1. BÖLÜM
2.7. Türkiye'de Yayılış Gösteren Üç Kanid Örneklerinin Mitokondriyal DNA COI
Assinala-se como um estudo de caso avaliativo, de caráter etnográfico, consubstancializado através de uma pesquisa-intervenção: mediação intencional como procedimento à avaliação dos possíveis efeitos de intervenções pedagógicas ao desenvolvimento de competências metalingüísticas em crianças do campo, onde se constataram consideráveis variações lingüísticas em relação à norma-padrão. Analisaram-se as possíveis influências das dissonâncias de uma variação lingüística durante o processo de alfabetização infantil.
Com efeito, a metodologia adotada mostrou-se apropriada, uma vez que, de acordo com a definição de Stenhouse (1988, p.49):
No estudo de caso avaliativo um único caso ou um conjunto de casos é estudado em profundidade com o propósito de fornecer aos atores educacionais ou aos que tomam decisão (administradores, professores, pais, alunos, etc.) informações que os auxiliem a julgar o mérito ou o valor de políticas, programas ou instituições.
Em se tratando da importância de pesquisas qualitativas à avaliação de intervenções pedagógicas à aquisição da escrita, Kleiman (2001, p. 269) assegura:
Se, por meio das grandes pesquisas quantitativas, podemos conhecer onde e quando intervir em nível global, os estudos acadêmicos qualitativos, geralmente do tipo etnográfico, permitem conhecer as perspectivas específicas dos usuários e os contextos de uso e apropriação da escrita, permitindo, portanto, avaliar o impacto das intervenções e até, de forma semelhante à das macroanálises, procurar tendências gerais capazes de subsidiar as políticas de implementação de programas.
Estima-se que a interação entre pesquisas quantitativas e qualitativas permite uma visão mais completa dos fenômenos educacionais, haja vista a possível e necessária conciliação entre as partes e o todo. Assim sendo, as microanálises das condições de uso da língua escrita – comportamento lingüístico e social constituído de dados comuns ao emissor e receptor – tendem a contribuir de forma considerável à compreensão do letramento.
Outrossim, esquivando-se de interpretações lineares, os dados foram apreciados sob múltiplas dimensões. Numa abordagem sociológica (CHARTIER, 1995; CHARTIER e HÉBRARD, 1995), que compreende a linguagem escrita como prática social, observaram- se as relações entre os costumes de leitura e escrita e as características sociais de seus usuários. Tratou-se de conhecer o tipo de material circundante e as metodologias de ensino e estratégias de aprendizagem habituais.
Em termos sociolingüísticos, foram consideradas as correlações entre fala e escrita, os determinantes lingüísticos das dificuldades de aprendizagem da linguagem escrita e ainda suas relações com a variante local (LABOV, 1974, 1988; CALVET, 2002; BORTONI-RICARDO, 2004 e 2005, PRETI, 1989, 1994; BAGNO, 2000, 2001, 2003). O ponto de vista lingüístico subsidiou as análises do paralelismo entre sistema fonológico comunitário e ortográfico da língua; a percepção das diferenças lexicais e morfossintáticas, como também da oralidade e escrita (BAGNO, 2001; CAGLIARI, 1992; ILARI, 1985, 2001, 2002, PERINI, 1997, 2006).
Por fim, fez-se necessária uma apreciação pedagógica, avaliando-se a qualidade das intervenções instituídas na escola, seus procedimentos metodológicos e didáticos, referentes à verificação das possíveis interferências da variante lingüística local à alfabetização dos alunos.
Por conseguinte, as dimensões local e global da linguagem escrita foram ponderadas à intervenção: o material escrito e as práticas de letramento, tanto da comunidade, quanto da cultura hegemônica. Logo, o objeto de estudo, apesar de sua conotação universal, demandou a apreensão da realidade da comunidade. Questionaram- se as habilidades e conhecimentos da língua escrita que necessitariam de contemplação, objetivando-se a seleção de atividades potencializadoras à evolução da assimilação da língua escrita.
Nesse sentido, sobrepuseram-se, ao objetivo primeiro da investigação – análise dos efeitos dissonantes de uma variante lingüística ao longo da alfabetização infantil –, reflexões concernentes ao contexto da investigação e suas especificidades, no que diz respeito quer às suas representações sociais de educação, alfabetização e letramento, quer às suas concepções de mundo e de vida. Em consonância com Rey (2000), os princípios epistemológicos da pesquisa qualitativa indicam a natureza interativa e significativa na produção de conhecimentos.
De acordo com Minayo (2006, p. 22-23), pesquisas dessa natureza precisam:
incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, e às estruturas sociais, sendo essas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação, como construções humanas significativas.
Importam ainda as considerações de André (2005, p.28), que endossam as concepções referidas, expondo minuciosamente as características dessa modalidade de pesquisa:
[...] a principal preocupação na etnografia é com o significado que as pessoas ou grupos estudados atribuem às ações, eventos e à realidade que as cercam. Os significados podem ser diretamente expressos pela linguagem ou indiretamente pelas ações. Em toda sociedade as pessoas usam sistemas complexos de significados para organizar seu comportamento, para entender a si próprios e aos outros e para dar sentido ao mundo em que vivem. Esses sistemas de significados constituem sua cultura, explica Spradley (1979, p.5). É tarefa do etnógrafo descrever densamente essa cultura e para isso precisa tentar capturar a perspectiva do outro.
Percebeu-se, assim, que analisar fenômenos em seus ambientes naturais requer elaboração e adequação metodológica – salvaguardando-se o rigor dos procedimentos de
pesquisa, a ética e responsabilidade social – decorrentes da constante interferência dos efeitos da mediação desenvolvida. Desse modo, à medida que a intervenção progredia, novos questionamentos revelavam-se e, conseqüentemente, inovadoras estratégias de ação.