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3.4. Türkiye’nin Sürdürülebilir Kalkınma Politikalarında Bölgeselleşme ve Yerelleşme

3.4.2. Türkiye’de Bölgesel Kalkınma Ajansları

Pesquisas que abordam o fracasso escolar são desenvolvidas no campo da educação há algum tempo. Isso se deve às preocupações dessa área do conhecimento com a aprendizagem – principalmente da língua escrita – e suas consequências, que às vezes podem se manifestar em rótulos estigmatizadores, na patologização, na repetência e até mesmo na evasão escolar.

Em larga escala, temos os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que se fundamenta em um sistema de pesquisas por amostra de domicílios. Esse

levantamento estatístico, por ter propósitos múltiplos, investiga diversas características socioeconômicas e demográficas, umas de caráter permanente nas pesquisas, como as características gerais da população, de educação, trabalho, rendimento e habitação, e outras com periodicidade variável, como as características sobre migração, fecundidade, nupcialidade, saúde, segurança alimentar e outros temas que são incluídos no sistema de acordo com as necessidades de informação para o País (IBGE, 2014). Através da PNAD, podemos, portanto, verificar que a alfabetização se constitui ainda como um dos grandes desafios do sistema educacional brasileiro.

Segundo o levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012 e 2013, podemos confirmar que o número total de pessoas analfabetas vem decaindo muito lentamente de um ano para o outro no Brasil, apesar de inúmeros estudos já feitos sobre a alfabetização, o fracasso escolar e as dificuldades de aprendizagem (ANEXO A). Em 2012, de um total de 171.036.000 pessoas, 13.649.000 eram analfabetas.7 Em 2013, de um total de 173.133.000 pessoas, 13.618.000 eram analfabetas. A PNAD também divulga a taxa de analfabetismo para os anos de 2012 e 2013, que correspondem, respectivamente, a 8,0% e 7,9% (ANEXO B).

Os dados revelam que o sistema educacional não tem conseguido um resultado satisfatório na alfabetização desses alunos. Conclui-se que não há uma concepção clara para compreender o baixo rendimento escolar detectado nem uma solução para solucionar o problema, apesar das políticas públicas que vêm sendo implementadas para combater essa realidade. Um exemplo de implementação recente de política pública relacionada à alfabetização em âmbito nacional consiste no lançamento do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PACTO), que é:

[...] um compromisso formal assumido pelos governos federal, do Distrito Federal, dos estados e municípios de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do Ensino Fundamental (MEC, 2011).

Esta pesquisa busca analisar a trajetória de Samuel, aluno de uma escola pública federal, em sua singularidade no percurso de aprender a escrever o português. Para isso procuramos compreender quais dimensões da cultura da sala de aula e a subjetividade dos atores envolvidos estão imersas nesse processo. Se, por um lado, o fracasso escolar foi considerado o mal do século passado, no campo educacional, esta pesquisa se insere na busca,

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De acordo com a amostra, considerou-se alfabetizada a pessoa capaz de ler e escrever pelo menos um bilhete simples no idioma que conhecesse.

junto a tantos outros pesquisadores do tema (GOMES, 1995; GRIFFO, 1996; PATTO et al., 2004; SILVA, 1990; SENA, 1990), pelo novo olhar que queremos conferir ao fracasso escolar no século XXI: o olhar da possibilidade, que permite construir uma nova história e que tem como objetivo a erradicação do fracasso escolar no Brasil.

Diante da atualidade dessa temática, realizamos uma revisão de literatura e selecionamos algumas pesquisas publicadas, como teses, dissertações, livros e artigos, que procuram investigar as causas desse problema que há décadas vem sendo um dos centros do debate no campo da educação no Brasil.

Em sua dissertação, “Chico Bento na escola: um confronto entre o processo de “maus” e de “bons” alunos e suas representações”, Gomes (1995), preocupada com os rótulos que os ‘maus’ alunos (geralmente aqueles oriundos de camadas pobres da população) recebem da sociedade, busca investigar quem é, de fato, a criança concreta que existe por detrás do aluno idealizado pela escola. A autora nos convida a pensar em exclusões no plural, uma vez que a vida social e escolar não é homogênea, mas complexa, heterogênea, plural. Não cabe a expressão ‘fracasso escolar’ ou ‘exclusão’ a partir de uma visão estereotipada do sujeito, pois cada um vivencia esse processo de uma forma particular, por ter seus próprios sentimentos, sua forma de pensar e lidar nas relações sociais que pertencem e constroem.

Essa pesquisa dialoga bastante com a dissertação de Griffo (1996), “Dificuldades de aprendizagem na alfabetização: perspectivas do aprendiz”. Griffo também se preocupou em estudar a perspectiva do aluno considerado, pela escola, portador de dificuldades de aprendizagem no processo de aquisição da linguagem escrita. Da mesma forma Patto et al. (2004), ao fazerem uma retrospectiva histórica em seu estudo sobre o estado da arte de pesquisas relacionadas com fracasso escolar entre os anos de 1991 a 2002 no Brasil, demonstram, dentre outros resultados, a permanência e a ocorrência de rupturas teórico- metodológicas que algumas pesquisas realizadas percorreram na produção de saber da área. As autoras identificam as abordagens que eram utilizadas nas pesquisas educacionais, durante o período mencionado, para a justificativa do fracasso escolar. É com base nessas pesquisas e em outros estudos com o mesmo enfoque que faremos esta discussão.

Gomes (1995) relata que, no final dos anos 70, surge uma preocupação especial em investigar “quem é o aluno da escola pública”, e apresenta como uma possível causa para essa preocupação o acréscimo de uma clientela, que a escola passou a atender nessa época: alunos oriundos das camadas populares que, supostamente, colocaram a escola diante dos problemas atribuídos aos modos de vida dessa população.

Segundo a autora, Barreto (1975, 1981); Tenca (1982); Speller e Barbosa (1983); Feldens, Ott e Moraes (1983); Mariz (1985); Almeida (1988) e Andrade (1990); citados por Gomes (1995), são exemplos de autores que se detiveram em estudos sobre o fenômeno acima mencionado. Ao longo do tempo, novos estudos, com novos enfoques sobre as causas do fracasso escolar se fizeram presentes nessa discussão.

A definição dos termos que envolvem esses estudos, todavia, não é simples de ser discutida. Como demonstra Griffo (1996), foram encontradas muitas imprecisões, incoerências e contradições em vários trabalhos que tratavam sobre o fracasso escolar, principalmente em relação aos conceitos de alfabetização, de aluno portador de problema de aprendizagem e de dificuldades de aprendizagem. Em muitos deles, também se pode verificar que o autor, muitas vezes, era incoerente com os conceitos que abordava e com seu próprio referencial teórico.

Portanto, a necessidade de entendermos com mais precisão esses conceitos e debatê-los é imprescindível para analisarmos cada caso que se apresenta diante dessa temática, para não incorrermos em contradições ou injustiças com o(s) sujeito(s) em questão. Por isso, vamos fazer uma discussão crítica das abordagens pelas quais tentou-se explicar as causas do fracasso escolar desde o final do século XIX até nossos dias.

Historicamente, o fracasso escolar era visto e explicado de diversas formas e sob diferentes pontos de vista, seja pela ótica da medicina, da psicologia cognitiva, da psicanálise e também da linguística, da sociologia e da filosofia. As teorias que cada campo utilizou para a explicação desse fenômeno são classificadas em abordagens teóricas, a saber: organicista, cognitivista, a dos transtornos afetivos da personalidade e a do handicap social.