2. Yerel Sivil Toplum Kuruluşları ve Turizm
2.5. Türkiye’de Bazı Yerel STK’lar ve Turizm ile Đlişkileri
De acordo com Beividas (1996), o sensível do corpo, enquanto novo lócus conceitual, enquanto lugar das primeiras somações tímicas do sujeito e onde a semiótica procura legitimar a nova instância a quo do sentido, traz aqui o conceito metapsicológico freudiano de pulsão.
A pulsão, de forma resumida, seria o resultado de um processo somático que ocorre num órgão e do qual se origina um estímulo representado pela pulsão, e cujo objetivo é suprimir um estado de tensão. Freud fala sobre pulsão, pela primeira vez, em Três ensaios da Sexualidade de 1905 e reformula o conceito em 1915, no texto A
pulsão e suas vicissitudes43.
Assim, para Beividas, a proposta programática é a de semiotizar a pulsão. Não apenas para densificar seu estatuto simbólico, mas poder ampliar o campo de atuação das semióticas das paixões. Isto é, “pleitear a contrapartida de uma sensibilização individual para a sensibilização e moralização concebidas como operações de interpretação e regulação das configurações passionais no espaço comunitário.” (BEIVIDAS, 1996, p.131).
43 No texto de 1915, Freud pontua que a pulsão é diferente de estímulo fisiológico que atua no psiquismo.
A pulsão é uma força constante, inevitável e irremovível e não momentânea como seria o caso do estímulo e provém do interior do organismo. A pulsão possui como características: a pressão (a soma da força), a meta (satisfação), objeto (aquilo em que, ou por meio de que, a pulsão pode alcançar sua meta) e fonte (processo somático que ocorre em um órgão e do qual se origina um estímulo representado na vida psíquica pela pulsão).
De ponto de vista semiótico e metapsicológico, a pulsão pode ser vista como o primeiro “ato puro” da somação tensiva com que o sujeito sente o corpo, primeira somação que incita o imaginário humano para além do registro etológico. É o limite que, situado entre o corpo biológico e o corpo pulsional (simbólico), não podemos deduzir neurologicamente uma linha de continuidade, e sim, um hiato de contiguidade, ainda irresoluto. A passagem do biológico para o simbólico pode ser vista como um buraco negro; no entanto, a pulsão pode se encarregar do lugar onde emerge a existência semiótica das informações do mundo e do corpo interior. A fome e o amor, por exemplo, deixariam de ser parte apenas do campo etológico da necessidade orgânica para provocar, como apelo de demanda, o sentimento de carência ou angústia da falta, pertencentes ao estatuto simbólico.
Dessa forma, se a pulsão for entendida como o lugar da conversão semiótica do mundo natural, para Beividas, será possível conceber o universo passional como um desdobramento sequencial da tensividade pulsional, isto é, a pulsão como a matriz da paixão. Nesse sentido, será possível também perceber um percurso gerativo da subjetividade inconsciente. Assim, por exemplo, numa instância profunda, poderiam ser teorizados e descritos três tipos de modulações ou oscilações tensivas: as modulações ero-tensivas (pulsões sexuais), as modulações thanato-tensivas (pulsões de morte) e as modulações autoconservativas (pulsões de autoconservação). Numa instância mais superficial, essas modulações sofreriam uma conversão fundada nos diversos enquadres do objeto pelo sujeito (conversão fantasmática) e se converteriam nas modulações patológicas constitutivas de algumas configurações matriciais, tais como: histeria, obsessão, narcisismo, psicose, perversão, etc. Numa terceira conversão, que supõe a sublimação e a idealização, essas matrizes resultariam nas configurações passionais propriamente ditas, como: avareza, inveja, ódio, indiferença, etc.
No texto Pulsão, afeto e paixão (2006), Beividas alerta já no início que as pulsões e as paixões constituem uma região psíquica escorregadia, na qual as “tensões, forças, direções, intensidades ou energia” (p.392) são tão intrincadas e evanescentes, que, em princípio, parecem desobedecer a qualquer lei que seja, navegam à deriva e ao acaso. Parecem escapar ao discurso da ciência, constituindo um imenso quebra-cabeça. Por isto, estudar um lugar delimitado pela psicanálise e pela semiótica (das paixões) é preciso desde sempre muito cuidado. E os problemas ainda podem se agravar:
Pode parecer um contra-senso evocar no campo da Psicanálise uma preocupação científica – justamente num ambiente onde a ciência passou a ser malvista – ou convocar, ao modo de heurística externa para a Psicanálise, uma teoria semiótica que se propõe como um projeto de ciência, num ambiente onde quase toda a euforia atual pende para o literário, o poético (BEIVIDAS, 2006, 393-394).
Dentro da Psicanálise, o estudo incide sobre o campo das pulsões no que concerne ao pensamento freudiano, mas com reflexões e base teórica lacanianas, as quais apresentaram a episteme da linguagem (lembre-se aqui do inconsciente estruturado como linguagem) para a Psicanálise, na fase estruturalista da teoria de Lacan. Mas Beividas pontua que o termo episteme é aqui usado também a partir das reflexões de Foucault (1966), que quer dizer o conjunto do saber, o crer num campo de pesquisa: o pesquisador crê-poder-saber (sobre o inconsciente em geral) considerando-o sob a pertinência da linguagem (do Simbólico).
A reflexão sobre pulsões, afetos e paixões dentro da Psicanálise, no registro do sentido, significa levar em conta o corpo. Significa colocar o simbólico, a linguagem, como a sua causa. Isto é, significa indagar com/por qual a motivação ou causa (simbólica) se articulam pulsões, afetos e paixões quando habitam o corpo. No texto de 2000, Semiótica e psicanálise: o gerativo e o genético, Beividas pontua ainda: “[...] para a Psicanálise, sobretudo pela ênfase de Lacan por sobre o texto de Freud, é o modo de sensibilização do discurso (Simbólico) no sofrimento do corpo que define cada sujeito seu inconsciente ou sua subjetividade” (p.02).
E, para o autor, a teoria semiótica pode ser muito bem vinda aqui enquanto interface deste estudo, uma vez que a semiótica tem como proposta metodológica de base o modo de construção do sentido, da sua interpretação nos discursos em geral (os não-verbais também). A teoria semiótica da qual se fala é a de corrente europeia, formulada, a partir da linguística de Saussure, entre outros, por Greimas.
No entanto, a junção das teorias logo faz saltar aos olhos a questão: pulsões e paixões pertenceriam a um mesmo universo?44 Como se relacionariam? “Será possível dialogarem as matrizes patológicas da psicanálise freudiana com a configuração semiótica das paixões? Haverá chance de compatibilizar pulsão e paixão, ou de
44 Não só isso. Há outras tantas considerações e diferenças entre as duas disciplinas que não entraremos
descobrir alguma simpatia mútua de origem e de percurso psíquico entre o pulsional e o passional?” (BEIVIDAS, p.395).
Bom, de acordo com o autor, no que se refere ao campo Psicanalítico, as respostas são desanimadoras. O termo “paixão”, por exemplo, encontra poucas referências no texto freudiano; não possui nem entrada como verbete no dicionário de Laplanche & Pontalis (1988). Nem Lacan parece ter tido um modo de integrar a paixão na pertinência da linguagem inconsciente.
Assim, Beividas justifica o trabalho teórico de integrar epistemologicamente a introdução da paixão no campo psicanalítico e de integrá-la na estrutura do inconsciente de Lacan a partir do recurso metodológico da teoria semiótica. Para que deste modo se crie um espaço de uma teoria passional de base psicanalítica, ou seja, “uma descrição das paixões que se elabore subordinada ao registro pulsional da psicanálise de Freud” (p. 396).
Para tanto, o autor recorre à semiótica das paixões e a partir de suas três instâncias principais45 e as homologa para construir um percurso gerativo do psiquismo inconsciente, formulando a partir de três níveis de profundidade ou instâncias: (a) uma instância fundamental pulsional, que evoluiria para uma instância intermediária (b) patológica (das matrizes clínicas da histeria, obsessão...) e que culminaria (c) na instância passional, da paixão e do afeto a ser integrada na psicanálise lacaniana.