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7. TARTIŞMA

7.2. Türk ve Suriye Uyruklu Kadınların Gebelik Dönemine İlişkin Geleneksel

O tema da integração regional continuou no topo das prioridades do Itamaraty no período Itamar. O próprio presidente procurou deixar isso bem claro desde o início de seu mandato: “Meu Governo continuará a dar alta prioridade à integração sul- americana” (FRANCO, 1992, p.168).

Todavia, Itamar Franco foi além, e acabou ampliando a atenção da diplomacia para tal questão, buscando novas iniciativas que ampliassem a toda a América do Sul o alcance da integração iniciada no Cone Sul. A proposta da ALCSA e da Iniciativa Amazônica, fortemente defendidas pelo governo brasileiro, são exemplos dessa postura19 (VAZ, 2002, p.89).

Nesse sentido, de acordo com Hirst e Pinheiro (1995, p.14-16) e Barbosa (1994, p.111), as ações efetivamente implementadas corroboram a idéia de valorização de um

19 De acordo com a análise de Mello (2000) a conclusão do NAFTA teria sido determinante para o aprofundamento da estratégia regionalista brasileira. Exclui-se o México ao substituir a expressão “América Latina” por “América do Sul”, delimitando uma nova esfera geográfica.

regionalismo ampliado. Assim, em dezembro de 1992, o Brasil lançou a Iniciativa Amazônica na VI Reunião de Cúpula do Rio em Buenos Aires, objetivando a criação de uma área de livre comércio entre Brasil e os países amazônicos; em 1993 promoveu a formulação de uma Área de Livre Comércio Sul-Americana (ALCSA) – que absorveria a primeira - na reunião do Grupo do Rio em Santiago, sendo interpretada por considerável parcela dos analistas20 como meio de resistência a atração que o NAFTA exercia sobre os países do Mercosul e ALADI.

No mais, de acordo com Lima (1996, p.152), a aposta na ALCSA ligava-se ainda à pretensão brasileira de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, na medida em que o país procurava figurar como uma potência regional. Tal ponderação permite que se interprete que, também nesse sentido, o regionalismo acabava por favorecer a estratégia da autonomia pela participação, tendo em vista o fato de que fortalecia as condições brasileiras de ascender ao tão almejado posto permanente dentro do C.S. da ONU.

O diálogo entre o regionalismo e o conceito de universalismo, que já se mostrava presente na gestão de Lafer, em Itamar, assim como outros conceitos de política externa, ganha maior nitidez.

Num mundo crescentemente complexo, teremos que buscar a melhor forma de nele nos inserirmos, por meio da integração regional e da participação em foros globais, entendendo sempre que, por força do nosso peso econômico, nossa diversidade cultural, nosso dinamismo histórico, não podemos nunca sucumbir à tentação de termos um papel coadjuvante em agrupamentos sujeitos a hegemonias de qualquer espécie. (grifo nosso) (AMORIM, 1994a, p.19).

Ou seja, nota-se pela passagem supra mencionada que, assim como na gestão de Celso Lafer, em Itamar a integração regional também é percebida como meio de inserção global, na medida em que figura como parte de uma estratégia maior de ação21. Todavia, há que se ressalvar que, de acordo com Hirst e Pinheiro (1995, p.14-16) esse

20 A esse respeito, para maiores aprofundamentos, vide Mello (2000) e Lima (1996). Ademais, de acordo com Vigevani e Mariano (2003, p. 27) o projeto da ALCSA “pareceu uma tentativa que visava dar peso à capacidade negociadora do Brasil”.

acréscimo de um “sentido estratégico” mais amplo ao Mercosul, só ocorre a partir de Itamar, e não já em Lafer, mesmo que em menor escala, como buscou-se apontar e justificar páginas atrás.

O elo entre Mercosul, ALCSA e universalismo como diferentes vertentes dentro de uma mesma estratégia de inserção internacional plural também mostra-se presente em Barbosa, (1994, p.116). “Como global trader, o Brasil [...] deve expandir seus vínculos de comércio, investimento e tecnologia com todos os parceiros possíveis. Por isso valoriza o fortalecimento do sistema multilateral de comércio na era pós-GATT e a construção do Mercosul e da futura ALCSA sobre as bases de um ‘regionalismo aberto’”.

Amorim é enfático ao atribuir um sentido “didático” e “estratégico” ao processo de integração regional, que serviria como instrumento de capacitação das economias envolvidas e preparo para maiores desafios e negociações amplas.

O Mercosul e Zona de Livre Comércio da América do Sul são formas realistas de melhorar a competitividade de nossas indústrias. Possibilitarão, ao mesmo tempo, o aumento do poder de barganha dos países envolvidos com relação a outros grupos econômicos (AMORIM, 1993b, p. 173).

O Mercosul tem também um valor didático. Antecipa, no sul do continente, os efeitos da crescente exposição da economia brasileira à concorrência, preparando o setor privado para o grande desafio da inserção aprofundada em mercados muito mais competitivos do que os existentes no Mercosul (AMORIM, 1993c, p.183).

Quanto ao projeto norte-americano de construção de uma área de livre comércio hemisférica, o mesmo volta à baila em dezembro de 1994, quando é realizada em Miami, a Cúpula das Américas. Todavia, mesmo antes da realização da cimeira, o Brasil já procurava demonstrar sua preferência pelo universalismo, paralelamente a sua indisposição por criar vínculos excessivamente estreitos com os Estados Unidos (demonstrando uma clara postura não-alinhada)

21 Tal idéia encontra suporte em diversas análises, entre elas, destaca-se a leitura de Vaz (1999, p.66), segundo o qual, desde Collor o Mercosul já possuía um “sentido estratégico” amplo. No mesmo sentido, vide Cruz (2001, p. 139).

A opção por uma “inserção estelar”, pelo multilateralismo é clara dentro do Itamaraty. Barbosa (1994, p.103), em texto publicado dias antes da realização da Cúpula de Miami, é enfático ao defender o Brasil enquanto global trader, fazendo questão de pontuar que o país “não se sente atraído pelo Nafta como outros países da região”.

O universalismo é um conceito que faz parte da tradição diplomática do Brasil e o caracteriza – no plano comercial - como global trader [...] o Brasil não se sente atraído pelo NAFTA com a mesma intensidade de outros países da região. O Brasil é um país aberto para a Europa e para outras parte do mundo. O perfil dinâmico de sua economia e seu amplo interesse pelo resto do mundo lhe abrem várias opções estratégicas

Com tom incisivo, Fernando Henrique Cardoso (1993c, p.67) também mostra-se contrário a um aprofundamento exclusivista das relações com os EUA, nos moldes do NAFTA. “O processo de integração econômica regional não poderá privilegiar vínculos exclusivos, como tem feito o México com relação aos EUA. Seria uma opção empobrecedora”.

Cada vez mais ciente da possibilidade de surgimento de uma nova “Iniciativa para as Américas”, a partir do segundo semestre de 1994 nota-se um aumento da disposição brasileira de fazer concessões aos sócios do Mercosul. O Itamaraty preocupava-se em concluir as negociações em torno da TEC (Tarifa Externa Comum) e criar a União Aduaneira. Há que se considerar ainda que, a postura brasileira também pode ser compreendida ao se analisar a conjuntura interna do país, tendo em vista o sucesso do programa de estabilização econômica em curso (MELLO, 2000, p.150).

Quando ocorre o lançamento da Cúpula de Miami, o discurso oficial da diplomacia brasileira era de que o Mercosul e a ALCSA eram as prioridades, todavia, faziam questão de frisar que a ALCSA não emergia como contraposição ao NAFTA, mas sim, esperava contribuir para uma integração hemisférica. O Brasil preocupava-se, inclusive, em demonstrar que estaria trabalhando ativamente em prol do lançamento das negociações hemisféricas, como fica claro no discurso de Itamar realizado durante a Cúpula

Um dos resultados mais auspiciosos desta Cúpula será o lançamento das negociações, a concluírem-se até 2005, para a

criação da ‘Área de Livre Comércio das Américas’. Quer na presidência pro-tempore do MERCOSUL, quer na coordenadoria do Grupo do Rio, quer ainda individualmente, o Brasil teve participação ativa na elaboração desta parte dos documentos que estaremos assinando em Miami (FRANCO, 1994, p. 51).

Todavia, internamente o Itamaraty não via com bons olhos uma integração com os norte-americanos, conservando sua estratégia voltada ao universalismo e ao

regionalismo aberto como plataforma de inserção global. Assim, procurou criticar

a falta de abrangência da proposta, sobretudo por não incluir a questão de transferência de ciência e tecnologia [...] Além disso, tanto no montante dos investimentos quanto a restrição do alívio da dívida externa ao débito de governo a governo eram considerados pouco atraentes par o Brasil. Para coroar, o modelo hub and spoke, em que os EUA seriam o eixo dos acordos bilaterais e, com isso, o único juiz do grau de integração de todo Continente foi criticado por reforçar a dependência dos demais países com relação ao país hegemônico [...] Sem oferecer uma contraproposta, nossa diplomacia deu total ênfase às questões metodológicas: antes de discutir a agenda, queremos discutir o método para discutir a agenda o que, em princípio, permite recorrer ao infinito (ALBUQUERQUE, 2001).

Ademais, havia ainda o desejo brasileiro de que, mesmo antes de negociar os métodos de negociação, fossem esgotados todos os processos de liberalização em curso, entre eles Mercosul, Alcsa, Pacto Andino, Integração Centro-Americana e Nafta.

O Brasil compareceu à Cúpula representado pelo presidente Itamar Franco e pelo recém eleito Fernando Henrique Cardoso. Apesar de, por vezes, o governo brasileiro ter demonstrado surpresa com o fato da ALCA figurar como assunto prioritário na cimeira22, acredita-se que o Brasil tinha sim conhecimento prévio das discussões que se desenvolveriam em Miami (ABREU, 1997).

22 Albuquerque (2001) defende essa idéia que, Serra (1998, p.16), endossa: “Outro fato curioso, quanto ao Brasil, é que o objetivo da Cúpula de Miami nos pegou se susto. O presidente Fernando Henrique Cardoso, acompanhando Itamar Franco à Flórida, somente tomou conhecimento do assunto depois de lá chegar, assim como da importância do compromisso que o Brasil era chamado a assumir e que acabou até certo ponto assumindo. E o presidente Itamar não parecia especialmente informado sobre a matéria”.

Os motivos que levavam o Brasil a aceitar o lançamento das negociações da ALCA eram de duas ordens: primeiro, o risco do isolamento23, em segundo plano, havia uma percepção dentro da diplomacia de que o Brasil conseguiria bloquear ao máximo o início efetivo do processo de liberalização econômica24 (MELLO, 2000, p.148), (SIMÕES, 2001, p.05).

O Brasil optou por acompanhar os trabalhos, considerando não ser politicamente razoável assumir posição formal de recusa – essa implicava o risco de isolamento, uma vez que os demais países latino-americanos mostraram-se bem mais interessados na proposta norte-americana. Nesse período, a partir de 1995, começava-se a manifestar-se no governo de Menen, na Argentina, uma atitude bem mais favorável à Alca, implicando ma nítida diferenciação no Mercosul. Todos os países da América Central eram favoráveis à aceleração das negociações e iniciavam ao mesmo tempo discussões com os três países do Nafta para ter acesso a seus mercados. O Chile também favoreceu uma agenda efetiva, negociando áreas de livre- comércio com os Estados Unidos e o México. Peru, Equador, Bolívia e Colômbia interessaram-se por encurtar prazos (VIGEVANI e MARIANO, 2003, p.31).

Uma leitura global da postura brasileira frente a Cúpula das Américas parece apontar para uma clareza dentro do Itamaraty com relação ao fato de que a política exterior do Brasil deveria primar pela integração com seu entorno geográfico mais próximo, nos moldes de um regionalismo aberto que fomentasse a postura do país enquanto global

trader. Em outras palavras, o ideal do universalismo, e assim, a aposta no multilateralismo como estratégia de ação internacional mostravam-se assentados dentro do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Nesse contexto, o Mercosul teria papel fundamental, agindo no incremento da postura universalista do país. Paralelamente, havia a preocupação de se estar preparado para negociar de forma firme e resistente, uma eventual proposta de integração hemisférica. Isso porque, dentro do paradigma de ação internacional que o Itamaraty procurava

23 Para maior aprofundamento acerca da atração que o NAFTA exercia sobre os países latino-americanos, vide Batista (1994, p.84-95).

24 Tal percepção pode ser explicada pelo fato de que o Itamaraty parecia ciente de que, na realidade, os EUA também “não se mostravam dispostos a decidir pelo início imediato das negociações comerciais”. Isso porque, os norte-americanos saiam de um processo desgastante relativo à aprovação do NAFTA, que havia “produzido uma divisão entre os políticos e outra, interna, nos partidos – e, mais geral, na sociedade. Isso aumentava o descrédito quanto à possibilidade de aprovação a curto prazo do mecanismo da via rápida (fast track) pelo Congresso” (VIGEVANI e MARIANO, 2003, p. 30). No mesmo sentido, vide Albuquerque (2001).

edificar, mesmo não acreditando na viabilidade de uma integração continental25, o país não podia apenas rejeitar de plano discutir uma negociação em torno de tal proposta. Isso conduziria o país a um considerável isolamento no continente.

No mais, pode-se interpretar ainda que, tal atitude seria incoerente com a postura almejada pela diplomacia de uma maior participação nos temas e na agenda global, postura essa que o país procurava adotar desde o início dos anos 90. Assim, num primeiro momento, procurou-se demonstrar, por meio da resistência negociada, o conflito de interesses que incidia nas discussões acerca do processo de integração hemisférica.

Nesse contexto, parece interessante a postura de Fernando Henrique Cardoso (1993d, p. 195) que, mesmo antes da proposta da ALCA, afirmava ser “[...] preciso debater sem preconceitos a proposta norte-americana de uma integração vertical. Frente a essa e outras alternativas, cabe reagir com maturidade, identificando o interesse nacional no contexto das opções que se apresentam”. Destaca-se a preocupação do governo brasileiro em demonstrar que eram interesses que estavam em jogo e não ideologia. O pragmatismo, o realismo deveria guiar a diplomacia brasileira na discussão de um projeto de integração hemisférica.

Benzer Belgeler