1.3. Türkiye’de E-Ticaret
1.3.1. Türkiye’de E-Ticaretin Gelişimi
“_Botava veneno em tudo, feijão...? _Não, só no algodão. E muitos aguava o milho, Enrique aguava era tudo, mas a gente não podia comprar caro. Porque é caro né, aguar o roçado todinho. Tem que aguar num dia de sol, se aguar e chove em cima é perdido. Inda mais se aguar no correr do ano. A gente agoa quando é pequenininho, se não é perdido. Melhor ficar assim mesmo.”
(Dona Nitinha)
"_O primeiro que começou a planta algodão aqui foi eu, mas não era sem veneno, nois botava veneno. aí depois deram um algodão colorido pra gente planta, pela EMBRAPA, pela EMBRAPA não, pela EMBRAPA mesmo, chegou o algodão colorido prá planta eu disse rapaz, era monte de gente da muléstia, aí Ze Sinésio chegou, aí reunião depois ele disse: _Rapaz, se vocês vocês planta algodão sem veneno aqui, o preço é meio, e é meio prá vocês. _Mas tem o bicudo. Aí nos peguemo a plantá o algodão mais tarde, porque aqui, de primeiro nos plantava aqui era no mês de abril pra maio " (Seu Peixoto)
"_...Você chegava assim num pé de algodão, joaninha novinha, que tinha reproduzido, o campo tava fervilhando. Ele disse: _Olha Zé, ninguém vai usar veneno, se colocar veneno essas joaninha que tão comendo alguma larva do Bicudo, elas se alimentam da larva do Bicudo, essas joaninhas vão-se embora todinhas. Aqui vai ficar só o Bicudo, livre, sozinho, sem ter mais combate nenhum, sem ter quem combate as larvas dele, e ele vai tomar conta do campo. E assim enfrentamos, eu tirei 1.600 kg por ha, sem usar veneno, todo coloridinho, a coisa mais bonita do mundo. Joãozinho ali, num ha tirou 500 kg, gastou mais
com veneno do que o dinheiro que ele apurou no algodão. Quer dizer, apanhou algodão – na lã é que tinha Bicudo.” (Seu Zé Sinésio)
Os recursos que movem a economia dos produtores de algodão no assentamento provêem da produção de alimentos para subsistência, da venda de um pequeno excedente, do cultivo da lavoura comercial do algodão, da compra e venda de animais de criação e de uma série de programas do governo para agricultores, como a aposentadoria dos mais velhos, e para a população carente em geral como o Bolsa Família. Neste processo o investimento considerado mais seguro e com maior liquidez quando surge uma necessidade inesperada é a compra de animais, ovelhas, bezerros, porcos, aves, que são vendidas para o abate quando é necessário batizar uma criança ou arcar com despesas médicas. Animais também são dados de presente para crianças e mulheres da família em aniversários ou outras datas marcantes como o nascimento de um filho, os chefes de família decidem sobre compra e venda desse animais, sempre repondo o bem da criança ou mulher com outro animal. Uma das características da condição de agricultor assentado é justamente a interação com técnicos dos órgão competentes encarregados em fazer do programa de reforma agrária um empreendimento que gere riquezas para as famílias e a nação como um todo, a expectativa de produtividade dos assentamento rurais tem crescido junto com a pressão para dar continuidade a distribuição de lotes para agricultores sem terras. Destas interações surgem experiências que abrem novas oportunidades para os chefes de família manterem a situação econômica em dia e muitas vezes poder ajudar os filhos mais novos a iniciarem seus núcleos familiares.
As técnicas tradicionais se caracterizavam por serem fundadas em recursos naturalmente disponíveis, acessíveis através da herança dos conhecimentos dos mais velhos e, quando ficou difícil eliminar o Bicudo dos campos de algodão mesmo com o uso de venenos potentes, a renda proveniente desta lavoura comercial foi negada ao agricultor, por algum tempo sendo substituída pelo agave usado na fabricação do sisal, mas que também perdeu a batalha para a tecnologia quando se passou a fabricar cordas de nylon, mais resistentes. Alexandre lembra que quando menino as condições podiam ser extremamente desfavoráveis e houve situações em que para beber água jogavam pó de cimento no vasilhame, que ao depositar no fundo levava junto as impurezas mais aparentes.
“eu espero que um dia apareça uma ONG que se interesse para adquirir um
certificado pra vender o milho, o feijão, batata doce, tudo que a gente produz como orgânico, preço melhor (Seu Paulo)
“_Agora, eu vejo muito o pessoal falando dessa questão de negociar o milho, o feijão. A Arribaçã está com que tipo de idéia? _A gente tem pensado,
mas é muito difícil. Porque o mercado, comparando, o feijão não é fashion. _Não
é fashion, mas vende... Porque os mercados estão querendo, as pessoas estão querendo comprar o que for orgânico, principalmente alimentação. _Só que
rico não come feijão. Come pasta de gergelim, doce, chocolate orgânico... milho e feijão parece que eles não come. É complicado. A gente já fez uma abordagem. Alexandre foi conversar com a São Braz. Eles estavam querendo aí criar uma linha, porque eles já têm uma linha de café orgânico. A gente estava querendo que eles criassem uma linha para milho orgânico. Por exemplo papa, canjiquinha, para criança. Qual é o pai que não quer comprar uma papinha da São Braz de milho orgânico? A gente tentou conversar com eles, mas eles vêem muito a questão do dinheiro. Eles preferem comprar o milho transgênico da Argentina ou daqui do Brasil, mesmo, que vá envenenar o povo aí, do que investir no orgânico. Mas eles vão terminar... essa onda, essa moda, vai absorvê-los. Mais dia menos dia vão vender milho, vão vender feijão, sem dúvida. A erva-doce orgânica já foi vendida este ano. A gente está pensando em fazer um projeto, com a Arribaçã e a Embrapa, sobre a questão dos óleos. A idéia é de fazer esse projeto para colocar uma esmagadora aqui e trabalhar com óleos. Por exemplo, óleo para vender para a indústria de cosméticos, como a Natura. Imagine aí, um óleo para mulheres, orgânico. Estava pensando isso aí. É como vocês lançar uma coleção, né... qual a tendência? Procurando...
Negociando o algodão como orgânico, além de não gastar dinheiro com veneno, vende-se melhor o produto, capitalizando o lucro. Mas a rede de relações que está se construindo em torno da agricultura familiar na Borborema ainda não conseguiu articular uma relação com a iniciativa privada que absorva outros produtos além do algodão. Ainda sim, a Arribaçã tem trabalhado na gestão de um projeto do governo federal para o abastecimento das instituições públicas locais com produtos da agricultura familiar da região, o PAA, Programa para Aquisição de Alimentos. Descentralizando a logística da distribuidora de alimentos
oficial do governo, a CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento, autoriza através de um trâmite burocrático que as associações de agricultores entreguem produtos diretamente a escolas, hospitais e asilos municipais, as vantagens incluem a alimentação dos beneficiados com produtos da cultura local e a diminuição da circulação de caminhões interestaduais para a distribuição de alimentos. Os agricultores do assentamento Queimadas ainda não aderiram ao programa mas os resultados tem sido positivos em outra comunidades, provavelmente em todo Brasil e recentemente o governo ampliou o programa e criou uma obrigação para prefeituras usarem pelo menos um percentual de suas compras em alimentos da agricultura familiar. O programa ainda valoriza a produção agroecológica pagando 30% a mais do valor do mercado convencional para os produtos sem veneno, que não precisam ser certificados, sendo a avaliação do técnico vinculado a instituição autorizada a supervisionar a produção, suficiente como certificado.
Com os novos benefícios e melhores condições de negócios, observa-se o início da acumulação de capital na forma de bens duráveis. As motocicletas e telefones celulares são os objetos mais visados, ambos servem a comunicação, um através do transporte físico de passageiros, e o outro como forma de se manter atualizado nas notícias de família e disponível para o trabalho de articulação dos processos produtivos e de distribuição.