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Risk Taking Behavior Amoung College Students and Factors Affecting this Behavior

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As críticas aos modelos de capitalismo e de socialismo que se tornaram hegemônicos no pós-guerra foram uma constante durante sua implantação e desenvolvimento, tanto de setores mais identificados com o liberalismo83, quanto de seguidores do marxismo84. Porém, essas críticas pareciam de menor importância ou até eram relativizadas enquanto os modelos apresentavam resultados econômicos e sociais85 que convenciam a maior parte da população a apoiá-los. O cenário começa a se alterar ao final da década de 1960 e torna a situação insustentável para os dois modelos durante a década de 1970.

Ao final da década de sessenta, o modelo de industrialização com base na produção em massa, começou a apresentar visíveis sinais de crise, principalmente nos países centrais do capitalismo. A desaceleração geral dos ganhos de produtividade decorrente do aumento da

com as “antigas formas de exclusão” (REIS e HERPICH, 2003). Ainda maiores detalhes podem ser vistos em ZARTH et. al., 1998; REIS, 2002 e 2005; entre outros.

82 Existe uma farta literatura que demonstra os problemas enfrentados pelo socialismo real e pelo capitalismo

reformado. Parte dessa literatura pode ser conferida no item 1.4 dessa tese, logo a seguir.

83 Nesse caso as críticas mais acentuadas são feitas por Friedrich Hayek, que publica “O Caminho da Servidão”, em

1944, atacando a feição intervencionista do Estado do Bem-Estar social (ANDERSON, 1999).

84 As críticas ao socialismo num só país e mesmo à feição assumida pelo socialismo soviético leva muitos

marxistas a serem perseguidos (caso de Leon Trotski) ou terem suas teorias desconsideradas (caso de George Lukács e de Antônio Gramsci). “Os herdeiros de Stalin foram mais longe: consideraram que, como o partido e o Estado dizem a verdade absoluta, os ‘desvios’ intelectuais, artísticos e políticos eram sintomas de distúrbios psíquicos e de loucura, enviando os ‘dissidentes’ para hospitais psiquiátricos” (CHAUÍ, 2001, p. 428).

85 Os trinta anos que se sucederam à Segunda Guerra Mundial ficaram conhecidos como “Os trinta gloriosos” em

razão de um clima de recuperação dos abalos produzidos pela guerra e da conquista de uma prosperidade econômica que parecia encaminhar-se para uma era de desenvolvimento.

composição técnica do capital, ou seja, do volume do capital fixo per capita, conforme Lipietz (1988), comprometia o modelo fordista de produção em massa. Acreditando que a crise fosse passageira e não chegasse a se configurar numa crise do modelo de desenvolvimento, o Estado Norte-americano e a maioria dos Estados europeus continuaram acreditando no Keynesianismo. Aumentaram os gastos do Estado para financiar a manutenção do poder aquisitivo do trabalhador e permitir uma relativa elevação dos preços para compensar a queda nos ganhos de produtividade. O Estado passou a garantir a manutenção dos níveis de emprego e a manutenção dos lucros. Isto era possível porque o coeficiente de importações, nestes países, era reduzido.

Essa política conseguiu suportar a primeira crise do petróleo (l973), mas o crescimento da inflação foi uma conseqüência necessária. Os sindicatos patronais e o governo procuraram frear a onda inflacionária com medidas recessivas, arrochando os salários e diminuindo o crédito. Por outro lado, as constantes pressões dos trabalhadores através de seus sindicatos, exigiram que o Estado acionasse mecanismos de proteção, entre eles, o seguro desemprego e as políticas de renda mínima. Isso gerou mais emissão de moeda e mais inflação.

A política de sustentação dos investimentos e da produção via emissão de moeda não poderia se manter indefinidamente. Evitava a catástrofe, mas não garantia a geração de novos empregos, nem o aumento da produtividade e lucratividade. Isto colocava em risco a própria hegemonia mundial obtida pelo capital norte-americano, uma vez que o capital japonês crescia rapidamente utilizando estratégia diferente. Esta realidade forçou a busca de novas soluções para sair da crise e garantir o controle da hegemonia mundial, evitando que ela fosse assumida por uma potência emergente. Se reduzir os salários estava fora de cogitação, era necessário aumentar a produtividade ou investir em locais onde fosse possível um menor custo da mão-de-obra e da matéria-prima. As nações do Terceiro Mundo que apresentavam uma situação política "segura"86 e possuíam uma infra-estrutura necessária receberam, neste período, forte fluxo de capital. Nesses espaços era possível produzir com menores custos para competir no mercado internacional. Em parte, isto vai explicar o "milagre econômico" ocorrido no Brasil no final da década de sessenta e início da década de setenta.

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Pois muitos desses países eram governados por regimes militares alinhados com os interesses do capital internacional.

A alternativa de migração de capitais resolvia o problema apenas em parte, pois no interior da maioria dos países industrializados, ele permanecia. As saídas propostas caminharam na direção da busca de novas alternativas de produção e organização do trabalho. Uma revolução tecnológica, combinada com novas estratégias de administração e gerenciamento do trabalho, despontavam como saída viável, uma vez que isto explicava, pelo menos em parte, o sucesso japonês. Por outro lado, se não era possível reduzir os salários, buscaram-se formas de desestabilizar a classe trabalhadora criando novos empregos sem uma regulamentação legal formalizada. A criação de novos serviços e a disseminação da terceirização são exemplos típicos. Eles garantiam certo poder de compra e aliviavam os custos das empresas e do próprio Estado.

A segunda crise do petróleo (1978-9) serviu para demonstrar a fragilidade da solução adotada pelos países industrializados durante a primeira crise. A emissão de moeda como uma pré-validação de produção futura demonstrou sua inviabilidade porque a indústria não conseguiu aumentar a produtividade a ponto de validar os empréstimos, ou até mesmo porque grande parte desta moeda emitida foi direcionada ao consumo e não aplicada na produção (LIPIETZ, 1988). Na esteira dessa nova crise, os governos social-democratas perderam o poder para os (neo) liberais nos principais centros do capitalismo internacional. Estes, imediatamente, adotaram políticas de restrição ao crédito, arrocho salarial e contenção da moeda por parte do Estado. Estas medidas ocasionaram, de imediato, uma queda na produção industrial. Apenas o Japão conseguiu manter taxas positivas de crescimento em 1979 e 1980 (LIPIETZ, 1988).

A partir de 1981, as restrições ao crédito aumentaram com a elevação das taxas de juros. O Banco Central Norte-americano cortou a emissão de moeda como pré-validação de uma produção futura. Os países da OPEP (Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo), que haviam acumulado um grande contingente de dólares durante o período anterior, passaram a cobrar altas taxas de juros para emprestar o dinheiro disponível. A política de contenção do crédito e de altos juros coincidiu com o momento em que os países do Terceiro Mundo deveriam iniciar o pagamento das dívidas contraídas no período anterior. Como muitos países, inclusive o Brasil, encontravam dificuldades para pagar suas dívidas tiveram que renegociá-las em situação muito desfavorável.

A crise atingiu, dessa forma, tanto os países centrais do capitalismo quanto os países periféricos e fez lembrar o período crítico de 1930. A proposta Keynesiana que sustentou o grande compromisso do pós-guerra passou a ser substituída por políticas de recorte neoliberal, deslocando o eixo de controle da economia das mãos dos Estados Nacionais para os grandes conglomerados financeiros internacionais (MARTIN e SCHUMANN, 1998). Essa crise gerou uma redefinição no contexto internacional e profundas transformações na estrutura de produção que prepararam uma nova etapa no desenvolvimento do capitalismo.

As transformações ocorridas no cenário dos países capitalistas a partir da crise da década de 1970 afetaram também os países do socialismo real, pois estava em curso “uma profunda transformação de todo o sistema econômico mundial” (THERBORN, 1995). As razões da crise do socialismo real são complexas (AMIN, 2001), pois além dos problemas econômicos, demonstrou a “inviabilidade de um projeto fundado na estatização da sociedade civil e na submissão burocrática dos sujeitos sociais, individuais e coletivos” (GENRO, 1999, p. 89). Deixou claro que o Estado “onipresente” 87 ou até mesmo substituindo a organização da sociedade civil acaba perdendo-se em suas próprias contradições.

No que se refere aos problemas econômicos, a União Soviética (URSS) experimentou uma diminuição do ritmo de sua economia a partir da década de 1970 (HOBSBAWM, 1995). Essa diminuição era visível, evidenciada na queda da taxa de crescimento da produção industrial, da produção agrícola, dos investimentos de capital, da produtividade do trabalho e da renda real per capita. Se não estava de fato em regressão, a economia avançava no passo de “um boi cada vez mais cansado”. Além disso, muito longe de se tornar um gigante do comércio mundial, a URSS parecia estar regredindo internacionalmente (HOBSBAWM, 1995).

Esse esgotamento estava associado ao grande esforço feito pela Rússia para implantar uma economia moderna industrial em todo o Leste Europeu capaz de competir com os países capitalistas (VIZENTINI, 1992). O Leste Europeu, no início do século XX ainda apresentava uma sociedade marcada pelas heranças de um sistema czarista e de uma economia agrária. O rápido processo de transformações foi efetivado a altos custos e com uma base tecnológica da Segunda Revolução Industrial (siderurgia, motor a explosão, eletricidade e uso de petróleo).

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Expressão usada por Dallari (2001) para designar um Estado que controla e economia e a sociedade, impondo uma doutrina do pensamento único sob a hegemonia do Partido Comunista.

Soma-se a isso a necessidade de desenvolver estruturas sociais que dessem condições básicas de vida a toda uma população que não possuía condições mínimas de acesso à saúde, educação, habitação, lazer, etc., capazes de animá-las a acreditar no socialismo. Quando a economia mundial ganhou uma nova dinâmica tecnológica, sustentada por inovações muito rápidas, a produção planificada e centralista do socialismo soviético demonstrou suas fragilidades e começou a perder terreno para o capitalismo (VIZENTINI, 1992; HOBSBAWM, 1995).

A crise de sustentação política do socialismo real está ligada às “tendências antidemocráticas” do partido único e da burocracia estatal88 que foram incapazes de internalizar a exigência de uma participação efetiva da população na definição dos rumos da sociedade (AMIN, 2001). “Uma limitadíssima socialização do poder político passou a travar (e nessa medida, logo em seguida a colidir com) o aprofundamento da socialização da economia” (NETTO, 1995, p. 16). O epicentro da crise esteve na “natureza do sistema político instituído”, que se mostrou “inepto para propiciar a passagem, no âmbito das forças produtivas, de um padrão de crescimento extensivo a outro, intensivo” (NETTO, 1995, p. 16).

A crise do “campo socialista” é, nesta ótica, uma crise estruturalmente

determinada pela exaustão de um padrão de crescimento econômico e do sistema político a ele funcional. E é uma crise global, que não investe apenas sobre os

ordenamentos econômico e político, mas ainda, com intensidade variável, sobre os complexos de representações e valores a ambos vinculados. A manutenção daqueles ordenamentos e destes complexos não é mais possível; e a crise envolve o “campo” como um todo e suas expressões nacionais particulares, matizando, agudizando e/ou peculiarizando o processo que as concretiza, não cancelam, em nenhum espaço nacional, as suas determinações econômico-sociais estruturais (NETTO, 1995, p. 19).

As tentativas de reforma do socialismo real (Perestroika e glasnost) chegaram tarde demais “a um corpo já excessivamente deteriorado” (SADER, 2001). Mesmo “produzindo transformações profundas em todos os países ligados à União Soviética” (VIZENTINI, 1992), não foram capazes de manter a unidade política do bloco, apressando sua desagregação.

88 O peso e o poder dessa burocracia estatal podem ser evidenciados ao constatar-se que estavam empregados na

organização econômica estatal, nos anos 60, entre 11 e 12 milhões de especialistas e administradores, em comparação com apenas meio milhão nos anos 20 e com menos de 200 mil antes da revolução (SADER, 2001). “Existiam ainda de 2 a 3 milhões de membros regulares das hierarquias políticas e de todo o aparato militar. A soma total de todos esses funcionários chega a um quinto do total de pessoas empregadas pelo Estado, um total quase igual ao dos camponeses coletivizados, com um peso social e político incomparavelmente maior. Desse total, os que tinham curso superior e ocupavam assim cargos com poder de decisão eram cerca de 40%, isto é, mais de 4,5 milhões de pessoas, que chegavam a 5,5 milhões ao incluírem-se os quadros do partido e o pessoal militar” (SADER, 2001, p. 59).

A crise dos dois modelos hegemônicos de desenvolvimento do pós-guerra também está relacionada a um conjunto de transformações que se processam no cenário internacional89, intensificando a crise90 e exigindo novas soluções. Entre essas transformações, destaca-se a emergência de novos centros de poder econômico e tecnológico (especialmente a Alemanha e o Japão), o aumento da influência do capital financeiro na economia mundial, a nova onda tecnológica de base microeletrônica, a crise das fontes tradicionais de energia e de matéria-prima, a descoberta de novos materiais e de fontes alternativas de energia, a revolução tecnológica nas comunicações e na circulação de informações, o acirramento da concorrência entre grandes empresas transnacionais, as novas estratégias gerenciais e de organização do trabalho, a globalização da economia e a mundialização da cultura. Essas transformações chegam a ser denominadas por alguns autores91 como uma “Terceira Revolução Industrial”.

Esse quadro de crise e transformações abalou profundamente a “ordem mundial” gestada no pós-guerra, pois atingiu “as bases” de sustentação dos modelos de desenvolvimento implementados em nível mundial (LIPIETZ, 1991). Os princípios tayloristas e fordistas que sustentavam o modelo de organização do trabalho foram gradativamente sendo desgastados e substituídos pelos princípios da “automação integrada flexível” (COUTINHO, 1992). O paradigma tecnológico da mecânica, que acompanhava os princípios fordista- tayloristas de organização do trabalho, passa a ser substituído pelo paradigma da eletrônica (WOOD JUNIOR, 1992). O regime de acumulação fundado na produção e no consumo em massa, com crescentes ganhos de produtividade e aumento das taxas de lucro, passa a ser substituído por novos padrões de produção, produtividade, competitividade, consumo e repartição dos resultados. O modo de regulação, fundado num Estado Social, numa legislação protecionista e numa moeda de crédito, passa a ser substituído pela flexibilização da legislação social, pela diminuição da ação do Estado e pela desregulamentação e o livre fluxo de capitais (LIPIETZ, 1991).

89 Uma descrição mais detalhada dessas transformações pode ser encontrada em HARVEY, 1992; COUTINHO,

1992; ORTIZ, 1994; CANO, 1995a; IANNI, 1996; MASI, 1999.

90 Não se conhece período recente da história da humanidade onde se tenha falado tanto de crise como nesse

momento. Da mesma forma, um período onde se tenha produzido tanto e sob as mais variadas orientações teóricas para tentar explicar essa crise e as possibilidades de solução. Já se produziram mais de mil títulos tentando caracterizar a nova sociedade que se está criando e a ela já foram atribuídos mais de 300 “rótulos” (MASI, 1999). Para maiores detalhes desse debate pode-se consultar BELL, 1987; LIPIETZ, 1991; HARVEY, 1992; CANO, 1995a; MATTOSO, 1995; ANTUNES, 1995 e 2000; MORIN e KERN, 1995; HOBSBAWM, 1995; IANNI, 1996; KUMAR, 1997; PISÓN, 1998; POCHMANN, 1999; CASTELLS, 1999 e 2000; MASI, 1999; MÉSZÁROS, 2002; BENKO, 2002a; BECK, 2003; SENNETT, 2006; entre outros.

Os modelos capitalista e socialista do pós-guerra tinham na atuação do Estado um elemento central do processo de regulação econômica e social. As múltiplas dificuldades92 enfrentadas pelos dois modelos para manter suas políticas de desenvolvimento e sua legitimação social acabam fortalecendo uma corrente teórica que identifica o Estado como o principal responsável pela crise. O neoliberalismo93 transforma-se no novo arcabouço teórico a orientar as políticas governamentais, em termos econômicos e sociais. Trata-se de um discurso “monotemático” e “triunfalista” que afirma as virtudes do mercado e da democracia liberal e critica as formas de intervenção do Estado (planejamento e planificação) e o excesso de direitos conquistados pelos trabalhadores que acabaram entravando o desenvolvimento das forças produtivas e das relações sociais de produção (SUNKEL, 1999). É uma “nova ortodoxia econômica” que se volta contra o excessivo gasto governamental com políticas sociais públicas, a regulação do mercado pelo Estado e a proteção social pública (PEREIRA, 2002a). Essa “solução neoliberal” passou a fazer parte dos receituários a serem aplicados para retomar o desenvolvimento econômico e garantir a democracia política e os direitos dos cidadãos (STIGLITZ, 2003).

O ideário neoliberal buscou sua legitimação política e social ao explorar as dificuldades enfrentadas pelo capitalismo keynesiano e pelo socialismo real no cumprimento de suas promessas94, tanto nos países centrais quanto nos periféricos. A violência urbana, a insegurança, a falta de infra-estrutura (água canalizada, rede de esgotos, habitação decente para todos, vias de acesso, luz elétrica, etc.), a marginalidade crescente, o desemprego, a favelização, a poluição, a degradação do ambiente e a ameaça das possibilidades de futuro

92 Um panorama dessas dificuldades pode ser visto em BOBBIO, 1998; GENRO, 1999; SACHS, 1999; OFFE,

1999; SANTOS, 1999 e 2000; MÉSZÁROS, 2002.

93 Entendido aqui como um conjunto de idéias e proposições práticas elaboradas a partir dos referenciais de

Friedrichs Hayek, Milton Friedman, Karl Popper, Lionel Robbins, Ludwig Von Mises, Walter Eupken, Walter Lipman, Michael Polany e Salvador de Madariaga, que fundam, em 1947, na Suíça, a “Sociedade de Mont Pèlerin”, com o objetivo de combater o Keynesianismo e o solidarismo reinantes e preparar as bases de um outro tipo de capitalismo, duro e livre de regras para o futuro (ANDERSON, 1995). A adoção prática das primeiras políticas de viés neoliberal pode ser identificada no Chile de Pinochet, a partir de 1975 (MALDONADO FILHO, 1997). Porém as proposições tornam-se conhecidas e mundialmente propaladas a partir das experiências implementadas na Inglaterra de Thatcher (a partir de 1979) e nos EUA, com Reagan (a partir de 1980).

94 Existe uma farta bibliografia que aborda esse não cumprimento das promessas da parte dos dois modelos

básicos. Citam-se algumas: FURTADO, 1983 e 2000; LIPIETZ, 1988; BUARQUE, 1993; MORIN e KERN, 1995; DREIFUS, 1996; VIEIRA, 1997; FIORI, 2003; BECK, 2003; VEIGA, 2005.

geram inúmeras manifestações teóricas95 e sociais96 que questionam os modelos vigentes (HOBSBAWM, 1995).

Os sustentáculos ideológicos dos modelos de desenvolvimento do pós-guerra também perderam força. A geopolítica da guerra-fria passou a ser substituída pela formação de blocos regionais. A ideologia da modernização e a teoria de Rostow são questionadas na medida em que os países periféricos adotam os procedimentos sugeridos pelos países centrais, mas, ao invés de alcançarem o tão propalado desenvolvimento, vêem sua situação agravar-se em termos de dependência externa97 e de desigualdades sociais98. Com isso, o poder de atração das ideologias dominantes se traduz em intensificação das críticas e os questionamentos aos modelos hegemônicos transformam-se em busca de alternativas (SEN, 2000; AMIN, 2001; SACHS, 2004; VEIGA, 2005).

Na busca de alternativas é relevante o papel representado pela sociedade civil99 enquanto protagonista atuante na discussão de propostas de desenvolvimento para inúmeros países (WILHEIM, 1999). A retomada das mobilizações e movimentos sociais produz um contraponto às idéias neoliberais na interpretação da crise e na proposição de alternativas para sua superação (SANTOS, 2002b).

95 Um panorama dos novos estudos teóricos desenvolvidos a partir da década de 1950 e que começam a

questionar as teorias que davam sustentação aos modelos vigentes pode ser encontrado em RODHE, 2003. No item 1.5 desta Tese a temática é explicitada com maiores detalhes.

96 As manifestações estudantis de Paris, em 1968, são as mais expressivas e conhecidas, embora não sendo as

únicas. Nos Campi Universitários dos Estados Unidos, em 1968, se tem as manifestações contra a Guerra do Vietnã. No Brasil, nesse mesmo ano, se tem as manifestações estudantis contra o regime militar. Essas manifestações representam a emergência de uma consciência planetária que alerta para a insustentabilidade dos modelos vigentes (MORIN e KERN, 1995). No item 1.5 aborda-se de forma mais detalhada as manifestações teóricas e sociais que alertam para os problemas gerados pela sociedade urbana industrial proposta pelos modelos capitalista e socialista.

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Um panorama das explicações produzidas no período pós-guerra para o fenômeno do subdesenvolvimento, especialmente por teóricos da periferia mundial, pode ser encontrado em MURTEIRA, 1990. Ele demonstra que, apesar de suas diferenças ideológicas, essas teorias chamam a atenção para o problema da dependência externa e da divisão internacional do trabalho que reserva papéis complementares às economias periféricas.

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A relação usada para medir a desigualdade no mundo, em 1900 era de 1 para 20; entre 1934-1948 passou de 1 para 30 e, no final do surto de desenvolvimento do pós-guerra, passou de 1 para 60 (AMIN, 2001, p. 190). Um retrato do “estado do mundo” ao final do século XX, demonstrando, através de dados, as desigualdades existentes entre países e no interior dos próprios países, tanto centrais quanto periféricos, pode ser visto em (SADER, 2001, p. 73-91).

99 A sociedade civil é a forma por meio da qual a sociedade se estrutura politicamente para influenciar a ação do

Estado (PEREIRA, 1999) e do mercado (NOGUEIRA, 2004). A sociedade civil é um “território de interesses que se contrapõem e que só podem compor-se mediante ações políticas deliberadas”; não sendo apenas “área

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