4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.1. Türbülans Modelleri Karşılaştırması
Pelo menos cinco leitores se declararam adeptos do catolicismo ou do cristianismo, mas fizeram ressalvas quanto às leis da igreja. Exemplo: “Como católico que sou, muito me admirei pelas iniciativas infelizes destes verdadeiros representantes da Igreja”127. Ao relativizar o poder que a crença exerce sobre eles em comparação com as leis civis, os leitores clamam pela aplicação das leis civis, caso a situação envolva o bem-estar social, e pela promoção de valores como a moral e a dignidade.
Isso também é claramente visto através do posicionamento de todos no sentido de condenar a atitude do bispo de Olinda. Nove basearam sua argumentação na separação Igreja/Estado, ou seja, num valor – a lei civil –, como se pode ver pelo exemplo: “Eu gostaria de amar a Deus de forma mais democrática, sem permitir que humanos como eu venham a me dizer o que é certo ou o que é errado e, diante de tanta hipocrisia da Igreja de Roma, se quiserem me excomungar eu não vou achar ruim”128.
Apenas um não admite o laicismo e preferiu concentrar sua queixa sobre a forma como uma articulista do jornal tratou o tema: “Discutir abertamente, para ela (a jornalista), é deixar de lado a filosofia, a ética e a religião? E em quê, então, basear- se-ia tal discussão? [...] Faço questão de esclarecer que [...] também me indignei com a postura e atitude do arcebispo de Olinda e Recife. Daí a fazer a apologia do aborto e condenar a defesa da vida, excluindo da discussão seus partidários, vai uma grande diferença”. Seu argumento tem base em valores como a filosofia, a ética e a religião. Porém, ele demonstra, através das palavras finais, o drama que lhe
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Trechos extraídos de outras cartas: “Estranhamos a rapidez como a Igreja agiu para o julgamento, não respeitaram o que Jesus disse, Não julgueis para não seres julgado”; “Lembraram somente dos fetos alegando a ceifação de inocentes que ainda estariam por nascer e esqueceram que esta gravidez estaria trazendo, com certeza, a ceifação da vida da criança portadora daqueles fetos”.
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Trechos extraídos de outras cartas: “já passou da hora da sociedade parar de tentar convencer esses profissionais da fé a diferença entre o que é de Deus é de Deus, o que é do homem é do homem”; ”a religião não pode e nem deve determinar autoritária e unilateralmente o comportamento da sociedade. [...] nenhuma visão religiosa deve imperar – arbitrariamente – sobre a consciência dos cidadãos”; “Se o estado não interfere nas ações da igreja nada mais justo que do que a igreja respeitar as leis vigentes no País”.
causa a fenda aberta entre sua condição de crente e sua condição de cidadão: “Faço questão de esclarecer que [...] também me indignei com a postura e atitude do arcebispo de Olinda e Recife”.
Esse mesmo drama foi resolvido por outro leitor que deslocou a problemática da igreja para o bispo de Olinda. Diz ele “O bispo [...] falou em nome pessoal e não da Igreja Católica. [...] Sua posição não pode ser assumida como uma posição oficial da Igreja Católica no Brasil”. Recorreu a valores como a igreja e seus representantes, colocando cada um em sua posição hierárquica: primeiro a instituição, depois seus homens. Destacou a superioridade da instituição igreja frente aos seres humanos que respondem por ela.
Outros preferiram apelar para o perdão de Deus, tanto para si e para os responsáveis pelo aborto, quanto para o bispo. Exemplos “Que Deus me perdoe”129. Nesse ponto já se percebe a presença de valores como a intervenção divina. Deus está acima das leis da igreja e da lei dos homens.
Mas esses mesmos leitores, ao tratarem do fato dentro do contexto terreno, dividem seu drama com a própria igreja tirando dela sua aura divina. Ela se iguala aos homens, pois peca ao não condenar seus membros que falham no que se refere à honra, à dignidade e à idoneidade moral. Portanto, como pecadora, deveria apoiar as leis civis. Exemplo: “como ficam os milhares de Padres, Bispos, tidos como Pedófilos, Homossexuais, que [...] quando descobertos são recolhidos ao Vaticano sem nenhum tipo de julgamento?”130
E é em valores – como as leis civis e biológicas – que eles se baseiam para justificar por que se posicionaram a favor do aborto. Exemplo: “O Código Penal Brasileiro admite o aborto em duas hipóteses”131. Um leitor lembrou ainda de outra
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Trecho extraído de outra carta: “Dom José Cardoso Sobrinho necessita de oração, para que, nesta quaresma, ele se converta e seja sinal de comunhão entre Deus”.
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Trechos extraídos de outras cartas: “será que pegaria mal excomungar o bandido, visto que já houve casos semelhantes praticados por religiosos e ninguém foi excomungado?”; “A vaidade pessoal do bispo falou mais alto do que aquilo que é próprio de quem é pastor: ser sinal de Deus na vida, para consolar os que sofrem injustamente”.
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Trechos extraídos de outras cartas: “foi conseqüência de um mal necessário para salvar a vida de uma das três vidas que seriam perdidas”; “Esses senhores [...] não têm nenhum compromisso e condescendência com os mais básicos princípios fundamentais dos nascituros, tais como nascer e viver de maneira digna, sendo amado, querido, desejado e protegido por seus progenitores, pois fruto de uma decisão amadurecida e consciente”; “necessitou submeter-se a um aborto até mesmo por questões de ordem física e biológica [...] Não há nada de ilegal nisto, muito menos é necessário mudar uma linha sequer da legislação vigente!; e com certeza absoluta esta inocente não comporta dar a luz”.
lei – a dos próprios criminosos: “o estupro não é aceito nem pela comunidade carcerária, o que dizer da vítima e seus familiares”.
Na visão deles, a gravidez não é compatível com a condição de criança que a menina/mãe ocupa, o que levou a uma inversão hierarquica. Quando era ela quem deveria estar sendo criada e protegida, a igreja queria forçá-la a ocupar a posição de criadora e protetora. Os valores aqui se apresentam: os leitores são solidários, e reivindicam que a menina seja tratada com lealdade pela igreja e que o padrasto seja condenado por quebra de confiança, como fez a justiça. De certa forma, os leitores buscam comprovar a superioridade das leis civis sobre as religiosas, pelo ao menos no contexto do fato analisado.
Esses valores, lugares e hierarquia estão presentes também na qualificação que os leitores fazem dos sujeitos envolvidos no caso. Para eles, o padrasto é “monstro, facínora, crápula, bandido”; os membros da igreja são “justiceiros da moral e dos bons costumes, Reverendíssimos e autodenominados representantes de Deus, profissionais da fé”; a igreja Católica é “hipócrita e seita”; e a menina “inocente, imatura, frágil e franzina”.
E eles ainda fazem um diagnóstico da posição atual da igreja, prevendo seu futuro, caso ela não modifique seus valores. Exemplo: “Será que a igreja não está na hora de rever sua posição ou o Vaticano continuará perdendo milhares de fiéis para outras doutrinas ditas mais evoluídas?”132.
Quatro leitores citaram o Estado de Minas como fonte de informação sobre o caso e dois fizeram questão de citar sua profissão: um é procurador da justiça aposentado do Ministério Público de Minas Gerais e outro advogado e professor aposentado da rede municipal de ensino.