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2.2. Türkiye’de Zeytincilik

2.2.4 Türkiye’nin Zeytinyağı Stokları

Sai de dentro do Ministério da Justiça sob a chefia de Francisco Cam- pos o projeto de Organização Nacional da Juventude. O projeto de mobiliza-

ção da juventude em torno de uma organização nacional com o objetivo de prepará-la e ajustá-la aos novos princípios que deveriam reger o Estado Na- cional sintoniza-se perfeitamente com o pensamento de Francisco Campos. A pretensão de arregimentar militarmente a juventude em torno de uma orga- nização nacional Francisco Campos a retirou dos modelos de organização fas- cista difundidos a partir das experiências alemã, italiana e portuguesa, basi- camente. No entanto, o empreendimento teria que esbarrar na resistência da estrutura militar constituída, uma vez que se implantava com o projeto uma estrutura paralela àquela mantida pelo Exército, comprometendo dessa forma a autonomia e o monopólio da organização militar na orientação e prepara- ção dos quadros militares do país. E não foi pequena a resistência e nem branda a intervenção do Exército na remodelação do projeto original e sua transformação em movimento cívico, sem maiores expressividades, como o que acabou sendo conhecido como Juventude Brasileira.

O projeto de Organização Nacional da Juventude estava ancorado em uma concepção política mais amadurecida que Campos cuidou de esmiuçar em seu clássico livro O Estado Nacional. Estão ali os fundamentos político-ideo- lógicos de defesa da criação de um Estado totalitário que deveria substituir o Estado liberal-democrático, uma experiência que, para ele, estava em franco processo de decadência e desintegração. O totalitarismo seria como que um imperativo dos tempos modernos. O ocaso da prática liberal já havia sido anunciado por Mihail Manoilesco em seu diagnóstico a respeito do século XX. Enquanto o século XIX, dizia ele, foi a era do pluralismo político, o século XX se- ria a era do monismo político. Esse seria o imperativo do século que imporia a todos os países a aparição do partido único como um instrumento político com a mesma característica de universalidade do sistema parlamentar e do polipartidarismo do século XIX. Não era casual que o partido único vinha ocu- pando o cenário político de países tão distintos. À guisa de ilustração, Manoi- lesco cita as experiências da URSS (1917); Turquia (1919); Itália (1928); Ale- manha (1933) e Portugal (1933). Os exemplos o levavam a acreditar que ha- via qualquer coisa no clima político contemporâneo que impunha essa insti- tuição. Tomará o confronto entre a ordem legal e a ordem real para explicitar a falência da ordem liberal. O século XX ensinaria ao mundo sobre a ineficá- cia e impertinência da neutralidade do Estado que ao liberalismo interessava conservar. Somente um Estado portador de uma ideologia específica e precisa desenvolveria a grande missão pedagógica e técnica em torno de um eixo ideo- lógico definido, o que garante uma eficácia ímpar ao esforço de condução das massas.

O mundo moderno caminharia para regimes de autoridade, ao contrá- rio do século XIX, que abriu com as revoluções uma era de liberdade e de in- dividualismo. Toda a retórica de Francisco Campos da eclosão das massas e da necessidade política de sua manipulação por um chefe tem origem nesse

quadro de reflexão já esboçado e teorizado por Mihail Manoilesco.13 Em seu livro, Campos cuida de tecer considerações a respeito dos problemas que se originam de uma época de transição. A centralidade da educação não demora a se impor. É por ela que se elabora o processo de adaptação do homem às novas situações. Como educar para a democracia se esta está passível de uma revisão substancial em seus termos? Importa é a integração política no mo- mento do crescimento das massas e da necessidade de arregimentá-las se- gundo um ideário comum. Tal integração materializa-se pelo primado da ir- racionalidade. “O irracional é o instrumento da integração política total, e o mito que é a sua expressão mais adequada, a técnica intelectual de utilização do inconsciente coletivo para o controle político da nação”, defendia ele em seu livro O Estado Nacional. O reino da racionalidade está reservado para aquele que concentra em suas mãos a missão de comando da ação política. Será bem-sucedida a ação política se e quando estiver garantida a aceitação total por parte das massas, reduzidas ao estágio da irreflexão, da irracionali- dade e da submissão, à pessoa do chefe. “Somente o apelo às forças irracio- nais ou às formas elementares da solidariedade humana tornará possível a in- tegração total das massas humanas em um regime de Estado.”14

No jogo da articulação racional da irracionalidade das massas, Campos vai privilegiar o papel do lider carismático como centro da integração polí- tica, como sustentáculo da formação do totalitarismo. O regime político pró- prio às massas é o regime da ditadura, do apelo, e não o da escolha. Nossa época vivencia o divórcio entre democracia e liberalismo, insistia em sua ar- gumentação. Redimensiona o sentido da democracia, retirando-lhe o aspecto da representação parlamentar, forense, que, segundo ele, está falida, ineficaz e corrompida. O Estado totalitário não se submete à “atenuação feminina da chicana forense”. Tem sua vertebração fundada na eficácia da manipulação racional da irracionalidade das massas. Somente um Estado forte é capaz de arbitrar justamente, sem que se privilegie particularmente a qualquer que seja a facção política. O novo Estado, inaugurado em 10 de novembro de 1937, viria corrigir o rumo da Revolução de 1930 desviado nas discussões da Constituinte de 1934. Seria identificado pelo clima de ordem garantido pela existência de um chefe que se sente em comunhão de espírito com o povo de que se fez guia e condutor. Somente o chefe pode tomar decisões porque ele encarna, na excepcionalidade de sua natureza, a vontade e os anseios das massas. É essa potencialidade intransferível que assegura o caráter popular do Novo Estado, uma perfeita simbiose entre as duas entidades do regime: o povo e o chefe.

13 Ver Manoilesco, 1938; e Campos, 1940. 14 Ver Campos, 1940:12.

No projeto político de construção do Estado Nacional há um lugar de destaque para a pedagogia que deverá ter como meta primordial a juventude. Ao Estado caberia a responsabilidade de tutelar a juventude, modelando seu pensamento, ajustando-a ao novo ambiente político, preparando-a, enfim, para a convivência a ser estimulada no Estado totalitário. Não faltariam nesse plano símbolos a serem difundidos e cultuados; mitos a serem exaltados e programas a serem cumpridos. O que interessa mais de perto é a sua trans- formação no grande projeto cívico a ser implementado no Estado Novo. Den- tro desse grande projeto inclui-se, entre outras, a iniciativa do governo de ar- regimentar a juventude em torno de uma organização nacional. E desse caldo de cultura nasce o projeto de criação da Organização Nacional da Juventude. Estamos em 1938, ano emblemático do período de recrudescimento do auto- ritarismo do Estado Novo.

Benzer Belgeler