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1. RİSK SERMAYESİ İLE İLGİLİ KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.3. Dünya‟da Risk Sermaye‟sinin Uygulama Örnekleri

2.3.2. Avrupa‟da Risk Sermayesi Uygulamaları

2.3.2.1. Almanya

A transição da economia agroexportadora para a economia industrial, discutida anteriormente, não foi acompanhada da criação de um sistema fi- nanceiro nacional que mobilizasse a poupança interna. Os bancos não iriam cumprir no Brasil o papel que tiveram na Alemanha e no Japão, de impul- sionar e financiar o desenvolvimento industrial. Como vimos, a indústria bra- sileira foi estimulada, depois de 1930, pelas políticas do Estado, pela econo- mia do café e pelo mercado de serviços urbanos, especialmente comerciais.21 Na República Velha, predominavam os bancos britânicos, e depois da I Guerra, os norte-americanos. Sua atuação não envolvia operações de cré- dito, e sim de comércio exterior e câmbio. Em 1912, 12 bancos estrangeiros detinham mais de 40% do ativo dos bancos comerciais no país. Os bancos privados de capital local eram de pequeno porte e âmbito local. O Banco do Brasil, ainda em processo de consolidação, já era então o maior banco bra- sileiro, respondendo por cerca de 20% dos depósitos bancários.

Nos anos 30, os bancos privados não operavam com crédito ao consu- midor ou à indústria. Trabalhavam basicamente com depósitos à vista e des- conto de duplicatas. Mario Henrique Simonsen atribui o atraso dos bancos em operar com créditos de médio e longo prazos à Lei da Usura, de 1933, e também à proibição baixada pelo governo, à mesma época, de se fazer con- tratos baseados na cláusula ouro ou em qualquer outra moeda que não o mil- réis.22 A Lei da Usura proibia contratos com taxas de juros superiores a 12% ao ano. Simonsen diz que ela desestimulou a poupança, a compra dos títulos da dívida pública, dos seguros e das apólices de capitalização. Além de afetar o mercado de crédito, ela teria também atrofiado o mercado imobiliário, que só contava com financiamento público do setor financeiro. Porém, o argu- mento de Simonsen deve ser visto com cautela, uma vez que o contexto fi- nanceiro da época era repleto de conflitos e polêmicas, e ainda há muito o que pesquisar para verificar o impacto efetivo da inflação e da Lei da Usura na reduzida dinâmica do setor financeiro no período.

Na década de 30, o meio financeiro estava dividido quanto à questão das empresas estrangeiras. De um lado estavam os nacionalistas, que conside- ravam a ação de bancos e seguradoras estrangeiros prejudicial ao crescimento

21 Ver Saes, 1997; Goldsmith, 1986, caps. 3 e 4; Barker, 1990; Hasenbalg & Brigagão, 1971. 22 Ver Simonsen, 1995, cap. 1.

econômico, uma vez que os recursos aqui captados tendiam a ser transferidos para os países que sediavam tais empresas, em vez de serem reinvestidos lo- calmente. Desde a República Velha o governo vinha tentando em vão regula- mentar o setor de bancos e seguros. Por outro lado, as companhias estrangei- ras uniam-se em campanhas antinacionalistas, recorrendo aos maiores juristas da época para reagir às ofensivas reguladoras do governo federal. A polêmica entre nacionalistas e defensores das empresas estrangeiras foi perdendo força à medida que o Estado, sob Getúlio Vargas, se tornava mais intervencionista e o grupo nacionalista ganhava mais espaço na cena política.

A Assembléia Constituinte de 1934 trouxe ao plenário os debates sobre o capital estrangeiro nos setores de mineração, energia elétrica, bancos e companhias de seguro. Foi ali proposta uma nacionalização gradual desses setores, pela qual o capital estrangeiro deveria submeter-se às leis nacionais, operando na moeda do país. Defendiam-se também o controle majoritário das companhias estrangeiras pelos empresários brasileiros e a propriedade nacional das ações dessas empresas.23 Na verdade, essa proposta nunca foi posta em prática, e a desejada nacionalização do setor financeiro não acon- teceu. O governo Vargas optou por uma solução mais pragmática: permitiu que os estabelecimentos bancários e de seguros estrangeiros existentes no país permanecessem operando sem qualquer mudança, desde que se subme- tessem à legislação reguladora do Estado. E desestimulou a entrada de novos bancos e seguradoras, criando condições para o crescimento de um mercado financeiro doméstico.

Uma vez que o setor financeiro nacional cresceu sob a proteção gover- namental nos anos 40 e 50, as empresas estrangeiras (bancos e seguradoras) passaram a ocupar um espaço pequeno no conjunto do sistema financeiro. Segundo ranking organizado por Flávio Saes com base na Revista Bancária Brasileira, dos 11 maiores bancos de 1938, cinco eram estrangeiros. Em 1947, somente dois bancos estrangeiros figuravam entre os 10 maiores. Nos levan- tamentos feitos para 1955 e 1963, apenas bancos brasileiros faziam parte da lista dos maiores.24

Diante das grandes empresas industriais dos anos 30, os bancos priva- dos eram empreendimentos de pequeno porte, de caráter familiar e com âm- bito local ou regional. Seu papel no conjunto da economia era muito restrito. Em 1937 o quadro financeiro do país já se modificara: surgiram bancos bra- sileiros de maior porte e novas agências foram abertas no interior do país, fora do eixo Rio-São Paulo. Naquele ano, entre bancos e casas bancárias, exis- tiam no país cerca de 200 estabelecimentos. Em 1945, eles já chegavam a mais de 400, como se vê na tabela 5. O Sudeste (que na tabela inclui apenas o estado do Rio de Janeiro, o Distrito Federal e o estado de São Paulo) con-

23 Ver Gomes, 1978. 24 Ver Saes, 1997.

centrava quase 70% das sedes dos bancos e casas bancárias então existentes, 69% dos empréstimos e 73,4% dos depósitos. A concentração financeira nessa região, especialmente no Distrito Federal (cidade do Rio), fica evidente quando se observa que a região responde por 52% do PIB.

A maior contribuição para o sistema financeiro e para o desenvolvi- mento econômico do país é dada pelo Banco do Brasil, o maior banco brasi- leiro, seguido dos bancos estaduais de São Paulo e, posteriormente, de Minas Gerais. A partir de meados dos anos 30, o Banco do Brasil cria agências que contribuem para dinamizar a economia urbana: em 1935 é criada a Carteira de Redesconto do Banco do Brasil, que expande os meios de pagamentos, dando maior acesso ao redesconto de títulos aos industriais e comerciantes. Em 1937, a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil (Creai) passa a financiar a implantação de indústrias de papel, metal e alumínio, fornecendo também créditos para compra de máquinas e equipamentos industriais. Em todo o período do Estado Novo e também nas décadas seguintes, o Banco do Brasil é o maior banco do país, detendo entre 20 e 30% do total dos depósitos bancários e sendo responsável pela maior parte dos empréstimos feitos à agri- cultura, aos bancos privados, à indústria, ao comércio e ao Tesouro. Ao tér- mino do Estado Novo, em 1945, o Banco do Brasil dividia sua carteira de em-

Tabela 5

Sistema bancário no Brasil, 1945

(% por regiões do país)

Bancos e

c. bancárias* Empréstimos Depósitos

PIB regional População Norte 1,1 0,9 1,6 2,4 3,6 Nordeste 14,9 9,1 7,0 15,5 34,8 Sudeste 67,6 69,0 73,4 52,4 28,2 Rio de Janeiro* São Paulo 39,2 23,9 38,5 27,7 37,4 43,8 14,4 32,5 4,4 17,5 Sul 5,2 7,7 8,1 16,7 14,5 Centro-Oeste 11,3 13,4 9,9 13,1 18,9 Minas Gerais 9,0 11,5 9,3 11,4 15,7 Brasil 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 N= 444 43,86** 45,29** 142** 51,9***

Fonte: Goldsmith, 1986:169, com base em dados do Anuário Estatístico e da Conjuntura Econô mica (FGV). * Por sede.

* * Bilhões de mil-réis. * * * Milhões.

préstimos entre a agricultura (41%), a indústria (11%) e o comércio (13%). Até então ele era também o banco emissor e operador de câmbio, exercendo funções de banco central. Em fevereiro de 1945 foi criada a Superintendência de Moeda e Crédito (Sumoc), idealizada por Otávio Gouveia de Bulhões, então assessor do ministro da Fazenda Souza Costa. Diretamente ligada ao ministro da Fazenda, a Sumoc passou a controlar a expansão monetária, acelerada pelos impactos da guerra nas finanças do país. Embora vários dirigentes de carteiras e o próprio presidente do Banco do Brasil tivessem assento e voz na Sumoc, a partir daí o Banco do Brasil começa a perder parte de suas funções de banco central.

A forma de os banqueiros atuarem junto ao Estado divergiu bastante da dos industriais. Em vez de usarem canais corporativos, através de entidades de classe, os banqueiros se instalaram diretamente nas posições de poder da área monetária, ocupando postos no Executivo federal e estadual: Ministério da Fa- zenda (José Maria Whitaker, Moreira Salles), presidência do Banco do Brasil, da Sumoc e de carteiras estratégicas do Banco do Brasil, entre outros. Pesquisa sobre o setor mostra que os banqueiros formaram um grupo econômico que, “no período de expansão do mercado interno, parece ter tido uma articulação política, se não hegemônica, ao menos mais eficaz e realista na defesa dos seus interesses específicos do que outros setores da burguesia”.25

Assim, durante muito tempo a única entidade representativa do setor de bancos foi o Sindicato dos Bancos do Rio de Janeiro, criado em 1933, mesmo ano da Lei da Usura e quando estava no auge o debate nacionalista que precedeu e acompanhou a Assembléia Constituinte de 1934. Somente por ocasião da grande reforma financeira do governo Castelo Branco é que os ban- queiros criaram uma entidade de classe mais abrangente. Em 1966, formaram sua federação oficial (corporativa), a Federação Brasileira de Bancos (Febra- ban). Mesmo assim, nunca chegaram a criar o órgão de cúpula (a confede- ração), tal como a indústria e o comércio. No ano seguinte à formação da Febraban, foi organizada a associação privada dos banqueiros, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). As duas entidades agregaram-se em 1985, quando terminava o regime militar e o novo regime dava sinais de querer cada vez maior distância da regulação corporativista das entidades de classe.

A política de criação de um mercado cativo para as seguradoras

Benzer Belgeler