3.2. Uzaktan eğitim ile ölçme değerlendirme
3.2.3. Web tabanlı uzaktan eğitim modeli
Proposi¸c˜ao 2.3.4. Sejam R um anel local com ideal maximal m e M um R-m´odulo. Temos
ent˜ao a seguinte igualdade
ΓI(M) = lim←Ð J∈̃W(m,I)
Γm,J(M).
Demonstra¸c˜ao. Vamos mostrar que ΓI(M) = ⋂J∈̃W(m,I)Γm,J(M). Para isto, seja x ∈ ΓI(M) e J∈ ̃W(m, I). Ent˜ao existem inteiros m, n ≥ 0 com Imx= (0) e mn⊆ J + I. Assim mmnx⊆ Jx e portanto x∈ Γm,J(M). Segue ent˜ao que x ∈ ⋂J∈̃W(m,I)Γm,J(M).
Reciprocamente, seja x ∈ ⋂J∈̃W(m,I)Γm,J(M). Para J ∈ ̃W(m, I), existe um inteiro n ≥
0 tal que mnx ⊆ Ann(x) + J e assim J ∈ ̃W(m, Ann(x)). Ent˜ao temos que ̃W(m, I) ⊆
̃
W(m, Ann(x)). Pelo lema anterior segue que
V(Ann(x)) = ⋂
J∈̃W(m,Ann(x))
W(m, J) ⊆ ⋂
J∈̃W(m,I)
W(m, J) = V (I).
Portanto I⊆√Ann(x), concluindo assim que x ∈ ΓI(M), como quer´ıamos.
2.4
Resultados de anulamento e n˜ao anulamento
Nesta se¸c˜ao vamos mostrar alguns resultados presentes em [50] sobre anulamento e n˜ao anulamento da cohomologia local com respeito `a um par de ideais. Adotaremos como con-
ven¸c˜ao que inf∅ = ∞ para um subconjunto vazio de N e depth0 = ∞, dim0 = −1 para o
R-m´odulo trivial.
Teorema 2.4.1. Para M um R-m´odulo finitamente gerado temos a igualdade
inf{i ∣ Hi
I,J(M) ≠ 0} = inf{depthMp∣ p ∈ W(I, J)}.
Demonstra¸c˜ao. Defina n= inf{depthMp∣ p ∈ W(I, J)} e seja E●(M) uma resolu¸c˜ao injetiva
minimal de M . Se p ∈ W(I, J), ent˜ao n ≤ depthMp = inf{i ∣ µi(p, M) ≠ 0}. Assim, pela
Proposi¸c˜ao 2.1.11 temos a igualdade
ΓI,J(M)(Ei(M)) = ⊕
p∈W (I,J)
2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 42
para algum inteiro i < n. Note tamb´em que ΓI,J(M)(En(M)) ≠ 0. Segue ent˜ao que
Hi
I,J(M) = 0 se i < n. ´
E suficiente mostrar que Hn
I,J(M) ≠ 0. Pela equa¸c˜ao (1) o complexo ΓI,J(M)(E●(M)) inicia a partir do n-´esimo termo. Assim temos o seguinte diagrama comutativo
0Ð→ Hn
I,J(M) Ð→ ΓI,J(En(M)) Ð→ ΓI,J(En+1(M))
↓ ↓ ↓
En(M) Ð→dn−1 En(M) Ð→dn En+1(M)
com linhas exatas. Uma vez que Kerdn = Imdn−1 ⊆ En(M) ´e uma extens˜ao essencial (ver
Apˆendice), segue que Hn
I,J(M) = ΓI,J(En(M)) ∩ Kerdn≠ 0.
Como um caso especial do teorema anterior, se J = 0, obtemos a conhecida igualdade
inf{i ∣ Hi
I(M) ≠ 0} = grade(I, M) = inf{depthMp∣ p ∈ V (I)}, para um R-m´odulo finitamente gerado ([6, Teorema 6.2.7]).
Corol´ario 2.4.2. Seja M um m´odulo finitamente gerado sobre um anel local R com ideal
maximal m. Ent˜ao as seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes: (1) M ´e um R-m´odulo (I, J)-tor¸c˜ao.
(2) Hi
I,J(M) = 0 para todo inteiro i > 0.
Demonstra¸c˜ao. A implica¸c˜ao (1) ⇒ (2) segue diretamente do Corol´ario 2.1.13(1). Para
provar(2) ⇒ (1), denote N = M/ΓI,J(M). Suponha por absurdo que N ≠ 0. Pelo Corol´ario
2.1.13 (3) e (4) segue que ΓI,J(N) = 0 e Hi
I,J(N) ≅ HI,Ji (M) = 0 se i > 0. Por outro lado,
como m∈ W(I, J) a desigualdade
inf{depthNp∣ p ∈ W(I, J)} ≤ depthNm = depthN(< ∞)
acontece. Portanto pelo Teorema 2.4.1, HI,J(N) ≠ 0 para algum inteiro i ≤ depthN . Isto ´ei
uma contradi¸c˜ao e obtemos assim N = 0, completando a prova.
Teorema 2.4.3. Seja M um m´odulo finitamente gerado sobre um anel local R. Suponha que
J≠ R. Ent˜ao Hi
2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 43
Demonstra¸c˜ao. Procederemos por indu¸c˜ao sobre r= dimM/JM. Se r = −1 ent˜ao M = JM,
implicando pelo lema de Nakayama que M= 0. Portanto Hi
I,J(M) = 0 para todo inteiro i ≥ 0.
Assuma agora que r ≥ 0. Existe uma filtra¸c˜ao finita 0 = M0 ⊊ M1 ⊊ . . . ⊊ Ms = M
de M tal que Mj/Mj−1 ≅ R/pj para pj ∈ Supp(M) e j = 1, . . . , s. Para a sequˆencia exata 0 → Mj−1→ Mj → R/pj → 0 para j= 1, ⋯, s temos a seguinte sequˆencia exata
HI,Ji (Mj−1) → HI,J(Mi j) → HI,Ji (R/pj), para todo inteiro i e j com i≥ 0 e 1 ≤ j ≤ s. Note que
dimR/(pj+ J) ≤ dimR/(Ann(M) + J) = dimM/JM = r.
Ent˜ao podemos assumir que M = R/q com q ∈ Spec(R). Mostramos no Teorema 2.2.7 que
Hi
I,J(R/q) ≅ HIi(R/q),J(R/q)(R/q), assim trocando R por R/q podemos assumir que R ´e um dom´ınio integral e M = R.
Suponha, por absurdo, que Hl
I,J(R) ≠ 0 para algum inteiro l > r. Note que neste caso AssR(Hl
I,J(R)) ≠ ∅. Primeiramente assumamos que AssR(HI,Jl (R)) contˆem um primo Q n˜ao nulo. Seja ent˜ao 0≠ x ∈ Q. A partir da sequˆencia exata
0 → R→ R → Rx /(x) → 0 temos a sequˆencia exata
Hl−1
I,J(R/(x)) → HI,Jl (R) x → Hl
I,J(R).
Note que dimR/(J +(x)) = r−1 < l−1, assim por hip´otese de indu¸c˜ao temos Hl−1
I,J(R/(x)) = 0.
Isto mostra que o elemento x ´e Hl
I,J(R)-regular. Entretanto o elemento x esta no primo
associado Q de Hl
I,J(R), logo ´e um divisor de zero em HI,Jl (R). Esta contradi¸c˜ao for¸ca AssR(Hl
I,J(R)) = {(0)}. Note, pela Proposi¸c˜ao 2.1.7 e 2.1.13 (5), que AssR(Hl
I,J(R)) ⊆ W(I, J). Assim temos (0) ∈ W(I, J). Uma vez que o conjunto W(I, J)
´e fechado com respeito a especializa¸c˜ao, segue que W(I, J) = Spec(R). Neste caso ´e f´acil ver que Hl
I,J(R) = 0 para todo l > 0, o que ´e uma contradi¸c˜ao.
Corol´ario 2.4.4. Sejam R um anel local e M um R-m´odulo n˜ao necessariamente finitamente
2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 44
Demonstra¸c˜ao. Uma vez que todo R-m´odulo ´e um limite direto de subm´odulos finitamente gerados, podemos escrever M = limÐ→
λ
Mλ, onde cada Mλ ´e um R-m´odulo finitamente gerado.
Note que i > dimR/J ≥ Mλ/JMλ. Portanto, pela Proposi¸c˜ao 2.2.6, temos que HI,J(M) =i limÐ→
λ
HI,Ji (Mλ) = 0, para i > dimR/J.
O teorema de n˜ao anulamento de Grothendieck [6, Teorema 6.1.4] diz que a cohomologia
local ordin´aria Hm(M) n˜ao se anula, sempre que R ´e um anel local com ideal maximalr
m e M um R-m´odulo finitamente gerado de dimens˜ao r. O pr´oximo teorema, encontrado
em [50, Teorema 4.5], pode ser visto como uma generaliza¸c˜ao deste resultado atribu´ıdo a Grothendieck.
Teorema 2.4.5. Seja M um m´odulo finitamente gerado sobre um anel local R com ideal
maximal m. Suponha que I+ J ´e um ideal m-prim´ario. Ent˜ao temos a igualdade
sup{i ∣ Hi
I,J(M) ≠ 0} = dimM/JM.
Demonstra¸c˜ao. Em virtude do Teorema 2.4.3, devemos somente mostrar que Hr
I,J(M) ≠ 0
para r = dimM/JM. Como I + J ´e um ideal m-prim´ario, pela Proposi¸c˜ao 2.1.4 (6) e (7)
temos que Hi
I,J(M) = Hm,J(M) para todo inteiro i. Podemos ent˜ao assumir que I = m. Ai
sequˆencia exata 0 → JM → M → M/JM → 0 induz a sequˆencia exata
Hm,J(M) → Hr m,Jr (M/JM) → Hm,Jr+1(JM).
Uma vez que dimJM/J2M ≤ dimM/J2M = dimM/JM = r, segue do Teorema 2.4.3 que
Hr+1
m,J(JM) = 0. Al´em disto, pelo Corol´ario 2.2.5 e o Teorema de N˜ao anulamento de Grothen- dieck [6, Teorema 6.1.4], segue que
Hr
m,J(M/JM) = Hm(M/JM) ≠ 0.r
Consequentemente, pela sequˆencia exata temos que Hm,J(M) ≠ 0, como quer´ıamos demons-r
trar.
Se J = R ent˜ao a afirma¸c˜ao do Teorema 2.4.3 n˜ao necessariamente acontece. Para
dimM/JM = −1 < 0 temos H0
I,J(M) ≅ ΓI,J(M) = M.
Considerando agora R um anel n˜ao local, temos o seguinte resultado sobre anulamento da cohomologia local com respeito ao par de ideais.
2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 45
Teorema 2.4.6. Seja M um R-m´odulo finitamente gerado. Ent˜ao
(1) Hi
I,J(M) = 0 para todo inteiro i > dimM. (2) Hi
I,J(M) = 0 para todo inteiro i > dimM/JM + 1.
Demonstra¸c˜ao. (1) Segue imediatamente do Teorema 2.3.2 e o Teorema de anulamento de Grothendieck [6, Teorema 6.1.4].
(2) Provaremos por indu¸c˜ao em r = dimM/JM. Quando r = −1, pelo Teorema de Na-
kayama diz que (1 + a)M = 0 para algum a ∈ J. Assim temos que Jx = Rx para algum
x∈ M, implicando assim que o R-m´odulo M ´e (I, J)-tor¸c˜ao. O Corol´ario 2.1.13 mostra que Hi
I,J(M) = 0 para todo inteiro i > 0 = r + 1, como quer´ıamos. Quando r ≥ 0, podemos provar essa afirma¸c˜ao como feito no Teorema 2.4.3.
Lema 2.4.7. Seja n um inteiro n˜ao negativo. Suponha que Hi
I,J(R) = 0 para todo inteiro i> n. Ent˜ao, para um R-m´odulo M, n˜ao necessariamente finitamente gerado, as seguintes afirma¸c˜oes acontecem.
(1) Hi
I,J(M) = 0 para todo inteiro i > n.
(2) Hn
I,J(M) ≅ H
n
I,J(R) ⊗RM.
Demonstra¸c˜ao. Primeiramente devemos notar que, em virtude da Proposi¸c˜ao 2.2.6, devemos somente mostrar o lema para um R-m´odulo finitamente gerado M .
(1) Mostramos pelo teorema anterior que Hi
I,J(M) = 0 se i > dimM. Provaremos essa afirma¸c˜ao por indu¸c˜ao sobre i. Para um R-m´odulo finitamente gerado N e m um inteiro, considere a seguinte sequˆencia exata
0 → N → Rm→ M → 0.
Esta sequˆencia induz a sequˆencia exata
HI,Ji (Rm) → HI,Ji (M) → HI,Ji+1(N). Por hip´otese de indu¸c˜ao temos que Hi+1
I,J(N) = 0. Ent˜ao devemos ter que H
i
I,J(M) = 0, como quer´ıamos.
2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 46
(2) Pela afirma¸c˜ao (1) temos que HI,J(−) ´e um funtor exato `a direita sobre a categorian de R-m´odulos. Assim, considere a apresenta¸c˜ao
Rm → Rp → M → 0.
Primeiramente, tensorisando esta sequˆencia por Hn
I,J(R) obtemos
Rm⊗RHI,J(R) → Rn p⊗RHI,J(R) → M ⊗n RHI,Jn (R) → 0.
Por outro lado, aplicando Hn
I,J(−) a sequˆencia exata inicial, obtemos HI,Jn (Rm) → HI,Jn (Rp) → HI,Jn (M) → 0.
Como Hn
I,J(Rm) ≅ HI,Jn (R)m≅ Rm⊗RHI,J(R) e Hn I,Jn (Rp) ≅ HI,Jn (R)p≅ Rp⊗RHI,J(R), com-n parando as duas sequˆencias obtidas anteriormente, devemos ter que Hn
I,J(M) ≅ HI,Jn (R)⊗RM, isto ´e, Hn
I,J(−) ´e representado como funtor tensor.
Relembre que o posto aritim´etico de um ideal I, denotado por ara(I), ´e definido como o
menor n´umero de elementos de R que s˜ao necess´arios para gerar um ideal que tem o mesmo
radical de I [6, Defini¸c˜ao 3.3.2]. Um resultado bastante conhecido diz que a cohomologia local Hi
I(M) = 0 para todo i > ara(I) [6, Corol´ario 3.3.3]. Neste sentido, para a cohomologia local definida por um par de ideais ´e conhecido o seguinte resultado.
Proposi¸c˜ao 2.4.8. Seja M um R-m´odulo. Ent˜ao Hi
I,J(M) = 0 para todo inteiro i > ara(IR),
onde R= R/√J+ Ann(M).
Demonstra¸c˜ao. Denote R′= R/AnnR(M). Ent˜ao R = R′/√J R′e AnnR′(M) = 0. Como, pelo
Teorema 2.2.7, temos Hi
I,J(M) ≅ H
i
IR′,J R′(M), podemos assumir que AnnR(M) = 0. Denote
agora s= ara(IR). Ent˜ao, podemos encontrar uma sequˆencia a = a1, . . . , as de s elementos
em R tal que√IR=√aR. Pela Proposi¸c˜ao 2.1.4 temos a igualdade
HI,Ji (M) = HaiR,J(M) = H i(C●
a,J⊗ M)
para qualquer inteiro i. Como o complexo C●
a,J tem comprimento s, vemos que
Hi(Ca●,J ⊗ M) = 0