OSMANLI TOPLUMUNDA AĠLE KURUMU
B. TÜRK AĠLESĠNĠN GENEL YAPISI
Como já foi anteriormente referido, um grupo de idosos, mesmo um grupo de idosos que está institucionalizado é um grupo heterogéneo e não homogéneo. Para o conhecer será necessário perceber quem é que esses idosos são, que vínculos afectivos têm, o que fizeram ao longo da vida (que profissões tiveram), qual o estatuto socioeconómico a que pertencem, etc.
Ao longo do estágio e através do preenchimento dos instrumentos SAMES Lar, tivemos oportunidade de conversar com os residentes sobre as suas vidas (que profissões desempenharam, que redes de sociabilidade têm, como é que encaram esta etapa da vida, que percepções têm acerca do lar).
Durante o estágio habitavam o lar 47 residentes, (32 mulheres e 15 homens). Desses 47, conseguimos inquirir 27 residentes através dos instrumentos SAMES Lar. Houve 17 residentes que não foram submetidos aos instrumentos por padecerem de problemas psíquicos (Alzheimer, Esquizofrenia, Síndrome Demencial, etc) e mais 3 residentes com os quais não conseguimos estabelecer relação por não estarem dispostos a colaborar connosco.
Para colmatar a falta de informação destes 20 residentes, tivemos acesso aos respectivos processos psicossociais e pudemos completar as informações em falta.
A média de idades rondava os 83 anos. Havia 3 residentes com menos de 65 anos, entre os 65- 74 (4), entre 75-84 (17) e mais de 85 (22). Para além dos problemas psíquicos havia outras condições precárias de saúde: problemas de mobilidade (23), visão (40), audição (20), orientação espácio-temporal (32) sensoriais (4), respiratórios (16), cardiovasculares (38), digestivos (7 residentes), endócrinos (9 residentes), urinários (14). Dos 47 residentes, só havia uma residente que não fazia medicação prescrita pelo médico, por ironia a mais idosa, com 101 anos.
Face ao descrito, podemos dizer que os problemas físicos e a idade avançada dos residentes deste lar vão ao encontro das evidências teóricas sobre os altos níveis de dependência e de perda de autonomia com os quais os idosos habitualmente dão entrada em lares. Essas características também podem estar relacionadas com os baixos níveis de motivação e interesse da maioria dos idosos nas actividades de animação sociocultural e na vida quotidiana no lar. A verdade é que muitos deles estão recursivamente preocupados com os seus fracos níveis de saúde e bem-estar, e as conversas entre si giram sobretudo à volta destes temas (como poderemos verificar mais à frente), o que lhes deixa muito pouca disponibilidade psicológica para se dedicarem a outros assuntos ou formas de entretenimento. Esta é pois uma dificuldade acrescida para os profissionais que lidam com esta faixa etária.
Sobre os níveis de instrução e as classes profissionais dos residentes, ficámos a saber que 4 são analfabetos, grande parte dos residentes tem somente a 4ª classe (21), 4 frequentaram o antigo 5º ano. Não se verificaram níveis de qualificação superior a este. No que diz respeito às classes profissionais, os homens foram maioritariamente operários (10) e as mulheres vendedoras ambulantes (sem dados), criadas de servir (sem dados) ou domésticas (9). Os
34 restantes inquiridos através dos instrumentos SAMES Lar encaixaram nas seguintes classes profissionais sem género definido: trabalhadores não qualificados da indústria e serviços (9), empregados de balcão ou vendedores (2) e empregados executantes de escritório (4).
Poderemos dizer o mesmo relativamente aos níveis de instrução – notamos que estes idosos fazem parte de uma geração muito pouco escolarizada, oriundos sobretudo das ditas classes populares e que vivenciaram as condições difíceis que se viviam no país à época – condições precárias ao nível da saúde, habitação, emprego, fome, pobreza e escassos acessos à escolarização e à cultura. Se durante o pouco tempo em que frequentaram a escola e/ ou além da profissão não puderam ou não conseguiram desenvolver outros interesses, ocupações, formas de vida alternativas, dificilmente terão iniciativa para, e por si só, procurarem nesta fase da vida novas formas de entretenimento. Por isso, no caso das respostas sociais de apoio à terceira idade é de extrema importância que os técnicos os saibam envolver nas actividades, os questionem sobre os seus interesses, lhes forneçam ferramentas para que os idosos possam munir-se de novos instrumentos e se transformem, em conjunto com os técnicos, em agentes e actores de mudança.
Relativamente ao estado civil dos 47 residentes - 7 estavam casados, 1 estava separado, 27 eram viúvos e 12 eram solteiros. A naturalidade dos residentes dividia-se entre os distritos do Porto (23), Braga (2), Viana do Castelo (2), Guarda (1), do concelho da instituição (2), Aveiro (1), Viseu (1), Guimarães (1), Leiria (1), Angola (2). Houve 11 residentes dos quais não conseguimos saber a sua origem.
O tempo de estadia no lar era elevado: entre 1 e 2 anos (20 residentes), entre os 2 e 5 anos (10), entre os 5 e os 10 anos (7), mais de 10 anos (6), menos de 1 ano (4).
António M. Fonseca, no prefácio do livro de Guedes (2012, p.13à o side aà ueà i e à u àla à de idosos não é uma situação transitória, pois, em regra, depois de entrar não há outra expectativa que não sejaàaàdeàaliàseà i e àat àaoàfi .
Face à nossa formação em Psicologia, foi-nos pedido um apoio mais individualizado relativamente a alguns residentes. Assistimos a muitos relatos sem esperança alguma. Co e t iosà deà eside tesà ueà dize à esta à à espe aà daà o te ,à ueà doà la à s à sae à e à quatro ta uas ,à oàh àout oàsítioàpa aào deàpossa ài ,à ueà oàla à àoà e it ioàdosà i os àouà oà Magalh esàLe os [hospitalà psi ui t i o],à oà la à à u aà p is o,à te hoà saudadesà daà i haà asa ,à gosta aàdeàsai à aisà ezes,àda à aisàpasseiosàouàe t oà ueàhou esseàalguém que fosse o os oà aoà af à ouà ua doà p e isa osà deà o p a à algu aà oisa ,à suge e -nos que os residentes sabem bem que não vão voltar para sua casa, que não têm autonomia, independência ou emancipação.
“o eà aà uest oà la à deà idososà s.à asa ,à osà eside tesà p efe ia à ilà ezes à esta à e à asaà asà t à o s i iaà ueà po à edoà deà esta à sozi hosà ouà po à i apa idadeà físi aà à elho à assi .à
Ao descrever as condições a que os idosos estão confinados, lembramos Campenhoudt (2003, p.54), a propósito das condiç esà daà i stituiç oà total à deà Goff a à ,à aoà ladoà dasà múltiplas regulamentações e interdições que limitam a liberdade de um recluso, a instituição
35 concede-lhe um conjunto de favores e recompensas em troca da sua submissão e da sua ola o aç o à … à todavia, o recluso não permanece inteiramente passivo e desarmado perante os constrangimentos impostos pela instituição (...) Goffman chama a estas práticas adaptaç esàse u d iasà … à adaà e lusoàte ta,à o oàpode,àadapta -se aos constrangimentos da instituição (ibidem) .à
Havia dois residentes (no total de 47), que realizavam tarefas não remuneradas na instituição (de carácter administrativo – comprar o jornal diariamente, ir ao banco, aos correios). Percebemos que estes dois residentes eram da plena confiança do conselho de administração, para além de serem provavelmente os mais capazes no que diz respeito ao manuseamento de dinheiro.
Os lares de idosos podem ser e uipa adosà à ha adaà i stituiç oàtotalit ia àdeàGoffman que, aà suaà o aà Ma i ios,à p is esà eà o e tos 1961, p.11) a define o oà um lugar de residência e trabalho onde um grande número de indivíduos com situação semelhante, separados da sociedade mais ampla por considerável período de tempo, leva uma vida fechadaà eà fo al e teà ad i ist ada . E continua, oà aspe toà e t alà dasà i stituiç esà totaisà pode ser descrito com a ruptura das barreiras que comummente separam essas três fases da vida [dormir, distrair-se e trabalhar]. Em primeiro lugar, todos os aspectos da vida são realizados no mesmo local e sob uma única autoridade. Em segundo lugar, cada fase da actividade diária do participante é realizada na companhia imediata de um grupo relativamente grande de outras pessoas, todas elas tratadas da mesma forma e obrigadas a fazer as mesmas actividades em conjunto. Em terceiro lugar todas as actividades diárias são rigorosamente estabelecidas em horários, pois uma actividade leva, em tempo predeterminado, à seguinte, e toda a sequência de actividades é imposta de cima, por um sistema de regras formais explícitas e um grupo de funcionários. Finalmente as várias actividades obrigatórias são reunidas num plano racional único, supostamente planejado para ate de àaosào je ti osàofi iaisàdaài stituiç o à ibidem, p.18).
Percebe-se por este pequeno trecho a similitude entre a teoria de Goffman e a realidade dos lares de idosos. São maioritariamente espaços onde a autonomia vai sendo cortada mais ou menos rapidamente e onde não há grande amplitude de graus de liberdade. As rotinas diárias são exemplo disso [os horários mais ou menos rígidos, as refeições, os banhos, a pouca oferta de actividades disponíveis, os passeios, a comemoração de datas festivas (aniversários ou outras) dependem da programação feita pela animadora sociocultural tendo em conta a opinião da direcção técnica e da tolerância do conselho de administração.