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Tahıl ve Bakliyat Üretimi

C- Tahsilde Olanlar

1. Tahıl ve Bakliyat Üretimi

As políticas públicas culturais em Belo Horizonte começaram a ser mais enfaticamente empreendidas na década de 1990, já que até esse período foram realizadas ações isoladas, de pouca relevância na cidade.

A primeira ação de âmbito institucional foi a lei que regulamentou a criação da Secretaria Municipal de Cultura – a Lei Municipal nº 5.562, de 31 de maio de 1989 – que dispunha sobre uma nova estrutura organizacional da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. A finalidade do órgão seria a coordenação da política cultural do Município, através do planejamento e execução de atividades, que visassem ao desenvolvimento cultural e à preservação e revitalização de seu patrimônio histórico e artístico. Na sua composição ainda havia poucos equipamentos culturais: o Museu de Arte, o Museu Histórico Abílio Barreto e o Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães.

Belo Horizonte, a partir de então, presenciou um desenvolvimento de políticas públicas na cultura, por meio da criação de novos espaços voltados para essa área, tais como centros culturais, museus, bibliotecas, dentre outros. Em 1991, foram criados a Biblioteca Infanto-Juvenil e o Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH). O Centro Cultural Lagoa do Nado e o Centro de Referência Audiovisual (CRAV) foram criados no ano seguinte; este último, contudo, só foi inaugurado em 1995.

Esses órgãos possuíam, em cada esfera de atuação, as mesmas funções principais: a guarda e o tratamento de registros e ações culturais para incentivo à pesquisa e à leitura. Entretanto, os suportes são diferenciados, e exigem teorias e práticas especializadas de manuseio e consulta. O APCBH é responsável pela guarda de documentos arquivísticos da Administração Pública Municipal; os centros, por fontes bibliográficas que contêm os mais variados assuntos, de acordo com o perfil do público; o CRAV, por registros audiovisuais, ou seja, que captam informações através da imagem e do som.

De acordo com o Relatório do Prefeito Patrus Ananias42 (BELO HORIZONTE, 1995), a inauguração do CRAV provavelmente foi inserida em um projeto especial executado pela SMC – Cem anos de cinema – cuja proposta era o resgate da memória, através de ações que promovessem a pesquisa e a sistematização de informações, bem como a capacitação de agentes culturais através de cursos específicos e a democratização do acesso à produção cultural, com atividades em todos os cantos da cidade. Assis (2010, p. 91) apresenta uma breve descrição desse período:

Diversos eventos e ações foram instituídos mediante parceria com as administrações regionais, buscando a concretização da política de descentralização e desconcentração de acesso à cultura pela implementação de diversas atividades culturais em todas as regiões de Belo Horizonte. O período (1990-1993) pode ser especialmente caracterizado pelo desenvolvimento de iniciativas governamentais voltadas para a aproximação do público com eventos culturais de natureza variada

em diferentes espaços e momentos, talvez fosse uma tentativa de “dessacralizar” a

cultura e trazê-la para o cotidiano dos belorizontinos.

Devemos ressaltar que, naquele processo, começaram a se romper algumas barreiras sociais. O Poder Público passou a executar ações que tinham o objetivo de difundir a informação e a cultura e valorizar práticas e ações adotadas por grupos até então esquecidos no cenário cultural de belo-horizonte: habitantes de bairros afastados e periferias, o que incluiu a criação de vários espaços culturais em diferentes regiões da cidade, tais como a Biblioteca Regional Santa Rita de Cássia, o Centro Cultural São Bernardo e o Centro Cultural Alto Vera Cruz. Outro grupo que passou a ser contemplado foi o afro-brasileiro, cuja inserção

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– neste cenário descrito – se iniciou com a realização de um projeto de resgate da cultura afro-

brasileira – o Projeto Afro-Horizonte – e inserção de Belo Horizonte no circuito cultural internacional, através da realização do Festival Internacional de Arte Negra (FAN) em 1995, conforme verificamos no Relatório de 1996:

Dentro das comemorações do “Tricentenário”, foi realizado o Projeto Afro-

Horizonte, com o objetivo de resgatar e conservar a cultura afro-brasileira, através da incorporação de diversos grupos culturais negros da cidade na realização de oficinas de instrumentos musicais, adereços, indumentárias e alegorias, visando a formação de um bloco de afoxé. Foi uma experiência efetiva de participação popular, que envolveu as pessoas e grupos das regiões do Barreiro, Leste, Nordeste, Noroeste, Norte, Pampulha e Venda Nova, culminando com a saída do bloco com 800 integrantes na pré-abertura do Festival Internacional de Arte Negra (FAN) e traduzindo a força da cultura negra na cidade. Pensando na perspectiva de um

projeto contínuo, devido à grande mobilização que o gerou, o “Afro-horizonte”,

encontra-se em fase de reordenação (BELO HORIZONTE, 1996, p. 28).

Notamos então que a ampliação da função dos centros e a valorização do multiculturalismo surgiram, aparentemente, em caminhos paralelos, mas que em vários momentos se entrecruzaram. O CRAV é um órgão da Administração Pública Municipal que compreendeu esse entrecruzamento e realizou projetos inspirados por ele, como registros relacionados à memória local, inclusive de manifestações exercidas por afrodescendentes, em Belo Horizonte.

Em 2005, a Lei nº 9.011, de 1º de janeiro de 2005, que dispunha sobre a nova estrutura administrativa da Administração Direta do Poder Executivo, extinguiu a Secretaria Municipal de Cultura e criou a Fundação Municipal de Cultura, sendo esta vinculada à Administração Indireta, com personalidade jurídica de direito público e maior autonomia administrativa e financeira. O estatuto foi aprovado pelo Decreto nº 11.930, de 28 de janeiro de 2005, determinando o CRAV como um dos equipamentos culturais vinculados à entidade.

Em 2011, por meio do Decreto nº 14.371, de 13 de abril de 2011, que aprovou um novo estatuto para a FMC, o CRAV tornou-se subordinado, juntamente com o Museu de Arte da Pampulha e o Museu Histórico Abílio Barreto, diretamente à Diretoria de Políticas Museológicas. Ao Centro foram atribuídas as seguintes competências: promover e coordenar as ações de pesquisa, preservação e divulgação dos acervos audiovisuais sob a sua guarda; promover atividades de estímulo à produção audiovisual e de formação de público; promover iniciativas de divulgação, por meio da linguagem audiovisual, da memória e do patrimônio cultural da cidade; coordenar e executar as ações de natureza técnica e administrativa com o objetivo de proporcionar a eficácia das atividades do Centro, assegurando as melhores condições para o seu funcionamento, divulgação, preservação e acesso ao acervo sob sua guarda.

Cabe apontarmos que, desde 2005, o CRAV não possui divisões. Além da Chefia do Departamento, atuam como funcionários concursados uma assistente de administração e três técnicos de nível superior, responsáveis pelos trabalhos técnicos da instituição, que contam com o apoio de cinco estagiários.

A inserção do CRAV em uma diretoria de práticas museológicas – juntamente com dois museus, um de história e outro de arte – nos parece um fato inovador, visto que o Centro preserva documentos e registros de natureza diversa dos demais órgãos. Podemos constatar que esses órgãos contêm acervos museológicos, mas em cada um deles predomina um tipo de suporte e uma a temática (história, arte, imagens). Os meios e a história da custódia desses acervos também devem ter sido peculiares. Mas eles refletem, em aspectos diferentes, a memória e a identidade da cidade.

No caso do CRAV, especificamente, conforme ex-pesquisadoras do órgão, o local tem como especificidade utilizar-se de sons e imagens em movimento como suporte para a construção e a preservação da memória do município. Exerce as funções de Museu da Imagem e do Som e de Cinemateca Municipal, e a ele cabe tanto a guarda e preservação de documentos audiovisuais referenciais e sua disponibilização, quanto a produção de documentos específicos neste suporte43.

Em 2002, o CRAV era então composto por três coordenações: Acervos, Produção Técnica, e Projetos e Pesquisas. Esta última tinha por objetivo constituir e disponibilizar ao público acervo de pesquisas, dados e informações que privilegiam aspectos da vida cultural da cidade. Em 2002, essa coordenação inicia novas linhas de pesquisa e, desde 2005, tem ampliado sua atuação, dando maior projeção às ações culturais e educativas voltadas à formação de uma cultura audiovisual em Belo Horizonte, por meio de diversos projetos e

parcerias. Um deles se trata da pesquisa e registro documental: “Memória Social e Cultural da

Cidade de Belo Horizonte em suporte audiovisual”. Desenvolvido por meio da metodologia de história oral, esse projeto realizou pesquisas sobre relevantes aspectos sociais e culturais de Belo Horizonte, disponibilizando seus resultados em suporte audiovisual e trabalhando documentos iconográficos, como subsídio da memória urbana local. Inserido nesse programa, encontra-se o nosso objeto de pesquisa – o documentário “Salve Maria: memória da

religiosidade em Belo Horizonte: reinados negros e irmandades do Rosário”.

A filmagem para o documentário foi iniciada posteriormente à efetivação de um convênio, assinado entre a Associação dos Amigos do Centro de Referência Audiovisual

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(AACRAV) e a SMC, no dia 29 de junho de 200444. O objeto da parceria seria o estabelecimento de formas de cooperação entre os partícipes para a finalização da primeira etapa do projeto45.

Conforme informações fornecidas por uma das coordenadoras do projeto “Salve Maria”, na ocasião estava sendo desenvolvido o já mencionado projeto “Memória da

Religiosidade afro-brasileira em Belo Horizonte”, que previa a elaboração de pesquisas, entrevistas, registros em audiovisual e finalização em filmes documentários sobre três manifestações afro-brasileiras: irmandades do rosário, candomblé e umbanda. A execução das etapas de pesquisa, entrevistas e registros eram feitas quase que simultaneamente entre as três. Entretanto, a pesquisa sobre as irmandades demandou maior dedicação. A princípio, pensava- se o trabalho com o pressuposto de que a presença desta manifestação na capital seria pontual; no entanto, a realidade mostrou o oposto, visto que as irmandades são bastante pró-ativas e que, durante o período de setembro, outubro e novembro, as festas de Reinado se multiplicam. Desse modo, optou-se por centrar o trabalho na conclusão do registro desta manifestação. Em entrevista concedida, a outra coordenadora (2012) explica o motivo de trabalhar com esta temática:

Tinha um projeto ligado ao jornalismo, um outro ligado à radiodifusão, à arquitetura, e tinha um início de um projeto ligado à moda. Esses com certeza me lembram que já existia material produzido em boa quantidade, sobre essa memória. Memória da Segunda Guerra Mundial, também tinha [...] e tudo em Belo Horizonte, na cidade. Mas a gente percebeu uma lacuna, no que se referia aos segmentos de classes populares, a essa cultura que é produzida na cidade, por outros segmentos, não esses que já são mais consolidados dentro do campo artístico, ou do campo da expressão pra jornalismo, isso já existia lá. Então assim, a gente fez uma proposta, eu junto com uma historiadora, Aparecida Reis, de abrir uma outra linha pesquisa, que fosse relativa à memória afrodescendente, e a gente partiu, de início a gente fez esse recorte da religiosidade afro feita em Belo Horizonte percebendo a importância desse campo das religiões dentro da questão do patrimônio cultural negro46.

Ao verificarmos a documentação do CRAV, deparamo-nos com um relatório final, assinado pelo seu presidente, no qual não consta a data. Mas trata-se de um documento de bastante relevância, visto que apresenta as metas, relacionadas à produção de um vídeo digital

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Determinou-se que o prazo de vigência seria de seis meses a partir da data da assinatura (29 de junho de 2004). O CRAV seria responsável pela execução, gerenciamento e administração do convênio; e a SMC, pelo repasse financeiro. O valor combinado, por meio de dotação orçamentária, seria de 25.000 reais. Naquele momento, a SMC estaria sob a gestão de Maria Celina Pinto Albano, e o AACRAV era presidido pelo Senhor Nélio José Batista Costa. Ainda naquele ano, no dia 29 de dezembro, foi assinado um termo aditivo, registrando uma prorrogação do prazo de vigência, para o dia 28 de fevereiro.

45No convênio está informado “primeira etapa”, mas não encontramos registros da existência de outras etapas. 46

Lembramos que as transcrições de entrevistas, feitas por nós ou coletadas nos registros, podem apresentar erros gramaticais que não serão corrigidos.

sobre as irmandades e aos meios de, inclusive por elas próprias, acessar e consultar o documentário47.

O Presidente da AACRAV (s. d. t.)48 apresentou o desenvolvimento das metas, de uma forma não muito detalhada:

Meta 1 e 4) Todo o material bruto gravado nas 28 festas da Irmandade do Rosário em Belo Horizonte, no período de 09/05/2003 à 11/07/2004, totalizando 64 horas gravadas, foram editadas, copiadas em VHS e devolvidas às Irmandades do Rosário...em solenidade que integrou as atividades do circuito negro 2004 [...]. Meta 2) Todo o processo de criação do banco de dados, iniciando com a construção de uma base de dados, como instrumento de pesquisa, escolha do software; análise das principais funções do software winisis 1.4; metodologia empregada na construção do banco e pré-teste...

Meta 3) Como investimento na capacitação técnica foram adquiridos exemplares bibliográficos importantes, na área de audiovisual e relacionados à especificidade do tema pesquisado (religiosidade; afro-brasileiro; música; diáspora) e assinatura de dois periódicos: a) Folha de São Paulo, jornal cultural que abrange o maior conteúdo específico da produção audiovisual no Brasil, com destaque para informações sobre o audiovisual no mundo; b) Caderno de Antropologia e imagem, da UERJ, que apresenta em seus volumes discussões teóricas fundamentais para pesquisadores que atuam nas áreas relacionadas à antropologia, sociologia, história e imagens;

Meta 5) Todo o acervo fílmico digital e bibliográfico está sendo catalogado, e farão partes respectivamente do acervo e biblioteca do CRAV.

A) O Acervo em fita digital está sendo usado na elaboração de documentários educativos e culturais, que serão distribuídos na rede de ensino e centros culturais. O acervo bruto será disponibilizado ao público, para pesquisa de imagens, no formato DVD.

B) O acervo bibliográfico já está disponível aos profissionais do CRAV para subsidiar a formação técnica e servir de referência para a produção de textos e artigos específicos, que será disponibilizado ao público em geral.

Conforme a Profissional nº 01 (2012), as metas foram cumpridas, visto que a prestação de contas foi aceita. Ela, juntamente com a outra coordenadora, afirma que o projeto teve como objetivo recompor, através de documentos, imagens, depoimentos e fotografias, a memória e a prática das manifestações de religiosidade, a partir dos elementos míticos na cosmovisão africana. Isso ocorreu sob a justificativa de que Minas Gerais é o terceiro estado em população afro-brasileira, e Belo Horizonte atraiu um contingente significativo de descendentes de africanos, que trouxeram consigo as manifestações religiosas praticadas em suas regiões de origem.

Interessante enfatizarmos a inserção de novos conceitos nos debates e estudos acadêmicos sobre cultura: cosmovisão, que se é a concepção de mundo elaborada sob pontos

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As metas citadas são as seguintes: realizar a edição e cópia de 64 horas gravadas em vídeo digital, para VHS; criação de um banco de dados com todas as informações coletadas na fase da pesquisa e disponibilizá-lo através

do CRAV (bibliografia, vídeos temáticos e mapeamento dos “loci” referenciais); capacitação técnica da equipe

de pesquisa a partir da leitura e discussão de publicações atuais acerca do tema em questão; devolução às comunidades de congadeiros cópias em VHS, das imagens gravadas em suas manifestações; organização de todo o acervo constituído pela pesquisa, para disponibilização ao público em geral.

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de vistas espiritualistas e filosóficos; e ancestralidade, representando uma via de origem e identidades históricas. Esses elementos, na religião africana e sincrética, são bastante valorizados, através da narração de mitos que se perpetuam principalmente por meio da oralidade e da performance musical, dançante e ritualística49.

Assim, as tradições de origem afro-brasileira estão incorporadas na história do município, e torna-se fundamental uma ação dos poderes públicos no sentido de dar visibilidade a esse patrimônio cultural que se construiu na cidade. As autoras do projeto ainda nos apontam uma interessante abordagem a respeito do trabalho, que foi coordenado por elas, e da permanência dos congados em Belo Horizonte:

O pressuposto inicial que motivou o trabalho orientava-se no sentido de confirmar a visão do senso comum que aponta para o desaparecimento gradual e irremediável dessa manifestação nos grandes centros urbanos. Daí a importância maior se seu registro. Ao longo da pesquisa e das gravações, porém, foi-se percebendo que, se por um lado, a dinâmica urbana e os demais processos de modernização a ela associados dificultam a vivência de um ritual eminentemente coletivo e tradicional, por outro, ela não impede a manutenção de sua vitalidade, fenômeno confirmado pela quantidade de grupos e integrantes filmados.

Concluímos assim que, apesar (ou até mesmo através) de processos de metropolização, conurbação, de adensamento populacional e de “periferização” de algumas comunidades, os processos de reelaboração de manifestações culturais tradicionais ligados à religiosidade estão em franco curso. Percebe-se a manutenção de uma outra lógica associada à perseverança de valores e de fortalecimento da fé, ligados a uma cosmovisão tradicional porém constantemente atualizada e renovada.50

Elas também ressaltam que as imagens feitas são frames51, ou seja, imagens

capturadas a partir do registro em vídeo digital e não propriamente fotografias “[...] o que, se por um lado, limita sua qualidade técnica, por outro, nos permite visualizar e dar a conhecimento público a parte da riqueza deste material”. As filmagens foram feitas através de filmadora digital. A equipe que trabalhou no documentário era constituída pelas duas pesquisadoras – uma antropóloga e uma historiadora – e dois câmeras. Todos eram funcionários do CRAV e, assim, o convênio não teve que arcar com pagamento de pessoal. Os recursos foram obtidos para aquisição de material de consumo, como fitas VHS e DVDs e a publicação do catálogo. Um ponto importante do projeto, como uma das coordenadoras assinala, é que cada guarda teve o seu material bruto devolvido, na íntegra, em VHS, além de uma cópia, posteriormente, do documentário e do catálogo. “A gente fez um evento de

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Os mitos de origem do congado já foram apresentados nos capítulo anteriores.

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Esse documento foi gentilmente cedido pelo CRAV para consulta, e não possui paginação.

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Em inglês, fala-se em "film frame" ou "video frame", conforme o produto em questão tenha sido realizado em película (tecnologia cinematográfica) ou vídeo (tecnologia eletrônica, seja ela analógica ou digital). Em português, em geral usa-se o termo fotograma para as imagens individuais de um filme, reservando a palavra frame apenas para as imagens de vídeo, e utilizando quadro ou imagem para produtos audiovisuais genéricos, produzidos em qualquer tecnologia (disponível no site wikipedia.org, acesso em 17 mar. 2012).

lançamento grande, lá no Teatro Francisco Nunes, onde as guardas vieram e receberam. As

que não puderam ir, depois foram buscar no CRAV” (PROFISSIONAL Nº 02, 2012).

A metodologia utilizada foi inspirada na história oral, com o registro audiovisual de depoimentos, de locais e manifestações referentes ao tema, para a constituição do acervo. Trata-se da tentativa de uma recomposição, através de documentos, imagens, depoimentos e fotografias, da memória e da prática das manifestações de religiosidade a partir dos elementos míticos na cosmovisão africana. As duas profissionais explicaram brevemente como foi a pesquisa: durante a fasede pesquisa bibliográfica, algumas questões foram se delineando e, ao mesmo tempo, confirmando a importância desses registros. Através destes materiais, a equipe da filmagem documentou as características essenciais da manifestação, assim podendo comparar com outros registros sua manutenção através do tempo e a tradição à qual se vinculam.

A Profissional nº 02 (2012), em entrevista concedida, descreve o método adotado, dentro da perspectiva das Ciências Sociais:

A gente usou o método que em Ciências Sociais é chamado de bola de neve, que é fazendo numa festa, a gente já conhecendo a guarda, já anotava os lugares, a data das festas, e naquela festa a gente já conhecia outras, até a gente chegar à conclusão de que todas as guardas que a gente tinha conseguido encontrar e perguntar tinham sido registradas e mapeadas, entendeu? Então, foi assim um método de mapeamento que a gente fez, uma pesquisa mesmo, não existia antes essa catalogação. Então, além de um trabalho e registro em suporte audiovisual, a gente fez esse trabalho de localização, de mapeamento dessas guardas na região. Por isso que aquele livreto é importante: contendo o endereço, contendo o histórico rapidinho de cada guarda. Porque não existia nenhum documento em BH, que juntasse realmente todas essas informações numa única publicação.

Então, nosso planejamento foi muito em cima do que eles chamam do Ciclo do

Benzer Belgeler