5. BULGULAR
5.1. Türkiye’deki spor federasyonlarına bağlı federasyon çalışanlarının
Na passagem da Idade Média para a Idade Moderna muitas instituições foram transformadas, o que se prolongou pelos séculos seguintes. O período capitalista está marcado pelo potencial de desfazer o encantamento bárbaro e ao mesmo tempo recair nele. As transformações sociais desse período, se não fundam, ocasionam mudanças na constituição interna do homem. Com relação à barbárie, pode-se verificar grandes transformações, aqui expostas por dois argumentos principais: interiorização e relação entre história e inconsciente. Estes argumentos devem demonstrar um potencial de luta contra a barbárie, assim como a recaída nesta, situação em que ainda nos encontramos.
A construção da argumentação requer uma aproximação entre pensamentos não tão facilmente aproximáveis – a história concreta e a psicanálise –, mas que têm bons resultados especulativos, adjetivo que não deve ser rejeitado23.
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O desconforto de tal aproximação pode ser atenuado, já que podemos, por meio de um pensamento histórico, atribuir à psicanálise o que Freud atribuiu à história: “Os relatos históricos, que começaram por anotar os sucessos do presente, voltam-se então para o passado recolhendo lendas e tradições, interpretando os vestígios da antiguidade que subsistiam ainda em costumes e usos, e dessa maneira criou-se uma história do passado. Era inevitável que essa história primitiva fosse a expressão das crenças e desejos do presente, e não a imagem verdadeira do passado (...) No entanto, menosprezando essa história cometeríamos uma injustiça tão grande como faríamos se desprezássemos o conjunto de lendas, tradições e interpretações encontradas na história primitiva de uma nação. A despeito de todas as distorções e mal-entendidos elas ainda representam a realidade do passado: representam aquilo que um povo constrói com a experiência de seus tempos primitivos e sob a influência de motivos que, poderosos em épocas passadas, ainda se fazem na atualidade”. (Freud, [1910], pp. 77-78)
O período entre os séculos XIV e XVI caracteriza-se pela transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. Uma das principais características medievais é o sistema feudal de produção, resultado das influências do decadente império romano e dos povos bárbaros. Os costumes bárbaros voltaram a ser dominantes na Europa e, após os estados grego e romano, há uma nova descentralização do poder. A economia se concentra principalmente na agricultura de subsistência e no trabalho servil. A sociedade era hierarquizada, sem mobilidade social e a principal autoridade era a Igreja, mediadora entre a vontade divina e os homens. A barbárie poderia ser aqui descrita não apenas como heteronomia e justificação da dominação social pela doutrina cristã e pelas conquistas dos senhores feudais, mas também da violência. Explosões de crueldade não excluíam ninguém da vida social. Seus autores não eram banidos. O prazer de matar e torturar era grande e socialmente permitido. Até certo ponto, a própria estrutura social impelia seus membros nessa direção (Elias, p. 192). A guerra era uma constante e um meio de vida na economia feudal. As cruzadas constituíram um exemplo da justificação religiosa da guerra, mas também apontaram para um desenvolvimento comercial e o contato com a cultura clássica, participando do processo de transição para um novo período da humanidade, no qual o pensamento medieval se deparou com os clássicos gregos.
Trata-se do nascimento do capitalismo, do renascimento comercial nas feiras medievais, que deram origem a uma nova classe dentro do sistema feudal: a burguesia. A relação entre os comerciantes e os senhores feudais era regida pela tributação, até que as constantes guerras se uniram à fome e à peste negra para minar as estruturas feudais. Como conseqüência desse processo, alguns senhores mais poderosos passaram a centralizar o poder e algumas cidades conquistaram sua autonomia, desvencilhando-se das taxas do senhor feudal (Campos, 1988).
No campo político há uma oposição clara entre o universalismo medieval e o estabelecimento das monarquias e da identidade nacional. Com estas últimas já se podia ver a promessa da vida feliz, expressa por Dante na
Monarquia: O fundamento radical da Majestade Imperial é, verdadeiramente, a necessidade da civilidade humana, que está ordenada para um fim, a saber, a vida feliz (apud Horkheimer e Adorno, 1978, pp. 93-4). O novo Estado se caracterizou principalmente pela burocracia (conjunto de instituições e funcionários administrativos e judiciários a serviço do poder político) e influenciou a idéia de princípio de individuação: Esta predicação, que explora o singular e o particular, converter-se-á depois, com Duns Escoto, nos primórdios da Grande Escolástica, quando os estados nacionais começam se afirmando contra o universalismo medieval, na haecceitas, no princípio de individuação, mediante o qual Escoto procurou mediar a natureza humana geral, a essentia
communis, com a pessoa individual, o homo singularis. Com isto se prepara
a noção nominalista24 do indivíduo, que chegará a ser uma segunda natureza
em todo o desenvolvimento subseqüente. (Horkheimer e Adorno, 1978, p. 46). Para o burguês, segundo Chauí (1999, p. 399), sua mudança de posição social não poderia ser atribuída ao sangue, à família, mas apenas a si mesmo, à sua individualidade. Assim, a noção de individuação está ligada à identidade nacional, o que leva à questão da relação entre indivíduo e Estado.
O Estado moderno entrelaça os conceitos de sociedade e indivíduo. O conceito de sociedade se opõe ao de comunidade. Ao se falar em comunidade, está se levando em conta uma coletividade natural ou divina. O indivíduo, porém, está mais próximo ao conceito de sociedade: uma coletividade voluntária e histórica. Assim, a sociedade moderna entra em contraste com as instituições vigentes, exigindo uma nova organização social, que resulta na sociedade civil ou Estado. Com a idéia de Estado ressurgem as especulações quanto à natureza do indivíduo e seus direitos naturais. Estes seriam o direito à vida, ao que é necessário para a sobrevivência e à liberdade. Indivíduos livres poderiam conceder a liberdade a um terceiro, o Estado, legitimando o poder do soberano.
24 O nominalismo é “uma corrente filosófica que se origina na filosofia medieval, interpretando as idéias gerais ou universais como não tendo nenhuma existência real, seja na mente humana (enquanto conceitos), seja enquanto formas substanciais (realismo), mas sendo apenas signos lingüísticos, palavras, ou seja, nomes. (JAPIASSÚ, pp. 180-1).
A educação tinha como base a Igreja, mas já se estendia aos pobres, começando também a fazer parte do desenvolvimento burguês e mercantil. Além da educação profissional, que não era considerada pedagógica por já se tratar de profissão, a educação guerreira tornava-se cavaleiresca, revestida de gentileza, com ênfase na técnica da guerra e da política. As universidades e os mestres livres desenvolveram a Ars dictandi, que ensinava a escrever cartas e atos oficiais, diplomas, privilégios papais, etc. (Manacorda, p. 146), desenvolvendo a linguagem burocrática. Além da instrução intelectual e física eram ensinadas boas maneiras. A nova dinâmica social, cultural e política se opunha à agressividade medieval. Para Max Weber, o que caracteriza o capitalismo não é a persecução do lucro em si, mas a empresa racional, a possibilidade pacífica (grifo meu) de lucro (p. 24).