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4.3. Tahmin Sonuçları

4.3.3. Türkiye ve Avro Alanı Enflasyon Dinamikleri Bakımından

Como salientado, o Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas tem a CGPMA como seu órgão gestor. Trata-se de unidade vinculada à Diretoria de Políticas Penitenciárias (DIRPP), do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN).

Em consonância como o Decreto n.º 5.834/06, compete à Coordenação-Geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas (CGPMA):

I - desenvolver a política de fomento às penas e medidas alternativas nas unidades da federação;

II – produzir e divulgar informações sobre a aplicação, execução e monitoramento das penas e medidas alternativas no Brasil;

III - assessorar as unidades da federação no desenvolvimento da política estadual de monitoramento da execução das penas e medidas alternativas;

IV – analisar as propostas de celebração de contratos e convênios para execução de serviços dentro de sua área de atuação;

V – capacitar equipes de monitoramento da execução das penas e medidas alternativas que atuam nas unidades da federação;

VI - monitorar os convênios firmados com recursos do Fundo Penitenciário Nacional – FUNPEN, que versem sobre sua área de atuação;

VII - consolidar materiais e métodos que orientem o desenvolvimento do monitoramento da execução das penas e medidas alternativas, através da definição de diretrizes e manuais de gestão;

VIII - emitir pareceres, notas técnicas e informações administrativas sobre assuntos relacionados à sua área de competência. (BRASIL/MJ/DEPEN/CGPMA, 2010).

Por sua vez, à Coordenação-Geral de Fomento às Penas e Medidas Alternativas (CGPMA) está integrada a Comissão Nacional de Apoio às Penas e Medidas Alternativas (CONAPA), órgão consultivo para produção de conhecimento a respeito da matéria de sua responsabilidade, a qual foi instituída pela Portaria n.º 515 e tem por finalidade:

I. contribuir na elaboração de planos nacionais que versem sobre Sistema de Justiça, Segurança Pública e Direitos Humanos;

II. propor fóruns públicos para debater a política nacional de fomento às penas e medidas alternativas;

III. sugerir projetos de alteração legislativa no âmbito das penas e medidas alternativas; IV. estimular a aplicação dos substitutivos penais e zelar pela qualidade do monitoramento da execução das penas e medidas alternativas em todas as unidades da federação;

V. difundir as penas e medidas alternativas como instrumento eficaz de punição e responsabilização;

VI. estimular as parcerias entre os operadores do Direito, as autoridades públicas e a sociedade civil organizada;

VII. divulgar experiências bem sucedidas e fomentar sua aplicação em todas as unidades da federação;

VIII. estimular a realização de estudos científicos, com vistas ao aprimoramento das normas jurídicas sobre alternativas às medidas privativas de liberdade e a produção de dados nacionais sobre o tema; e

IX. sugerir alterações no regimento interno.

A aludida Comissão é composta por 28 membros efetivos, sendo um representante por unidade da federação, um representante do Distrito Federal e um representante do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), os quais têm mandato de 01(um) ano, podendo ser reconduzidos por igual período. (BRASIL/MJ/DEPEN/CGPMA, 2010).

A criação de programa nacional para cuidar das penas e medidas alternativas, no âmbito do Ministério da Justiça a partir do ano 2000, promoveu a aceleração e ampliação de serviços públicos de apoio à execução dessas sanções. E no ano de 2003, o Ministério da Justiça demonstrou atitude de fortalecimento do referido programa, com estratégias nos seguintes objetivos:

I – produção e disseminação de conhecimento acerca da execução das penas e medidas alternativas; II – identificação, avaliação e fomento de boas práticas nesta área; e III – apoio técnico e financeiro aos judiciários e executivos estaduais para que promovam melhorias nos seus sistemas de aplicação e fiscalização das alternativas penais. (ROCHA GOMES, 2008, p. 155-156)

Hoje existem dezenas de varas judiciais especializadas, complementadas por centenas de estruturas de monitoramento e fiscalização de penas e medidas alternativas, dentre núcleos e centrais, os quais formam o conjunto de equipamentos públicos existentes sobre o tema no país.

O Relatório de Gestão da CGPMA de dezembro de 2006 apontou que, entre janeiro e setembro daquele ano, as unidades da federação informaram a execução de 63.457 penas e medidas alternativas no Brasil, representando aumento de quase 200% em relação ao levantamento do ano de 2002, que apresentava 21.560 execuções. Observou-se ainda a tendência de continuidade dessa expansão, visto que apenas naqueles nove meses de 2006 foram aplicadas 301.402 penas e medidas alternativas em todo país. (BRASIL/MJ/DEPEN/CGPMA, 2010).

Em junho de 2008, após dois anos do referido relatório, já havia 498.729 pessoas cumprindo, ou já tendo cumprido penas ou medidas alternativas. No mesmo período havia 493.737 pessoas presas (condenados e provisórios). O número de cumpridores de penas e medidas alternativas ultrapassou, assim, o número de presos no Brasil. É o que apontou o levantamento de dados do 1.º semestre de 2008, consolidados pela Coordenação-Geral de Política, Pesquisa e Análise da Informação do DEPEN. Em dezembro de 2009 havia 671.078 pessoas cumprindo, ou já tendo cumprido penas ou medidas alternativas e 473.626 presos (condenados e provisórios) (BRASIL/MJ/DEPEN, 2010).58

Para Alencar (2010), essa ampliação das penas e medidas alternativas ocorreu não somente em termos quantitativos, mas em qualidade, decorrente das especificidades:

• Do modelo de aplicação e execução do sistema de segurança e justiça criminal brasileiro que abarca delitos de menor e médio potencial ofensivo não superior a quatro anos de condenação; e

• Da gestão do sistema de penas restritivas de direitos adotado no Brasil que contempla aspectos importantes da interdisciplinaridade e do diálogo social com foco na prevenção criminal.

58 Para Barreto (2010, p. 46), o procedimento de consolidação das informações da pena privativa de liberdade e

das sanções alternativas não permitiria comparação entre essas duas modalidades de pena, haja vista que possuem parâmetros diferentes. Aduz a referida autora: “Os dados sobre o sistema prisional são obtidos por meio do Sistema Nacional de Informação Penitenciária (Infopen) e são consolidados de acordo com o número de internos que se encontram no sistema quando do fechamento de determinados período. No caso das penas e medidas alternativas, as informações são encaminhadas de forma manual pelas varas e centrais de penas e medidas alternativas para a CGPMA e dizem respeito às sanções cujo cumprimento tenha se iniciado em determinado período.

De acordo, ainda, com a mesma autora, “a gestão das penas e medidas alternativas vem cumprindo o caráter retributivo e reabilitador da pena. As taxas de reincidência das penas e medidas alternativas variam entre 02 a 12%, enquanto às penas de prisão oscilam entre 70 a 85%.” (ALENCAR, 2010).

Os últimos dados disponibilizados pelo Ministério da Justiça (MJ) informam que até final de 2009, o Brasil contava com 20 (vinte) Varas Judiciais Especializadas, complementadas por 389 (trezentos e oitenta e nove) estruturas montadas de monitoramento e fiscalização de penas e medidas alternativas, dentre Núcleos e Centrais, formando o conjunto de equipamentos públicos existentes sobre o tema do país. Tais serviços envolvem instituições do Sistema de Justiça (Poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública), do Poder Executivo e entidades da Sociedade Civil Organizada; fundamentais à garantia do bom cumprimento das decisões judiciais. (BRASIL/MJ/DEPEN/CGPMA, 2011).

Não resta dúvida que já existe no Brasil quadro considerável de estruturação para o fortalecimento da execução das penas e medidas alternativas, bem como, constata-se crescente aplicação dessas alternativas penais nos últimos anos. Isso não significa, entretanto, que não seja necessário continuar investindo nessa estruturação e, principalmente, persistir no debate em torno da sua afirmação como política eficaz e reintegradora.

Barreto (2010, p. 24) afirma que os dados apresentados mostram que a atuação do Ministério da Justiça (MJ) foi decisiva para fortalecer a política de penas e medidas alternativas, haja vista que incentivou a criação, nos estados, de estruturas que dessem suporte à execução penal alternativa, auxiliando a romper a resistência inicialmente observada para a aplicação dessas sanções. Os recursos disponibilizados pelo Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN) para o Programa Nacional de Apoio às Penas e Medidas Alternativas podem ser demonstrados na seguinte ordem:

Recursos do FUNPEN para penas e medidas alternativas ANO PREVISÃO ORÇAMENTÁRIA PROJETOS APROVADOS CONVÊNIOS CELEBRADOS 2000 R$ 1.746.000,00 R$ 120.000,00 R$ 120.000,00 2001 R$ 3.137.000,00 R$ 199.590,00 R$ 199.590,00 2002 R$ 6.137.000,00 R$ 5.119.758,00 R$ 5.075.478,81 2003 R$ 3. 500.000,00 R$ 707.233,60 R$ 707.233,60 2004 R$ 6.780.000,00 R$ 2.163.335,76 R$ 1.010.637,76 2005 R$ 3.100.00,00 R$ 898.369,51 R$ 898.369,51 2006 R$ 1.600.00,00 R$ 971.544,00 R$ 630.744,00 2007 R$ 6.000.000,00 R$ 6.097.162,06 R$ 3.062.291,99 2008 R$ 13.180.000,00 R$ 7.585.832,63 R$ 7.129.100,46 2009 R$ 10.600.000,00 R$ 9.762.134,32 R$ 4.579.365,94 2010 R$ 14.300.000,00 R$ 8.990.511,10 R$ 4.896.147,08 Fonte dos dados: Ministério da Justiça/DEPEN/CGPMA, 2011.

Os recursos são empregados principalmente em:

I) Instalação de Centrais ou Núcleos de Acompanhamento e Fiscalização (predominantemente no Poder Executivo) ou Varas de Execução de Penas e Medidas Alternativas (Poder Judiciário) - financiamento do aparelhamento físico e da contratação das equipes técnicas multidisciplinares;

II) Instalação de serviços especiais (Poderes Executivo e Judiciário) destinados ao homem agressor (Lei Maria da Penha) e ao usuário de drogas (Lei n.º 11.343/06) que chega aos Sistema de Justiça Penal – financiamento do aparelhamento físico, contratação das equipes técnicas e respectiva capacitação;

III) Instalação de Núcleos Avançados de defesa do preso provisório no âmbito das Defensorias Públicas estaduais – financiamento do aparelho físico;

IV) Realização de Congressos, Seminários, Ciclos de Capacitação, Workshops temáticos. (BRASIL/MJ/DEPEN/CGPMA, 2011)

Pode parecer, pelos dados contidos na tabela apresentada, que os recursos orçamentários disponibilizados para apoiar a execução penal alternativa no Brasil superaram as necessidades da demanda dos estados nessa área. Entende-se, entretanto que tal constatação pode ser falsa, haja vista que muitos fatores podem contribuir para a não aprovação de projetos, como a falta de apoio técnico e, ainda, para a não apresentação de projetos, que pode decorrer de situação irregular em que se encontram certos Órgãos das unidades da federação (v. g. a inadimplência com a previdência social) e até mesmo da falta de ações de afirmação e indução para o reforço da política das alternativas penais.

No sentido de indução à política fomentada pelo Ministério da Justiça (MJ), Alencar (2010) destaca marcos políticos recentes que deram força institucional ao Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas: o Relatório da CPI do Sistema Carcerário, em julho de 2008, que recomenda as penas alternativas como primeira proposta para superar a crise da prisão; a XI Conferência Nacional de Direitos Humanos, em dezembro de 2008, que aprovou as penas e medidas alternativas como tema central para a política penitenciária nacional na perspectiva de promover nova Justiça Criminal (diretriz 17); a 1.ª Conferência Nacional de Segurança Pública (1.ª CONSEG), em agosto de 2009, com a aprovação do princípio 7 e da diretriz 22, pautando o Sistema Nacional de Penas e Medidas Alternativas na agenda política prioritária da segurança pública do Brasil; o Plano Nacional de Direitos Humanos III, lançado em dezembro de 2009 pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o qual propõe a modernização da política de execução penal,

priorizando a aplicação de penas e medidas alternativas à privação de liberdade e melhoria do sistema penitenciário (diretriz 16).

Soma-se aos marcos políticos mencionados o fato, já destacado, do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas do Ministério da Justiça (MJ), ter sido reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das melhores práticas para redução da população carcerária no mundo, durante o 12.º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, ocorrido em abril de 2010 na cidade de Salvador.

Resta claro que a temática das penas e medidas alternativas apresenta novos arranjos institucionais que apontam para consolidação de novo sistema penal, diverso daquele tradicionalmente dirigido para pessoas que necessitam estar presas.

Para tanto, faz-se necessário garantir a autonomia jurídico-administrativa do sistema alternativo à prisão no Brasil para que seja possível prosseguir com sua evolução e sustentabilidade, visando à consolidação dessa política pública.

4.1.2 Sustentabilidade da política de fomento às penas e medidas alternativas nos estados