2.2 Konaklama İşletmeleri Bağlamında Araştırma Değişkenleri Arasındaki İlişkiler
2.2.3 Türkiye’de Turizm ve Konaklama İşletmelerinin Gelişimi
A Capitania de Minas Gerais28, notadamente em função da descoberta e exploração das suas riquezas minerais, mereceu ocupar uma posição de destaque no Brasil (então Colônia de Portugal) já nas primeiras décadas do século XVIII. A crescente ocupação da região e a intensa utilização dos seus recursos naturais provocaram modificações na conformação política e socioeconômica da Colônia, inaugurando um novo período da colonização portuguesa no Novo Continente. Nesse contexto, a emergência de conflitos pela posse e exploração das terras mineiras e as reações do governo colonial visando garantir o controle da sociedade – além do desejo de independência, que motivaria posteriormente a organização da Conjuração Mineira – transformaram as relações entre o Brasil e Portugal, havendo um inequívoco processo de fortalecimento da Capitania na Colônia ainda na primeira metade do século XVIII (PAIVA, 1992), fato importante dentro do processo de formação do espaço urbano brasileiro, e, em específico, de Minas Gerais.
É nesse cenário que se configura a ocupação da área onde está situada a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Tal processo, anterior à fundação da atual Capital mineira, fora iniciado no final do século XVII, através da ação de bandeirantes que desbravavam o interior do Estado em busca de ouro e pedras preciosas.
28 A Capitania das Minas Gerais foi criada em 1720, através do desmembramento da Capitania de São
Paulo e Minas do Ouro, fundada em 1709. Sua criação foi resultado de alterações administrativas promovidas pela Colônia, numa ampla tentativa de controle social da região, tendo em vista a diversificação da economia mineira e o conseqüente incremento populacional proveniente das atividades mineradoras (SOUZA, 1986).
O povoamento, entretanto, ocorreu de forma diferenciada, sendo condicionado pelos atrativos e limitações naturais de cada uma das áreas componentes da região29. Com efeito, num primeiro momento, as áreas mais favoráveis à extração mineral tendiam a receber contingentes populacionais mais significativos30, os quais faziam surgir núcleos urbanos, que, além de dar esteio – ainda que gradativamente31 – ao desenvolvimento de outras atividades econômicas, como a agropecuária e o comércio, eram fundamentais à dinâmica das atividades nas minas, pois possibilitavam o comércio de minerais e forneciam abrigo aos mineradores (SINGER, 1977).
A área do Quadrilátero Ferrífero32, por exemplo, localizada na porção sul- sudeste da RMBH, dada à riqueza de suas jazidas, foi alvo de intensa exploração mineral e grande ocupação populacional nos arredores de suas minas. Todavia, o adensamento da região aconteceu de maneira fragmentada e desordenada, em face da sua topografia acidentada, fator que inviabilizava uma expansão urbana mais contínua. Além disso, como apontam BOAVENTURA et al. (1985), em algumas porções do
Quadrilátero figuram afloramentos rochosos e solos rasos, inadequados à construção de habitações.
29 O meio natural da RMBH configura três grandes unidades geomorfológicas, denominadas Complexos
Ambientais: o Quadrilátero Ferrífero, a Bacia Sedimentar Bambuí e a Depressão de Belo Horizonte (RODRIGUES et al., 1973). Cada uma destas unidades físicas, as quais estão representadas cartograficamente no Anexo 1, reúne características peculiares no tocante à geologia, geomorfologia, solo, hidrografia, topografia e vegetação, sendo elementos importantes na compreensão das inter-relações existentes entre a base física da região e o desenvolvimento das atividades humanas responsáveis pela formação e crescimento do seu sítio urbano.
30 A descoberta do ouro em Minas Gerais, no limiar do século XVIII, provocou uma grande corrida rumo
à Capitania, que passou a receber fluxos migratórios provenientes tanto de áreas já povoadas da Colônia quanto da Metrópole. BRASILEIRO et al. (2001) apontam que, entre 1705 e 1750, cerca de 800 mil portugueses chegaram ao Brasil, sobretudo em virtude da possibilidade de enriquecimento nas minas.
31 Os crescentes fluxos de pessoas com destino a uma região ainda pouco povoada geraram um grande
surto de fome. Até meados dos Setecentos, tal situação foi agravada em função da proibição real do desenvolvimento de qualquer atividade não relacionada à mineração na região, seguida do fechamento dos caminhos que ligavam as áreas mineradoras a outras localidades, no intuito de conter o contrabando do ouro (GOULART, 1965).
32 O Quadrilátero Ferrífero compreende atualmente as cidades de Brumadinho, Nova Lima, Raposos, Rio
Acima e parte dos municípios de Caeté, Ibirité, Igarapé, Mateus Leme e Sabará. Detém uma grande concentração de riquezas minerais, tais como ouro, prata, manganês e minério de ferro – cuja expressiva presença justifica a denominação da região (PLAMBEL, 1986a; SME, 1994).
Surgiram então, alguns núcleos populacionais, os quais precederam a criação de vilas e arraiais, principiando o processo de urbanização de Minas Gerais. Nesse contexto, com exceção do Arraial de Santo Antônio do Rio Acima (1736), que surgiu como ponto de pousada para os bandeirantes, os demais núcleos tiveram gênese diretamente ligada à extração aurífera. Foram eles: Arraial de Raposos (1690), Arraial do Morro do Mateus Leme (por volta de 1700), Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará (1711), Vila Nova da Rainha – atual Caeté – (1714) e Congonhas do Sabará – atual Nova Lima – (1714) (SME, 1994).
Já nas regiões que compreendem a Bacia Sedimentar Bambuí 33e a Depressão de
Belo Horizonte34, o processo de ocupação foi inicialmente tímido e gradativo, com a formação de pequenos aglomerados, estabelecidos ao longo dos caminhos percorridos pelos bandeirantes (PLAMBEL, 1986a). O lento povoamento dessas áreas é justificado pelo fato de não apresentarem riquezas minerais demandadas naquele período. Entretanto, em termos de expansão urbana, tais regiões passariam a ostentar maior importância em relação ao Quadrilátero Ferrífero, uma vez que os seus sítios
33 Localizada na parte norte da RMBH, a Bacia Sedimentar Bambuí abrange os municípios de Confins,
Lagoa Santa, Jaboticatubas e Matozinhos, além de porções de Pedro Leopoldo, São José da Lapa, Capim Branco, Santa Luzia, Taquaraçu de Minas e Vespasiano. Em termos econômicos, a área, também conhecida como Região Cárstica de Lagoa Santa, apresenta uma grande variabilidade: i) seus solos são propícios às atividades agropecuárias, por serem bem desenvolvidos e com baixos níveis de acidez; ii) o
Karst é dotado de jazidas de calcário, fato que, além de viabilizar a instalação de indústrias produtoras de cimento, prestam-se também à produção de britas e à fabricação de corretivos de solos, como sinalizam MASCARENHAS e OLIVEIRA (1992); iii) e a região encerra um grande potencial turístico, em função de possuir uma paisagem natural privilegiada, composta por lagoas naturais, cachoeiras e grutas.
34 A Depressão de Belo Horizonte está localizada na porção central da RMBH, compreendendo os
municípios de Belo Horizonte, Betim, Contagem, Esmeraldas, Florestas, Juatuba, Mário Campos, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, São Joaquim de Bicas e Sarzedo, além de frações de Caeté, Capim Branco, Ibirité, Igarapé, Mateus Leme, Nova União, Pedro Leopoldo, Sabará, São José da Lapa, Taquaraçu de Minas e Vespasiano. Sua topografia é caracterizada pela presença de vales largos e extensos – predominando médias e baixas declividades –, que favorecem os deslocamentos internos e a ocupação do solo. Não por acaso, a Depressão de Belo Horizonte pode ser considerada como a “principal
unidade geomorfológica da RMBH, não só pelo fato de ter sido escolhida para o sítio primitivo da Capital, como ainda pelo que representa hoje na expansão da rede urbana comandada por Belo Horizonte” (RODRIGUES et al., 1973: p. 06). A Depressão incorpora também duas importantes bacias hidrográficas: a Bacia do Arrudas e a Bacia da Pampulha. Afluentes do Rio das Velhas, ambas cortam Belo Horizonte no sentido leste-oeste, tendo desempenhado, ainda que em momentos distintos, um papel fundamental no processo de ocupação e desenvolvimento da capital – como será visto adiante –, haja vista suas características topográficas favoráveis à urbanização (PLAMBEL, 1976).
resguardavam características físicas favoráveis à realização de atividades agropecuárias, imprescindíveis ao abastecimento das áreas mineradoras. Ainda assim, um adensamento populacional mais significativo nessas regiões somente aconteceria a partir do declínio da mineração em Minas Gerais, já no final do século XVIII. Nessas áreas, além do arraial de Curral del Rei35, foram instalados a Capela de Santa Luzia (1701), São Gonçalo de Contagem (1725) e, posteriormente, a Capela Nova de Betim (1851) (SME, 1994).
A ocupação do espaço e o desenvolvimento das atividades econômicas em Minas, os quais se tornaram mais intensos a partir do século XVIII, foram viabilizados pela abertura de trilhas, caminhos e estradas nas mais diversas direções da Capitania36, alguns deles estabelecendo e/ou consolidando sua ligação com outras capitanias, como a do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Goiás, com destaque para o chamado Caminho
Novo.
Apesar da natureza eminentemente predatória da exploração das jazidas de Minas Gerais, fato que poderia vir a comprometer o desenvolvimento urbano e econômico das suas cidades mineradoras, estas “não apenas foram responsáveis por
35 Em 1701, o bandeirante João Leite da Silva Ortiz teria chegado à Serra das Congonhas, correspondente
à atual Serra do Curral, marca da paisagem atual de Belo Horizonte. Em 1711, o bandeirante paulista obteve Cartas de Sesmaria, que lhe davam direitos sobre uma grande porção do atual município de Belo Horizonte, local no qual estava instalada uma fazenda de engorda de bois, chamada Cercado. Nas suas terras crescia um pequeno povoamento, que era denominado, em 1707, de arraial de Curral del Rei, uma vez que, próximo dali existia também um registro onde se pagavam taxas reais e era controlado o deslocamento do gado. Em 1718, o povoado foi elevado à categoria de freguesia (TASSINI, 1947). Convém salientar que a “vocação” inicial da região para o desenvolvimento da pecuária foi possibilitada principalmente pelo estirão de pecuaristas baianos e pernambucanos que buscaram povoar, já no final do século XVI, tanto o sertão nordestino quanto as áreas mineradoras nas Gerais, formando, através do estabelecimento de fazendas de gado, a primeira zona pecuária brasileira, consolidada ainda nos primeiros decênios do século XVII (CALMON, 1958).
36 Até o final do Setecentos, os acessos às áreas mineradoras das Gerais eram realizados por duas frentes:
i) pelo sul, inicialmente através de embarcações que partiam do Rio de Janeiro com destino à cidade de Parati, a partir da qual se podia seguir – por Taubaté ou Guaratinguetá, pela rota serrana – para o Caminho dos Bandeirantes, que, por sua vez, possibilitava a travessia da serra da Mantiqueira para então chegar às minas; ii) e pelo norte, através dos campos da Bahia nos quais era praticada a pecuária, e, daí, seguindo pelo caminho do rio São Francisco (SILVA TELLES, 1975).
uma economia e cultura urbanas expressivas e contemporâneas do nascimento da modernidade burguesa européia, mas respondem também pela primeira integração macro-regional no território brasileiro” (MONTE-MÓR, 2001b: p. 01).
Nesse contexto, a economia mineira possibilitou a formação de um processo de integração econômica entre outras regiões da Colônia, não somente em virtude da rápida ocupação de capitanias vizinhas a Minas Gerais, visando o desenvolvimento de atividades de assistência à produção extrativa mineral e agropecuária, mas principalmente em função do comércio itinerante paralelo à mineração e ao Setor de Subsistência, que não fosse tão importante, não atrairia as atenções de criadores de gado do sul e do nordeste do Brasil (CUNHA, 2001; GOULART, 1965).
Celso FURTADO observa que a necessidade de deslocamentos internos à Capitania – que apresentava características geográficas desfavoráveis a esse fim –, bem como o seu abastecimento, exigiram a organização de um sistema de transporte37 que, mesmo sendo realizado de maneira rudimentar, provocou impactos sobre a economia de suas regiões vizinhas.
“Localizada a grande distância do litoral, dispersa e em região montanhosa, a população mineira dependia para tudo de um complexo sistema de transporte. A tropa de mulas constitui autêntica infra- estrutura de todo o sistema. A quase inexistência de abastecimento local de alimentos, a grande distância por terra que deviam percorrer tôdas as mercadorias importadas, a necessidade de vencer grandes caminhadas em região montanhosa para alcançar os locais de trabalho, tudo contribuía para que o sistema de transporte desempenhasse um papel básico no funcionamento da economia. Criou-se, assim, um grande mercado de animais de carga [...]
Se se considera em conjunto a procura de gado para corte e de muares para transporte, a economia mineira constituiu, no século XVIII, um mercado de proporções superiores ao que havia proporcionado a
37 A utilização intensiva de animais para fins de transporte é também apontada por Pandiá CALÓGERAS,
que afirmava: “Minas, além do mais é montanhosa, cheia de pedras e de alcantis seus caminhos; os
economia açucareira em sua etapa de máxima prosperidade”
(FURTADO, 1967: p. 83).
Não é demais afirmar que a economia mineira contemporânea à mineração inaugurou um novo ciclo de desenvolvimento apoiado nas atividades do comércio de longa distância, o que motivou a estruturação de regiões especializadas em inúmeras atividades ligadas à pecuária, fato que propiciou um uso mais amplo das terras e das criações, além da formação de um mercado inter-regional de animais de carga.
O incipiente processo de provimento de acessibilidade no território mineiro apoiou-se na abertura de novos caminhos (carreiros e carroçáveis), sobretudo no período que abrange a transferência da Capital para o Rio de Janeiro até a Independência do Brasil, quando a abertura de estradas passou a ser submetida à autorização do Governo do Reino. A estruturação de um sistema de transporte, ainda que rudimentar, foi fundamental no direcionamento da ocupação do espaço na Capitania, bem como no seu dinamismo econômico inicial. Não por acaso, já na condição de Província, numa clara demonstração de preocupação com a questão da acessibilidade em Minas Gerais, o então Presidente da Província, Antônio Paulino Limpo de ABREU, quando da instalação da Assembléia Legislativa, em 1º de fevereiro de 1835, afirmou:
“Entre as obras públicas que interessam mais diretamente à riqueza são as estradas e os canais. Eu sinto, pôsto que seja isto uma verdade experimentada por vós mesmos, ter que comunicar-vos que o estado daquelas é o mais deplorável que pode imaginar-se, e que dêstes ainda não se tem cuidado na Província. Tôda ela, Senhores, reclama providências mais enérgicas e eficazes a êste respeito: as péssimas estradas são, seja-se lícito dizê-lo, a chave encantada que de muitos anos fecham os tesouros da Província, tornando-os quase improdutivos”