I. DÜNYA VE TÜRKİYE EKONOMİSİNDEKİ SON GELİŞMELER
I.11. Türkiye Ekonomisi
Nessa categoria, buscou-se agrupar as percepções de professoras e orientadoras educacionais sobre a discussão e a notificação de casos de violência doméstica contra crianças.
As participantes dos grupos focais destacaram a insuficiência e superficialidade que o tema da VDC é abordado na formação continuada. Esse assunto é praticamente invisível na formação continuada de professores e orientadores educacionais. Dessa maneira, constituímos uma questão: por que um tema que diz respeito à proteção de crianças é tão pouco debatido na formação continuada, apesar da escola ser considerada como um lugar singular para identificar e notificar os casos de violência.
Em busca de um caminho que nos levasse não a uma resposta, mas a subsídios para uma reflexão mais aprofundada da escassez da discussão desse tema na formação continuada de professores, foram registrados alguns indícios importantes pelos relatos das professoras e orientadoras educacionais. Isto nos revelou que a reflexão coletiva sobre o tema não aparece nas falas dos entrevistados, o que contribui para a invisibilidade da violência doméstica contra criança (VDC) na escola.
[...] Falta trabalhar com o tema da VDC. Nós não temos formação e informação adequada para trabalhar com esse tema (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 1, ESCOLA 1).
Enquanto professora, durante minha formação, não tive nenhum momento para trabalhar com o tema VDC, nada referente à VDC. Não tive formação sobre como identificar se o aluno está sofrendo ou que está trazendo essa violência para dentro da escola. Não tive uma formação para perceber quando o aluno está pedindo socorro (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 2, ESCOLA 1).
[...] eu nunca recebi uma formação para isso (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 1, ESCOLA 2).
Das dez professoras participantes dessa pesquisa apenas três afirmaram ter informação sobre a temática. Uma professora relatou ter informações sobre o tema, porque em gestão anterior assumiu um cargo de orientadora educacional. Outra professora relatou que as informações obtidas sobre esse fenômeno foram recebidas, durante o período em que atuou como assistente social (sua primeira graduação), e, por último, uma professora afirmou que, por iniciativa da escola, participou de uma formação com o Conselho Tutelar.
Enquanto professora, durante minha formação, não tive nenhum momento para trabalhar com o tema VDC. Durante muito tempo em que trabalhei como professora, não tive contato com essa informação. Quando fui para a orientação educacional, fiz cursos do CMDCA e tive uma formação sobre violência doméstica e violência sexual. Foi lá no CMDCA que aprendi a ter um olhar diferenciado para toda essa situação da criança. Tive essa visão e hoje, ao retornar para a sala de aula, tenho outro olhar para esse problema. Agora já identifico a criança que foi ou está sendo abusada. Sei quando a criança está sofrendo. Se consigo ter um olhar hoje para a VDC é porque me direcionaram para isso. (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
Em algumas situações nós temos, em outra escola em que eu trabalhei, o acompanhamento de conselheiros tutelares nos esclarecendo, nos informando. Os conselheiros vieram até a escola e fizeram uma formação com os professores, mas isso foi iniciativa da escola (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 2, ESCOLA 2).
[...] Eu vivi muito a questão da violência doméstica, quando atuava como assistente social, principalmente com crianças com deficiência. Então eu acredito que é importante ter esse olhar para perceber sinais das crianças que são vítimas de violência (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 1, ESCOLA 2).
Como as Orientadoras Educacionais (OEs) são encarregadas de acompanhar e de encaminhar para o Conselho Tutelar os casos de violência doméstica contra crianças, de acordo com os relatos das participantes da pesquisa, essas profissionais são as que mais têm acesso à discussão dessa temática por meio da Coordenação Geral.
As Coordenadoras Gerais da Orientação Educacional dispõem material sobre essa temática, porque estamos interessadas e porque somos provocadas diariamente, quando as crianças chegam em nossa porta e temos que nos envolver com esses problemas, bem como o restante da equipe (GRUPO FOCAL: OE 3).
O que fica evidente por essas falas é que a escola, na formação continuada de professores, não tem realizado maiores investimentos na discussão do tema da violência doméstica contra criança. Apesar da manifestação de vários casos de crianças vítimas de violência doméstica, nas escolas onde essa pesquisa foi realizada, os docentes não tiveram uma formação sobre esse tema, salvo as três professoras, referidas anteriormente.
Quando surge o registro da formação de continuada de professores com o tema, o que se constata são ações aligeiradas e superficiais, dificultando assim a discussão e a reflexão coletiva sobre o problema da violência doméstica contra criança.
Já tivemos algumas palestras, algumas formações curtas sobre violência, mas num sentido mais amplo. [...] depois disso tivemos poucos momentos para discutir sobre o tema da VDC (ENTREVISTA: CE 1).
A escola não pode ser considerada um lugar de proteção e que colabora na garantia dos direitos das crianças, se na formação de professores não for valorizada a discussão do tema da violência doméstica contra criança. A escola só se tornará um ambiente de potencial enfrentamento da violência doméstica, quando forem dirigidos programas de formação voltados para essa temática.
Os laços que ela [a criança] cria com as pessoas da escola, às vezes, é maior do que com os pais ou com seus familiares. Até porque como a P. disse que a família esta degradada, então os pais não chegam mais e não dão atenção, carinho aos filhos (GRUPO FOCAL: OE3)
Eu ainda acredito que seja um único lugar [a escola], onde ainda possa resgatar alguma questão nesse aspecto de violência. Não permitir que fiquem estabelecidas na personalidade consequências de uma violência. Acredito que a educação, nos primeiros e segundos anos, consegue resgatar muito dos sonhos da ilusão dessas crianças para que não se tornem adultos cruéis (GRUPO FOCAL: OE1).
Muitas vezes, a escola é o único ponto de apoio nosso em relação à VDC. Essa criança talvez até tenha uma igreja, onde ela não tenha acesso a essa fala [...] Com quem então ela vai falar? Se é somente a família, ela então vai falar com a escola (ENTREVISTA CE 1).
Em alguns relatos das entrevistadas, o problema da formação relacionado à violência doméstica contra criança fica unicamente sob a responsabilidade do professor, que necessita buscar cursos e espaços de discussão sobre o tema. Dessa forma, a responsabilidade das instituições educacionais em investir na formação continuada de professores quanto a esse tema fica relegada. Existe até o reconhecimento da necessidade de trabalhar-se com o tema, mas o que fica evidente é a inexistência de incentivo das escolas em discutir essa problemática.
Querer resgatar essas crianças em situação de vulnerabilidade, de violência doméstica, acredito que é um movimento que a pessoa transponha e vá buscar a formação por si (GRUPO FOCAL: OE 1).
[...] Os professores não têm essa formação, só se eles procurarem à parte (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
[...] Não exigimos essa formação (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 4, ESCOLA 2).
[...] Mas é uma relação que existe por conta da gente [...] eu nunca recebi uma formação para isso (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 1, ESCOLA 2). [...] Você sente a necessidade de se capacitar para atender a essa clientela, mas não há motivação (GRUPO FOCAL: OE1).
O próprio professor, por desconhecer a importância da formação no que diz respeito ao reconhecimento e à notificação da violência doméstica contra criança, defende a ideia de que a formação não é importante e sim a experiência do dia a dia para lidar com um caso de violência doméstica.
Acredito que é com a prática, com a vivência e o desenvolvimento da sensibilidade. Não tem formação que ensine a respeito da VDC (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 2).
Acredito que a formação é algo do dia-a-dia. É você que vai em busca. Não adianta termos uma formação, pois é algo da sensibilidade; de você parar um pouco [...] olhar a criança que está com você e perceber [...] Acredito que esse tema não depende de formação [...] A formação não vai influenciar tanto na percepção (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 5, ESCOLA 2).
Uma professora, ao relembrar sua atuação como Orientadora Educacional, destaca a importância da formação continuada sobre o tema da violência doméstica contra criança ser discutido coletivamente por todos os profissionais que fazem parte da escola e que a discussão não fique restrita a alguns profissionais.
[...] Tem que ser uma coisa para todos, não somente para alguns como OE e equipe de liderança. Acredito que se todos estão envolvidos com a comunidade, o grupo todo precisa “passar” pela formação. Pode fazer primeiro com uma escola [...] formou todos [...] vai para outra escola. Mesmo assim, demanda um movimento muito grande, mas acredito que tudo deve acontecer com todos (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
Ristum (2010) aponta que todos os profissionais da escola, principalmente os que lidam diretamente com os alunos, tenham a possibilidade de formação sobre a temática da violência doméstica contra crianças e adolescentes com o objetivo de desenvolver estratégias de redução e prevenção da violência.
Além de desenvolver estratégias de redução e prevenção da violência, outro fator importante, ao trabalhar a formação com todo o grupo de profissionais da escola, é o compromisso coletivo e não mais individual ou de um determinado grupo no enfrentamento desse fenômeno.
A violência doméstica contra criança é tratada com resistência, o que provavelmente tem suas origens em atitudes de desvalorização do assunto. Consequentemente, isso transparece no despreparo dos profissionais da educação com o tema.
Eu vejo até que algumas pessoas se melindram com as outras que aceitam esse desafio de buscar formação: Nossa, o que você vai fazer naquele lugar? É um melindre velado, mas há um melindre (GRUPO FOCAL: OE1).
A invisibilidade da temática da violência doméstica contra criança, na fala das professoras, fica nítida principalmente na escola 2, ao expressarem que não têm conhecimento de programa ou projeto voltado para a discussão desse tema.
Eu desconheço que tenha algum programa voltado para esse tipo de situação [...] Estou no terceiro ano na rede de ensino, mas eu não conheço nenhum programa ou projeto (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 4, ESCOLA 2). Eu desconheço [...] Não me recordo. Quando surge um caso de VD, fazemos o acompanhamento. Nunca tivemos um projeto voltado para a violência doméstica (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 5, ESCOLA 2).
Alguns participantes manifestaram a importância da inserção do tema na formação de professores, destacando a formação continuada como uma ferramenta para a ampliação da visão sobre o fenômeno, além de reconhecerem que o problema da violência doméstica não é somente limitado contra a criança, mas está presente no próprio ambiente em que a criança vive.
Então acredito que é necessário termos uma formação, alguma conversa, um pouco mais sobre o tema da VDC (ENTREVISTA: CE 1).
O tema da VDC necessita ser muito bem trabalhado. O professor precisa pensar no assunto com mais cuidado, porque além do problema chegar até a escola, os pais precisam ser conscientizados. Começa lá na família. Nesse primeiro momento, temos que ter um contato com a família (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 2, ESCOLA1).
A formação continuada faz com que você tenha uma amplitude de visão do cotidiano na escola. Quando você se defronta com a situação de violência, você precisa ter uma visão “maior” de que os mecanismos de apoio podem ajudar uma criança hostilizada. Então é importante o estudo contínuo, a busca do conhecimento (GRUPO FOCAL: OE 1).
Vale destacar que, apesar de os profissionais entrevistados apontarem a necessidade de essa temática ser trabalhada na formação continuada, é preciso reconhecer que existe uma grande barreira que faz com que esse assunto não seja discutido abertamente nos espaços de
formação continuada. Na opinião dessa professora, o tema da violência doméstica contra criança não é debatido na escola, porque o tema envolve o medo de se tratar de um assunto que, de acordo com a sua opinião, embora lhe diga respeito, é muito reservado à família.
Então eu acho que um dos fatores que atrapalham a discussão desse tema é a questão do tabu. As pessoas ainda têm certo medo, um receio enquanto profissional em trabalhar o tema da VDC. Temos que ter um tato, um cuidado, porque querendo ou não estamos entrando na intimidade da família (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 1, ESCOLA 1).
Não temos formação sobre o tema da VDC [...] Dificulta [...] Falta informação [...] Vou cobrar da minha Orientadora Educacional [...] Vou cobrar da minha Orientadora Pedagógica [...] Elas também não têm essa formação [...] Então não tem como trabalhar esse tema [...] O primeiro entrave é a falta de informação, o segundo é que o próprio tema é difícil por ser “fechado” e reservado (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 1, ESCOLA 1).
Um ponto que pode ser extraído desse relato é que o medo se torna um dos grandes obstáculos para discussão do tema da violência doméstica dentro do contexto escolar. O problema da violência doméstica ainda é visto por milhares de professores como algo privado à esfera familiar e, dessa forma, existe o receio de se envolver em um assunto “de família”. O professor que está ali todos os dias, tendo contato com a família, muitas vezes, sente medo ao tratar desse assunto, pois, posteriormente, pode tonar-se vítima de algum tipo de violência.
Outro ponto a ser destacado desse relato é que, enquanto a escola não estimular discussões coletivas a respeito da violência doméstica contra criança, o medo continuará permeando o ideário docente, dificultando assim processos como prevenção, identificação e notificação. Nesse sentido, é importante ressaltar o pensamento de Paulo Freire (2008), quando afirma que o medo, ao ser educado, vai virando coragem. Ou seja, o assunto da violência doméstica só poderá deixar de ser tratado com receio pela escola, quando os educadores tiverem acesso a discussões abertas sobre esse fenômeno e estabelecerem parcerias com os órgãos de proteção.
A discussão desse tema pode contribuir não só para instrumentalizar os professores no que diz respeito à prevenção, condução do caso e sua notificação, mas trará maior segurança para o profissional, ao tomar decisões diante de um caso de violência doméstica contra uma criança, apoiando-se numa consciência coletiva formada sobre esse fenômeno.
Outro lado investigativo nessa categoria está relacionado à notificação, devido ao medo de retaliações dirigidas pela família ao aluno ou ao professor e o receio do educador em
notificar os casos para a rede de proteção, por conhecer sua ineficiência, colocando assim, em risco, as vidas do aluno e a sua própria.
Considerando que a notificação é um processo que ocorre em dois estágios - a suspeita da ocorrência ou o conhecimento de que a violência ocorreu e o estágio da notificação à autoridade competente (FERREIRA, 2010), constata-se, no decorrer das entrevistas e no discurso das participantes nos grupos focais, o receio de colocar a criança em uma situação de risco, ao realizar a notificação.
Precisa ter muito cuidado [...] Não pode de “cara” chamando a família, intimando, notificando, porque isso pode gerar maiores problemas [...] Pode até colocar a criança em um risco muito maior. Precisa de uma observação, investigar um pouco antes de chamar a família para tomar providências, e, se for o caso, buscar o Conselho Tutelar (ENTREVISTA: CE 1).
[...] muitas vezes, talvez eu provoque um acontecimento muito pior, enviando um bilhete para os pais. Essa criança pode sumir, fugir. Se escola tiver que entrar em contato com os pais [...] Então acende a “luzinha”, porque esse desespero todo? Esse bilhete não vai causar uma conversa tranquila [...] Então, às vezes, é melhor você não mandar o bilhete e fazer algum tipo de investigação para ver o que está acontecendo (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 5, ESCOLA 2).
Conversamos com o orientador e ele fez a abordagem com o pai que negou qualquer tipo de problema [...] Então, acontece a negação e o pai “bate o pé”, dizendo que não esta acontecendo nada, que a criança está mentindo. É muito complicado, acredito que a parte mais complicada é quando temos que entrar em contato com esse pai [...] É ter cuidado com a abordagem para não expor mais ainda a criança (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 5, ESCOLA 2).
Ainda em relação ao receio do professor, ressalte-se a questão do medo do educador de sofrer retaliações por parte da família do aluno, ao notificar. O que se constata nas falas é que os profissionais envolvidos em denúncia não têm garantias de segurança.
Existem profissionais que não vão fazer a notificação, porque têm medo da família fazer alguma coisa contra a vida dele [...] Então, mil coisas acontecem (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
[...] Existem pessoas extremamente violentas. Se ela é violenta com uma criança, por que não vai me violentar? Violentar uma criança é até covardia. Muitas vezes, a criança não tem como se defender. Tenho preocupação com o que acontecerá comigo (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 5, ESCOLA 2). Fica evidente que o medo é um dos grandes obstáculos não só para discussão na escola do tema da violência doméstica, mas, principalmente, como já foi apontado por diferentes autores (RISTUM, 2007, 2006; GRANVILLE-GARCIA et al., 2009;
VAGOSTELLO, 2003), para realizar as notificações de casos. Nos relatos dos participantes dessa pesquisa, fica manifesto o medo do professor para tratar do problema da violência doméstica contra criança por se expor a retaliações dos pais para si e para as crianças. Esse receio é apontado como uma das barreiras que impedem o professor de notificar às autoridades os casos de maus tratos (FALEIROS, 2006).
O medo detectado pelas falas dos participantes dos grupos focais e das entrevistas é justificado pelo fato de o professor não acreditar na eficiência da rede de proteção, podendo a criança tornar-se mais sujeita à violência por parte dos pais.
Se o trabalho em rede não for desenvolvido, essa criança continuará sendo violentada (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
A questão negativa é a exposição da criança. Até que essa rede haja [...] contribua para assistir a essa família e a essa criança [...] O que pode acontecer? Essas coisas precisam ser mais rápidas (ENTREVISTA: CE 2). [...] notifiquei casos horrorosos que eu vi de crianças [...] Não aconteceu nada [...] E até chegou a óbito [...] Aí é onde não adianta mais, aí já foi, então eu acho abominável essa situação (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
A concepção de rede de proteção está relacionada à ação conjunta de instituições que atendam a crianças e adolescentes em circunstância de risco (abandono, violências, exploração de trabalho infantil, formas de subordinação que gerem danos e agravos corporais e emocionais). Os serviços dessa rede de proteção que fazem parte dessa trama são as Secretarias de Educação e Saúde, Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselhos Tutelares e outras instituições de defesa e garantia de direitos. O objetivo da rede de proteção é colaborar, de maneira articulada, na redução da violência contra crianças e adolescentes, especialmente, no que diz respeito à violência doméstica, problema-foco dessa pesquisa.
A proposta de rede remete ao diálogo e á formação entre os profissionais. Castells (2000) afirma que é um conjunto de “nós” que estão interligados. As redes são consideradas como construções abertas que podem se ampliar, formando novos nós e possibilitando novas formas de comunicação e de articulação das pessoas e das instituições de que elas fazem parte. Para Castells (Ibid.), o passo inicial rumo à construção de uma rede de profissionais que trabalham no combate à violência é partilhar valores e objetivos comuns. As redes se mostram organizações essenciais na prevenção e combate da violência doméstica contra criança.
Nas falas e nos registros, o posicionamento de professoras e orientadoras educacionais participantes do grupo focal demonstra o descontentamento em relação à articulação/diálogo com a rede de proteção. Para os participantes, o serviço de proteção mostra-se deficiente, quando demora a dar um retorno para escola sobre os casos de violência ou quando essa criança continua sofrendo alguma violência.
[...] Nós não trabalhamos em rede o quanto gostaríamos que trabalhasse [...] Falta a comunicação, falta nos encontrarmos mais e discutir um caso. A criança que eu tenho na escola é a criança que esta na UBS, é a criança que é do programa CREAS, do programa Aquarela, que pode passar pelo Conselho Tutelar e, muitas vezes, nós não nos articulamos [...] Falta de devolutiva, depois, do caso para nós (ENTREVISTA: CE 1).
Toda a rede precisa olhar para a comunidade. Por que essa criança é do município e o que esse abuso vai repercutir amanhã? (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
Nós necessitamos que essa rede seja efetivada. Não adianta nada se nós nos desdobrarmos na escola para cuidar dessa criança, se não tivermos o apoio dos outros profissionais. É importante que esses profissionais saibam o que a escola está fazendo e vice-versa (GRUPO FOCAL: OE 3).
Demora muito e, muitas vezes, você nem sabe mais do caso. Qual o resultado? Como está? Está parado onde? Acho que isso é necessário. Percebemos que quando essa criança chega a um conselho, tem a possibilidade de ter esse encaminhamento lá, mas demora em ser atendido e também demora o retorno para a escola. Precisa desse retorno (Entrevista: CE 1).
Porque não adianta o professor identificar e o problema passar para um, passar para o outro e depois parar no caminho. Sempre foi um pedido para que todos trabalhassem com uma visão de violência e que a rede da cidade funcionasse com a participação da UBS, hospital, Guarda Municipal, Polícia Militar. O trabalho não poderia ser restringido somente à escola e ao professor. O professor desperta seu olhar para esse problema e dessa forma despertará o olhar de outros profissionais (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
Acredito que a primeira coisa é dar proteção a essas crianças, essa é a função da rede de proteção [...] A rede de proteção tem deixado muito a desejar (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
[...] negativo é quando para no meio do caminho o processo e você fica vendo que nada aconteceu [...] isso é negativo, porque não é uma máquina, é um ser humano que está crescendo e o tempo vai passando [...] A rede não funciona [...] (GRUPO FOCAL: PROFESSORA 3, ESCOLA 1).
Além do medo de encaminhar o aluno para rede de proteção e este sofrer violência por