2. TÜRKİYE’DE YEREL YÖNETİM BİRİMLERİ VE YAPILARI
2.3. Türkiye’de Yerel Yönetim Birimleri
2.3.1. İl Özel İdare Yönetimi
No contexto da integralidade, a Atenção Primária deve se organizar de maneira que o paciente tenha todos os serviços de saúde necessários, abrangendo a referência à atenção secundária ou terciária (STARFIELD, 2004). Quando avaliamos se os idosos do Dendê foram referenciados para outros níveis de atenção, 70,6% responderam afirmativamente, sendo que 82,6% levaram uma justificativa escrita, e somente 60,8%, ao retornarem ao PSF, foram questionados sobre a consulta com o especialista (tabela 19).
Tabela 19 – Avaliação da Coordenação da Atenção Básica (CSF Mattos Dourado) na integração de cuidados com níveis secundário/terciário de atenção à saúde em relação aos Idosos da Comunidade do Dendê (*), 2014
INTEGRAÇÃO DE CUIDADOS Integração de Cuidados
Sim Não Total
N.º % N.º % N.º %
Referência para outra especialidade médica 65 70,6 27 29,3 92 100 Teve justificativa escrita para a referência 62 82,6 13 17,3 75 100 Médico do PSF conversou sobre a consulta com
o especialista 42 60,8 27 39,1 69 100
(*) Bairro Edson Queiroz, SER VI, Fortaleza – CE, abril de 2014. Fonte: Dados primários da pesquisa
O princípio da integralidade refere-se ao conjunto articulado e contínuo de ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso, em todos os níveis de complexidade do sistema (BRASIL, 2001). A integração passa pela organização e
articulação entre os serviços, sendo compreendida como uma rede de serviços que funcione de modo a dar condições de acesso e seja resolutiva para os problemas apresentados e para os fatores de risco que afetam a qualidade de vida da população.
Na trilha do cuidado integral, convém atentar para o fato de que a integralidade só pode acontecer ou não com o acesso das pessoas aos serviços e, sabendo que o referenciamento e o contrarreferenciamento devem ser atitudes integradas a um plano terapêutico, sendo particularmente importantes para pessoas vulneráveis, como os idosos. Daí a importância do médico da APS cobrar uma contrarreferência, de preferência escrita, detalhando a opinião do especialista sobre um diagnóstico ou conduta a ser tomada, sendo, portanto, fundamental discutir com o paciente detalhes da consulta com o especialista, de olho no plano terapêutico a ser traçado.
Ainda sobre integralidade, em relação aos serviços prestados, descobrimos que somente 25,6% dos idosos do Dendê realizaram avaliação da saúde bucal, seja o exame dental ou da prótese e/ou tratamento dentário (tabela 20).
Tabela 20 – Avaliação da integralidade nos serviços disponíveis e prestados aos idosos da Comunidade do Dendê (*), 2014
INTEGRALIDADE Integralidade - Serviços disponíveis
Sim Não Total
N.º % N.º % N.º %
Avaliação da Saúde Bucal 21 25,6 61 74,3 82 100
Aconselhamento: mudanças decorrentes do
envelhecimento 42 47,1 47 52,8 89 100
Integralidade - Serviços prestados
Sim Não Total
N.º % N.º % N.º %
Orientação: alimentação saudável 67 72,0 26 27,9 93 100 Orientação: Exercícios físicos apropriados 62 65,9 32 34,0 94 100 Orientação: prevenção de quedas 47 52,2 43 47,7 90 100 Verificar/discutir medicações em uso 63 73,2 23 26,7 86 100 Tomou vacina da gripe no último ano 64 66,6 32 33,3 96 100 Tomou a vacina do tétano nos últimos 10 anos 42 60,0 28 40,0 70 100 (*) Bairro Edson Queiroz, SER VI, Fortaleza – CE, abril de 2014.
Desde 1994, com o surgimento do PSF, a participação do cirurgião-dentista veio trazer, além das assistenciais, ações coletivas de saúde bucal. Esse cuidado veio tentar reaver anos de descaso, quando o sistema de saúde pública brasileiro tinha na assistência à saúde bucal um modelo excludente, mutilador e focado na reabilitação de morbidades da doença cárie. Muitos brasileiros, hoje idosos, sofreram com a extração dentária, com a falta de procedimentos preventivos coletivos e de informação sobre cuidados como a saúde bucal. Esse processo culminou em altos índices de edentulismo e necessidade de uso de próteses dentárias, deixando como marca a ideia de que, por não possuírem mais dentes naturais, não se encontram no escopo de pessoas que necessitam frequentar regularmente o cirurgião- dentista (BULGARELLI; MESTRINER; PINTO, 2012).
A falta de conhecimento e autopercepção dos idosos sobre a necessidade de cuidados odontológicos, em muitos casos, acarreta dificuldade de acesso ao cirurgião-dentista. Muitos continuam a acreditar que, por possuírem prótese total (dentadura), não é necessário procurar assistência odontológica regularmente. O grande desafio dos profissionais de saúde é criar uma condição de empoderamento desses idosos, para incorporarem em suas atividades da vida diária os cuidados com a saúde bucal, condição básica e essencial para uma adequada saúde geral. Para Bulgarelli, Mestriner e Pinto (2012), é na Estratégia de Saúde da Família, por meio de um modelo de atenção universal, que podemos desconstituir o significado social de que o dentista é um profissional mutilador e que causa sofrimento e medo ao idoso.
Pensando ainda em integralidade, outro serviço que deveria estar disponível é a orientação sobre as mudanças ocorrentes com o envelhecimento. É importante que as pessoas saibam que, no universo do idoso, o completo bem-estar pode ser atingido por muitos, independentemente de haver ou não doenças. Mesmo existindo as perdas durante o processo do envelhecimento, o envelhecer de maneira ativa deve ser estimulado entre os idosos, pois ele é sinônimo de vida plena e com qualidade. O envelhecimento saudável resulta da integração multidimensional entre saúde física, saúde mental, independência nas atividades da vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica.
Na Atenção Primária, o cuidado com a pessoa idosa passa pela orientação sobre as alterações advindas do processo de envelhecimento, as quais são determinantes na capacidade funcional e, consequentemente, no envelhecimento saudável. Somente 47,1% dos longevos do Dendê relataram receber orientação sobre as mudanças decorrentes do envelhecimento (tabela 20). Essas orientações devem ser dadas em todas as idades em busca do envelhecimento ativo, com o idoso autônomo, capaz de gerir a própria vida e determinar quando, onde e como se
darão suas atividades de lazer, convívio social e trabalho. Na APS, a equipe do PSF pode contribuir na qualidade de vida da população mediante o processo de educação em saúde, preparando-a para viver harmonicamente com as mudanças associadas ao envelhecimento, e desta forma, auxiliando na promoção de uma vida saudável e ativa.
Em relação aos serviços prestados pelo CSF Mattos Dourado com foco na integralidade, 72% dos idosos receberam orientação sobre alimentação saudável, 65,9% a respeito de exercícios físicos apropriados e 52,2% acerca de prevenção de quedas (tabela 20). Por meio da Educação em Saúde realizada na Estratégia Saúde da Família, os profissionais de saúde podem levar informações a todas as pessoas, inclusive idosos, auxiliando na compreensão e manejo das situações mais frequentes no envelhecimento, contribuindo efetivamente na prevenção de doenças, no estabelecimento de um estilo de vida com qualidade para manter o organismo saudável.
A orientação alimentar é fundamental, já que é o fator que mais está ligado à qualidade de vida e à longevidade do ser humano. Além disso, é uma aliada tanto para a manutenção da saúde como para prevenir ou reverter doenças (BRASIL, 2009, p.37). A atividade física é a base de um envelhecimento saudável. O exercício físico regular, bem orientado, adequado para cada longevo, reduz os riscos de aparecimento de doenças que normalmente aceleram o natural envelhecimento. Portanto, é importante que o profissional de saúde estimule a pratica de atividade física, em qualquer idade, com acompanhamento profissional adequado, obtendo assim muitos benefícios (BRASIL, 2009, p.56). A alimentação saudável e a prática regular e exercícios físicos são recursos que, comprovadamente, minimizam a ocorrência de quedas e suas consequências. O risco de cair aumenta significativamente com o avançar da idade, sendo o principal tipo de queda, a “queda da própria altura”, que, além de contusões, torções e fraturas, podem levar à perda da mobilidade, prejuízo da independência e a morte. As intervenções mais eficazes baseiam-se na identificação precoce dos idosos com maior chance de sofrerem quedas e orientar sua prevenção (BRASIL, 2009, p.51).
De acordo com 73,2% dos longevos do Dendê, os profissionais de saúde verificam e discutem sobre os medicamentos em uso (tabela 20). O uso simultâneo de múltiplos fármacos (polifarmácia) é comum em idosos brasileiros, isso em razão de vários fatores, dentre eles, o fácil acesso aos medicamentos em farmácias e drogarias, estimulando inclusive a automedicação e levando a problemas relacionados à terapia farmacológica, como o aparecimento das reações adversas e a ocorrência de interações medicamentosas. Dessa
forma, a avaliação das medicações, a orientação adequada do seu uso, promoção do uso racional de medicamentos, são medidas que devem ser estimuladas e contribuem para a melhoria da qualidade de vida dos idosos.
Ainda referente à atenção integral, abordaremos a vacinação, que é um instrumento precioso para promoção da saúde em idosos. No Dendê, 66,6% dos idosos tomaram a vacina de gripe no último ano, e 60% lembraram ter tomado a vacina de tétano nos últimos dez anos (tabela 20). A cobertura da vacina da gripe está baixa nessa população, já que, segundo o Ministério da Saúde, a cobertura mínima é de 80% a todos os grupos. A vacina contra o tétano é a melhor forma de prevenção e é disponibilizada gratuitamente por toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Como o seu questionamento se refere aos últimos 10 anos, é possível que alguns idosos tenham tomado a vacina e não se lembrem. Daí a importância do idoso ter a caderneta da pessoa idosa e disponibilizá-la na consulta.