2.2. Batıda ve Türkiye’deKadın Giyiminde Pantolon Tarihi
2.2.2. Türkiye’de Kadın Pantolon Tarihi
O diagnóstico em psicanálise parte do critério estrutural10, servindo como um ponto importante na condução do tratamento. Dizer que um sujeito é anoréxico ou bulímico pouco auxilia na articulação dos fenômenos à estrutura, o que impõe um esforço por parte do analista para elucidação desse enigma. O grande problema é que estabelecer um diagnóstico estrutural nesses quadros, habitualmente, é complicado. Aliás, essa dificuldade é patente nos ditos novos sintomas, dadas as características que eles assumem no mundo contemporâneo. Na psicanálise lacaniana, diversos autores ressaltam que o critério baseado na presença ou ausência do Nome-do-Pai (NP)11, centrado no modelo edipiano, é insuficiente para
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O diagnóstico estrutural parte da ideia lacaniana de que o sujeito é um efeito de linguagem, tendo como foco a forma em que o sujeito se localiza no discurso, ou seja, a relação do sujeito com o Outro. Dessa forma, o diagnóstico estrutural só é possível a partir da fala do paciente e da transferência. 11
A elaboração lacaniana inicial em torno do diagnóstico diferencial entre neurose e psicose centra- se na ação fundamental do significante NP que ocorre no complexo de Édipo. Na neurose, a realidade seria constituída a partir da presença desse significante mestre que permitiria a operação da metáfora paterna. Nesse caso, o mecanismo que estaria em jogo seria o processo de recalque seguido do retorno do recalcado na forma de sintoma. Na psicose, esse significante estaria foracluído, o que provocaria um defeito na constituição do Outro, dificultando a entrada do sujeito na linguagem e sua inscrição em um discurso. O Outro, sem qualquer regulação pelo NP, se tornaria um Outro absoluto, sem faltas, inflexível, imperativo e decido a fazer do sujeito o seu objeto de gozo. O sujeito estaria exposto ao retorno no real daquilo que fora excluído do simbólico na forma de uma metonímia sem pausas, tal como se observa nas formações delirantes. Assim, pode-se dizer que o
entender os casos com os quais nos deparamos na clínica atual (RECALCATI, 2007; SANTOS, 2008). Apesar disso, esse conceito ainda funciona como um importante referencial, devendo o analista saber fazer uso dele sem deixar de ir mais além em direção ao ponto de singularidade de cada sujeito. Dessa forma, podemos dizer que, para a psicanálise, não existe a anorexia ou a bulimia no singular, mas sim as anorexias e as bulimias no plural. Cada uma delas se articula a uma estrutura particular específica, seja neurótica ou psicótica, e a um ponto de singularidade que diz respeito ao gozo.
No campo das psicoses, as anorexias e bulimias podem funcionar como uma barreira diante de um Outro invasivo que quer gozar do sujeito. Além disso, a identificação com o sintoma, que o faz dizer, por exemplo, “sou anoréxico”, pode funcionar como uma suplência imaginária ao significante foracluído NP. Dessa forma, essa suplência pode permitir à psicose se manter estabilizada sem os fenômenos característicos, como delírios exuberantes e alucinações auditivas, que marcam a perda de contato com a realidade. No campo das neuroses, as anorexias e bulimias ganham o estatuto de uma provocação dirigida ao Outro para interrogar o seu desejo. Para isso, o sujeito pode fazer de seu próprio corpo aquilo que pode faltar ao Outro, apontando-lhe uma falta que o faz desejar. Pode ainda renunciar ao desejo de forma definitiva, arriscando a vida antes de mostrar a sua falta e dar um sinal de seu desejo ao Outro (RECALCATI, 2007).
Mais além da estrutura, deve-se ter em mente que os fenômenos anoréxicos e bulímicos funcionam como resposta a um mal-estar singular do sujeito que, de alguma forma, também se relaciona com o mal-estar da época. Trata-se de manifestações que ofuscam as verdadeiras causas subjetivas relacionadas, em última instância, ao sexo, ao amor, à morte, enfim, a tudo aquilo que diz respeito a um ponto indizível que aprendemos com Lacan a chamar de real.
A psicanálise, entendendo que o sintoma reflete algo que escapa do universo simbólico e de qualquer tentativa de controle, orienta o tratamento muito mais em direção a uma reabilitação do excesso que à sua dissolução. Ou seja, não se trata de tentar extirpar o gozo, mas sim de ressaltar o valor do sintoma como uma solução particular que possibilita a sua organização.
delírio seria uma tentativa do sujeito psicótico reconstruir a realidade desorganizada em ocasião de um desencadeamento.
Ao compreender as alterações dos comportamentos alimentares como soluções que se relacionam com um modo singular de funcionamento subjetivo, seja em uma neurose ou em uma psicose, o tratamento é articulado no caso a caso, priorizando o entendimento da função dessas alterações para certo sujeito e avaliando as consequências de sua remoção (EIDELBERG et al., 2004).
Nesse sentido, a psicanálise caminha em direção oposta ao discurso científico do capitalismo, que é solidário com o apagamento da subjetividade e tende à homogeneização do entendimento e tratamento. A psiquiatria atual, ao denominar as anorexias e bulimias como transtornos alimentares, coloca ênfase justamente em um suposto defeito de um consumo considerado normal, insistindo na ideia de retificar um comportamento desviado. A articulação meramente estatística possibilita algumas descrições que tocam superficialmente alguns dos fenômenos centrais, no entanto, carece de uma lógica consistente que os articule e possibilite um melhor entendimento do que realmente está em jogo nesses quadros.
A partir de uma orientação ética, centrada no sujeito, a psicanálise apresenta uma possibilidade de resgate da clínica que muito tem contribuído para o entendimento dessas manifestações e seu tratamento. A aposta recai justamente no ponto em que o capitalismo fracassa: o amor. Afinal, é a partir do amor de transferência que surge no encontro com um analista, que o sujeito pode criar soluções menos devastadoras para bordejar o real. A prática da psicanálise lacaniana é marcada por um esforço poético já não centrado no sentido, no passado, no Édipo, e sim em um corte possível através da transferência com efeito de surpresa que possibilita ao sujeito construir um saber-fazer com a verdade de seu gozo, encontrando uma nova modalidade amorosa de laço com o outro (EIDELBERG et al., 2009).
4 METODOLOGIA