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TÜRK CEZA HUKUKU ÖĞRETİSİ TARAFINDAN 5237 s TCK m 83’ÜN DEĞERLENDİRİLMESİ

A partir do décimo primeiro volume do AS, lançado em 1910, passaram a figurar entre seus colaboradores alguns jovens antiquisants. Louis Gernet foi o primeiro a cerrar fileiras com os sociólogos em 1910, seguido, em 1913, por Pierre Roussel e Henri Jeanmaire. Antes de discutir aqui sobre as diferenças e similitudes entre suas trajetórias, cumpre sublinhar dois pontos mais gerais. Em primeiro lugar, esse novo período das relações entre especialistas no mundo greco-romano e sociólogos não se deu em substituição ao que se via antes. Hubert, Huvelin e Meillet continuaram produzindo conhecimento no domínio dos antiquisants, assim

53 como o fizeram, em menor escala, outros colaboradores do AS23. O segundo ponto, central para presente tese, diz respeito à adesão assimétrica de latinistas e helenistas. Com efeito, a despeito da existência de alguns (poucos) latinistas simpáticos aos trabalhos dos sociólogos, nenhum deles participará da primeira série do AS24. Mas ainda é cedo para propor uma explicação de tal fenômeno. Por ora, o importante é atentar para as especificidades das trajetórias de cada um dos três helenistas supramencionados.

Nascido em 1882, Louis Gernet entrou em contato com os sociólogos graças a sua atividade de militante socialista, particularmente intensa durante sua estada na prestigiosa École Normale Supérieure. Membro da promoção 1902, sabe-se que ele participou com dois futuros integrantes da equipe do AS, Robert Hertz, seu veterano, e Marcel Granet, seu calouro, da experiência editorial dos Cahiers du Socialisme25. Não tardou muito e, no ano seguinte, Gernet foi transformado em colaborador regular de Notes Critiques: Sciences Sociales, revista de resenhas publicada sob a direção de François Simiand entre 1900 e 1906. A transferência da referida publicação para o AS foi questão de tempo26. A saída da ENS se deu em grande estilo, com a obtenção do primeiro lugar nacional no exame de agrégation de grammaire.

Seria natural, tendo em vista a carreira de antiquisant, que Gernet se apresentasse para estagiar na École F a çaise d’Ath es (EFA). Tratava-se, afinal, da via régia dos helenistas, pois, como se verá em detalhes ao longo do subcapítulo 2.1, ela dava aos jovens pesquisadores a oportunidade de trabalhar na prática, com documentos epigráficos inéditos e em sítios arqueológicos inexplorados, a história da Grécia Antiga. Edmond Pottier, um antigo ate ie se à eà então professor na École du Louvre, chegou a sugerir em 1905 o nome de Gernet, ao lado dos de Jean Hatzfeld e de Pierre Roussel, como ex-alunos promissores a quem as vagas da EFA deveriam ser destinadas27. Ainda assim, ao contrário dos colegas

23

Gaston Richard, Marcel Mauss e Charles Fossey, em particular, chegaram a publicar textos nas revistas especializadas nos estudos greco-latinos, como se verá ao longo da presente tese.

24 Iniciada em 1925, a segunda série da revista, por sua vez, terá entre os seus um historiador da Roma

Antiga (André Piganiol), bem como alguém que, como Huvelin, estudou o direito romano ao lado de outros temas (Henry Lévy-Bruhl).

25 Cf. GERNET, 1983: 403-420. A militância política, aliás, permaneceu em Gernet após os tempos de

escola. As duas cartas mais antigas dele encontradas nos arquivos consultados ao longo da presente pesquisa remetem justamente a isso. Em uma carta endereçada a Mauss e certamente escrita antes da P i ei aà Gue aà Mu dial,à Ge età pedeà aoà he à a a ade à ueà oà ajudeà aà difu di à u à ovoà jo alà socialista (cf., nos arquivos do IMEC-Cae ,à otaà Má“à 5. ,à aà a taà datadaà lu dià soi .à áà “alomon Reinach, em 1909, Gernet pede a assinatura de uma petição (cf., no Fonds Salomon Reinach da Bibliothèque Méjanes, a boîte 72).

26 Notes Critiques: Sciences Sociales tinha autonomia diante do AS, ainda que muitos de seus

colaboradores estivessem também nele presentes. Próximas em vários sentidos, as revistas serão como que fundidas em 1907 (cf., FOURNIER, 2007: 457-459).

54 mencionados, a ida para o exterior não se concretizou. Teria sido isso fruto de algum impedimento de ordem pessoal? Ou, por outro lado, tratar-se-ia simplesmente de um mau desempenho no processo seletivo? Não há como afirmar nada a partir da bibliografia e dos arquivos consultados ao longo da presente pesquisa. O fato é que, a partir de 1907, Gernet obteve uma bolsa da Fondation Thiers. Durante três anos, ele pôde então frequentar cursos na EPHE, na Sorbonne e no Collège de France, bem como iniciar, sob a orientação de Gustave Glotz, a pesquisa sobre a história do pensamento jurídico grego que se transformará mais tarde em sua tese de doutorado (GERNET, 2001).

O contato com Glotz foi central nos primeiros anos de sua trajetória. Com efeito, além de partilharem uma formação com o mesmo handicap (ambos não foram membros da EFA) e os mesmos focos de interesses originais (o que inclui a sociologia), aquele era uma personalidade em ascensão no campo do helenismo. Depois de um longo tempo como professor de liceu, Glotz acabara então de assumir uma cátedra na Sorbonne e a direção da prestigiosa Revue des Études Grecques (REG), da qual Gernet será um dos maiores colaboradores às vésperas da Primeira Guerra Mundial28. Além da produção científica, o orientando de Glotz atuou na revista como secretário de redação em 1907 e, no ano seguinte, tornou-se membro ordinário da instituição que a editava, a já mencionada AEEG. Além disso, entre 1910, quando teve fim sua bolsa da Fondation Thiers, e 1919, quando ocorreu a desmobilização geral, Gernet gozou ainda de uma posição privilegiada na capital. Afinal, enquanto muitos de seus colegas estavam ou nas trincheiras ou em liceus provinciais, ele trabalhou em Paris como professor do liceu preparatório para as Grandes Écoles militares, o Prytanée do Boulevard Gambetta. Com o término do conflito, Gernet passou enfim ao ensino superior, sendo nomeado professor da Faculdade de Letras de Alger, da qual veio a se tornar doyen (diretor), e onde permaneceu até 1948. De lá ele voltou a Paris para o ocupar seu último e prestigiado posto na recém-criada VIa seção da EPHE.

Nos dois últimos volumes da primeira série do AS, o jovem helenista em início de carreira assinou nada menos que dez resenhas, embora muito provavelmente ele tenha escrito ao menos uma ou duas a mais29. Desse total de autoria comprovada, oito diziam respeito a livros sobre a vida econômica, religiosa e jurídica da Grécia Antiga, uma tratava exclusivamente da economia da Roma Antiga e outra discutia o direito antigo comparando

28 Glotz e as contribuições de Gernet à REG serão discutidas em detalhes no subcapítulo 2.3 da presente

tese.

29

Noàvolu eàla çadoàe à 9 ,àaàsu seçãoà l o ga isatio àjudi iai eàetàlaàp o du e àdaàte ei aàseçãoà doà á“,à sociologie morale et juridique ,à oà i di aà o oà espo s vel,à sem que nenhuma assinatura apareça em quatro das cinco resenhas aí publicadas. Duas, aliás, tratavam do direito romano.

55 gregos e romanos30. A partir de então, Gernet jamais perdeu o contato com os sociólogos. Ele escreveu para as outras séries posteriores do AS, assim como esteve presente no Institut Sociologique, criado no entreguerras. No terreno dos antiquisants, por sua vez, ele fez as vezes de um verdadeiro militante da escola sociológica francesa. Como se verá no próximo capítulo da presente tese, foram poucos os seus artigos publicados antes de 1920 que não trouxeram seja aplicações dos modelos evolucionistas durkheimianos para explicar a história do direito antigo, seja simples citações pontuais.

Pierre Roussel, por sua vez, era um ano mais velho que Gernet. Proveniente de uma família de pequenos funcionários instalada em Nancy, Roussel fez aí boa parte de seus estudos secundários, partindo para Paris, onde frequentou o Liceu Henri IV, apenas mais tarde, a fim de se preparar para o concurso de admissão da ENS. Sétimo colocado nesse concurso, ele integrou a promoção de 1901, na qual se destacou por seus investimentos nos estudos gregos, bem como por seu engajamento junto ao movimento socialista organizado em torno de Lucien Herr. A obtenção do quarto lugar na agrégation de lettres em 1904 lhe valeu um ano suplementar de permanência na escola para, em seguida, embarcar por um longo período de cinco anos no exterior, como membro efetivo da École F a çaise d’Ath es. De volta à França, Roussel foi acolhido como uma promessa entre os antiquisants, recebendo tratamento diferenciado nas revistas especializadas (além de escrever inúmeros artigos e resenhas, assumiu a redação do prestigioso Bulletin Épigraphique da Revue des Études Grecques). Sem chegar realmente a ser mobilizado em 1914, ele foi em seguida colocado na reserva e convidado para assumir o cargo de professor no liceu Janson-de-Sailly, aí permanecendo até 1918. Tendo defendido nesse ínterim sua tese sobre a Délos antiga (1916a e 1916b), ele logrou obter então o posto de maître de conférence de langue et littérature grecques em Bordeaux. Eis aí o início de sua promissora carreira no ensino superior. No ano seguinte, uma vez finda a guerra, uma nova nomeação, dessa vez para a recém-fundada e já prestigiosa universidade de Strasbourg. O desenvolvimento posterior de sua carreira é dos mais bem-sucedidos de sua geração, envolvendo a direção da École F a çaise d’Ath es (1925-1935), a nomeação na Sorbonne (1936) e o ingresso na Académie des Inscriptions et Belles-Lettres (1937). A partir de 1913, ele passou também a figurar como membro ordinário da Association pour l’E cou age e t des Études G ec ues e F a ce.

30

Cf., no que tange à Grécia Antiga, AS, 1910: 330-331, 331-334, 402-404, 404-406 e 559-562, bem como AS, 1913: 421-422, 438-439 e 454-456. A única resenha sua sobre Roma Antiga foi publicada em AS, 1910: 563-564. Já quanto ao estudo de direito comparado, cf. AS, 1913: 422-423.

56 Graças às cartas que Roussel recebeu do amigo Robert Hertz, antigo colega da ENS e da militância socialista, sabe-se detalhes de como se deu seu recrutamento por parte dos sociólogos (HERTZ, 1999). Tal correspondência teve início em 1905, logo após a ida de Roussel para Atenas. Nela, Hertz incentiva o amigo a tomar partido junto aos sociólogos, entendendo que ele poderia se beneficiar intelectualmente com a nova ciência, sobretudo no campo que enão lhe interessava, a saber, a mitologia comparada. O convite formal veio na carta datada de quatro de julho de 1910:

Falaste em ficar em Paris por algum tempo; se for possível, o faça. És feito para a produção científica. Todos os que te conhecem estimam e respeitam tua inteligência. Tens ao mesmo tempo a precisão minuciosa, o rigor, a penetração e o espírito sensível. Essas são justamente as qualidades que são necessárias para fazer belas e boas coisas no domínio que sempre te atraiu: a formação dos mitos gregos e sua utilização pela literatura. A maior parte das pessoas que se ocupam desses estudos são ou ridículos [cuistres], ou puros arqueólogos, ou amadores. Quando estiveres francamente ligado a um trabalho com a vontade de ir até o final, tenho confiança em ti, farás algo de excelente e frutuoso. Teu lugar no Année está reservado e tenho certeza que Durkheim ficará contente com a tua colaboração. Será preciso que o vejas e que converses com ele quando retornares; tuas ideias lhe interessarão bastante e sua conversa é sempre estimulante e sugestiva. Encontrarás aqui a atmosfera de simpatia e de interesse comuns que é indispensável a todos nós.

Alguns anos antes, contudo, Hertz já concebia um trabalho em conjunto com seu antigo colega de escola:

Eu vou mesmo te surpreender ao te dizer que, por vezes, sinto o desejo de voltar ao grego e estudar algumas noções meio religiosas meio morais cuja expressão (refletida) eu encontrei entre os filólosos de meu mestre Hamelin. Eu creio que há algo a fazer nessa direção, e se isso me tenta é porque a etnografia comparada nos dá, após um certo tempo, o desejo de estudar osàfatosà aisàdi eta e teàpe eptíveisàeài teligíveis,à aisà explí itos àpelaà o s i iaà es aà das pessoas que os viveram (...). E o grego é, para mim, a língua mais fácil de aprender ou reaprender. Nós estaríamos assim menos distantes do que tu talvez imagines. Eu voltarei a falar contigo desse projeto caso ele se precise (...).

De fato, tal colaboração se concretizou mais tarde. Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, Hertz confiou a primeira versão de uma monografia sua ainda inédita sobre a figura mitológica da deusa Atena a seu colega, pedindo que ele a revisasse e a preservasse. Considerado hoje perdido, tal manuscrito parece ter sido entregue por Roussel a Durkheim, que faz referência a ele no necrológio que escreveu de Hertz (DURKHEIM, 1975a: 439-445).

No tocante à sua produção dentro do AS, Roussel escreveu apenas três breves resenhas, todas para o último volume da revista e todas relacionadas aos estudos gregos (AS, 1913: 206, 405 e 443-445). Fora desse espaço, contudo, ele fez as vezes de sociólogo militante.

57 Nos artigos e resenhas que ele escreveu para as duas principais revistas dos antiquisants, a Revue des Études Grecques e a Revue des Études Anciennes, os trabalhos de Mauss, Hubert, Durkheim, Hertz, Jeanmaire e Gernet foram citados e suas teses discutidas31. Tal papel de ponta de lança dos sociólogos se manteve ao longo das décadas seguintes, ainda que enfraquecido pela própria trajetória de Roussel, a qual o encaminhou cada vez mais para a epigrafia e o levou a passar longos anos a trabalho em Atenas. Ainda assim, ele participou das iniciativas dos sociólogos nas demais séries do AS, bem como se tornou próximo de Halbwachs enquanto ambos estavam em Strasbourg (HALBWACHS, 1999). Raymond Lantier, antigo aluno de Henri Hubert e seu sucessor no MAN, não deixou de comentar esse vínculo entre Roussel e os sociólogos no necrológio que dedicou ao helenista (LANTIER, 1949: 33-34).

Dos três colaboradores do AS especialistas no mundo greco-romano, Henri Jeanmaire foi o mais jovem e, sem dúvida, o mais singular. Nascido na Paris de 1884, ele logrou a ingressar na École Normale Supérieure em 1905, sem ter, portanto, tido como colegas Louis Gernet e Pierre Roussel. Após quatro anos, ele obteve apenas o sétimo lugar no concurso de agrégation d'histoire et de géographie. O resultado apenas mediano inviabilizava a ida que havia feito Roussel à École F a çaise d’Ath es. Restou-lhe então, munido do título, ser empossado como professor no liceu de Besançon, lá permanecendo por dois anos. Seguiram- se então uma bolsa de estágio em Leipzig, na Alemanha (1911-1912), e um período de pesquisas na EPHE (1912-1913), onde ele foi aluno de Marcel Mauss e de Henri Hubert.

As cartas de Jeanmaire encontradas nos arquivos explorados ao longo da presente pesquisa nada esclarecem sobre o primeiro contato entre ele e os durkheimianos32. Georges Davy, seu colega na ENS e na EPHE, pode ter tido um papel central quanto a isso, ou então a aproximação inicial pode ter tido origem nos vínculos entre os sociólogos e a militância socialista bem instalada na Rue d’Ul . Louis Gernet, muito mais tarde, já na década de 1960, confessou que tomou conhecimento da existência de Jeanmaire apenas em 1913 e indiretamente, lendo um artigo por ele produzido33. Em todo caso, importa aqui destacar o impacto dessa aproximação em termos de método e de campos de interesse.

31 Veja-se, a esse respeito, os subcapítulos 2.3 e 2.4 da presente tese.

32 Foram encontradas cinco cartas de Jeanmaire durante a pesquisa, quatro pertencentes ao Fonds

Mauss-Hubert depositado no IMEC-Caen e uma integrada aos dossiês de correspondência do MAN. As

primeiras tinham por destinatário Mauss, com quem Jeanmaire discute tanto questões ligadas à sua participação nas revistas e instituições dos sociólogos (Institut Sociologique ou a segunda série do AS) quanto questões pessoais (felicitações pelo casamento de Mauss). A última, datada de 1922 e endereçada a Salomon Reinach, diz respeito ao artigo que Jeanmaire estava em vias de publicar na

Revue Archéologique sobre a política religiosa de Marco Antônio e de Cleópatra (RA, 1924/1: 241-261).

58 Ainda bastante jovem quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, Jeanmaire não pôde se mostrar como o especialista na religião antiga – grega em particular – que ele revelou ser mais tarde. Ele sequer consta, até 1920, da lista de membros da Association pour l’E cou age e t des Études G ec ues e F a ce, em cuja revista, no entanto, publicou seu único grande artigo do período, La Cryptie Lacédémonienne (REG, 1913: 121-150). No AS, sua participação teve início apenas em 1913, no último número da primeira série. Em números, ele escreveu apenas três resenhas (AS, 1913: 222-224, 225-226 e 821-826). O curioso, no entanto, é que os livros analisados dizem respeito à Grécia Antiga apenas indiretamente, ao ponto de não terem sido assinalados nas tabelas de resenhas do subcapítulo anterior. Em dois casos, a discussão diz respeito à religião cristã primitiva, seja focando a vida do apóstolo Paulo, seja o papel do exorcismo ritual que precedia o batismo nos primeiros séculos do cristianismo (AS, 1913: 222-224 e 225-226). No terceiro, o trabalho trata da geografia da Palestina, o que implicava a referência a episódios ocorridos na Antiguidade (AS, 1913: 821-826). O que mais chama atenção, em todo caso, é a abertura do autor quanto a outros temas que não aqueles aos quais ele dedicou a maior parte de sua carreira futura. Mais tarde Jeanmaire obteve um posto na Va seção da EPHE, de onde manteve sua colaboração com as iniciativas editoriais e científicas dos sociólogos.

O que dizer acerca das três trajetórias acima apresentadas? Em primeiro lugar, elas ilustram como o recrutamento de jovens sociólogos passava por uma série de expedientes outros que não apenas o puramente intelectual. Gernet e Roussel, sobretudo, se aproximaram deles via expedientes afetivos, contraídos ao longo de suas estadas na ENS ou de sua militância junto ao movimento socialista jauresiano. Em segundo lugar, elas reforçam a tese de Victor Karady acerca do ca te à elitista à desseà e uta e toà Ká‘áDY,à 979 .à Noà asoà espe ífi oà desses representantes de um saber por si só já extremamente prestigioso como o helenismo, eles passaram pela ENS e tiveram, na sequência, carreiras universitárias bem-sucedidas. Por fim, tais trajetórias mostram o amplo leque de temas interesses desses jovens. Eles trataram de áreas cujo interesse era partilhado por sociólogos e antiquisants, como a religião, o direito e a organização social da Grécia Antiga.

Importa destacar, contudo, a existência de certas assimetrias entre os três. Todos, sem exceção, colheram os frutos do reconhecimento público que a sociologia gozava na década de 1910 para, ao contribuir com os estudos greco-latinos, fazer avançar suas carreiras. Ainda assim, tratava-se de um saber que tinha adversários e cujo prestígio declinou aos poucos ao longo das décadas de 1920 e 1930 (cf. HEILBRON, 1985). Ora, Pierre Roussel, por ter tido a chance de estagiar na EFA, dedicando-se assim a fundo a ciências como a epigrafia e a

59 arqueologia antigas, acabou se revelando o mais versátil dos três, o que significa aqui o menos dependente das ciências sociais para suas atividades profissionais. Por certo, a afirmação feita assim pode parecer vaga, pois não esclarece muito sobre como fu io avaà oà e adoà deà o pet ias à à po aàexiste te.àEssaàassi et iaàse àevo adaà aisàadia teà aàp ese teàteseà e esclarecida à luz das representações que as publicações especializadas apresentam das áreas por elas concernidas.

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CAPÍTULO 2

AS REVISTAS

DOS

ANTIQUISANTS

E A

SOCIOLOGIA

61 segundo capítulo da presente tese trata de três temas correlatos, a saber, a especificidade das publicações especializadas nos estudos greco-latinos entre fins do século XIX e inícios do XX, a recepção acordada à escola sociológica francesa em cada uma dessas revistas, bem como os investimentos em termos de publicação aí realizados por sociólogos próximos a Durkheim. Viu-se no capítulo anterior como os colaboradores da primeira série de L’Année Sociologi ue não ignoraram Grécia e Roma Antigas. Ainda que a presença de especialistas, helenistas em particular, só tenha se feito sentir em suas fileiras a partir de 1910, não havia como escapar de um conhecimento que lhes fora duplamente imposto. Por um lado, tal imposição vinha do ensino secundário de então, onde a língua, a história e a literatura greco-latinas eram indispensáveis; por outro, uma vez dentro das universidades e das écoles, os durkheimianos tinham de se ater ao peso nada desprezível dos antiquisants na produção científica e na vida burocrática dessas instituições. Mas isso não é tudo: em suas pesquisas, diante da carência de informes precisos e seguros sobre outros povos e épocas, eles se valeram de bom grado seja de textos e de vestígios materiais dos Antigos seja

Benzer Belgeler