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Türk Vatandaşlığının Evlenme Yolu İle İlgili Esastan Verilen

Desconfiai do mais trivial, na aparência do singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.

“Nada é impossível de mudar” Bertold Brecht

Este estudo é fruto de uma longa reflexão sobre o tema abordado. Diversos caminhos poderiam ter sido tomados e diferentes poderiam ser as discussões e os exemplos. A questão da guerra, talvez, tenha sido muito explorada em detrimento de relações cotidianas como as relações familiares ou escolares.

No entanto, para uma primeira aproximação do problema situações de guerra são mais fáceis de serem analisadas, já que o uso do medo se torna mais explícito, em uma campanha exacerbada de obediência ao comandante em chefe, patriotismo e obediência à autoridade e, por muitas vezes, nessas situações as declarações são mais diretas do que em períodos de “paz”, quando a verdade muitas vezes é dita apenas nas entrelinhas.

As dificuldades de definição do problema encontradas durante a execução deste estudo derivaram, em parte, do fato que pouco se encontrou sobre o tema em publicações de educação e psicologia, sendo a literatura encontrada em sua maioria nas ciências políticas, sociais e na historiografia ou, então, em áreas das ciências naturais como biologia, evolução e etologia. Em algumas obras havia um bom equilíbrio do tratamento das duas grandes áreas, mas de forma geral, ao abordar a questão biológica, a discussão das determinações sociais era abandonada ou

tratados sociais sobre o tema não traziam uma discussão específica sobre o medo, utilizando uma visão naturalista e instintiva. Este estudo tenta, dentro de suas limitações, trazer contribuições das mais diversas áreas na tentativa de compreender o fenômeno em sua totalidade e a partir de suas contradições.

Não há, também, um julgamento moral e valorativo sobre o medo. Há uma condenação à inculcação do medo como estratégia de obtenção e manutenção do poder. No entanto, não há uma definição se o medo é bom ou ruim; na verdade, consideramos que o medo é uma emoção importante e necessária, não havendo mal, nem vergonha em sentir medo. Em uma tese de G. Delpierre, apresentada por Delumeau, existe, inclusive, uma objetivação do medo.

Um [...] efeito do medo é a objetivação. Por exemplo, no medo da violência, o homem, ao invés de lançar-se à luta ou fugir dela, satisfaz-se olhando-a de fora. Encontra prazer em escrever, ler, ouvir, contar histórias de batalhas. Assiste com certa paixão às corridas perigosas, às lutas de boxe, às touradas. O instinto combativo deslocou-se para o objeto. (DELUMEAU, 1989, p. 30)

Podemos completar com uma ampla lista os exemplos de Delpierre: filmes de ação, drama e terror, jogos eletrônicos, montanhas-russas e outros brinquedos de parques de diversão, esportes radicais, entre tantas outras atividades nas quais um dos objetivos é poder sentir e controlar o medo.

A expectativa na execução deste estudo é, em um primeiro momento, de fomentar a discussão sobre os usos do medo dentro da psicologia e educação, com intuito de poder lidar com as possíveis consequências de sofrimento e adoecimento que estas podem causar nos indivíduos. Como afirma Delumeau (1989, p. 25), “medos repetidos podem criar uma inadaptação profunda em um sujeito e conduzi-lo

a um estado de inquietação profunda gerador de crises de angústia”, não só em indivíduos, mas em pequenos e grandes grupos, até nações inteiras.

Em um segundo momento, em uma análise mais profunda, é de poder entender tal uso instrumental na expectativa de poder superá-lo no advento de uma revolução socialista. Já foi afirmado que não é possível superar a cultura do medo dentro de uma sociedade de classes, no entanto, experiências são possíveis e devem ser fomentadas.

O trabalho educativo é um desses possíveis espaços. Sabemos que a escola é contraditoriamente um espaço de produção de medo, mas é também, um dos meios para superá-lo. Ao socializar os conhecimentos da humanidade, transformar conceitos espontâneos em conceitos científicos, contribui-se para a superação de uma visão sincrética de sociedade e de si mesmo, como um dos meios para dar base à ação revolucionária.

Mas devemos sempre continuar lutando no interior das contradições da sociedade capitalista, e que tenhamos força e entendimento para que não caiamos novamente em alguma armadilha do medo, para que nosso final não seja melancólico como o de Winston, protagonista do romance 1984:

Levantou a vista para o rosto enorme. Levara quarenta anos para aprender que espécie de sorriso se ocultava sob o bidoge negro. Oh, mal-entendido cruel e desnecessário! Oh, teimoso e voluntário exílio do peito amantíssimo! Duas lágrimas escorreram de cada lado do nariz. Mas agora estava tudo em paz, tudo ótimo, acabada a luta. Finalmente lograra a vitória sobre si mesmo. Amava o Grande Irmão. (ORWELL, 1980, p. 277)

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