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4.5.1. Sugestões para alteração ao modelo de avaliação do desempenho docente Nos pareceres dos entrevistados a principal sugestão de alteração a introduzir no modelo de avaliação prende-se com os avaliadores, salientando que estes devem ser exteriores à escola, ter uma carreira própria com formação e competências adequadas para o desempenho do cargo:

A avaliação deve ser feita por uma equipa exterior à escola, com ética e com experiência […] Era mais justo (E1/4).

Devia ser feita por inspetores do Ministério (E2/2).

Com o que conheço da escola, com as simpatias, devia ser uma avaliação externa com pessoas que sabem avaliar (E2/5).

CONTRIBUTO DA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE PARA O DESENVOLVIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL

Penso que deveria haver segurança, uma carreira e uma formação de avaliador […] (E4/3)

Outra alteração sugerida pelos docentes entrevistados diz respeito às quotas, em que estes manifestaram claramente o desejo que estas fossem eliminadas por introduzir discrepâncias nas classificações obtidas pelos docentes:

Acabava com as quotas pois, as pessoas têm direito à avaliação que têm (E4/5).

Só tem benefício […] sem quotas (E1/4).

Terminar com as quotas. E toda a gente era avaliada conforme os seus desempenhos, não havendo balizas (E3/4).

Nos discursos dos entrevistados o modelo de avaliação deveria ser melhorado ao nível dos procedimentos, que são considerados muito burocrático, e na definição dos critérios, que são pouco objetivos e não contemplam todas as funções exercidas pelos professores:

Tem que se aligeirar a máquina burocrática e valorizar o trabalho dos professores, porque há bons docentes, excelentes docentes que cada vez trabalham mais […] (E3/5)

Alguns domínios da avaliação não conseguem ser avaliados. Os domínios deviam ser mais fáceis, mais concretos e mais objetivos, pois há situações que eu não sei como podem ser avaliados (E4/5).

O que está completamente errado, neste modelo, é a ausência total de critérios de avaliação para a função dos relatores e para a dos avaliadores, não foram contemplados, e não pode ser assim. Se há funções para avaliar tem de haver os domínios com indicadores (E4/5).

Alguns entrevistados são da opinião que o modelo de avaliação deveria ser essencialmente formativo, e que avaliação deveria incidir no trabalho realizado na sala de aula com os alunos:

Eu acho que é necessária uma avaliação formativa (E1/1). […] penso que toda a gente devia ter observação de aulas […]

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De que outra maneira se vê o desempenho do professor na aula? Não há outra maneira (E4/5,2).

Os dados obtidos nos questionários sobre as possíveis alterações ao modelo de avaliação (Tabela 12) mostram, de forma expressiva, que os inquiridos concordam que o modelo de avaliação do desempenho docente deveria assentar num modelo formativo (97,9%), sem quotas para acesso às classificações de “Muito Bom” e “Excelente” (85,5%), implementado por avaliadores/supervisores exteriores à escola (70,5%), com formação adequada para o exercício das funções (100%).

Tabela 12 - Posição dos inquiridos relativamente a alterações ao modelo de avaliação (n=98)

Na possibilidade de se introduzirem alterações ao atual modelo de avaliação do desempenho docente considera que:

Concordo Totalmente/ Concordo parcialmente Discordo Totalmente/ Discordo parcialmente F % F %

Os avaliadores deveriam ter uma formação adequada 97 100 0 0

Os parâmetros de avaliação deveriam ser mais

objetivos 94 99,0 1 1,0

A avaliação deveria assentar num modelo formativo e

não penalizador 94 97,9 2 2,1

Deveriam ser eliminadas as quotas de acesso aos

níveis de “Muito Bom” e “Excelente” 83 85,5 14 14,5 Os parâmetros de avaliação deveriam contemplar os

cargos exercidos pelos docentes 80 85,1 14 14,9 A avaliação deveria ser obrigatória para todos os

docentes 78 81,3 18 18,7

A avaliação deveria ser realizada por avaliadores

externos à escola 67 70,5 28 29,5

A avaliação deveria incidir essencialmente no trabalho

realizado nas aulas 61 68,6 29 31,4

Todos os docentes avaliados deveriam ter

obrigatoriamente aulas observadas 55 66,9 40 42,1 A avaliação deveria manter a periodicidade atual (2

anos) 33 35,1 61 64,9

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A maioria dos respondentes concorda que os parâmetros de avaliação deveriam ser mais objetivos (99%), incidindo essencialmente na atividade desenvolvida na da sala de aula (68,6%), mas contemplando também os cargos exercidos pelos docentes (85,1%).

A maioria dos sujeitos manifesta a sua concordância com o princípio de que a avaliação do desempenho deveria ser obrigatória para todos os docentes (81,3%), assim como a obrigatoriedade das aulas assistidas (66,9%).

Relativamente à frequência da avaliação do desempenho a maioria dos inquiridos discorda que a avaliação se realize com uma periodicidade de 2 anos (64,9%).

EM SÍNTESE

Relativamente a possíveis alterações ao modelo de avaliação do desempenho docente foram identificados aspetos que mereceram uma expressiva concordância dos sujeitos da amostra. De entre esses aspetos destacam-se os que dizem respeito ao propósito da avaliação que, na perspetiva dos sujeitos, deveria assentar numa lógica formativa que valorize o trabalho do professor, promova a cooperação e que efetivamente contribuía para o aperfeiçoamento profissional.

As quotas para acesso às classificações de “Muito bom” e “Excelente” deveriam ser eliminadas, pois constituem uma penalização na progressão na carreira.

Os procedimentos avaliativos deveriam ser melhorados e simplificados, de modo a não consumirem muito tempo, essencial para a preparação das tarefas educativas. Os critérios definidos para a avaliação deveriam ser claros e objetivos, incidindo sobre toda a atividade desenvolvida pelo docente.

A avaliação das aulas observadas deveria ser realizada por avaliadores externos à escola, com perfil e formação especializada para o exercício das funções avaliativas.

A atual periodicidade da avaliação, que é de dois anos, deveria ser alterada no sentido de serem estabelecidos períodos de tempo mais longos para se proceder à avaliação do desempenho.

CONTRIBUTO DA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE PARA O DESENVOLVIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL

CAPÍTULO V

CONCLUSÃO

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5.

CONCLUSÃO

Neste último capítulo apresentamos as conclusões globais extraídas deste estudo, de carácter exploratório, articulando-as com os objetivos inicialmente definidos.

As conclusões obtidas não têm a pretensão de serem generalizáveis mas, constituem apenas uma reflexão sobre uma realidade particular, em que se investigaram as implicações que a avaliação do desempenho produziu, a nível do desenvolvimento pessoal e profissional, nos docentes da amostra deste estudo.

Abordamos ainda aspetos limitativos inerentes a este processo e expomos algumas questões que surgiram no decorrer da investigação.