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BÖLÜM 2: HZ. MUHAMMED DÖNEMĐNDE TÂĐF

2.1. Mekke Dönemi

2.2.2. Taif Muhasarası

Qual o papel, a função das apresentações musicais no projeto? No decorrer deste tempo de pesquisa tenho escutado diferentes posições favoráveis e contrárias. A intenção nunca foi ter a apresentação musical como meta do projeto, à semelhança da escola tradicional arcaica que vê a música na escola unicamente com a função de preparar apresentações musicais e festas. O interesse era o desenvolvimento da linguagem musical a

partir dos três eixos da Proposta Triangular de Ana Mae Barbosa, integrando-se ao projeto da escola, articulando-se com as diferentes áreas e disciplinas escolares e tendo o humano como objetivo da educação musical, como apregoava Koellreutter.

“ Como artista e educador, Koellreutter jamais considerou a educação musical apenas um meio para a aquisição de técnicas e procedimentos necessários à realização musical. Sua abordagem privilegia e valoriza a importância e o porquê da música [e da arte] na vida humana, lembrando o fato de que cada sociedade, com suas características e necessidades típicas, condiciona um tipo de arte. Atento e responsável, o professor preocupou-se, sobretudo, em propiciar uma educação viva, adequada a cada época, a cada contexto, servindo-se da música como um instrumento de educação.” (BRITO, 2001, p. 40)

Quanto aos três eixos da já conhecida Proposta Triangular para o ensino de Arte, formulada por Ana Mae Barbosa, que apresenta como componentes do ensino/aprendizagem de arte: o fazer artístico, a leitura da obra de arte, e a contextualização histórica, a autora assim se refere:

“Estamos propondo [...] uma postura metodológica para o ensino de Arte baseada no modo como se aprende Arte, isto é, integrando o fazer artístico, a leitura desse fazer individual dos fazeres de outros e sua contextualização no tempo. O conhecimento em Artes se dá na interseção da experimentação, na decodificação e da informação.” (BARBOSA, 1989, p.8)

Proposta que no documento “Visão de Área / Educação Artística” (1991) da Prefeitura de São Paulo, gestão Paulo Freire, foi explicitada como fazer / apreciar / contextualizar para as quatro linguagens artísticas: Artes Plásticas, Música, Teatro, Dança.

Procurando a superação do foco nas apresentações musicais, agora também com a consideração do processo, a intenção foi atuar com os propósitos anteriormente explicitados, valorizando-se tanto o processo como o resultado deste. Portanto, a intenção era que a apresentação musical fosse parte de um processo de comunicação específico da competência derivada do domínio de música como linguagem e forma de expressão. Competência que se expressa: na descoberta da possibilidade de usar essa linguagem fazendo música; como resultante de um processo educacional que não se esgota em si mesmo, não se encerra na escola, mas que faz da comunidade mais ampla seu interlocutor. Guimarães Rosa nos fala por meio do processo de comunicação possibilitado pela linguagem artística:

Eu via os do público assungados, gostando, só no silêncio completo. Eu via – que a gente era outros – cada um de nós, transformado. (GUIMARÃES ROSA, 1985, p. 45-46)

Na primeira apresentação musical em 2002 do grupo de participantes do curso Módulo II se apresentando em um momento de ROTE, no Clube Náutico Mogiano, aos educadores da rede municipal de ensino, havia música criada por elas, arranjos criados pelo grupo, com algumas improvisações que aconteciam no decorrer da própria peça. E, também, músicas de autor conhecido interpretadas por elas, em um “diálogo musical”. A apresentação deixou-as empolgadas, com a auto-estima fortalecida, e com a sensação de poder fazer, explicitadas nas avaliações finais35 das participantes deste curso, das quais a seguir apresento algumas delas:

Fazer música criando, compondo em grupos. Tocar, cantar, criar com toda classe. É uma sensação maravilhosa poder “criar” alguma coisa, cantar e participar de todas as ações. Conhecer e ampliar conceitos novos. (Educadora A)

Criar arranjo musical tocando e cantando com a classe. Por estar inserida no grupo, podendo tocar um instrumento e perceber que faço parte para a montagem do todo. (Educadora B)

Aprendi a escutar, e perceber o sentido de equipe. (Educadora C)

Mas o que marcou foram as composições feitas por nós, porque no começo a gente acha que não vai conseguir, mas vai vendo as coisas darem certo e o final fica maravilhoso. (Educadora D)

Sim, ao pensar em música na escola me limitava ao “canto”, leitura, interpretação de canções infantis. Não que elas não sejam válidas, mas percebi que o ensino- aprendizagem de música pode ir muito além. (Educadora E)

Criar, cantar, compartilhar, apreciar e apresentar todo esse trabalho. Pela motivação da professora, pela atenção e incentivo de nossa mostra. (Educadora F)

Quando realizamos arranjos para a música Asa Branca e El payaso. A reunião, o agrupamento dos instrumentos, a magia que a música proporciona a todos que têm a felicidade de encontrá-la e vivenciá-la. Foi muito bom ter tocado e criado com as minhas companheiras. Extremamente gratificante. (Educadora G)

Acredito que todos os momentos foram marcantes. Porque além de todo este prazeroso contato com a música, houve a possibilidade de sentir (refletir) que o ensino de música para crianças vai muito além do que comumente praticamos, o ousar, criar, compor. Penso que a falta de subsídios nos tornou limitadas e

reprimindo assim grande oportunidade de crescimento e elaboração de grandes projetos de música com crianças. (Educadora H)

Observação, ritmo, criatividade, concentração. Com o grupo companheirismo, contribuição camaradagem. (Educadora I)

Tocar instrumentos musicais / Criar arranjo musical tocando e cantando com toda a classe / Apreciação musical. Todos me levaram a um crescimento pessoal despertando a observação, identificação por meio da audição de sons variados, apreciação musical. Foi ótimo! (Educadora J)

O tocar o instrumento para mim era irreal (parecia-me muito difícil). A apresentação do Clube Náutico para uma platéia de amigas, a expressão brotada dos olhos das pessoas ao ouvirem a música. Foi o resultado de tudo que foi apreendido. (Educadora K)

Mas houve também - tanto com professores como com alunos - apresentações musicais ou produtos musicais que não aconteceram no final de processos de aprendizagem; ou que não foram felizes; como também apresentações musicais feitas exclusivamente para serem apresentadas, com longos e cansativos ensaios. O que nos diz essa constatação? Nas categorias de análise encontradas em Lima e Moreira, tem-se um suporte para resposta aqui procurada.

Compreender com Moreira (1999, p.138) que “...a mudança como uma jornada cujo mapa não se conhece antecipadamente” e que, “...implica em abrir mão de pontos fixos de chegada...” (adotando) direções ... suficientemente amplas ... (e) a capacidade de negociar permanentemente, sobretudo com os profissionais da escola”, “que os problemas são inerentes a qualquer contexto de mudança...(e como) condição necessária para o aprender”, encaminha- nos ao pensamento de que cada escola ou educadores que dela fazem parte, precisam ser entendidos e atendidos no tempo e espaço no qual se encontram, na peculiaridade de seus processos de desenvolvimento.

As apresentações musicais são momentos privilegiados de formação contínua de educadores que trabalham com ensino de música nas escolas, bem como de formação dos alunos que delas participam. Foi com esse foco que elas foram propostas por mim desde o início deste trabalho: apresentação das músicas que as escolas fazem, visando o aprendizado de todos: aprender com os outros para o melhor desenvolvimento de cada educador, de cada escola, e de seus alunos.

A intenção era ir além: a) procurando o desenvolvimento da linguagem musical por meio da composição, improvisação e interpretação, enfatizando as duas primeiras, quase sempre ausentes no processo educativo em música e tão importantes no desenvolvimento do processo criativo/comunicacional propiciado pelas diferentes linguagens; b) investindo no lúdico como elemento propiciador do “aprender com prazer” nas atividades propostas às diferentes faixas etárias da Educação Infantil ao Ensino Fundamental I, levando em consideração o conhecimento que se dispõe sobre o desenvolvimento infantil; c) ampliando o repertório didático no planejamento e desenvolvimento das aulas. Criando atividades pedagógico-musicais adequadas à faixa etária e ao objetivo pretendido, incentivando o professor criador.“Para Stenhouse, o ensino é uma arte, visto que significa a expressão de certos valores e de determinada busca que se realiza na própria prática de ensino.” (CONTRERAS, 2002, p.114)

Por tudo isso é preciso investir de forma contínua na qualificação profissional do educador, no fazer música e no ensinar música e no desenvolvimento da linguagem musical, trabalho docente coletivo no lócus da escola. Almeida, ao escrever sobre um novo profissionalismo docente, caminha nessa mesma direção:

Para nós, os professores caminham na direção de um novo profissionalismo docente, que entendemos articulado em torno de dois aspectos centrais. O primeiro é que eles precisam ser detentores de um saber específico, imprescindível à sua atuação e desenvolvido no interior da profissão. O segundo é que o trabalho docente precisa ser concebido e desenvolvido de maneira coletiva, inserido e orientado por um projeto educativo, capaz de expressar os compromissos da escola diante das necessidades comunitárias e sociais. Nessa concepção o professor está em constante processo de desenvolvimento profissional, onde a formação contínua se coloca como elemento central. (ALMEIDA, 1999, p.39)

Talvez seja preciso que todos tenham mais claras questões tais como: - O que é um verdadeiro ensino/aprendizagem de música numa escola democrática, participativa e emancipadora? - O que queremos em matéria de educação?

Já nos anos 60 do século XX Caldeira Filho, crítico de música de renome nacional, eminente professor da famosa Escola Caetano de Campos em São Paulo, nos deixava um precioso depoimento:

Uma vez por todas, tente-se resolver o problema perguntando com clareza: que

queremos em matéria de educação? E depois formule-se a resposta com não

menor clareza e objetividade. Formulados os princípios e os fins da educação

nacional poder-se-á então, mas só então, torná-los efetivos através as várias disciplinas e atividades escolares, música inclusive, mas fazendo que cada uma delas não seja compartimento estanque, não pretenda resolver exclusivamente o problema da educação, não absorva totalmente a tarefa escolar; antes, que cada uma contribua proporcionalmente, em função de um ponto de vista superior a cada uma e fecundador das possibilidades todas: e que tôdas (canto

orfeônico ou música, inclusive) se vejam dotadas dos meios indispensáveis (sala ambiente, material, pessoal, horário, etc) para que possam ter função efetiva no processo educativo. Sem essa visão de conjunto e sem agir no plano do conjunto, é infantil modificar programas de disciplina isolada. Em que influirá no todo o pormenor? Em nada; mas, estranhamente, é assim que reformamos ou pretendemos reformar as coisas... (grifos nossos) (CALDEIRA FILHO, 1960, p.706)

Benzer Belgeler