribuição geográfica e métodos de testes de toxicidade com Ceriodaphnia sp. e Daphnia magna. Na Tabela 5 verifica-se que a presença do sedimento reduziu significativamente a biodisponibilidade do sulfato de cobre na água de cultivo para D. magna,

e D. similis. A maior diferença de CE50-48 h ocoreu com a D. magna, demostrando maior

imobilidade do sulfato de cobre no sedimento que foi 7,7 vezes a concentração na água de cultivo. A segunda maior imobilidade do sulfato de cobre pelo sedimento foi verificado com a

D. similis, que foi de 6,7 vezes a concentração na água de cultivo. Por outro lado, verifica-se

que não houve diferença significativa entre os valores de CE50-48 h calculados para D. laevis na ausência e presença de sedimento. Este resultado pode ser devido a maior tolerância desta espécie nativa ao sulfato de cobre, entre as três espécies estudadas.

Considerando-se estes resultados, verifica-se que a presença de sedimento imobiliza as moléculas do sulfato de cobre da água de cultivo das daphnias imediatamente após o contato inicial. Acredita-se que este processo de imobilização deve ser crescente ao longo do tempo, dentro de certos limites, dependendo de diversos fatores relacionados ao próprio sedimento e à molécula tóxica.

As diferenças entre as valores de CE50-48 h na ausência e presença de

sedimento podem estar relacionadas ao efeito de absorção, floculação e oxidação do sulfato de cobre na presença de sedimento. JONSON e MAIA (1999) citam que, na maioria dos estudos, o sedimento influencia a intoxicação aguda ou bio-concentração de agentes químicos, de modo que a redução do efeito é causada pelo fenômeno de adsorção ao material particulado, que, por sua vez, diminui a bio-disponibilidade para os organismos-teste.

MARTINS (1998) verificou que o aumento no teor de matéria orgânica na água diminuiu a ação tóxica do permanganato de potássio e do sulfato de cobre para peixes, e pode inativar a formalina. Verifica-se também que a baixa alcalinidade também aumenta a intoxicação de peixes com o sulfato de cobre e a salinidade diminui a ação da formalina e do sulfato de cobre.

Na Tabela 6 observa-se que os resultados obtidos neste experimento estão de acordo com os dados obtidos por BERTOLETTI et al. (1992), que calcularam valores da

CE50–24 h similares de sulfato de cobre para D. similis cultivada em água mole. Os resultados

obtidos com D. magna corroboram os de ELNABARAWY et al. (1986) que calcularam valores similares da CE50-48 h para D. magna criadas em meio M4, bem como os de SECO- GORDILLO et al. (1998), MOUNT e NORBERG (1984), KHANGAROT e RAY (1989). Os resultados obtidos com D. similis estão de acordo com os de BERTOLETTI et al. (1992).

Tabela 6. Valores médios de CE50–48 h de sulfato de cobre calculados para as três espécies de daphnias neste trabalho e por outros autores.

Pesquisador ou norma Resultados em (mg/L) Neste trabalho Àgua do cultivo, dureza 45 mg em CaCO3

D. m. = 0,045; D. s. = 0,043; D. l. = 0,10 SECO et al. (1998) Meio M4, dureza 250 ± 15 mg/L em CaCO3

D. m. = 0,21

MOUNT e NORBERG (1984) Meio M4, dureza 250 ± 15 mg/L em CaCO3

D. m. = 0,054; D. p = 0,053.

ELNABARAWY et al. (1986) Meio M4, dureza 250 ± 15 mg/L em CaCO3

D. m. = 0,041; D. p = 0,031.

KHANGAROT e RAY (1989) Meio M4, dureza 250 ± 15 mg/L em CaCO3

D. m. = 0,54.

BERTOLETTI et al. (1992) Água mole, dureza 40 –48 mg em CaCO3

D. s. = 0,022; 0, 019; 0,020; 0,024; 0,034; 0,023

D. m = Daphnia magna; D. s = Daphnia similis; D. l = Daphnia laevis; D. p = Daphnia pulex.

As diferenças dos resultados obtidos podem estar relacionadas com o meio usado para o cultivo e a exposição das daphnias ao sulfato de cobre, ou com o método da norma utilizado para realizar os testes de toxicidade.

Na revisão bibliográfica não foram encontrados resultados de CL(I)50-48 h

para D. laevis para serem comparados com os dados obtidos.

4.3. Testes de toxicidade aguda do trichlorfon para três espécies de daphnias em

Benzer Belgeler