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2. ARAŞTIRMANIN KURAMSAL AÇIKLAMALARI

2.3. TEMEL DĐL BECERĐLERĐ

2.3.5.1. Türkçe Dersi 8 Sınıf Öğretim

Nessa consulta, o paciente está a um ano e três meses do falecimento de Clara, passando pela data do falecimento e se aproximando da data que lhe lembra o casamento:

Sinto saudade de como eu era, saudade de mim. Hoje vivo com medo e é um medo diferente, tem uma intensidade grande, às vezes parece uma ansiedade, sei que nasceu do trauma... Penso a vida como num jogo de cartas, na aposta que todo mundo faz, foi errado apostar? Se no que dependeu de mim sempre tentei fazer a coisa certa, então por quê? Eu considero o que pensava no passado, a lógica do mundo antigo como você diz. Sei que tudo isso tá mudando, mas me pergunto se o meu medo tem a ver também com essa falta de fé, essa falha na fé... só que hoje não dá mais pra viver construindo fantasias pra ficar bem. Se temos que inventar Deus pra sermos pessoas melhores, ou pra nos sentirmos bem, ou seguros, então pra mim ele de verdade não existe. Eu não aceito ideias construídas no faz-de-conta, porque elas não dão sustentação suficiente, eu preciso do real, de algo que minha cabeça não alcance manipular, que venha pelo sentir, pelo inquestionável, porque pensar tá muito confuso. Ao mesmo tempo me pergunto, será que sou eu que tô sendo muito exigente? Será que não sou eu que não tô mais confiando em mim? E é só isso, a vida é isso... Sei lá. E às vezes eu tenho a nítida sensação de que não é minha fé que tá frágil, ou pequena, ou duvidosa... Às vezes eu tenho a nítida sensação que tem algo sabe... Algo que vem até mim, porque é algo que eu não pensei, não é inventado, eu sinto, só sinto, assim do nada, é uma espécie de fluência, simplesmente flui, faz as coisas fluírem, coisas boas, que amenizam um pouco de tudo, se tu ceder a isso. Mas me dou conta, que bom que é algo que eu não controlo, que não nasce do meu pensar, porque hoje eu ainda não me sinto inteiro pra confiar no que penso. [...] A

210 Ibidem, p. 363.  211

 Idem.   

impressão que eu tenho hoje é que na minha vida eu entreguei tudo, eu me entreguei, eu vivia entregue, entende? Eu entreguei tudo e fiquei no vazio. Acho que talvez seja a morte que faça a gente sentir como falta de fé essas duvidas, uma falta de fé, de esperanças... O que aconteceu com a gente gerou uma inteira desproteção, acho que é essa desproteção...

Nesse trecho, Bruno regride temporariamente, sente dor pelo mundo perdido, saudades de se sentir mais leve e despreocupado. Está descontente com a maneira com que o mundo funciona, chega a comparar a vida a um jogo de cartas.

Em uma produção mais antiga, Moltmann desenvolveu um estudo sobre as perspectivas simbólicas construídas como sinônimas do mundo, onde explorou concepções, como: Gaia, Mãe-Terra, Mundo como Dança, Grande Teatro Mundial e o Jogo como Símbolo do Mundo, entre outras simbologias.212

O jogo, como símbolo do mundo, foi compreendido por Moltmann na perspectiva de redenção, no sentido de acompanhamento da Graça, em que o destino não é algo com o qual o ser humano teria que se preocupar, muito menos com a consciência das experiências passadas, a fim de captar possibilidades futuras.213

À luz de Moltmann, então, Bruno poderia estar buscando reassegurar-se diante da nova concepção de mundo, atento, consciente, e desapontado com a realidade com a qual se depara, e movimentar-se para se reconhecer como alguém que pode interferir de modo pró-ativo. Assim escreveu Moltmann:

Tornamo-nos ativos até o ponto que esperamos. Esperamos até o ponto que olhamos para o horizonte das possibilidades futuras. Empreendemos aquilo que consideramos possível. Se esperamos, por exemplo, a continuidade do mundo como ele é, mantemos as coisas assim como elas são. Se esperamos um futuro alternativo, modificamos as coisas, na medida do possível, já agora, de maneira correspondente. [...] O agir sustentado pela esperança é um agir livre, não forçado. [...] A esperança é sempre expectativa alerta. Ela desperta a atenção de todos os sentidos [...] se diferencia [...] de uma simples [...] espera paciente. Onde todos os sentidos ficam atentos, a razão humana se torna portadora de um saber transformador.214

Por isso, para Moltmann, se pode afirmar que a renovação do mundo está desde já também nas mãos daqueles que sofreram.

212 MOLTMANN, J. Doutrina ecológica da criação: Deus na criação. Petrópolis: Vozes, 1993. p. 422‐  446.  213

 Ibidem, p. 440. 

Na desconstrução e reconstrução de sua fé, aqui, não é que Bruno veja sua fé frágil ou não compreenda Deus; na verdade, o paciente em sua catarse confirma o esvaziamento, o despojamento vivido. Tema, que, no luto, Moltmann associa à

kenose: “Quem se entregou totalmente no amor a outra pessoa também morre

pessoalmente nas dores do luto e renasce .” 215 Eco da experiência cristã.

É nesse período que, como se pode acompanhar no ANEXO B, na consulta de número 50, o paciente demonstra, através de um texto escrito e entregue em psicoterapia, sua consciência plena sobre a dor e o despojamento experienciados.

Para Moltmann as ondas de pesar, como sugerem também Parkes e Bowlby, precisam ver vividas; ele indica que é preciso que se dedique tanto tempo ao luto quanto se dedicaria àquele amor. Moltmann refere:

Não há nada que possa substituir para nós a ausência de uma pessoa querida e nem se deve tentar isso: simplesmente é preciso suportar e aguentar; isso à primeira vista soa bastante duro, mas é ao mesmo tempo um grande consolo, pois permanecendo realmente aberta a lacuna, por meio dela permaneceremos unidos.216

De fato, de acordo com os principais autores que embasaram esta pesquisa, somente o luto reconhecido, expresso e vivenciado restabelece o amor à vida, após uma perda.217 Porém, integrado às construções teológicas aqui exploradas no acompanhamento clínico, tem-se para o processo de recuperação e reconstrução da vida, forças e riquezas que, de modo algum, seriam alcançadas dentre os limites da Antropologia.

4.3.9 Análise do conteúdo teológico do Caso B – nono recorte contido na

Benzer Belgeler