MESNEVÎNİN 2. CİLDİN (1-906) FARSÇA METNİ VE TÜRKÇE İKİ
3.2. TÜRKÇE METNİN DEĞERLENDİRMESİ
A Europa utiliza o açúcar extraído da cana – até no início do século XVIII,quando seu
consumo se disseminará – de modo regrado na medicina e na culinária. A difusão desse
alimento-droga articula-se ao interesse europeu por três bebidas exóticas: café, chá e chocolate. Bebidas estimulantes que não eram adoçadas em seus solos de origem. E o cultivo da cana-de-açúcar, por sua vez, é marcado pela utilização do trabalho escravo de africanos no Brasil e na América Central, produzindo um laço entre povos e culturas diferentes.
Pode-se dizer que a escravidão e o tráfico de negros africanos constituem o reverso da história do açúcar branco [...] o desterro de milhões de negros africanos foi uma consequência direta do sucesso da produção do açúcar no Brasil e nas Antilhas (VARGAS, 2001, p. 147).
Café, chá e chocolate produziram novos hábitos e dietas. O chocolate,oriundo da América e consumido inicialmente com pimenta, caiu no gosto popular quando o condimento picante foi substituído pelo açúcar, passando a ser consumido, em particular, na Espanha e Itália por católicos aristocratas. Já o café, usado a princípio como medicamento, ao popularizar-se como alimento-droga, teve seu consumo feito em estabelecimento comercial. Antes de entrar nas casas e participar do cotidiano doméstico, o consumo de café foi associado a um hábito burguês ligado aos negócios e/ou à cultura.
A ampliação do consumo de tais produtos, impossível de ser atendida pelo mundo árabe, levou à busca e constituição de novos mercados fornecedores, entre os quais se destaca o Brasil.
O chá era cultivado pelos chineses há quase 5000 mil anos e foi levado à Europa somente no século XVII. No século XVIII surgem na Inglaterra as coffee houses, locais públicos de consumo de café, que começam, dada a generalização do hábito de consumo de chá para todas as classes sociais, a servir mais chá que café.
O hábito muda o estatuto do chá, que passa da condição de “luxo indispensável” à de
“necessidade vital indispensável”. (VARGAS, 2001). E como veremos mais adiante, foi a partir desse alimento-droga e do desinteresse dos chineses pelas manufaturas europeias que os
ingleses descobriram uma nova moeda – o ópio –,com a qual inverteram o resultado da
Antes, contudo, resta mencionar outro importante alimento-droga: o vinho,em torno do qual se constituíram civilizações. Entretanto, o mesmo, fora, anteriormente, civilizado,ou seja, sua produção decorre de um processo de conhecimento técnico de plantio e preparo das videiras,em que as uvas são transformadas pelo trabalho humano e dão origem ao alimento- droga.
A cultura do vinho, originária da Mesopotâmia – de sua parte oriental – e transmitida ao
Mediterrâneo (especialmente aos gregos e romanos), onde ainda é mais consumido, opõe-se à cultura da cerveja. Guarinello (2008) informa que os primeiros registros sobre o cultivo da videira remontam há 4000 anos a.C. e foram encontrados na Ucrânia, Itália e Síria. No Irã foram localizadas as primeiras provas de sua fabricação, através da análise de resíduos químicos encontrados em recipientes arqueológicos, e no Egito e Iraque foram encontrados os primeiros registros escritos sobre o vinho.
Na Grécia a “domesticação da videira data de 2400 anos a.C. [...] os testemunhos mais antigos
de consumo do vinho provêm de Creta”. (GUARINELLO, 2008, p. 190). Na Assíria – atual
Iraque –, rituais de consumo se fixaram e foram, posteriormente, difundidos para o
Mediterrâneo, como um hábito aristocrático.
Da realeza assíria, o hábito se difundiu pelo Mediterrâneo, sendo adotado pelas aristocracias guerreiras que dominavam as então nascentes cidades-estado, seguindo as rotas do comércio fenício e da colonização grega. O consumo de vinho e a prática de banquetes tornaram-se símbolo de prestígio aristocrático. Na Etrúria [atual região da Toscana], por exemplo, a elite importava riquíssimos recipientes para o vinho, como taças de ouro e prata, da Grécia e do Oriente, e conferia tanta importância ao ritual de seu consumo que ornava as paredes de suas sepulturas com cenas de banquete. O vinho passou, assim, a compor uma parte essencial da sociabilidade e do modo de vida das aristocracias do Mediterrâneo, e tornou-se uma presença constante na poesia lírica grega (GUARINELLO, 2008, p.191).
O banquete – ritual da aristocracia grega de consumo do vinho–
era uma reunião noturna de homens amigos. Após a refeição, o anfitrião, chamado “rei do vinho”, estabelecia a quantidade de água a ser misturada ao vinho (que nunca era bebido puro) e quantas taças cada conviva deveria beber(GUARINELLO, 2008, p. 191-192). O rito de diluir o vinho em água constitui-se na Grécia em um demarcador da diferença entre as formas bárbara e civilizada de consumo. Henrique Carneiro (2010) afirma a esse respeito que
o consumo do vinho passa a ser regido por uma noção de mistura com água, o que constitui um modelo de dieta temperada, em oposição ao vinho puro, visto como destemperado e até mesmo perigoso.Os gregos estipularam uma gradação do consumo equilibrado e do excesso alcoólico (CARNEIRO, 2010, p. 27).
De bebida de deuses e aristocratas, o vinho e os modos de consumi-lo, aos poucos, tornam-se
acessíveis e caem no gosto popular. Mais que uma bebida, é um “alimento essencial, um
fármaco e instrumento de sociabilidade, fonte inigualável de prazer, mas também de vício,
símbolo de status social, mas também de degradação moral”. (GUARINELLO, 2008, p. 193,
[grifo nosso]). Nas cerimônias públicas romanas era um benefício concedido ou negado pelos governantes aos governados.
Além de funcionar como elemento que articulava o laço social, a produção do vinho se constituiu como importante atividade econômica dos povos mediterrâneos antigos e criou uma “civilização material”, expressa nos utensílios fabricados para seu preparo, consumo, transporte e conservação, o que fomentou a criação de uma cadeia produtiva e econômica mais ampla.
O ciclo econômico do vinho desdobrava-se numa variada gama de atividades paralelas, que incluía os ofícios de oleiros, marceneiros, bronzistas, pintores, mas também donos de embarcações e seus tripulantes, estivadores nos portos, atacadistas e retalhistas. Durante séculos o vinho foi assim, ao lado do trigo, um dos motores fundamentais da economia antiga (GUARINELLO, 2008, p. 194).
Como já apontado anteriormente, muitas das substâncias psicoativas, inclusive o vinho, eram utilizadas em rituais religiosos. Adotado pelas religiões pagãs ou politeístas e pelas monoteístas, como o cristianismo, o vinho, contudo, e diferentemente das demais, possui uma divindade e culto próprios entre gregos e latinos. Dionísio, para os gregos, e Baco, para os
romanos, “é o único deus olímpico que nasce duas vezes e depois morre e ressuscita”.
(CARNEIRO, 2010, p. 22). Filho de Zeus (ou Jove) com uma mortal, Sêmele (fulminada ao tentar vislumbrar o deus em seu esplendor), Dionísio é implantado na perna de seu pai,
renasce e é novamente – por desejo de Hera, esposa enciumada de Zeus –morto, para voltar a
renascer entre os homens e, especialmente, entre as mulheres no culto bacante.
Fazendo par com a deusa Deméter (ou Ceres) – a Terra, deusa dos cereais –, Dionísio
representa a
vindima e a colheita e, portanto, a sucessão dos ciclos e das estações e das técnicas humanas de sobrevivência [...] juntos e mais a azeitona e seu azeite constituem a trindade alimentar mediterrânea, por excelência: vinho, pão e azeite, e, não por acaso, apropriadas pelo cristianismo vieram a se tornar as três substâncias mais sagradas, representando a encarnação da própria divindade e a unção das sagrações (CARNEIRO, 2010, p. 26). Dionísio é também nômade, “vaga pelo mundo como eterno estrangeiro”, epidêmico e epifânio. E, como o vinho, também teria origem oriental.
[...] nas culturas da Ásia Menor e adjacências, como os trácios e os frígios, ou, na ainda mais distante Índia védica, onde ele se confundiria com a divindade Shiva. No Egito também podem ser encontrados vestígios muito antigos da produção do vinho, e a figura de Osíris partilha atributos dionisíacos (CARNEIRO, 2010, p. 24).