1.1.2 Türkiye’de Romantik Dönem Musikisinin ve Kuramına
1.1.2.1 Türkiye’de Çoksesli Musikinin Gelişmesi ve Armon
Para a maior parte dos acadêmicos contemporâneos, mesmo os brasileiros, o marco fundador no estudo de sociedades caboclas ainda são os trabalhos de Charles Wagley e Eduardo Galvão. Estes estudos descendem, claramente, na sua origem americana, dos estudos culturalistas do particularismo histórico boasiano e da ecologia cultural de Julian Steward. Porém, poucos estão atentos à produção intelectual local representada por nomes como José Veríssimo e Dalcídio Jurandir, entre outros, que muito influenciou essa suposta geração espontânea da academia profissional (Figueiredo 1998 e 1999). Esses primeiros forjadores do imaginário regional, e declarados propositores da identidade moderna amazônica como o próprio objeto de suas reflexões, foram invisibilizados por outras formas de imperialismo.
Na vertente da ecologia cultural stewardiana e do culturalismo boasiano, vamos encontrar uma longa linhagem de pesquisadores estrangeiros e nacionais, tais como Charles Wagley, Eduardo Galvão, Emilio Moran, Lourdes Furtado, Eugene Parker, Eric Ross, Richard Pace, Angélica Motta- Maués e Heraldo Maués. Na sua vertente ecológica, esta linhagem produziu algumas das hipóteses conhecidas por seu determinismo ecológico e ahistoricidade que dominaram a produção acadêmica por mais de duas décadas (Harris 1998a, Neves 1991, Nugent 1993). Na visão crítica dos autores europeus, esta primeira geração de antropólogos americanos a escrever sobre caboclos possuía uma noção funcionalista de cultura, retratando a cultura cabocla como um “modelo” no qual as populações rurais da bacia amazônica seriam encaixadas. Desta maneira, esta visão contradizia a idéia de uma identidade histórica e materialmente produzida, ligada as externalidades (Harris 1998a, Murrieta 2000, Nugent 1993 e 1997, Pace 1998).
Nos anos 1970, o trabalho de Emilio Moran (1974) apesar de também enfatizar as limitações ambientais de seus antecessores, divergiu um pouco desta abordagem ao considerar o sistema social caboclo como o mais importante e adaptativo no contexto ambiental e sócio-político da Amazônia pós-conquista. Para Moran (1974), o caboclo era um tipo cultural que emergiu como resultado da “tupinização” das culturas ibéricas e não-Tupis. Embora a “tupinização” implicasse em um processo histórico, Moran não propunha nenhuma explicação causal sobre a ocorrência de mudanças e, portanto, nenhuma teoria de transformação sócio-econômica (Harris 1998a: 89).
Apesar da clara inspiração evolucionista e ecológica, pesquisadores como Eugene Parker conseguiram um reconhecimento mais abrangente da importância da história na formação das sociedades caboclas. Ao invés da “tupinização” de Moran (1974), Parker usou o termo “caboclização” para se referir aos eventos e condições que destruíram grande parte as sociedades ameríndias, transformaram as que restaram, e resultaram na emergência e solidificação da cultura cabocla na Amazônia do século XIX. Talvez o ponto de equilíbrio entre esses dois autores seja o
trabalho de Ross (1978). Este autor foi o que melhor delineou a conjunção dos diferentes fatores históricos e ambientais que influenciaram a formação dos padrões contemporâneos do campesinato histórico amazônico (Harris, 1998a).
De maneira geral, para os antropólogos americanos deste primeiro período, a cultura cabocla solidificou-se no início do século XX e se expressava na vida isolada em unidades familiares, geralmente nas várzeas dos rios, igarapés e lagos, numa pequena agricultura familiar combinada com a pesca e a caça. Uma vez que este modo de vida foi sedimentado, o sistema se cristalizava dentro de uma realidade ahistórica e divorciada das pressões externas (Harris, 1998a).
Das críticas a esta primeira fase dos estudos sobre populações caboclas da Amazônia surgiram outras vertentes na antropologia americana, como a Ecologia Política e a análise institucional, que procuraram colocar o pequeno produtor rural (seja ele índio, caboclo ou colono migrante) como um agente ativo, que toma decisões e é capaz de mudar a sua situação de forma dinâmica (Bunker 1984, Chibnik 1994, Pace 1998, Schmink 1985). Além disso, as próprias Ecologias Cultural e Humana tradicionais foram submetidas a revisões, e passaram a incluir em suas análises os contextos sociais, econômicos e políticos mais amplos nos quais as sociedades caboclas se inserem. As tentativas iniciais de tipificação cultural do caboclo foram substituídas por abordagens que buscam entender o uso da terra e dos recursos naturais pelas populações amazônicas, e sua relação com questões políticas e ambientais de gerenciamento (Castro 1999, Chibnik 1994, Furtado 1993, Futemma 2000, McGrath 1994, McGrath et.al. 1993a, 1993b, 1999, e Lima 1992).
Uma outra ramificação dos estudos ecológicos que vem recrutando um número crescente de simpatizantes é a Ecologia Histórica (Balée 1995 e 1998, Crumley 1994). Esta linha enfatiza a adoção de uma abordagem histórica, procurando assim superar o debate sobre a reificação dos fatores ambientais limitantes e a homogeneização da paisagem, como pode ser visto nos trabalhos de W. Balée entre grupos indígenas (Balée 1992, 1993, 1995, 1998) e de Hugh Raffles entre os caboclos (1999).
Já na Grã-Bretanha, um grupo de acadêmicos bastante influenciados pela teoria social, em particular o marxismo cultural inglês, vem tecendo críticas bastante incisivas à tradição acadêmica americana na Amazônia. Entre eles podemos destacar Mark Harris (1996, 1998a, 1998b, 1999), David Cleary (1993) e, especialmente, Stephen Nugent (1993, 1994, 1997)27. A Amazônia na qual os
antropólogos ingleses estão interessados é conectada através do comércio, do crédito, da migração, das trocas, do conflito, da busca por commodities, de um grupo enorme de pessoas fora do alcance do estado, envolvido numa economia informal (Harris 1998a).
Toda uma geração de pesquisadores brasileiros se formou em torno destas duas tradições acadêmicas. Entre estes, ao mesmo tempo em que existe um interesse visível nos problemas ambientais e microeconômicos, também se manifesta uma clara preocupação com as interações destes níveis locais com o contexto político e econômico mais abrangente no qual a região tem se inserido nos últimos 500 anos. Entre eles podemos incluir trabalhos que enfatizam práticas de manejo e formas de posse da terra, identificando os caboclos como produtores agrícolas/rurais (Brondizio & Siqueira 1997), aqueles que fazem uma análise sob a ótica da ecologia política e da análise institucional (Castro 1999, Futemma 2000, Lima 1992, Murrieta 1999, Siqueira 1997), os que enfatizam os caboclos do ponto de vista da sua identidade sócio-econômica (Lima 1992 e 1999; Lima et. al. 2000, ‘no prelo’), aqueles que focalizam os processos ligados a práticas cotidianas e motivações culturais subjacentes (Murrieta 2000) e, por último, os que têm enfatizado aspectos biológicos presentes nos processos de mudança que as populações caboclas têm vivenciado (Silva 1995, Silva et. al. 1994 e 1995, Siqueira 1997). Esta tese se insere nesta última linha de contribuições ao estuda das sociedades caboclas amazônicas.
Apesar de bastante ignorada, a produção de historiadores como Bárbara Wallerstein, Warren Dean, Roberto Araújo e Vicente Salles tem grande importância neste novo contexto. Sob diferentes perspectivas, estes últimos procuraram narrar e analisar a conjunção dos inúmeros fatores que moldaram o “perfil” do campesinato histórico amazônico. Mais recentemente, também, uma nova geração de pesquisadores locais conseguiu, com êxito, conciliar as diferentes hipóteses e perspectivas teóricas originárias da Europa e da América do Norte numa interessante crítica, evidenciando lacunas a serem preenchidas tanto do ponto de vista de fatos e episódios, como de interpretação (Figueiredo 1993, 1998 e 1999; Guzmán 1997 e 1998, Meira 1993 e 1994).
A convergência destas diferentes abordagens e tradições intelectuais, bem como de experiências pessoais, no foco de um único “objeto”, neste caso o campesinato histórico ou caboclo, cria uma oportunidade única de produzir novas críticas, trocas e sínteses. Assim, expandindo nossa interpretação sobre as sociedades caboclas para além de um modelo de cultura folk, ou de sistemas “prístinos” de intervenção no meio ambiente, poderemos produzir um termo geral para explicar e interpretar a coalizão das forças históricas e sua contribuição para a realidade social Amazônica. Desta forma, a definição de caboclo não excluirá nem simplificara a ambigüidade e complexidade que a permeiam; nem divorciará de maneira ingênua a Amazônia da história do expansionismo ocidental e de todas as resistências, tensões e negociações a ele implícitas.
Boa parte dos trabalhos publicados na última década foram realizados nas duas regiões investigadas neste tese e, por este motivo, serão revisados ao longo dos próximos capítulos: Brondizio 1996, Brondízio e Neves 1996, Brondízio e Siqueira 1997, Brondízio et al. 1994, Castro 1999, Futemma 1995, Futemma 2000, Murrieta 1994, Murrieta 1998, Murrieta et al. 1999, Murrieta
2000, Murrieta et al. 1989, Murrieta et al. 1992, Murrieta et al. 1998, Murrieta et al. 1999, Nugent 1993, Silva 1995, Silva 2001, Silva e Eckhardt 1994, Silva et al. 1995, Siqueira 1997, Siqueira et al. 1993, Winklerprins 1999, WinklerPrins 2001, WinklerPrins e McGrath 2000.