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TÜRKİYE’DE KALKINMA AJANSLARI TARAFINDAN SAĞLANAN

A comunicação entre as partes é outro fator que influencia os processos e os resultados finais das negociações. Com efeito, a forma como as partes se comunicam, o fato de manterem mutuamente informações segredas sobre o tema, e o tipo de comunicação que estabelecem são extremamente positivos. Cooperativas ou competitivas, as estratégias de comunicação influenciam os rumos do processo, bem como as percepções que cada parte vai construindo a respeito da outra e de si própria. Dessa forma, vai se formando o que se convencionou chamar de “dança da negociação” (Raiffa, 1982), a qual consiste num jogo de concessões, de ofertas e de contra-ofertas (Fisher & Ury, 1981; Fisher et alli, 1994).

No caso da negociação entre Brasil e Uruguai sobre a questão de Candiota, a comunicação entre as partes se expressou de duas formas: na troca de informações entre as agências de governo de ambos os Estados e nas declarações públicas realizadas por representantes oficiais dos dois países (Fisher & Ury, 1981; Susskind & Cruikshank, 1987).

A comunicação entre os governos refletiu a existência de um enfoque “integrativo” entre os negociadores, com base na idéia de que, realizando um monitoramento conjunto, ambos os lados iriam aumentar a informação de que dispunham. Esse tipo de comunicação “cooperativa” foi praticada entre os funcionários de alto escalão das chancelarias e entre os técnicos com o objetivo de definir a fórmula do monitoramento conjunto bilateral. As autoridades brasileiras preocuparam-se em dar transparência ao processo de comunicação, possibilitando que os negociadores uruguaios tivessem acesso ao máximo de informações sobre o assunto. Este fluxo transparente da informação

ajudou a criar mais confiança por parte dos negociadores uruguaios, já que careciam de informação sobre o tema71 (Fischer & Ury, 1981; Lewicki & Litterer, 1994; Raiffa, 1982).

Outro fator que facilitou o estabelecimento de uma comunicação cooperativa e direta foram as viagens realizadas pelas delegações de funcionários uruguaios ao Brasil, as quais incluíram visitas à própria UTPM. As delegações foram sempre formadas por funcionários técnicos, já que se tratava de um problema complexo, que exigia a apreciação de pessoal com conhecimento especializado sobre o assunto (Brooks, 1984; Clark & Majone, 1985; Ehrmann & Stinson, 1999; Fiorino, 1989; Ministério das Relações Exteriores, 1990f).72

A chancelaria recebeu uma série de informações oficiais e de jornais da época, que se revelaram de grande importância para um conhecimento mais aprofundado da situação da UTPM. Documentos dos órgãos ambientais, estudos técnicos, relatórios e, inclusive, trabalhos acadêmicos produzidos no Brasil por universidades (teses, artigos) foram continuamente enviados pelas autoridades brasileiras durante o processo da pré-negociação e da própria negociação, mostrando uma genuína vontade de cooperar oficialmente. Tais documentos eram remetidos por via diplomática – através da embaixada uruguaia em Brasília ou do consulado uruguaio em Porto Alegre – e provinham de autoridades federais e estaduais.

A maior quantidade de estudos e de relatórios sobre a poluição ambiental da UTPM estava concentrada no Rio Grande do Sul. O governador e as autoridades da SSMA cooperaram intensamente; foram eles os atores que mais enviaram informações ao governo uruguaio. Neste contexto, destacam–se os documentos produzidos pela SSMA e pela UTPM, as matérias de jornais e os artigos acadêmicos enfocando a poluição ambiental produzida pela usina na região (Gabinete do Governo do Rio Grande do Sul, 1989); e a cópia do EIA RIMA sobre Candiota, produzido em 1989. Sinval Guazzelli chegou a propor, em 1990, que delegados uruguaios participassem de alguma forma da elaboração do próximo EIA-RIMA que seria produzido sobre a fase III da UTPM (Ministerio de Relaciones Exteriores de Uruguay, 1990f). Dessa forma, o Brasil, de acordo com o direito internacional transfronteiriço, cumpriu com o dever de informar ao Estado vizinho sobre uma atividade lícita que poderia estar lesando interesses econômicos, sociais e ambientais desse outro Estado (Flores, 2003).

71

Esse assunto foi discutido neste capítulo, ut supra.

72

Outro aspecto do estilo de comunicação implementado pelas autoridades brasileiras com o objetivo de aumentar a cooperação com o Uruguai para resolver o problema foi a estratégia de incluir a CEEE nas negociações. A empresa desenvolveu uma política institucional de abertura às delegações de negociadores uruguaios, recebendo a visita de técnicos, diplomatas e políticos do país vizinho (INPMA, 1989c; Ministerio de Relaciones Exteriores de Uruguay, 1990e)73. A empresa tinha o objetivo de aumentar a transparência na gestão da informação, mostrando que não tinha nada a “ocultar” e tentando fundamentar sua posição por meio de dados técnicos (Fischer & Ury, 1981; Gudynas, 1998; Raiffa, 1982).74

A segunda forma de comunicação desenvolvida entre as partes deu-se por meio das declarações públicas feitas pelos negociadores dos dois países, dentre as quais se destacaram as falas do ministro do Meio Ambiente e as de funcionários uruguaios, por terem evidenciado a “cooperação e boa vizinhança existente entre ambos Estados (...) isto torna a possibilidade de chegar a um acordo muito mais fácil” (El País, 06/06/1990). As declarações também mostravam que o Brasil assumia a sua responsabilidade como vizinho e que tinha interesse em resolver o problema (El País, 06/06/1990; La Hora Popular, 18/08/1990). Diversas autoridades brasileiras, representantes tanto do governo federal quanto estadual, realizaram declarações à imprensa em que assumiam a “responsabilidade” pelo risco de poluição transfronteiriça, revelando uma atitude cooperativa com o governo do Uruguai para evitar a ocorrência de qualquer tipo de dano ambiental (Zero Hora, 19/07/1990).

Concluindo, a forma de comunicação cooperativa existente entre os negociadores brasileiros e uruguaios influenciou positivamente para que ambas as partes aumentassem a confiança mútua e chegassem a um acordo negociado (Fisher & Ury, 1981; Fisher et alii, 1994a; Raiffa, 1982).

73

A política de “abertura” da CEEE já foi comentada num tópico anterior desta tese. 74

A quebra do sigilo na gestão da informação tem sido caracterizado como um fator fundamental na formação de “confiança” nas negociações (Raiffa, 1982).

Benzer Belgeler