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Türkiye’de Yağışların Mevsimlere Dağılışı

2.  BÖLÜM

3.2.  Türkiye’nin Yağış Klimatolojisi

3.2.2.  Türkiye’de Yağışların Mevsimlere Dağılışı

A “nova higiene”180 chegou por meio de um novo regulamento dos serviços sanitários brasileiros181. Ao se comparar o regulamento de 1904 com o anterior, de 1893, no que diz respeito aos serviços sanitários nos portos não houve mudanças significativas. O litoral continuou dividido em três distritos, o primeiro com sede na capital federal e administrado pelo diretor geral de saúde pública ficou constituído pelas inspetorias de saúde dos portos do ES, RJ, SP, PR, SC, RS, MT e tendo como lazareto comum o da Ilha Grande; o segundo, com sede no porto do Recife e administrado pelo inspetor de saúde deste porto, ficou constituído pelas inspetorias da PB, PE, SE, AL, BA, tendo como lazareto comum o de Tamandaré; e o terceiro distrito, com sede no porto de Belém e administrado pela inspetoria local, ficou formado pelos portos do AM, PA, MA, CE, PI, RN, tendo como lazareto comum o do Pará. Em cada porto

179 Só em 14 meses de serviço, de 17 de outubro de 1903 a 31 de dezembro de 1904, 952 embarcações foram

desinfetadas no porto do Rio de Janeiro. Entre elas, 14 foram alemães; 8 americanas; 17 argentinas; 4 austríacas; 837 brasileiras; 4 dinamarquesas; 57 inglesas; 6 norueguesas; 1 russa; 1 sueca (Silvado, 1903:6).

180 O termo ‘nova higiene’ é utilizado aqui não como uma quebra de paradigma, como se existisse uma ‘velha

higiene’ e nem como um novo conceito. É uma forma conveniente de apontar certas diferenças na legislação e nas práticas sanitárias entre dois períodos. O termo aparece também nos próprios relatórios governamentais pesquisados.

principal do estado deveria ser fundado um hospital de isolamento e uma estação de desinfecção182.

Os serviços sanitários dos portos eram responsáveis pela profilaxia marítima internacional, ou seja, o emprego dos meios adequados – carta de saúde, notificação183, inspeção sanitária, visita sanitária, isolamento184, desinfecção e vigilância médica - para preservar os portos da República da contaminação dos “germens mórbidos” pelas embarcações que chegavam. Os serviços sanitários dos portos cuidavam também da polícia sanitária dos navios e ancoradouros e da assistência médica aos homens do mar.

182 Ibidem.

183 As moléstias de notificação eram: febre amarela, cólera, peste, varíola, difteria, infecção puerperal, oftalmina

dos recém-nascidos, tifo e febre tifóide, lepra, tuberculose, impaludismo, escarlatina e sarampão, beribéri (RMJNI, 1903-1904: A-K-38 – art. 145).

deveriam ser inscritas as informações referentes ao tratamento – desinfecção, fumigação - pelo qual o navio suspeito ou infectado passara no porto. O comandante carregava este documento consigo e deveria apresentá-lo nos portos de escala e de destino (RMJNI - Relatório do Diretor Geral de Saúde Pública, 1903/1904: A-K-62).

Modelo de Bilhete de Livre Prática. Este documento era dado aos navios indenes, ou seja, que

não tiveram nenhuma ocorrência de doença a bordo, ou que passaram por processo de desinfecção e agora estavam aptos a atracarem sem perigo de contaminação do porto e da cidade. Ele deveria ser apresentado pelo comandante e cada porto de escala e no final (RMJNI - Relatório do Diretor Geral de Saúde Pública, 1903/1904: A-K-63).

Modelo de Carta de Saúde. Todos os navios deveriam portar este documento e apresentá-lo em cada porto de

escala e de destino. Levava-se em conta o estado sanitário da tripulação e dos passageiros; o estado sanitário do porto e da cidade de procedência; que tipo de moléstia reinava nestas localidades e a bordo; e o número de doentes e de falecidos nas localidades e a bordo. A carta de saúde poderia ser limpa, caso não houvesse nenhuma ocorrência, ou suja, caso o navios tivessem procedido de porto e cidade infeccionados por doença transmissível. Se o navio chegasse ao porto de algum país signatário das convenções sanitárias com carta suja, a ele não era dada a livre prática, ou seja, ele não poderia atracar e deveria retornar viagem para o porto de procedência. A não ser que a autoridade sanitária do porto determinasse que ele deveria passar por tratamento e, se achasse conveniente, após todo o processo de desinfecção de passageiros, das instalações da embarcação e das bagagens, e caso a epidemia tivesse sido debelada, o navio poderia receber a livre prática e adentrar o porto (RMJNI – Relatório do Diretor Geral de Saúde Pública, 1903/1904: A-K-64).

De acordo com o art. 42 do regulamento, a peste, a cólera e a febre amarela seriam as únicas moléstias infecciosas que determinariam a aplicação de medidas sanitárias permanentes. As outras moléstias poderiam excepcionalmente dar lugar a imposição de medidas de

ficaram mais específicas, eles realizariam a inspeção sanitária das embarcações como expediente de profilaxia internacional, que consistiria na fiscalização dos acontecimentos de bordo durante a viagem.

Inspetores Sanitários de Navio185 - Quando fosse de interesse da saúde pública, o

diretor geral solicitaria ao governo a instituição do corpo de inspetores sanitário de navios, que eram incumbidos de se dirigirem aos portos no exterior, onde grassasse qualquer tipo de moléstia infecciosa, a fim de embarcarem nos navios que se destinassem a portos brasileiros. As suas atribuições continuaram praticamente as mesmas, inscritas no regulamento de 1893, como embarcar no navio que o ministro ou o cônsul no país infeccionado designasse; examinar no momento de embarque os passageiros, recusando viagem aos que parecessem estar afetados por moléstias; prestar serviços profissionais a passageiros e tripulantes.

Médicos de bordo186 - Todos os navios que transportavam passageiros em viagens com

mais de 48 horas eram obrigados a ter a bordo um médico, além de portar um aparelho de desinfecção para a matança de ratos. Os médicos de bordo deveriam embarcar em navios nacionais com o objetivo de preservar tripulantes e passageiros de moléstias infecciosas que porventura pudessem se desenvolver a bordo. Tinham que apresentar em cada porto, à autoridade sanitária, um certificado onde vinham mencionadas todas as ocorrências da viagem.

No novo regulamento, a definição de porto suspeito e infeccionado187, assim como para navios indenes, suspeitos e infeccionados188, tornou-se mais precisa. A profilaxia geral das

moléstias infecciosas passaria a ser feita a partir da notificação compulsória; das desinfecções

185 Ibidem, artigo 46. 186 Ibidem, artigo 47.

187 Porto infeccionado é aquele em que reina uma das moléstias infecciosas (peste, cólera e febre amarela). Porto

suspeito é aquele em que se manifestaram casos isolados de uma das três moléstias infecciosas; aquele que não se protege suficientemente contra os outros portos infeccionados; aquele que mantém comunicações freqüentes e fáceis com localidades infeccionadas (RMJNI - Relatório do Diretor de saúde Pública 1903-1904: A-K-24 – art.60).

188 Navio indeneé aquele que, proveniente de um porto infeccionado, não teve nenhum caso de óbito, nem de

moléstia infecciosa antes da partida, durante a travessia, ou no momento da chegada. Navio suspeito é aquele que teve um ou mais casos suspeitos ou confirmados no momento da partida ou durante a travessia; não teve nenhum caso novo, decorridos sete dias, ou que tenha tido algum óbito de moléstia não especificada. Navio infeccionado é aquele que apresentou um ou mais casos confirmados ou suspeitos das moléstias consideradas infecciosas (peste, febre amarela e cólera), ou que teve algum caso, decorridos menos de sete dias de viagem (RMJNI - Relatório do Diretor de Saúde Pública, 1903-1904: A-K-25 – art. 65).

realizadas no desinfectório central e da vigilância médica e do exame diário dos indivíduos durante o período máximo de incubação da doença.

O navio indene189 passaria pela inspeção médica dos passageiros e da tripulação; desinfecção de roupas e matança de ratos. Se quando chegasse ao porto, tivesse decorrido um prazo menor do período de incubação da doença, um passaporte sanitário era entregue a cada passageiro, contendo o nome, a localidade de destino e a data em que o navio deixou do porto contaminado. A autoridade sanitária portuária informava então o fato ao chefe do serviço de higiene terrestre, afim de mandar proceder a vigilância médica do passageiro até que o prazo de incubação da doença terminasse190 (RMJNI, 1903-1904: A-K 25).

Com relação às atribuições dos serviços sanitários dos portos, a polícia sanitária dos navios e ancoradouros passou a ser exercida pelos ajudantes do diretor geral, no Porto do Rio de Janeiro, e por inspetores, diretores de distritos e seus ajudantes, nos portos dos outros estados. Eles tinham como função realizar as visitas internas e externas aos ancoradouros, que poderiam ser de visita, de vigia ou de isolamento. Se em algum navio ancorado se manifestasse caso de moléstia, o comandante era obrigado a içar o sinal de doente a bordo, a bandeira de nacionalidade do navio no mastro de proa (RMJNI, 1903-1904: A-K-27-28 – art. 73).

Nos portos onde funcionavam inspetorias de saúde, deveriam ser construídos hospitais marítimos destinados ao tratamento dos doentes que aparecessem a bordo. As desinfecções passaram a ser realizadas no desinfectório central e a vigilância médica foi adotada também nas estradas de ferro. Além disso, ficou determinado que para cada moléstia infecciosa haveria uma profilaxia específica, de acordo com o seu modo de transmissão e vetores (RMJNI, 1903- 1904: A-K-29-42 – art. 74, 134, 152, 163, 197).

A bandeira amarela içada no navio significava que este estava interditado pela repartição de saúde pública. No entanto, o desembarque dos passageiros não poderia mais ser impedido, nem a comunicação do pessoal de bordo com terra (RMJNI, 1903/1904: A-K-23, A- K-24).

189

Para navios suspeitos, de acordo com o art. 68, os procedimentos são iguais aos feitos nos navios indenes, com exceção para os passageiros desembarcados com febre amarela, que não precisariam mais passar por desinfecção, recebendo o passaporte sanitário para permanecer em vigilância médica pelo período de incubação da doença. Os navios infeccionados seriam submetidos a um regime que poderia variar de acordo com cada moléstia infecciosa (art.69) (RMJNI, 1903-1904: A-K-25).

consistiriam na detenção do navio para exame rigoroso, desinfecção dos passageiros e de suas bagagens191. Como podemos perceber, já no regulamento de 1904, antes mesmo da 2ª Convenção Platina em junho do mesmo ano, o sistema de quarentena estava fora da legislação.

Os anos de 1903 e 1904 foram bastante significativos para o Brasil com respeito a sua participação em eventos internacionais como congressos192, conferências e convenções. Um destes eventos foi a segunda participação do país em uma conferência sanitária européia, ocorrida em Paris, em outubro de 1903. Esta conferência teve como finalidade renovar as bases científicas da convenção anterior, a de 1897, que visava a profilaxia da peste e da cólera. De acordo com os estudos sobre a peste, encarando-se o rato como o seu principal transmissor, uma nova orientação deveria ser tomada no que dizia respeito à profilaxia desta moléstia. Assim, as potências signatárias da Convenção de Veneza de 1897 resolveram se reunir em Paris, em 1903, com o objetivo de renovar as bases científicas da convenção anterior (O Brazil-

Médico, 1905, ano XIX, p. 227).

O Dr. Gabriel de Piza, que era diplomata e não médico, foi o representante brasileiro em Paris. A princípio, o foco desta convenção era somente a peste e a cólera, no entanto, Piza conseguiu que se discutisse também a febre amarela. A Convenção de Paris aceitou como demonstrada cientificamente a profilaxia decorrente dos estudos da missão americana - coordenada por Walter Reed em Cuba no ano de 1900 - segundo os quais constatou-se que a febre amarela era transmitida pelo mosquito stegomyia fasciata. Todas as nações deveriam modificar seus regulamentos a partir de então, de acordo com a nova orientação, que reconhecia esta espécie de mosquito como o transmissor da febre amarela (RMJNI, Relatório do Diretor Geral de Saúde Pública, 1904/1905: A-A-15; O Brazil-Médico, 1905, ano XIX, vol 1, pp. 227 ).

O segundo evento internacional importante, com participação brasileira, foi uma nova conferência193 com os países vizinhos, Argentina, Uruguai e Paraguai, que ocorreu no Rio de

191 Art. 59 do Decreto n. 5156, de 8 de março de 1904. 192

No mês de abril de 1903, houve participação brasileira no 2º Congresso Médico Latino-Americano, que ocorreu em Buenos Aires. Foram como delegados os doutores João Batista Lacerda, Antônio Augusto de Azevedo Sodré, Francisco Farjado e Julio Afrânio Peixoto (RMJNI, Relatório do Diretor Geral de Saúde Pública, 1904/1905: 20).

193 Foram como delegados desta conferência os doutores Antônio Augusto de Azevedo Sodré, professor da

Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Oswaldo Gonçalves Cruz, Diretor Geeral de Saúde Pública (RMJNI, Relatório da Diretoria Geral de Saúde Pública, 1904/1905-3: 8).

Janeiro no mês de junho 1904. A modificação do tratamento sanitário dos navios provenientes de portos infeccionados era há muito uma das maiores aspirações das nações platinas e também do Brasil, por causa dos numerosos prejuízos sofridos pelo comércio em decorrência dos regimes de quarentena. A abolição deste regime na região foi a primeira das vantagens decorrentes de tal conferência (ibidem: 16; ibidem: 228).

A segunda vantagem foi a adoção pelos membros da nações vizinhas da profilaxia da febre amarela adotada pelo Brasil, estabelecendo como princípio científico a não obrigatoriedade da desinfecção das roupas na profilaxia da moléstia, segundo o art. 15, letra E da convenção (RMJNI, ibidem).

Desta conferência do Rio de Janeiro foi formulada uma convenção que deveria obedecer às seguintes prerrogativas: liberdade para o comércio marítimo e fluvial, ou seja, em nenhum caso de epidemia os portos seriam fechados; aplicação das medidas sanitárias no momento que melhor garantisse a sua eficácia, antes e durante o embarque, tendo-se sempre em conta as facilidades do comércio e a comodidade dos passageiros; todas as medidas deveriam ser baseadas nos conhecimentos científicos e nas conclusões dos últimos congressos internacionais; as informações sobre o estado sanitário dos portos dos respectivos países seriam reciprocamente facilitados, sem restrição alguma (ibidem: 8).

Benzer Belgeler