• Sonuç bulunamadı

Kişinin İradesine Bağlı Kayıp Halleri

Em seu texto A educação no comportamento emocional, de 1924, Vigotski afirmava que a teoria das emoções e sentimentos era o tema com menor elaboração na psicologia e justificava isto com o fato de ser um dos mais difíceis aspectos do comportamento a se estudar, descrever e classificar. E que, no entanto, apesar das dificuldades, a velha psicologia conseguira deixar alguns bons pontos de vista sobre a natureza das reações emocionais.

Um desses pontos de vista foram os estudos de James8 e Lange9,

pesquisadores que de forma independente chegaram a conclusões semelhantes, respectivamente nos anos de 1884 e 1885, fato que chamou a atenção de Vigotski,

7 Esse livro é a publicação de um manuscrito inacabado, escrito entre os anos de 1931 e 1933. Diferentes partes desse manuscrito foram publicadas com diversos títulos. Recomenda-se, também, o confronto dessa edição espanhola com a edição em inglês, publicada no Volume 6 das Obras Escolhidas, intitulada The teaching about emotions, que contém as notas originais de rodapé, não presentes no livro da edição espanhola.

8 William James (1842-1910), psicólogo estadunidense. 9 Carl G. Lange (1834-1900), anatomista dinamarquês.

amadurecem em determinadas épocas à semelhança dos frutos que caem simultaneamente em diferentes hortas” (VIGOTSKY, 2010, p. 5. tradução nossa). Seus estudos, que ficaram conhecidos como teoria organicista ou “Teoria James- Lange”, tiveram muita repercussão e influência nas ciências da época e perduraram como base do estudo das emoções por muitas décadas.

Essa teoria afirmava que o senso comum e a psicologia existente distinguiam três momentos dos sentimentos:

O primeiro – A – é a percepção de algum objeto ou acontecimento ou uma noção dele (o encontro com um bandido, a lembrança da morte de uma pessoa querida, etc); B – um sentimento provocado por essa percepção (medo, tristeza); C – expressões corporais desse sentimento (tremor, lágrimas). (VIGOTSKI, 2004, pp. 127-128)

E as expressões corporais que acompanham o sentimento eram de três tipos:

O primeiro é o grupo dos movimentos mímicos e pantomímicos, das contrações especiais dos músculos, principalmente dos olhos, da boca, das maçãs do rosto, das mãos. É uma classe de reações- emoções motoras. O segundo grupo é formados pelas reações

somáticas, ou seja, pelas mudanças de atividade de alguns órgãos

relacionados com as mais importantes funções vitais do organismo: a respiração, os batimentos cardíacos e a circulação sanguínea. O terceiro grupo é formado pelas reações secretórias, por essas ou aquelas secreções de ordem externa e interna: lágrimas, suor, salivação, secreção interna das glândulas sexuais, etc. É desses três grupos que se forma a habitual expressão corporal de qualquer sentimento. (VIGOTSKI, 2004, p. 128. grifos nossos)

Pelas teorias da época, o fluxo das emoções acontecia na sequência ABC (percepção – sentimento – expressão); no entanto, James propõe que o correto fluxo fosse ACB, ou seja, percepção, expressão e, então, sentimento. As mudanças corporais são suscitadas por reflexos e o sentimento é um movimento secundário. O que antes era causa é agora efeito e o efeito se revela como causa:

Costuma-se dizer: choramos porque estamos amargurados, batemos porque estamos irritados, trememos porque estamos com medo. Seria mais correto dizer: estamos amargurados porque choramos; estamos irritados porque batemos; estamos assustados porque trememos. (JAMES, apud VIGOTSKI, 2004, p. 129)

Para comprovar sua tese, James propõe que ao nos levantarmos de manhã assumamos expressões de melancolia, que falemos com voz deprimida, suspiremos com mais frequência, andemos curvados e que, ao anoitecer, seremos tomados de uma grande tristeza. Ou, de forma inversa, que combatendo as expressões corporais faremos desaparecer as emoções.

Um psicólogo conta que sempre que tinha acesso de raiva esticava a mão e abria os dedos. Isso paralisava invariavelmente a raiva porque é impossível ter raiva com a mão aberta já que raiva significa punhos cerrados e lábios crispados. (VIGOTSKI, 2004, p. 130)

Vigotski afirma, então, concordando com James, que a emoção é um “sistema de reações relacionado de modo reflexo a esses ou aqueles estímulos” (VIGOTSKI, 2004, p. 131). Todo esse sistema demonstrava o caráter subjetivo dos sentimentos (momento B), uma vez que após a percepção (A) e a expressão (C), o corpo exerce uma percepção de segunda ordem, uma nova representação da primeira percepção. O que o indivíduo realmente experimenta (B) e o que outro indivíduo é capaz de observar (C) são dois processos diferentes.

Vigotski continua seu texto mostrando as diferenças das naturezas biológicas e psicológicas das emoções. Aponta a opinião de muitos de sua época, para quem biologicamente as emoções são órgãos rudimentares que estão condenados à extinção, mas afirma que essa concepção é falsa. Concorda, no entanto, com o fato de que quanto maior o grau evolutivo da espécie, menor é sua expressão das emoções. O medo (uma fuga inibida) e a cólera (uma briga inibida), duas emoções

selvagem, e que são muito mais nítidas em crianças do que nos adultos.

Não concordando com a teoria da extinção das emoções, Vigotski apresenta a ideia de que as emoções ajudam a diversificar e complexificar o comportamento,

Um comportamento emocionalmente colorido adquire um caráter inteiramente diverso do comportamento insípido. As mesmas palavras, porém pronunciadas com sentimento, agem sobre nós de modo diferente daquelas pronunciadas sem vida. (VIGOTSKI, 2004, p. 135)

Para Vigotski, todas as emoções são um chamado à ação ou uma renúncia a ela; dessa forma, as emoções servem como ajuda na organização interna do comportamento, preparando o corpo por meio de suas reações de excitação, estimulação ou inibição. O centro de todas essas emoções, concordando com Lange, é o coração,

Se lembrarmos que a respiração e o sangue determinam o desenrolar de absolutamente todos os processos, em todos os órgãos e tecidos, compreenderemos por que as reações do coração podem exercer o papel de organizadores internos do comportamento. (VIGOTSKI, 2004, pp. 139-140)

Nesse período de sua produção, Vigotski, concordando com a teoria de James e Lange, formulou orientações para a educação dos sentimentos como, por exemplo, que as emoções devem ser trabalhadas no processo educativo, que uma educação que prioriza a lógica e a intelectualidade, em detrimento das emoções, esteriliza e insensibiliza emocionalmente os indivíduos, transformando-os em pequenos burgueses que levam uma vida ‘sem cor’, sem emoções e sentimentos.

A completa ausência de sentimento que se tornou traço obrigatório de todos aqueles que passaram por essa educação. No homem atual tudo está tão automatizado, as suas impressões singulares se fundiram de tal modo a conceitos que a vida transcorre pacificamente, essa vida desprovida de alegria e tristeza, sem nítidos abalos mas sem grandes alegrias, cria a base para aquele pequeno calibre dos sentimentos que na linguagem literária russa há muito

tempo recebeu a denominação de sentimento pequeno-burguês. (VIGOTSKI, 2004, pp. 143-144)

Portanto, os professores não devem fazer com que os alunos apenas pensem e assimilem o conteúdo, mas que também os sintam, pois quanto maior a vinculação emocional com o conteúdo, melhor a retenção na memória sobre ele.

Nenhuma pregação moral educa tanto quanto uma dor viva, um sentimento vivo, e neste sentido o aparelho das emoções é uma espécie de instrumento especialmente adaptado e delicado através do qual é mais fácil influenciar o comportamento (VIGOTSKI, 2004, p. 143).

Vigotski afirmava que os indivíduos deveriam dominar suas emoções, dominando suas expressões, e que esse processo não era de repressão das emoções, mas de uma subordinação orientada a um fim.