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Türkiye Kromititlerinde PGE ve PGM: Literatürün Kısa Bir Özeti ve

Outra característica bastante visível nas críticas de Sérgio Augusto são seus posicionamentos bem definidos e divulgados ao leitor. E um ponto no qual o estilo do crítico difere diametralmente ao de Silviano Santiago, pois enquanto este, como já foi analisado, toma poucos posicionamentos, preocupando-se mais em interpretar as obras segundo um ponto de vista ou uma linha de pensamento, aquele faz julgamentos das obras, enquadrando-as em boas ou ruins, de valor ou não, e isso não só em relação a livros, mas aos autores e outros eventos relacionados à literatura abordados pelo crítico.

Ainda em relação aos posicionamentos, verifica-se que eles são subjetivos, tomados com base nas próprias impressões e opiniões do crítico. Ao contrário de Silviano Santiago, que se utiliza de métodos, alguns expostos, como as ideias de Derrida, e que opta por se concentrar em uma abordagem acadêmica, Sérgio Augusto legitima seus pontos de vista por meio de suas memórias de leitura, que expõem procedimentos metodológicos distintos, como explicitar uma amplitude de visão e, em alguns casos, descrever do enredo da obra, o que reforça o estilo dialógico de sua crítica.

Essas características reiteram em Sérgio Augusto um caráter que o aproxima dos críticos impressionistas, por expor e defender seus posicionamentos e juízos de valor em relação às obras tomadas por critérios pessoais e subjetivos. Um claro exemplo desse estilo crítico se observa em "Os Titãs da América" (09 out. 2010), na qual ele expõe toda a sua desaprovação em relação ao romance Revolta de Atlas, de Ayn Rand. Além de criticar com veemência a obra, o crítico ainda se utiliza de recursos, como a ironia, para afirmar seu ponto de vista.

Um tijolaço de 1.231 páginas, em três volumes e pesando 1,68 kg, impõe-se ao olhar dos frequentadores de livrarias. Haja força para segurá-lo e ânimo para gramar os seus 30 capítulos. Dinheiro para adquiri-lo, nem tanto: R$ 69,90; na ponta do lápis, uma pechincha. De todo modo, eu me pergunto: quem irá comprar e ler por inteiro A Revolta de Atlas? É uma tradução. Título original: Atlas Shrugged. O titã grego condenado por Zeus a carregar o céu nas costas é uma metáfora e o verbo "to shrug" significa dar de ombros. Não se dê o trabalho de ler o romance para entender a metáfora; a vida é curta, e se encarar ficções caudalosas não o aflige, invista em Proust. Apesar de traduzido pelo sempre impecável Paulo Henriques Britto, o livro, agora com o selo da Sextante, é uma interminável chorumela, que só consegui percorrer, confesso, saltando parágrafos, muitos anos atrás, quando aqui quase que só os cinéfilos pareciam conhecer a escritora Ayn Rand, assim mesmo apenas de nome, por conta do filme Vontade Indômita (The Fountainhed), baseado em seu segundo maior sucesso literário. (AUGUSTO, 09 out. 2010, ver ANEXO B)

A eloquência de Sérgio Augusto, aliada a recursos como a ironia, dão às colunas um tom de informalidade, se comparadas às de Silviano Santiago, o que reafirmam o caráter dialógico da crítica de Sérgio Augusto. Além disso, muitos dos recursos de ironia ou interjeições e onomatopeias imprimem nos textos os próprios posicionamentos do crítico. Em "Livros com bula" (06 nov. 2010), Sérgio Augusto exprime toda a sua indignação com uma denúncia recebia pela Secretaria de Promoção de Igualdade Racial do Governo Federal alegando que as obras de Monteiro Lobato teriam um conteúdo racista.

Fez 50 anos na terça-feira que O Amante de Lady Chatterley foi "inocentado" por um júri especialmente constituído para julgar se o romance de D.H. Lawrence, consumido clandestinamente na Inglaterra desde sua publicação em 1928, merecia continuar proibido, sob a acusação de "obsceno". Já havia me preparado para brindar aqui o cinquentenário daquela alforria e também a última edição da Banned Books Week (Semana dos Livros Proibidos), celebração anual da liberdade de expressão organizada por livrarias e bibliotecas americanas, quando soube do enquadramento de Monteiro Lobato pelo Conselho Nacional de Educação, e não só desisti do brinde como pus as barbas de molho. (...)Tsk, tsk. Uma briga da filha de Lobato com a editora Brasiliense impediu a republicação da obra do escritor durante décadas; agora esta. Não se trata de censura, apressou-se em esclarecer a relatora do parecer do CNE, que, como alternativa à proibição pura e simples, sugeriu a inclusão, nos livros denunciados, de uma nota de esclarecimento sobre a presença de estereótipos raciais, sem o acréscimo, nas capas, de uma tarja preta (epa!, nessa cor não) ou uma letra escarlate ou uma estrela amarela. (AUGUSTO, 06 nov. 2010, ver ANEXO B)

Além de expor seu posicionamento, declarado e ironizado em passagens como "o acréscimo, nas capas, de uma tarja preta (epa! nessa cor não)", Sergio augusto ainda compartilha com seu leitor a experiência pessoal de comemorar o "perdão" dado à obra de D. H. Lawrence e o fim da publicação da Banned Books Week, utilizando-se também de eloquência, como ao utilizar a expressão "por as barbas de molho". Ou seja, o crítico expõe sua opinião e a justifica por suas experiências pessoais. Em "O Drácula do ceticismo" (09 abr. 2011), Sérgio Augusto inicia seu texto exaltando Emil Cioran, filósofo romeno, e enumerando suas qualidades.

Misantropos e descrentes do mundo inteiro!, aproximem-se para celebrarmos juntos, com um dia de atraso, o centenário de Emil Cioran, o último agente provocador da filosofia, o mais desconcertante e divertido dos céticos, o mais fulgurante militante do pessimismo, o mais implacável profeta do niilismo, o mais desencantado e provocativo dos moralistas, o mais rigoroso, elegante e lacônico ironista do seu tempo. (AUGUSTO, 09 abr. 2011, ver ANEXO B)

Já em "O inferno que veio do céu" (07 mai. 2011), o crítico aborda obras literárias que têm como tema os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 às torres do World Trade Center, conhecidas como Torres Gêmeas, em Nova York. Sérgio Augusto lista várias obras que merecem destaque utilizando como critério seu próprio gosto. Ele deixa isso claro ao afirmar "Não escondo minha predileção por Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer", mais uma demonstração de um impressionismo crítico.

Em "Fugindo para Dublin" (04 jun. 2011), o crítico aborda a festa irlandesa Bloomsday, evento em comemoração a James Joyce e a sua obra magna, Ulisses, como uma forma de introduzir o romance objeto de crítica Dublinesca, de Enrique Vila- Matas, e também seu personagem principal, Samuel Riba, aos leitores. Nessa contextualização, o crítico expõe sua opinião sobre a festa de 2011, na qual foi realizada uma gincana virtual pelo Twitter.

Também achei uma bobagem, uma brincadeira inconsequente, uma trivialização da literatura, e, em última análise, um reducionismo idiota. A rigor, nenhuma ficção, salvo a micronarrativa de Augusto Monterroso & cia, merece a constrição telegráfica de um tweet. É possível tuitar a abertura de Ulisses ("Majestoso, o gorducho Buck Mulligan apareceu no topo da escada, trazendo na mão uma tijela com espuma sobre a qual repousavam, cruzados, um espelho e uma

navalha de barba") sem lhe tirar o sentido, assim: "Majestoso, o gorducho Buck Mulligan apareceu na escada com uma tijela com espuma, na qual havia, cruzados, um espelho e uma navalha de barba" - mas não foi exatamente isso o que Joyce escreveu. Ao passar os olhos em alguns dos tweets sugeridos (o mais esperto, digamos assim, resumia a dieta matinal de Leopold Bloom: moela com nozes, sopa grossa de miúdos, rins grelhados que recendem a urina, etc.), pensei no horror que esse diletante exercício de miniaturização provocaria no joyciano Anthony Burgess. E pensei, acima de tudo, em Samuel Riba. O que diria ele disso tudo? O pior imaginável. (AUGUSTO, 04 jun. 2011, ver ANEXO B)

É um posicionamento interessante, pois ao mesmo tempo que considera a inserção de Ulisses no Twitter um reducionismo, não deixa de exemplificar a amplitude de seu espectro de referências, que no caso, vai da complexa literatura joyciana a uma rede social.

Por fim, em "A arte de ficar à toa" (30 jul. 2011), encontramos um dos posicionamentos de Sérgio Augusto mais curiosos, se levarmos em conta que esta análise compara suas críticas às de Silviano Santiago, crítico acadêmico. Ao comentar o livro A Lentidão, de Milan Kundera, e compartilhar com o leitor como o leu - durante um ciclo de palestras sobre a preguiça e o ócio, tema abordado na obra - o crítico coloca-se contrário à abordagem e aos métodos científicos, os mesmos identificados nas colunas de Silviano Santiago.

Peguei para ler o livrinho de Kundera no embalo de um ciclo de palestras sobre o mais potente combustível da ociosidade: a preguiça. Magnífico tema, na contramão das rotineiras sociologorreias sobre o seu oposto, o trabalho, e também do falso bom senso moral, econômico e religioso que a condenaram como mero vício, ofensa a Deus e entrave ao progresso, pois todos os 23 palestrantes não irão apenas indultar a preguiça (do latim pigritia, cuja raiz é piger, lento), mas sobretudo exaltá-la, valorizando a figura dos ociosos espiritualmente produtivos. Ficar à toa é uma arte. O ciclo, que começa no próximo dia 11, faz parte da série Mutações, criada e orientada pelo professor Adauto Novaes. (AUGUSTO, 30 jul. 2011, ver ANEXO B)

Dessa forma, os posicionamentos tomados por Sérgio Augusto, bem definidos e expressos aos seus leitores, que submetem as obras a juízos de valor e elaborados com base em critérios subjetivos, principalmente suas impressões e opiniões, aproximam-no do estilo dos críticos impressionistas já estudados aqui, além de colocá-lo em uma

posição de crítico legislador, que ensina ao leitor como ler e interpretar as obras literárias (Bauman, 2010).