YENİDEN YAPILANMA SÜRECİNDE TÜRKİYE AFGANİSTAN
YIL İHRACAT İTHALAT HACİM DENGE
4.2. Türk İşbirliği ve Koordinasyon Ajansı (TİKA)
[...] ler é um ato interpretativo, o qual consiste em saber guiar uma série de raciocínios para a construção de uma interpretação da mensagem escrita, a partir da informação proporcionada pelo texto e dos conhecimentos do leitor. Ao mesmo tempo, ler implica iniciar outra série de raciocínios para controlar o progresso dessa interpretação, de tal forma que possam ser detectadas as possíveis incompreensões produzidas durante a leitura (COLOMER, 2001 apud PÉREZ; GARCÍA, 2001, p. 127).
Quando aprendemos a ler estamos aprendendo a perceber o significado potencial de mensagens escritas para, conseqüentemente, relacionarmos o significado potencial percebido à estrutura cognitiva, de modo a compreendê-lo. Leitores principiantes não estão aprendendo um código completamente novo, mas um equivalente escrito de um código falado familiar cujo vocabulário e sintaxe reconhecem.
Entretanto, durante anos, a leitura foi entendida como uma atividade que se resumia em decifrar códigos, baseada em uma decodificação fonética do registro escrito e na teoria da fala interior. Vale mencionar que tanto a decifração quanto a fala interior eram e continuam sendo os suportes da maioria dos métodos de leitura utilizados na escola. Como conseqüência, poucos chegam a compreender o sentido do que lêem, ficando restritos à habilidade de decifrar.
De acordo com Foucambert (1989 apud PÉREZ; GARCÍA, 2001, p. 197), “ler não é decifrar, mas organizar as palavras compreendidas para que adquiram o significado que ficará na memória”. O mesmo autor ainda afirma que:
A compreensão leitora, que não precisa da fala interior, nem da oralização, nem da decifração, baseia-se em dois processos inter-relacionados: a identificação e a antecipação, referidas tanto às palavras como às relações e à correspondência entre elas. Extraímos um significado a partir de uma organização e não de uma sucessão de palavras. A fala interior, a oralização, a decifração e a leitura em voz alta são hábitos ou vícios que dificultam a compreensão (FOUCAMBERT, 1989 apud PÉREZ; GARCIA, 2001, p. 197).
A compreensão a partir da leitura, sob o olhar bakhtiniano, é uma atividade dialógica que diante de um texto gera outros textos. Esta compreensão envolve uma tomada de posição diante do texto que implica julgamento de valor. A sua
concepção de linguagem se caracteriza pelo fenômeno social da interação, que é plural - há pelo menos duas vozes e, no eixo histórico, uma multidão. Há em cada voz um ponto de vista sobre o mundo e na interação ocorrem conflitos, oposições, correspondência. As vozes se distinguem principalmente pelo acento valorativo, entonação. Vejamos a formulação de Bakhtin (2002, p. 132) sobre compreensão:
Compreender a enunciação de outrem significa orientar-se em relação a ela, encontrar seu lugar adequado no contexto correspondente. A cada palavra que estamos em processo de compreender, formamos uma réplica. Quanto mais numerosas e substanciais forem mais profunda e real é a nossa compreensão.
Outro aspecto importante em relação à leitura é que o desenvolvimento da aprendizagem fica condicionado ao domínio prévio da fala e ao emprego dessa prática como uma forma de perceber o significado potencial da escrita. As crianças aprendem a ler a língua materna reconstruindo na escrita a linguagem falada, contudo não se pode conceber ensinar a ler procurando estabelecer relações diretas entre símbolos visuais novos e seus significados. Essa prática pode servir como fonte de confusão para uma criança para quem outros significados representam melhor seu conceito verbalmente rotulado. Acostumados com um cotidiano repleto de gírias e outras formas peculiares da linguagem rápida (a linguagem do MSN, por exemplo), a experiência de ler os clássicos (Machado de Assis, por exemplo) torna- se uma aventura deveras árdua: é como aprender a ler novamente.
Podem-se apontar dois aspectos importantes ao aprender a reconstruir na escrita as mensagens faladas. Em primeiro lugar, há o problema da conversão de palavras escritas em palavras faladas. Porém isso se torna menos difícil devido à base alfabética que estrutura grande parte das línguas. Dessa forma, as palavras escritas não são exatamente configurações de símbolos visuais que representam arbitrariamente seus equivalentes fônicos.
Em segundo lugar, é necessário aprender como combinar e transpor grupos de palavras escritas para frases e sentenças faladas. Neste caso, o domínio do código sintático da linguagem falada pode ser empregado na percepção do significado potencial da mensagem escrita. O principiante não está preparado para aprender diretamente as funções sintáticas das palavras na escrita.
Adquirida certa facilidade para a leitura, pode-se supor que a linguagem falada não desempenha papel mediador na percepção do significado potencial das mensagens escritas. A habilidade de uma leitura correta torna-se autônoma de sua associação anterior com a fala. Há que se considerar que os significados denotativos e sintaxes percebidas diretamente devem relacionar-se às idéias relevantes na estrutura cognitiva antes mesmo de produzirem uma nova estrutura cognitiva.
Um depoimento de uma ex-aluna, atualmente estudante de Letras na PUC/RS pode contribuir para o entendimento disso:
Escrever nunca foi tarefa fácil, ainda mais quando a palavra dissertação era mencionada. Construir um texto argumentativo é muito mais complexo que construir uma crônica ou narração e ter que dar minha opinião não me fazia sentir a vontade para escrever. Talvez isso acontecesse porque eu não lia muito sobre certos assuntos. A professora Cristina começou a trazer para a aula diversos textos, desde crônicas a reportagens atuais, e assim tudo se tornou mais fácil e prazeroso. Uma aula que eu me recordo bem foi quando ela levou um texto da revista Capricho, que falava sobre a linguagem da internet (permita-me acrescentar que foi uma das melhores aulas de Português que tive), pois era algo que fazia parte do nosso cotidiano. Sempre preferi escrever textos narrativos, mas tive que me acostumar, porque nem sempre me seria exigido esse tipo de texto. Mas não foi fácil aprender a construir diferentes modalidades de textos. Regras básicas ajudaram, mas com certeza o fator que mais auxiliou foi a leitura. Ler jornais e revistas me faz estar ciente do que está acontecendo à minha volta. A Cristina sempre falava que tínhamos que ler para nos mantermos atualizados e sempre nos motivou para fazer isso. Foram aulas maravilhosas que serão lembradas com carinho e admiração. Hoje consigo escrever uma dissertação sem receio. É mais fácil escrever diversos tipos de texto, e eu sei que isso sempre vai ser muito importante. Grande parte
disso é mérito da professora Cris, que sempre me ajudou e me incentivou.