2. TÜRKİYE’DE YEREL YÖNETİM BİRİMLERİ VE YAPILARI
2.2. Türkiye’de Yerel Yönetimlerin Tarihsel Değişimi
A longitudinalidade na saúde relaciona-se à existência de uma fonte continuada de atenção, assim como sua utilização ao longo do tempo (STARFIELD, 2004). Desta forma, a longitudinalidade pode referir-se ao acompanhamento do paciente ao longo do tempo por médico generalista ou equipe de APS, para os múltiplos episódios de doença e cuidados preventivos. Em relação ao acompanhamento longitudinal com profissional de saúde, 64,2% dos idosos do Dendê referiram realizar consultas com o mesmo médico ou enfermeira no CSF Mattos Dourado (tabela 18).
Na compreensão de Gérvas e Fernández (2006), longitudinalidade adequada é um fator essencial para o sistema de saúde, pois este atributo tende a produzir diagnósticos e tratamentos mais precisos, além da redução dos encaminhamentos desnecessários para outros níveis de atenção e para a realização de procedimentos de maior complexidade. De acordo com Nutting et al (2003), citados por Cunha e Giovanella (2011), a continuidade dos cuidados é mais importante ainda para os pacientes vulneráveis (extremos de idade, sexo feminino, menor nível educacional, maior número de condições crônicas e medicamentos e pior autoavaliação do estado de saúde). Portanto, os sistemas de saúde e as práticas de atenção primária devem dedicar esforço adicional para manter uma relação de continuidade com esses pacientes.
Tabela 18 – Avaliação do atendimento/acompanhamento longitudinal prestado pelo CSF Mattos Dourado aos Idosos da Comunidade do Dendê (*), 2014
LONGITUDINALIDADE Longitudinalidade
Sim Não Total
N.º % N.º % N.º %
Atendimento pelo mesmo médico ou enfermeiro 61 64,2 34 35,7 95 100 Entendimento pelo médico/enfermeiro da
pergunta do usuário 86 95,5 4 4,4 90 100
Compreensão da resposta do médico/enfermeiro 87 95,6 4 4,3 91 100 Tempo suficiente para relatar preocupações /
problemas 81 88,0 11 11,9 92 100
Sente-se a vontade para contar preocupações /
problemas 80 89,8 9 10,1 89 100
Profissional identifica seus problemas mais
importantes 66 84,6 12 15,3 78 100
Profissional conhece sua história clínica
completa 68 82,9 14 17,0 82 100
Mudaria do CSF ou de médico/enfermeiro se
fosse fácil de fazer 39 41,4 55 58,5 94 100
(*) Bairro Edson Queiroz, SER VI, Fortaleza – CE, abril de 2014. Fonte: Dados primários da pesquisa
Em relação à consulta, 95,5% dos idosos do Dendê referem que os profissionais entendem seu questionamento, enquanto 95,6% compreendem a resposta do médico ou enfermeira. Ainda sobre a consulta, 88% acham que recebem tempo suficiente para relatar seus problemas ou preocupações; 89,8% afirmam se sentir à vontade para contar esses problemas; para 84,6% o profissional de saúde consegue identificar seus problemas mais importantes, já para 82,9% esse profissional conhece sua história clínica completa (tabela 18). Nas relações interpessoais profissional de saúde – paciente durante uma consulta, é a qualidade do encontro que determina sua eficiência. A condição de doente, algumas vezes, produz um sentimento de isolamento em especial nos idosos. Eles buscam ser acolhidos de forma gentil, cuidadosa e personalizada. O profissional deve ser solidário no seu sofrimento, oferecendo-lhes o apoio emocional de que carecem. Para isso, a empatia, ou seja, a troca de sensibilidade entre profissional e paciente idoso, é fundamental. Essa relação é baseada na familiaridade, colaboração e confiança que o profissional inspira e na compreensão do idoso sobre a realidade do profissional. Essa boa relação é essencial na promoção da qualidade do atendimento (VIANNA, L; VIANNA, C; BEZERRA, 2010).
Nos dados da tabela 18, apesar de mostrar percentuais elevados, demostrando que a consulta estaria próximo de uma consulta considerada “adequada” do ponto de vista da
continuidade dos cuidados, destaca-se o fato de pouco mais de 40% dos avaliados referirem que mudariam para outro serviço de saúde se isto fosse fácil fazer. A justificativa para isso pode estar no método de abordagem clínica utilizada pelos profissionais de saúde. Caso os profissionais estejam utilizando o “modelo médico convencional” ou “centrado na doença”, este toma por princípio a noção de que a doença é totalmente explicada por desvios da norma de variáveis biológicas (somática) que podem ser medidas, deixando de lado dimensões sociais, psicológicas e comportamentais (BROWN et al, 2010). Outras opções de abordagem clínica têm sido sugeridas. Segundo Brown (2010), citando Little et al (2001), estudos internacionais reforçam não apenas o desejo e a satisfação do “método clínico centrado na pessoa10”, mas também o seu impacto positivo nos desfechos e nas taxas de uso de assistência médica. Para Fuzikawa (2013), citando Stewart (2010), os resultados do método clínico centrado na pessoa, quando comparado a métodos tradicionais, denotam resultados positivos, tais como: maior satisfação das pessoas e médicos; melhora na aderência aos tratamentos; redução de preocupações e ansiedade; redução de sintomas; diminuição da utilização dos serviços de saúde; diminuição das queixas por má-prática; melhora na saúde mental e melhora na situação fisiológica e na recuperação de problemas recorrentes.
Além disso, esses dados são instigantes na busca de respostas na trilha de uma melhor assistência na Atenção Primária. Isso passa pelo cumprimento das diretrizes e princípios do SUS, particularmente do atendimento integral ao usuário, tendo em vista sua implicação numa prática de qualidade, que desenvolva capacidade de análise crítica de contextos. A integralidade efetiva-se na organização dos processos de trabalho. Depende, porém, de outros fatores para materialização, tais como: criação e fortalecimento de vínculos entre usuários e trabalhadores e a conquista da autonomia da pessoa que busca o serviço de saúde para o atendimento de suas demandas e a satisfação de suas necessidades (PINHEIRO; LUZ, 2003).
Com efeito, até que ponto o atendimento prestado aos longevos do Dendê está sendo suficiente para atender às suas necessidades, seja no campo individual, social, econômico e cultural, dimensões essas que permeiam a complexidade do processo saúde- doença. Para Franco e Magalhães Junior (2007), a organização do trabalho surge como ponto
10 Método Clínico Centrado na Pessoa: É composto por seis componentes interativos, mas intricadamente interligados: explorando a enfermidade e a experiência com a doença; entendendo a pessoa como um todo, inteira; elaborando um projeto comum de manejo; incorporando prevenção e promoção de saúde; fortalecendo a relação médico-pessoa, e sendo realista (STEWART, 2010).
importante na mudança dos serviços de saúde para colocá-los operando de forma centrada no usuário e suas necessidades. O trabalho em equipe, articulando saberes e práticas é uma ferramenta importante na construção do cuidado integral. Consoante Crevelim e Peduzzi (2005), na perspectiva de busca da atenção integral à saúde e da democratização das relações entre os profissionais de saúde e entre estes e usuários, a população e os grupos sociais são concebidos como partícipes dos processos e torna-se imprescindível aprofundar entendimento dessa participação. Dessa forma, deve-se valorizar mais o contexto de vida das pessoas e a inserção do sujeito na família e na comunidade.