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Orta Doğu’nun Kırmızı Jeopolitiği Bir Dini Terör Organizasyonu Olarak DAEŞ

3) Web Tabanlı Terör Örgütü: DAEŞ

Aécio Alves de Oliveira Marcelo Santos Marques

Introdução

O objeto de estudo aqui tratado poderia ser enquadrado na temáti- ca mais ampla denominada “políticas de mercado de trabalho”, mas não como mais uma proposta, mas sim como uma apreciação crítica dos limi- tes de tais políticas.

Basicamente, há duas facetas na discussão sobre mercador de tra- balho: uma que enfatiza as políticas governamentais voltadas para a ex- pansão do emprego formal, entre as quais se situam os incentivos i scais e i nanceiros a investimentos produtivos privados, a desvalorização cam- bial, os programas de investimentos governamentais em infraestrutura e as parcerias público-privadas, para citar algumas das mais importantes; e outra vertente que tem por foco o lado da oferta, cujo objetivo geral é criar as chamadas condições de empregabilidade (políticas de qualii cação técnico-proi ssional), estimular alternativas de geração de renda (capacita- ção técnica individual para pequenos negócios) ou promover a chamada economia social ou solidária.

Seja qual for o foco, podemos ai rmar que a preocupação central dos elaboradores das “políticas de mercado de trabalho” é criar condições para que mais e mais pessoas se dediquem à geração de riqueza e renda de modo a garantir a reprodução ampliada do modo de vida inerente à sociedade capitalista. No entanto, são intervenções que reconhecem que os meca- nismos de mercado, por si, não são capazes de proporcionar emprego para todos aqueles que se apresentam no mercado e nem de garantir as condi- ções de vida desejadas para toda a população. As vertentes da política antes

mencionadas representam a demonstração cabal de que as intervenções do Estado sempre serão necessárias para postergar a sobrevida da sociedade, mesmo que com elevados custos sociais e ambientais.

Inicialmente, interessa-nos fazer uma crítica categorial ao trabalho que reproduz o capital. Não com inspirações ontológicas, mas motivados por uma pedagogia da negação da negação, tendo o não trabalho como princípio educativo. Seguir tal orientação exige compreender a dominação social abstrata do capital e sua manifestação em termos da desqualii cação do trabalho concreto e da desvalorização da força de trabalho. O pressu- posto é que o trabalho que produz o capital, no lugar de dignii car homens e mulheres, transforma-se justamente em sua “prisão de ferro” (WEBER, 2003), dentro da qual cada indivíduo (humano) será coagido a ter sucesso mensurado monetariamente.

A crítica categorial aqui elaborada servirá de base para tratar o “empo- brecimento do trabalho” como pano de fundo para o “empobrecimento da sociabilidade” que é típica da formação econômica capitalista e para a discus- são da temática que envolve a pobreza do trabalhador. Em outros termos: é o empobrecimento do trabalho que leva ao esgarçamento das relações sociais (dissociações) e à pobreza do trabalhador. Empobrecimento, portanto, pre- cisa ser tratado como uma categoria analítica multidimensional.

De imediato, ressaltamos três indagações dialeticamente entrela- çadas: o que signii ca trabalho na sociedade capitalista? Que mercadoria é comprada e vendida no propalado “mercado de trabalho”? Com mais anterioridade, qual a especii cidade histórica que marca a produção de mercadorias nesta sociedade? Como veremos ao longo da exposição, essas indagações nos remetem à compreensão da lógica que tem orientado o processo histórico do desenvolvimento qualitativo e quantitativo do capi- tal na sociedade capitalista.

Pretendemos mostrar ainda que a discussão teórica relacionada a “po- líticas de mercado de trabalho” – que envolve o Estado e a sociedade civil – exige a compreensão da natureza da dominação emanada da relação social do capital. Para Oliveira e Ponte (2012, p. 12), a tese aqui esboçada é a de que a dominação social que se constitui ao longo do desenvolvimento do capital – dominação que se projeta sobre o Estado, os indivíduos, as classes sociais e a natureza – decorre do caráter do trabalho que produz a riqueza capitalista. E que o sujeito da dominação não pode ser discernível a partir da realidade concreta, pois está sintetizado no capital.

Desse modo e em busca de mediações, dois outros pressupostos orientam nossas argumentações. Em primeiro lugar, consideramos o tra- balho que produz o capital como o cerne da sociabilidade das sociedades ocidentais e que, ao mesmo tempo, estrutura e desestrutura a vida das pessoas. De um lado, apresenta-se como o principal meio para “ganhar a vida”; de outro, como centro de irradiação de inseguranças generalizadas, doenças e desrealização pessoal e proi ssional (insatisfação no trabalho). O trabalho é uma categoria cujas signii cações são dissimuladas pela com- pulsão das pessoas de se inserirem na esfera do consumo. A necessidade de ganhar a vida enevoa os sentidos que tem o trabalho para a produção do capital, principalmente aqueles que se relacionam a processos que atentam contra a vida das espécies.

Em segundo lugar, como a sociedade capitalista gira ao derredor de uma “coleção de mercadorias”, a produção, no entanto, somente é em- preendida, caso seja rentável, ou seja, sempre que proporcionar lucro ao investidor do dinheiro, na medida socialmente determinada. Dentro dessa lógica, é possível que se algo for crucial para satisfazer necessidades huma- nas importantes, mas não for rentável, não será produzido. A atividade produtiva que faz sentido é aquela que gera lucro: se o produto não for portador de valor de troca, não será útil para o capital. De maneira aná- loga, algo que seja danoso à vida poderá ser produzido, caso seja rentável.

Logo, a produção capitalista de mercadorias é realizada por empresas que obtenham, no mínimo, a rentabilidade socialmente vigente, vale re- petir. Quando uma empresa recorre à falência, signii ca que o capital não se valorizou na medida requerida. Como consequência, seus empregados perdem o meio para “ganhar a vida”.

Para a lógica do capital, os mercados deverão funcionar de tal modo que as empresas se organizem dentro de uma estrutura setorial “equilibra- da” que lhes permita uma expansão sustentada. Signii ca dizer que os vá- rios setores da produção que compõem a divisão do trabalho social devem estar adequadamente dimensionados. A acumulação de capital com a pre- valência desse equilíbrio intersetorial possibilitará a expansão da economia, do emprego e da renda, bem como o surgimento de novas oportunidades de negócios.

A questão é que essa circunstância não se coaduna ao caráter anár- quico da concorrência intercapitalista. Cedo ou tarde surgem assime- trias que acionam os limites internos à expansão do sistema, mesmo que as relações econômicas internacionais sejam ampliadas. Nessa escala, os

processos tendem a ser ainda mais assíncronos, pois entram em jogo os interesses dos grandes grupos econômicos sediados nos países em disputa por hegemonia.

Em qualquer escala, a produção de mercadorias requer a compra e venda de uma mercadoria especial que possibilita as condições de va- lorização do capital. O consumo de força de trabalho corresponde ao

trabalho vivo, do qual resulta a mais-valia. Uma parcela do valor criado é

paga, com a qual o trabalhador deverá adquirir os meios necessários a sua reprodução e para manter seus descendentes. A compra da mercadoria força de trabalho é a demanda do “mercado de trabalho” de que depende o nível do emprego.

A expansão do emprego, evidentemente, dependerá da expectativa de lucro vislumbrada por cada empresa em particular. Caso não ocorram mudanças em sua composição técnica, a acumulação de capital terá um efeito positivo sobre o total de pessoas a serem contratadas. Contudo, se a empresa não se mostrar lucrativa, será obrigada a fazer reduções em seu quadro de pessoal, de modo a elevar a produtividade e melhorar sua competitividade. Podemos dizer que, nessa circunstância, os demitidos serão considerados não rentáveis e que, socialmente, estaríamos diante de uma situação de mercado desfavorável aos vendedores de força de trabalho. Ao mesmo tempo, as demissões, ao ampliarem a reserva de trabalhadores, serviriam para inibir eventuais reivindicações por maiores salários. Seriam uma sombra ameaçadora sobre aqueles e aquelas que estiverem trabalhando (para “ganhar a vida”) e uma parcela da população sem acesso ao consumo.

Esse excedente de trabalhadores(as) resulta de processos de reestru- turação produtiva que sempre acompanham o capital ao longo de seu de- senvolvimento. Desde a “Cooperação Simples”, a “Manufatura” e a “Gran- de Indústria” (MARX, 1978, Capítulos XI, XII e XIII) – e agora com a “acumulação l exível” –, a utilização de formas cada vez mais soi sticadas de consumo de força de trabalho acentua a tendência de redução da im- portância dos(as) trabalhadores(as) nos locais de trabalho. É um desen- volvimento que ocorre não apenas na indústria, mas também nos demais setores da economia, tais como a agropecuária, o comércio, os bancos, os serviços etc. A perda de importância poderá se concretizar até mesmo em termos quantitativos. O chamado desemprego estrutural é a situação em que a substituição do produtor imediato pela máquina não é compensada pelo surgimento de novos setores da produção ou de novas empresas para

as quais os demitidos poderiam, eventualmente, vender sua capacidade de trabalho. Nesse caso, o efeito eliminação de “postos de trabalho” não seria compensado pelo efeito absorção decorrente de um eventual crescimento econômico geral (GOUVERNEUR, 1995, Capítulo VII).

Com a população demasiada para o capital, o medo da perda do emprego e as formas de controle a que são submetidos os “servos” da mo- dernidade aprofundam-se, fazendo surgir processos conl ituosos e diversas formas de violência, além de enfermidades que são típicas do consumismo, da produção e das atividades relacionadas à circulação de mercadorias e dinheiro. Os gestores públicos são chamados a dar respostas imediatas, pois a possibilidade de convulsões sociais estará sempre presente ou latente.

Desde o ano de 2008, assistimos a uma crise de amplitude mundial e a ameaças cada vez mais concretas de eliminação de direitos individuais e coletivos. O chamado estado de direito está em crise; a democracia repre- sentativa perde legitimidade; estreitam-se as possibilidades de regulação de conl itos e se ampliam os mecanismos institucionais de repressão; relega-se a esfera pública para um plano secundário. O imediatismo que orienta as ações dos administradores da crise corrobora a redução do espaço das so- luções urgentes: acirram-se os conl itos sociais e se acentuam o sofrimento humano e os danos ambientais.

Diante de tamanha complexidade é preciso problematizar as ques- tões-chave relacionadas ao modo de produção e de vida dessa sociedade. Em particular, pretendemos argumentar que a pobreza do trabalho leva ao empobrecimento da sociabilidade capitalista. Por esse caminho, é funda- mental a compreensão do signii cado de “trabalhador pobre” e do cresci- mento da pobreza no mundo. A crítica ao trabalho que reproduz o capital é crucial para a empreitada aqui proposta e central para compreender os limites internos do sistema e sua perda de legitimidade para resolver os problemas econômicos, sociais e ambientais por ele gerados.

O trabalho que reproduz o capital e sua inerente dominação social abstrata

Nosso ponto de partida é que as articulações necessárias à reprodução social, econômica e política do sistema do capital se desenvolvem a partir de seu núcleo central, qual seja a categoria valor. Nesta, não apenas se en- contra a lógica econômica, mas, sobretudo, o cerne da sociabilidade que se constitui a partir do trabalho como fonte da riqueza capitalista.

As estruturas que se erigem em torno do valor são partes de uma en- grenagem organizada para dar vazão ao modo de produção e de vida da so- ciedade. São as empresas, o aparelho de repressão do Estado, o Judiciário, o Executivo, a escola, a indústria cultural, os shoppings (as “catedrais” das mercadorias) e outras estruturas. Todas sintonizadas ao modo de produção do capital e a seu inerente modo de vida. A sintonia não signii ca que não existam processos assíncronos. Aliás, a não simultaneidade é a marca des- ta formação socioeconômica, tanto na escala nacional como também no mundo. A realidade atual de crise do capital que vivenciamos é plena de ilustrações da falta de sincronias.

Para retomar nosso ponto de partida, um dado simples: a produção do valor depende da capacidade e do talento humanos, social e histori- camente adquiridos. Por outro lado, ao capital pouco importa as formas concretas como se apresentam essa capacidade e esse talento, ou seja, não interessa como se manifestam no processo produtivo. É o trabalho abs-

trato que conta para sua valorização. O consumo da mercadoria força de

trabalho (vale repetir, o trabalho vivo) possibilita a produção do excedente de que se alimenta esse sociometabolismo. Na realidade, o trabalho vivo também signii ca consumo de meios de produção, cujo valor, por sua con- dição de trabalho morto, é apenas transferido para o valor novo criado. Durante o consumo da mercadoria força de trabalho, portanto, ocorre, simultaneamente, a transferência de valor (dos meios de produção consu- midos) e criação de valor novo. No cerne da produção, essa simultaneidade e sincronia são perfeitas.

Portanto, é preciso ter claro que o signii cado do trabalho não pode ser reduzido a sua simplicidade como atividade humana em geral. Não se trata apenas de atividades com as quais os homens transformam a natureza e se relacionam entre si e se fazem como espécie. Em nada se assemelha a uma determinação natural do homem, mais ainda quando admitimos que não é possível alguém realizar-se em produtos que não lhes pertencem. Ademais, as atuais circunstâncias históricas e sociais do trabalho, que tem como marcas a fragmentação e a tendência ao esvaziamento progressivo de seu substrato real, contribuem mais ainda para esse processo de alienação.

Como o trabalho que importa é aquele que valoriza o capital, os do- nos do dinheiro dirigem-se ao mercado para comprar meios de produção e força de trabalho. O primeiro conjunto de mercadorias é vendido por capitalistas; a capacidade de trabalho, que se encontra na corporeidade do trabalhador, terá de ser adquirida para que se efetivem os atos de consumo na esfera da produção.

Do ponto de vista do trabalhador, a “vontade” de vender a força de trabalho é uma das condições necessárias para a satisfação de necessidades individuais. A efetivação da venda, a condição sui ciente, no entanto, não depende do vendedor. Para reforçar essa “vontade” de vender, a satisfação de necessidades humanas – mesmo não sendo a i nalidade da produção capitalista – ai rma-se sob a forma de coerção determinada pelas relações sociais que apoiam a valorização do capital. Isso quer dizer que a satisfação das necessidades individuais e coletivas de várias ordens tem por pressupos- to a produção do valor-mercadoria e sua transformação em capital-dinheiro na “grande circulação”.

Dentro de tal base societária, a efetivação da venda da força de tra- balho tende a se tornar problemática, principalmente quando muitos se apressam em vendê-la, quando ainda não “madura” (jovens sem experiên- cia de trabalho) ou quando ocorre uma intensa al uência de mulheres ao mercado de trabalho. Nessas circunstâncias desfavoráveis, não há sincronia naqueles que estão necessitando comprá-la na velocidade requerida pelos que a oferecem. Na Espanha de hoje, mais da metade dos jovens não en- contra ocupação para “ganhar a vida”. No Brasil, tal circunstância estimu- lou o surgimento das chamadas “políticas compensatórias” em suas várias modalidades, tais como “consórcio da juventude”, “primeiro emprego”, “requalii cação proi ssional”, “credijovem” “bolsa-família” etc. Como novi- dade, assiste-se a um fenômeno que atinge a população de jovens que está sendo identii cada por “geração nem-nem”, ou seja, aqueles que abandona- ram a escola e não conseguem emprego. Aqueles que não estudam e nem trabalham totalizam 5,3 milhões de jovens brasileiros, aproximadamente 17% da população entre 18 e 24 anos14. Trata-se de um fenômeno também constatado nos Estados Unidos e na Europa, na esteira de suas respectivas crises socioeconômicas e políticas.

Assim, produzir para vender e ter lucro, para produzir mais e ter maior lucro é a i nalidade tautológica do modo de produção do capital. Com a generalização da relação do capital, o valor (e o dinheiro) impõe sua sociabilidade aos seres humanos como um poder que lhes é alheio, portanto, externamente determinado. Por isso, as crises decorrentes dessa sociabilidade ai rmam-se com um potencial crescente de descarte de pessoas e de mais agressões à natureza.

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A lógica do capital assume a condição do inescapável e de critério radicalmente objetivo. Caso não seja atendida, condena os “inei cientes” a buscar formas até mesmo degradantes de sobrevivência. Ao mesmo tempo que orienta a produção de mercadorias, essa mesma lógica baliza as ações humanas e funciona como um monitor pan-óptico da sociedade, obrigan- do todos a buscar meios de inserção na esfera do consumo.

Do ponto de vista da racionalidade do capital, tanto a produção quanto o consumo terão que ser “economicizados”; o mesmo ocorre com o tempo por acaso liberado. Em tal contexto social, o trabalho que im- porta é aquele que é “reconhecido” por outros, com a mediação do mer- cado, portanto, remunerado, porque rentável. Remunerado e socialmente reconhecido somente assim o trabalho se torna o fator fundamental de sociabilidade nesta sociedade e de identii cação dos “sujeitos”, a i m de lhes assegurar uma legitimidade mensurada pela quantia de que dispuserem.

Os atores do trabalho, por sua vez, têm sua existência biológica e social num contexto de indiferença e de interdependência, ambas social- mente constituídas ao derredor da racionalidade econômica dominante. O trabalho que rende dinheiro é o nexo social que une e separa, pois diferen- cia os sujeitos em função da quantidade apropriada por cada um deles, na teia de inter-relações que condicionam a coesão e a cidadania dessa socie- dade15. Nas sociedades escravista e feudal, o trabalho consignava àqueles que o realizavam a condição de inferiores; hoje, sob o capitalismo, o não trabalho cumpre essa desdita, pois signii ca a negação de acesso à urdidura social possibilitada pelo dinheiro.

Assim, o “espírito do capitalismo” submete todos a uma espécie de conduta “irracional”, a um modo de vida que se dissocia de i ns humanos. Como regra geral, mulheres e homens, independentemente da condição de classe, submetem-se a uma racionalidade irracional que os leva a regrar suas vidas em função da atividade econômica que gera dinheiro.

Para muitos, do ponto de vista da sociabilidade vigente, a existência biológica e a chamada “inclusão cidadã” na sociedade capitalista somente se efetivam com a venda da força de trabalho. Aqueles que a vendem reco- nhecem-se como classe trabalhadora; aqueles que não a venderam identi- i cam-se como desempregados. Os indivíduos que vendem sua capacidade de trabalho conformam a classe que vive para o trabalho – são aqueles e aquelas que sacrii cam a própria vida em benefício do capital.

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Ao lado da classe que vive para o trabalho, encontram-se os proprie- tários dos meios de produção, aqueles que compõem a classe que vive do trabalho alheio ou aqueles poucos que se benei ciam do sacrifício de mui- tos. Mesmo que em permanente conl ito, ambas as classes estão integradas, funcional e organicamente, ao processo de produção do valor16.

A coerção social antes referida indica que a racionalidade econômica prevalecente encerra uma razão irracional porque sublima as relações mo- netárias entre todas as pessoas, possuidoras ou não de propriedades. Não apenas os produtores imediatos se tornam acessórios, mas também todos aqueles que compõem as estruturas com as quais se materializa tal subli- mação. Nessas condições, até parece que a humanidade i ca despojada de si mesma. Se em alguma época o tempo de trabalho confundia-se com o tempo da vida, agora, o primeiro subverte e submete o segundo para lhe atribuir um valor monetário e um cálculo de rentabilidade.

Portanto, na sociedade capitalista, continua a “história das relações de fetiches”. O dinheiro, por sua vez, ao se tornar um i m em si mesmo, estabelece que o único trabalho que importa é aquele que rende dinheiro. Essa i nalidade tautológica (irracional, vale repetir), juntamente à contra- dição central do capital, permite perceber que se trata de um sistema que cria possibilidades de desmonte da sociabilidade que lhe é inerente.

A tautologia econômica da produção (dinheiro) pela produção (di- nheiro) leva à conclusão de que, na sociedade capitalista, a validação da existência biológica e social de muitos passa pela venda de sua força de