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1.3 Araştırmanın Amacı ve Önemi

1.3.1 Türkiye’de Seçilmiş Bazı Meslek Alanlarının

O Governo do Estado de Minas Gerais inicia, em 1928, a reforma Francisco Campos, inspirada nos princípios escolanovistas. Enquanto a pedagogia tradicional defendia uma ação mais diretiva do educador, a pedagogia da Escola Nova orientava a escola no sentido de permitir o desenvolvimento natural da criança. Segundo Campos, os escolanovistas agrupavam-se em correntes discordantes: “Mesmo entre os escolanovistas, havia diferentes correntes de pensamento em relação a esta questão, variando entre os que defendiam maior ou menor diretividade por parte dos educadores.” (Campos, 1991:96-97)

Em 1929, a psicóloga e educadora Helena Antipoff aceita o convite do Governo de Minas Gerais para organizar um laboratório de Psicologia Pedagógica, na Escola de Aperfeiçoamento, com o objetivo de aprimorar profissionalmente as professoras do Estado. Com a participação dessa educadora, a reforma Francisco Campos ganha intensidade, pois Antipoff enriquece o debate ao investigar os ideais e interesses das crianças belo-horizontinas. O objetivo da educadora era o de promover investigações entre os alunos, com o intuito de estabelecer as normas de desenvolvimento psíquico e mental. Para Antipoff, natural da Rússia, estar em um país desconhecido significava, particularmente, enfrentar o desafio de apreender uma nova cultura, uma nova realidade e, principalmente conhecer o que pretendiam as crianças de Belo Horizonte.

Antipoff trazia consigo a experiência obtida com os teóricos da Escola Ativa na Europa, tendo, inclusive, feito seus estudos superiores de Psicologia em Paris e depois em Genebra, sob a orientação de Claparède, uma referência no estudo dos interesses das crianças e incentivador da Escola Funcional. Campos, relata:

Antipoff seguia os princípios da psicologia funcionalista de Claparède, mas a eles acrescentava a preocupação sócio-cultural da escola russa e a análise de Adler sobre o desenvolvimento da personalidade. Na pesquisa sobre ideais e interesses das crianças, buscava conhecer as tendências infantis para a partir delas contribuir para a orientação pedagógica das escolas (Campos, 1991:98).

Antipoff, a princípio, fica em dúvida: ou procurava estabelecer o nível mental das crianças através de escalas de inteligência, ou procurava conhecer os seus interesses e ideais. Decide conhecer os interesses e ideais das crianças, cuja abordagem considerou mais viável, já que, a partir dela, poderia ter um resultado científico e metodológico em tempo mais rápido.

Helena Antipoff, com a ajuda de colaboradores, alunos matriculados na Escola de Aperfeiçoamento, começa então o seu trabalho de investigar os interesses e ideais das crianças belo-horizontinas no ano de 1929. Adota o método do inquérito por acreditar ser esse recurso o mais simples, exigindo menos prática dos aplicadores, todos eles alunos inexperientes em áreas de pesquisa. Ademais, o inquérito não permitia muita interferência do pesquisador, sendo que as próprias crianças escreveriam suas respostas no questionário impresso. Nas palavras da própria Antipoff:

O método do inquérito habitua o experimentador noviço a ser passivo, a deixar a criança falar sozinha e a exprimir seus pensamentos sem que a influência de um adulto os desnature. O método do inquérito serve ao pedagogo de ponte para abordar o exame psicológico. O inquérito lhe faz descobrir a criança, ficando ele inteiramente passivo. O pedagogo muitas vezes desconhece a criança, exatamente porque não lhe deixa a palavra suficientemente emancipada do eu, do mestre ele próprio (Antipoff, 1930, p.07).

Antipoff ressalta que a aplicação do questionário é um método de sondagem cujas respostas não podem ser consideradas definitivas, servindo, sim, como base para outros trabalhos e outros métodos mais delicados.

As questões formuladas pela educadora, inicialmente, abrangem dois tipos de respostas: respostas que pudessem revelar o psicotropismo positivo, isto é, aquelas questões que buscassem investigar o interesse pelas ocupações, pelos jogos, leituras preferidas, profissões desejadas, propósitos das crianças, e um outro tipo de respostas, que revelariam o tropismo psíquico negativo, isto é, que pudessem estar em desacordo com o eu. Por exemplo: as ocupações de que menos gostavam, as pessoas com quem elas não gostariam de se parecer, ou que apontassem comportamentos inadequados na visão das crianças.

A pesquisa da educadora e suas colaboradoras tem início no final do ano de 1929, quando 760 questionários são aplicados a crianças da cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, cursantes da 4ª série primária. As crianças pertenciam aos dois sexos, sendo 322 meninos e 438 meninas e tinham entre 10 e 14 anos de idade. Neste primeiro momento, o inquérito constava de 10 questões, que eram as seguintes:

1 - Qual o trabalho que prefere na escola? 2 - Qual o trabalho que prefere em casa? 3 - Qual o seu brinquedo preferido?

4 - Qual o livro ou a história de que você mais gosta? 5 - Com que pessoa queria você parecer-se?

7 - Quando for grande, o que quer ser? 8 - Por quê?

9 - Que presente quereria receber no dia de seu aniversário? 10 - Se você tivesse muito dinheiro, que faria dele?

Já em 1934, Antipoff repete a pesquisa de ideais e interesses das crianças, permanecendo com o mesmo tipo de crianças: meninos e meninas de 4ª série primária dos grupos escolares de Belo Horizonte. Neste momento, 1.398 crianças, na idade de 11 a 13 anos respondem ao mesmo questionário aplicado em 1929, sendo 645 meninos e 753 meninas. O questionário é aplicado coletivamente, como em 1929, e é acrescido de mais três questões, que complementariam as outras 10. A questão “com que pessoa não queria você parecer-se” revelaria aquilo com que a criança não se identificava, isto é, o seu psicotropismo negativo. A outra questão seria o “por quê” de não querer se parecer e a terceira questão seria a complementação da questão nº 10, o “por quê?”, motivo da aplicação do dinheiro que porventura a criança ganhasse.

Segundo Antipoff, o objetivo da reaplicação do questionário cinco anos após a primeira experiência, seria comparar os resultados colhidos em 1929 com os colhidos em 1934. Procurava auferir se as crianças continuavam com os mesmos ideais e interesses. Esse mesmo objetivo leva a equipe de Antipoff a aplicar a pesquisa ainda em 1939 e 1944.

Essa pesquisa, repetida sempre nas mesmas condições, em intervalos de cinco anos, tinha como principal objetivo conhecer o grau de perseverança dos interesses das crianças e a variação desses interesses de acordo com as épocas e as circunstâncias sociais. Em 1944, Antipoff acrescenta mais duas questões às treze já

existentes. Na verdade é um desdobramento da primeira questão que perguntava sobre o trabalho preferido na escola. As duas outras questões são: “qual a aula de que mais gosta na escola?” e “qual a aula de que menos gosta na escola?”.

Os resultados encontrados estão relatados em Boletins da Secretaria da Educação e Saúde Pública de Minas Gerais.

Essas pesquisas realizadas por Antipoff são repetidas em 1993 e 1998 pela psicóloga e também educadora Regina Helena de Freitas Campos, professora de Psicologia da UFMG. Os objetivos dessa educadora, em suas próprias palavras:

Nosso objetivo é avaliar como evoluíram os ideais e interesses das crianças, sob a influência das transformações da sociedade brasileira. Supusemos que a influência das agências de socialização tradicionais – família, igreja – decresceria, enquanto cresceria a influência da escola e da mídia; que as diferenças nos ideais e interesses, por gênero, seriam menores que no passado, tendo em vista a entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho; que profissões do setor moderno da economia seriam mais procuradas, e que os padrões de poupança/consumo se modificariam, havendo maior predominância de valores individualistas sobre os valores comunitários (Campos, 1996:46).

As pesquisas de Antipoff e de Campos vão servir de base para este estudo sobre os ideais e interesses de crianças da cidade de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, no ano de 2001.

Benzer Belgeler