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3.3. Türkiye’nin ABD’ye Zeytinyağı İhracatı

3.3.1 ABD’ne Zeytinyağının Pazarlanması

3.3.1.4 Bir Distribütörle Çalışmak:

Mas, afinal, o que pretendia o ministro da Justiça com a Organização Nacional da Juventude? O projeto inicial de criação da Organização Nacional da Juventude não deixa dúvidas sobre a pretensão de se institucionalizar na- cionalmente uma organização paramilitar em moldes fascistas de arregimen- tação da juventude. Constando no documento o timbre do Ministério da Jus- tiça, não há sequer menção à participação do Ministério da Educação e Saúde em um empreendimento que poderia ser entendido como de cunho essen- cialmente educativo, socializador. Essa lacuna é ilustrativa do teor político- ideológico que foi imprimido ao projeto como fundamentalmente de mobili- zação político-miliciana da juventude no Estado Novo sob a direção e orien- tação exclusivas e diretas do presidente da República e dos ministros de Es- tado da Guerra, da Justiça e da Marinha.

No arquivo Getúlio Vargas, depositado no CPDOC, há um projeto de decreto-lei sobre a Organização Nacional da Juventude, datado de março de 1938, que vem acompanhado de um projeto de regulamento técnico-discipli- nar. O primeiro, obedecendo à formalidade de um decreto-lei, é sucinto e ob- jetivo, salientando apenas o esqueleto e os objetivos mais gerais da organi- zação com algumas referências rápidas ao processamento e ao conteúdo po- lítico-ideológico da iniciativa em questão. Bem mais substancioso é o projeto de regulamento técnico-disciplinar. Com um total de 41 páginas — contra 11 do projeto de decreto-lei —, o documento desce à minúcia de detalhes sobre os objetivos, a estrutura organizacional, os cargos, encargos e funções previs- tas para a organização, além de uma descrição anatômica da hierarquia a ser estabelecida quando implementado o plano da organização. “Fica aprovado o regulamento técnico-disciplinar da Organização Nacional da Juventude, ela- borado pela Junta Suprema e que vai assinado pelos ministros de Estado da

Justiça e Negócios Interiores, da Guerra e da Marinha, revogando-se as dis- posições em contrário.”15

Caberia à Junta Suprema instituir os serviços de natureza pré-militar destinados à juventude arregimentada pela organização. O fato de nessa pro- posta ter sido preterido o Ministério da Educação e Saúde em favor daqueles que lidam diretamente com a segurança nacional, detendo o monopólio da organização militar, do aparato repressivo e policial é indicativo da natureza político-ideológica da organização. Os esforços seriam, como de fato o foram, concentrados e orientados no sentido de formar uma milícia civil no país tendo como clientela básica a juventude compreendida na larga faixa etária dos oito aos 18 anos, dividida em dois blocos: aspirantes (oito a 13 anos) e pioneiros (13 a 18 anos). Estão previstos no regulamento os serviços adequa- dos a infundir nos jovens “o sentimento de disciplina e da educação militar”, acrescentando-se que teriam “efeitos equivalentes aos da prestação do serviço militar exigida pelas leis em vigor”.

A reação no interior da burocracia estatal não tardou a se manifestar. O mais enérgico foi, sem dúvida, o Ministério da Guerra, que denunciava o con- flito de competências provocado pelo modo como se propunha atribuir auto- ridade à Organização Nacional da Juventude. Alguns inconvenientes pare- ciam comprometedores ao ministro da Guerra: criação de um novo aparelha- mento burocrático; atribuição de controle ao Ministério da Justiça em detri- mento do Ministério da Educação; exigência do culto religioso católico, quando o Brasil não tinha uma religião oficial; excessivo número de conse- lheiros (15); exagero na extensão das atribuições do secretário-geral para se- rem exercidas totalmente pelo ministro da Justiça. Veio também de Alzira Vargas, filha de Getúlio Vargas, uma crítica ao que considerou um desvirtua- mento do projeto: “a orientação demasiado militar sugerida pelo decreto pa- rece-me perigosa. Não temos o objetivo de fabricar soldados, mas o de formar cidadãos...”.16

O que toda a documentação sugere é o poder exacerbado conferido ao ministro da Justiça a um empreendimento com tantas implicações. Vale a lembrança de que a função mais centralizadora de todo o projeto da organi- zação seria exercida pelo secretário-geral, cargo a ser ocupado por Francisco Campos. Seria dele a responsabilidade de orientação e de estabelecimento de toda a linha doutrinária da organização, o que vale dizer, toda a orientação político-ideológica que seria impressa ao programa. Por outro lado, a tenta- tiva de transformar a Igreja católica em uma forte aliada e em uma base so- cial de apoio considerável não escapou à crítica de Dutra e de Alzira Vargas, sugerindo ambos que fosse retirado esse ponto por não ser pertinente nem verdadeira a transformação da religião católica em religião oficial do Brasil,

15 Arquivo Getúlio Vargas, GV 38.03.00/1, FGV/CPDOC. 16 Arquivo Getúlio Vargas, GV 38.93.00/1, p. 1, FGV/CPDOC.

uma decorrência inevitável de sua exclusiva inclusão em um projeto de cunho governamental. Ademais, o volume de atribuições, de cargos e encargos pre- vistos no projeto serviram de embasamento para os comentários de que se es- tava criando um novo ministério, uma nova estrutura burocrática de custos operacionais e financeiros elevadíssimos.

Paralelamente a isso, o custo político não parecia menor pela superpo- sição de poderes ou, ainda, pela invasão de áreas já constituídas e consagra- das de poder nacional, como o são, sem dúvida, as Forças Armadas, como um todo, e o Exército, em particular. O ministro da Guerra, ressentindo-se desse fato, sugere que a organização restrinja seu efetivo à faixa etária de oito a 17 anos, naturalmente com o propósito claro de retirar da organização uma res- ponsabilidade e uma atribuição de formação militar exclusivas do Exército nacional. E não era gratuita essa preocupação, pois havia no projeto de de- creto-lei de março e de julho de 1938 alguns artigos que feriam agressiva- mente a autonomia do Exército na formação dos quadros militares da nação. Os desdobramentos posteriores não deixam dúvida a respeito dos limites que o Estado impunha aos movimentos de cunho mobilizante naquele momento da história de nosso país. Da mesma maneira que incentivou e interditou a Ação Integralista Brasileira, o governo estimulou e freou progressiva e defi- nitivamente o projeto original da Organização Nacional da Juventude. A en- trada em cena do ministro da Educação, Gustavo Capanema, e as considera- ções que registrava em documentos e correspondências ao presidente da Re- pública a respeito das alterações pelas quais deveria passar o projeto original da Organização Nacional da Juventude e sua reedição, em bases cívicas, no que ficou conhecido como Juventude Brasileira, confirma alguns elos que o Ministério da Educação consolidou ao longo do Estado Novo. A aproximação com o Exército, o acolhimento da ala mais conservadora da Igreja católica e o fortalecimento de uma política educacional de cunho mais burocrático e cí- vico, tudo isso foi, aos poucos, em decorrência dos conflitos e dos processos de negociação, substituindo a estratégia mobilizante de feição totalitária su- gerido por Francisco Campos.

Capanema sugere uma mudança no nome, de organização para Moci- dade ou Juventude, abraçando explicitamente a idéia de movimento em de- trimento do projeto de organização. Vai buscar inspiração na experiência por- tuguesa... “Mocidade Portuguesa é o título que os portugueses preferiram, pa- rece-me que com razão”, defende ele junto ao presidente da República.17 Educação física e educação moral e cívica lhe pareceram ser as chaves de um movimento em prol da socialização do novo homem para o Estado Novo. De- limita os objetivos do movimento de juventude a valores exclusivamente edu- cacionais e cívicos. A forma centralizada e unitária com que foi pensada a or-

ganização abriria espaço para conflitos com os governos estaduais preteridos na estrutura de controle e funcionamento da Organização Nacional. O minis- tro da Educação clama por uma estrutura de molde mais federativo, o que significava uma redução do vasto campo de domínio conferido ao secretário- geral da organização. Pelo primeiro projeto, a tônica principal era, indubita- velmente, a de mobilização política miliciana, bem próxima às experiências fascistas de organização em curso naquela ocasião. Não descartando esses exemplos, Capanema vai procurar um fundamento na Mocidade Portuguesa que, segundo ele, principalizava os aspectos cívico e educativo, distinguindo- se por não adotar o caráter partidário característico da mobilização das ju- ventudes alemã e italiana.

A Organização Nacional da Juventude foi um ensaio fracassado de transformação da ideologia fascista em prática política. A transposição ime- diata viria, contudo, sofrer as resistências mais ou menos acentuadas, em pri- meiro lugar, da parte do Exército, que se viu atingido em sua autonomia e também no monopólio do uso da força e da militarização a ele reservado no sistema político. Se em grande medida interessava a propagação de certos ideários fascistas, como por exemplo o culto exacerbado dos símbolos patrió- ticos e nacionais, e, ao chefe da nação, a crítica ao sistema liberal de repre- sentação, pelo reforço que poderiam representar na consolidação da política autoritária no país, a contrapartida a essa absorção era cuidadosamente con- trolada, pois implicaria a mobilização política, a criação de estruturas orga- nizativas paralelas às existentes. Os riscos da mobilização política estiveram também presentes nas experiências totalitárias, já nos lembrou Gino Germani em excelente trabalho sobre o processo de socialização política da juventude em regimes fascistas, tomando como exemplos, a Itália e a Espanha.18 O in- teressante de sua proposta é a análise que faz sobre as contradições internas existentes nos regimes fascistas especificamente relacionadas à mobilização, uma contradição entre o estímulo e o controle verificados simultaneamente na política de mobilização. Em poucas palavras: de um lado, o conflito entre os ideais proclamados e o propósito básico de desmobilizar a classe operária; de outro, o contraste entre o estímulo à participação ativa da juventude e a necessidade de manter o controle totalitário.

Ora, não é preciso muito esforço de imaginação para compreender a reação que a proposta inicial da Organização Nacional da Juventude gerou no Brasil. Na ausência de um partido oficial ela representaria uma organiza- ção paralela com a possibilidade e o perigo de duplicação de esferas de poder, como foi veementemente advertido pelo ministro da Guerra. Isso fica ainda mais claro quando se sabe que, mesmo nos países de regime totalitário, havia áreas de tensão entre o partido único e o Exército, e, no caso da mobilização

da juventude, entre a estrutura organizacional e o Ministério da Educação. E facilita nossa compreensão da distância considerável entre o fascínio que o fascismo como doutrina exercia e sua efetiva implementação como movi- mento político, no Brasil. Aos poucos, a militarização da juventude cedeu lugar à formação nos jovens aos quais se dirigia o movimento do amor ao de- ver militar, a consciência das responsabilidades do soldado, o cultivo de va- lores cívicos. Das mulheres, batizadas por “brasileirinhas” e “jovens brasilei- ras” esperava-se o sentimento de que o seu maior dever é a consagração ao lar e o bom desempenho de seu papel de mães e donas-de-casa. As virtudes militares estavam reservadas aos homens, em uma rígida e bem-definida di- visão de papéis sociais. Em 2 de março de 1940 estava formalizado o Decreto- lei nº2.072, que instituiu a “Juventude Brasileira”, deixando para trás todo o ímpeto militarizante e mobilizador que a conjuntura de 1938 tanto cultivou...

Benzer Belgeler