BÖLÜM 2: HZ. MUHAMMED DÖNEMĐNDE TÂĐF
2.1. Mekke Dönemi
2.2.1. Taif Muhâsarasına Kadar Đlişkiler
Já em minha pesquisa de mestrado32 eu constatava a importância das práticas culturais, da ampliação das vivências pela freqüência a eventos artísticos, na formação contínua do educador que trabalha com arte. Fruto dessa percepção, sempre incluí em meus percursos de docência na formação de educadores, programações artísticas para apreciação / fruição da arte, ampliação da cultura artística docente, visando também a participação democrática social na cultura artística como conquista da cidadania.
Logo em 2002 já incluí no curso Tocando, cantando,...fazendo música com crianças, Módulo II, assistir apresentação musical na Sala São Paulo. Queria algo significativo que trouxesse uma marca forte, um repertório que não os afastasse da música de uma sala de concerto e que fosse música instrumental, para dialogar com a prática que estávamos tendo no curso, que era a de elaborar arranjos musicais com metalofones, atabaque, pandeiro, tambor de fendas, xilofones... A apresentação musical que escolhi foi a da Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, um repertório de músicas brasileiras. O interesse e envolvimento durante a apresentação e os depoimentos colhidos depois, indicaram que a escolha e a conexão com o curso tinham sido apropriadas. Vários se referiam ao som ou à entrada deste ou daquele instrumento, a beleza do local, a apreciação estética tanto visual como sonora aliada à possibilidade que estavam vivenciando, que era impar!
Vi que todos os instrumentos são importantes, mesmo um pequeno chocalho é peça fundamental. (Educadora A)
Pude observar, aprender sobre a história da Sala São Paulo, observar os músicos, a postura dos profissionais, quantos instrumentos tocavam e em que parte eles entravam na música, etc. (Educadora B)
Todos os momentos foram marcantes, mas a visita à Sala São Paulo foi muito emocionante pela beleza. Nunca pensei em assistir uma orquestra em um lugar maravilhoso. (Educadora C)
Porque foi um ótimo estímulo vendo os músicos tocando em conjunto, as posturas e o resultado final das músicas. (Educadora D)
Foi a prática de conceitos aprendidos e estímulo para o desenvolvimento de atividades musicais. (Educadora E)
32 FERNANDES, Iveta Maria Borges Ávila. “A relação Instituições Culturais e Rede Pública de Ensino na
Educação Contínua de Educadores que trabalham com Ensino de Arte”. São Paulo: ECA/USP, 2000. (Dissertação de Mestrado)
Porque nos passou a imagem do evento, de como se portar; da disposição dos naipes instrumentais, e até mesmo da expectativa de haver e poder participar de novos eventos musicais. (Educadora F)
São Paulo conta com espaço cultural maravilhoso, e que a população de baixa renda tem a possibilidade de visitá-lo e ter contato com a música. (Educadora G)
Percebi que, tendo um contato direto com os músicos, cria-se uma riqueza de conhecimentos, pois, podemos escutar e ver ao mesmo tempo, contribuindo para uma melhor apreciação da música. (Educadora H)
Como melhor conhecer / saber / perceber música se não através da experiência estética? Como melhor ampliar a cultura musical docente do que pela apreciação/fruição musicais?
Porque, para perceber um expectador precisa criar sua própria experiência. E sua criação tem de incluir conexões comparáveis àquelas que o produtor original sentiu. Não são as mesmas, em qualquer sentido literal. Não obstante, com o espectador, assim como com o artista, tem de haver uma ordenação dos elementos do todo que é, quanto à forma, ainda que não quanto aos pormenores, a mesma do processo de organização que o criador da obra experimentou conscientemente. Sem um ato de recriação, o objeto não será percebido como obra de arte. (DEWEY, 1974, p.103)
A Sala São Paulo se tornou, junto ao SESC, um dos espaços mais procurados para apreciação estética e práticas de ampliação da cultura musical docente. A Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer TUCCA passou a apresentar na Sala São Paulo a Série “Aprendiz de Maestro”, que tem até hoje uma ótima produção destinada ao público infantil, e que para o projeto tinha dupla finalidade: tanto pensar educação musical da criança, como também contribuir na formação musical dos professores.
Os espetáculos da Série Aprendiz de Maestro: “O Aprendiz de Maestro dá volta ao Mundo” (2003), “Mozart Criança” (2004), deram importantes contribuições na formação do professor, o que, a partir de 2007, também acontece para alunos de uma primeira escola, ampliando-se para outras mais. A natureza dos espetáculos unia música de orquestra com personagens criados pela produção dos mesmos, figurinos interessantes e bem adaptados às “histórias” que eram contadas, trazendo além da apreciação musical a contextualização histórica do que estava sendo apresentado. Tivemos, então, a possibilidade de ter, na Série “Aprendiz de Maestro”, dois dos eixos do ensino de Arte/Música propostos por Barbosa:
Tal educação, capaz de desenvolver a auto-expressão, apreciação, decodificação e avaliação dos trabalhos produzidos por outros, associados à contextualização histórica, é necessária não só para o crescimento individual e enriquecimento da nação, mas também é um instrumento para a profissionalização. (BARBOSA,1998, p.19)
Em outros momentos, ao levar o grupo para assistir aos musicais “A Bela e a Fera”, “O Fantasma da Ópera” no Teatro Abril de São Paulo; “Pé com Pé” (SESC Pinheiros), “Mawaca” (SESC Pompéia) alguns fatores se salientaram na grande participação que houve: o grupo já estava sensibilizado para esse tipo de programa em São Paulo, as mídias televisiva e jornalística fizeram ampla cobertura dos dois primeiros citados, o que se aliou à organização de ônibus fretados em final de semana, e a possibilidade de poder levar pessoas da família. Lima nos adverte, devemos considerar as condições de tempo livre e de vida para acesso a bens culturais.
Nas avaliações finais “Revendo nosso caminhar em 2004” 33, temos como reflexo da
boa acolhida dessas práticas de apreciação estética e ampliação da cultura musical docente: “5.Quanto ao Projeto de Música “Tocando, cantando,...fazendo música com crianças”, para 2005 gostaria de:...” solicitações tais como:
Continuar com as excursões para que possam nos dar conhecimentos. (Educadora A) Passeios culturais. (Educadoras B, C)
Eventos culturais (excursão) (Educadora D)
Passeios culturais com as crianças programados com antecedência e inclusos no planejamento anual para dar oportunidade de pais e alunos participarem. (Educadora E)
Mais passeios para apresentações. (Educadora F)
Passeios com os alunos a espetáculos e eventos culturais fora da escola. (Educadora G)
Passeios culturais com os alunos. (Educadora H)
Levar as crianças para assistir uma orquestra (conhecer) (Educadora I) Saídas com os alunos para assistirem apresentações culturais (Educadora J)
Passando a conhecer as possibilidades de apresentações musicais como as que foram relatadas, o interesse por elas foi despertado e as solicitações começam a surgir. A SME de
Mogi, com seu projeto “Caminhando e Conhecendo” (anteriormente nomeado) já levava os alunos a diferentes locais,de acordo com a proposta da escola, mas, com relação às apresentações musicais da TUCCA, que aconteciam para fins beneficentes na Sala São Paulo, essas eram pagas, o que dificultava. No entanto, com o programa “Descubra a Orquestra” da Sala São Paulo, que possibilita às escolas públicas levarem sem custos seus alunos no ensaio geral, as escolas começaram a fazê-lo em 2007, conforme descrito no capítulo 4 do presente trabalho.
Nas avaliações diagnósticas feitas de 2002 a 2006 34 uma constante foi a pergunta: “Você costuma assistir a apresentações musicais?” Em 2002 e 2006 os professores que responderam eram de escolas que estavam ou começando um curso (2002) ou entrando no projeto (2006) e apesar de as respostas desses dois grupos serem poucas em relação a práticas desta natureza, o grupo de 2002 aponta algumas apresentações musicais de corais em escolas, bandas musicais nas festividades religiosas e cívicas e o grupo de 2006 quase não indica essas festividades religiosas e cívicas, sinalizando um ou outro show. Nos dois grupos vários deixaram de responder essa questão e no grupo de 2004, no qual a maioria das escolas já participava do projeto, essas práticas culturais já começam a ser assinaladas lembrando que a ida a São Paulo para assistir essas apresentações não eram obrigatórias e o custo era pago pelos próprios participantes. A seguir respostas que assinalam o despertar para ida a apresentações musicais para as quais o projeto organizou ônibus e ingresso:
Mas fui assistir a uma apresentação na Sala São Paulo e A Bela e a Fera. (Educadora A)
A Bela e a Fera; Sala São Paulo; Orquestra Sinfônica do Paraná, Orquestra Sinfônica de Mogi das Cruzes no Teatro Municipal; Banda da Polícia Militar na escola; Orquestra da Igreja Adventista na escola. (Educadora B)
Várias em Mogi (última: Orquestra Jovem de Mogi). A Bela e a Fera em São Paulo. (Educadora C)
Festival de Concertos (Campos do Jordão); Sala são Paulo (apresentações diversas, apresentação da USP); Peças teatrais musicais: a Bela e a Fera, Os Saltimbancos, Alice no País das Maravilhas. (Educadora D)
Estação Júlio Prestes (Sala São Paulo); Teatro Municipal de Mogi e televisão. (Educadora E)
Teatro Municipal ópera Carmem e A Bela e a Fera. (Educadora F)
No entanto, verificamos também que nos dois musicais amplamente divulgados pelas mídias: “A Bela e a Fera” e “O Fantasma da Ópera”, que foram inseridos em nossos planejamentos de 2003 e 2006, houve uma grande procura por parte dos educadores, que levaram alguns familiares. Nestes dois casos o valor pago não era baixo, pelo contrário.
O que nos traz a reflexão: em nome de baixos salários de que a profissão de professor é alvo de modo geral em nosso país, e das conseqüentes dificuldades econômicas que atravessam em suas vidas, propostas de ampliação cultural que impliquem em gastos, deixam de ser feitas a ele.
Apesar de não ser esta, exatamente, a situação dos professores da rede municipal de Mogi das Cruzes, que valoriza ao máximo de suas possibilidades o trabalho do profissional docente, verificou-se que, quando despertos por projetos de formação contínua que consideram a capacidade/possibilidade de mudanças do professor, quando propiciam a realização do desejo de autonomia profissional, apontando para a superação da sufocante condição de “executores de propostas”, como ocorre em outras situações, os professores investem e com prazer, até a despeito de dificuldades, no seu aprimoramento cultural. O que é mais uma evidência de que o professor é um ser que cultiva a esperança, que busca realizar utopias, que acredita no ser humano, e portanto, em si próprio e nos seus alunos.
Foi com esse pensar, de levar em consideração a vida do professor no trabalho e com sua família, que desde o início os programas artístico-culturais que eram planejados, eram propostos nos finais de semana, possibilitando a participação de sua família. Expandiam-se, desta forma, os espaços de conhecimento musical, pois, eles eram também os espaços onde os espetáculos musicais aconteciam: teatros, praças, salas de concerto,..