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Türkiye Risk Sermayesi Altyapısının Diğer Ülkeler İle Karşılaştırılması

1. RİSK SERMAYESİ İLE İLGİLİ KAVRAMSAL ÇERÇEVE

3.6. Türkiye Risk Sermayesi Altyapısının Diğer Ülkeler İle Karşılaştırılması

No Brasil da República Velha, o setor segurador é predominantemente constituído por empresas estrangeiras. Estas já tendiam a predominar no sé- culo XIX: entre 1860 e 1875, havia 21 seguradoras num conjunto de 53 em-

presas estrangeiras sediadas no país. O investimento dessas empresas segura- doras correspondia a mais de 3 milhões de libras esterlinas, cerca de 12% do total de investimentos estrangeiros no país nesse período.26 O volume dos in- vestimentos e o número de companhias seguradoras diminuem na década se- guinte (1876-85), mas se recuperam no início da República. Entre 1886 e 1896, havia 11 companhias de seguro estrangeiras operando no Brasil, com um capital de mais de 10 milhões de libras esterlinas, o que correspondia a 30% do capital estrangeiro investido no país naquele decênio.

O governo republicano tentou regular a atividade dessas seguradoras, que drenavam os recursos dos prêmios dos seguros para suas matrizes no ex- terior. Baixaram-se normas estabelecendo que as reservas dessas companhias deveriam ficar no país, convertidas em investimentos. Muitas empresas fecha- ram como reação às tentativas de controle do governo. Durante toda a Pri- meira República, deu-se um embate entre o governo e as seguradoras estran- geiras, que resistiam a qualquer regulação governamental. Em meio a essa luta, começam a surgir as seguradoras brasileiras, como a Sul América (1895). Elas vão ocupar os espaços que se abrem no mercado brasileiro com a industrialização, a urbanização e, pouco depois, a abertura da fronteira para o oeste do país.

A crise de 1929 e a recessão que se estendeu a vários países europeus criaram um consenso no mundo capitalista de que o setor financeiro neces- sitava de regulação no nível dos Estados nacionais. Numa política bastante in- tervencionista, o governo Vargas pôs em prática a legislação que a República Velha havia formulado mas não tivera força política para implementar. Abo- liu-se o regime de exceção que isentava as seguradoras estrangeiras da sub- missão à regulação governamental. Decreto de 1932 ampliou a abrangência da regulação e ameaçou de liquidação as companhias que não se ajustassem à medida. Mudou completamente o clima do mercado de seguros, e as com- panhias estrangeiras entraram numa conjuntura de incerteza.

O novo governo implantou no setor segurador a mesma política apli- cada aos bancos estrangeiros. Sem hostilizar as empresas já instaladas no país, promoveu uma reestruturação significativa no mercado, estimulando o surgimento de novas companhias locais. Das 66 empresas de seguro existen- tes em 1934, passou-se a 80 em 1937 e a 94 em 1940. Ao término do Estado Novo, havia 114 empresas seguradoras no país.27

Criaram-se agências reguladoras da atividade de seguro. O Ministério do Trabalho abarcou a atividade seguradora, entendida como atividade para- lela ao sistema previdenciário que então se idealizava naquele ministério. Não por acaso, aquele que concebeu o desenho institucional do sistema pre- videnciário foi designado para dar um formato institucional à atividade regu-

26 Ver Castro, 1979.

ladora do setor de seguros: João Carlos Vital idealizou e presidiu o Instituto de Resseguros do Brasil, criado por decreto da ditadura estado-novista em 1939. A criação do IRB foi precedida de iniciativas no Congresso, entre 1934 e 1937, visando à formação de uma agência centralizadora do resseguro, como já existia no Uruguai e no Chile. Os debates, no Congresso, sobre a na- cionalização do setor de seguros e sobre a criação de uma agência reguladora do resseguro nunca se concretizaram em legislação, de modo que a política do seguro no Estado Novo se fez mesmo através de decretos.28

Nesse novo desenho institucional, o Departamento Nacional de Segu- ros Privados e Capitalização, criado em 1934, passou a ter papel inexpressivo ante a força reguladora do IRB. Além de regulamentar a atividade do resse- guro e impedir a drenagem dos recursos do seguro nacional para fora do país, o IRB acabou por criar e organizar o mercado nacional de seguros. Seria en- tão o caso de dizer que o Estado criou o setor nacional de seguros? A resposta seria positiva, não fosse a existência, no Instituto de Resseguros do Brasil, de um Conselho de Representantes das Empresas de Seguro que assessorava o seu presidente na elaboração do quadro operacional do mercado. No setor de seguros, temos pois um tipo de ligação empresariado-Estado que é diferente da ligação por canais corporativos encontrada na indústria e que não repro- duz a estratégia do setor bancário de ocupação direta dos principais cargos decisórios da área financeira, sem intermediação das entidades de classe. As companhias seguradoras, mesmo constituindo um setor de pouco peso econô- mico e de grande fragilidade política perante um Estado forte e regulador no contexto dos anos 30, encontram uma via de representação no IRB e ali aju- dam a montar a estrutura institucional do setor. Este se tornaria predominan- temente nacional, concentrado num pequeno número de seguradoras de mé- dio ou grande porte que nas décadas seguintes cresceriam sob a proteção confortável do Estado. Até os anos 60, quando o regime militar sacudiu o mercado segurador a fim de prepará-lo para se tornar uma atividade finan- ceira, os seguradores controlaram, a partir do Conselho Técnico do IRB, os rumos do mercado de seguros no Brasil.

Conclusão

As três diferentes estratégias que explicam a interação do Estado e os setores industrial, de bancos e de seguros mostram claramente que as políti- cas econômicas do governo Vargas entre 1930 e 1945 foram uma combinação de três fatores: resposta governamental aos constrangimentos da conjuntura internacional, resposta às pressões dos setores empresariais urbanos emer- gentes e capacidade de decisão do governo.

O intervencionismo governamental não significou, portanto, um Estado autônomo, acima das classes, nem um governo ansioso por responder aos de- safios internacionais sem levar em consideração um objetivo estratégico e um referencial nacionalista-desenvolvimentista.

Fica claro, também, que a ação empresarial em face do Estado varia conforme o segmento econômico e que o corporativismo foi uma forma de in- teração de indústria e governo que não se estendeu aos demais setores em- presariais do país.

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Benzer Belgeler