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ESTETİK UZMANLARININ BEDENİN YENİDEN İNŞASINA DAİR GÖRÜŞLERİNİN SOSYOLOJİK BİR DEĞERLENDİRMESİ

2. Estetik Uygulamalarının Nedenlerine Dair Bulguların Değerlendirilmesi

2.3. Tüketim kültürü

Neste tópico foi possível identificar que os trabalhadores do SAMU carregam o peso da responsabilidade pela sobrevivência e alívio da dor do outro. Essas ações, devido a sua gravidade, precisam ser realizadas com agilidade e precisão, pois quanto mais rápido concluírem, melhor será para o paciente que está sendo atendido e para aqueles que os esperam nas próximas ocorrências.

Então, fica claro que o ritmo de trabalho dos técnicos em enfermagem no SAMU é intenso; que cada minuto consumido numa ocorrência é valorizado e aproveitado ao máximo; que usam diversos meios para superar os obstáculos e encontrar soluções o mais rápido possível; que, portanto, a cooperação torna-se o coração de cada atendimento e principalmente daqueles que implicam em maiores riscos tanto para os profissionais quanto para os usuários.

O ritmo de trabalho, assim como as questões salariais e bonificações, está relacionado à ansiedade. Embora o SAMU não seja um serviço que impõe metas, o senso de responsabilidade e dever dos trabalhadores os impulsionam a acelerar para acompanhar a

velocidade do fluxo de ocorrências que chegam à central (Dejours, 1992). Essa situação está representada neste trecho das instruções ao sósia:

(…) a situação é o seguinte, você não tem muito tempo pra tá numa ocorrência, quanto mais rápido você terminar aquela ocorrência mais você fica livre pra outras (…) como são poucas equipes pra cobrir a cidade toda, então você tem que ficar em QAP o mais rápido possível (…) você tem que fazer seu serviço bem feito, porém (…) com mais agilidade (…) como você trabalhar em equipe, você tem a abertura de ajudar, auxiliar o enfermeiro, seja na abordagem (...) procedimentos, em tudo (…) a própria situação da ocorrência pede pra que a equipe seja um pouco mais ágil (…) (T.15 – Instruções ao sósia)

Para lidar com essa ansiedade, é necessário o desenvolvimento de defesas coletivas, próprias dos trabalhos realizados em grupo. Assim, há situações de trabalho que permitem a esses profissionais superarem as questões hierárquicas com muita frequência e agirem com autonomia. Esse poder de agir traz alívio aos indivíduos e satisfação quando a ação é bem sucedida.

Atualmente, com a inclusão do enfermeiro nas ambulâncias, os técnicos em enfermagem perderam uma parcela considerável da autonomia que possuíam. Isso porque quando trabalhavam em dupla com o condutor, estavam em uma posição próxima, senão de igualdade e seus superiores que ficavam na base central e as tensões e conflitos com a hierarquia ficavam longe do campo da ação.

Embora os técnicos sempre tenham sido limitados por dependerem da regulação médica, esse sentimento de limitação, com a entrada de um superior, no caso do enfermeiro, nas ambulâncias intensificou-se. A angústia que sentem diante do desejo de fazer o melhor e

dar tudo de si na ocorrência, entra em conflito com a impossibilidade de agir sem a regulação, sem a orientação dos superiores. Portanto, os técnicos agora atuam sob as ordens do médico regulador e os olhares atentos do (a) enfermeiro (a) fazem com que se sintam em muitos momentos de mãos atadas.

Cabe destacar que os técnicos entendem que sob vários aspectos, a presença do enfermeiro é algo positivo, pois é mais uma pessoa para agregar à equipe em termos de conhecimentos e habilidades, além disso, as responsabilidades foram redistribuídas. Entretanto, muitos aspectos negativos foram assinalados, principalmente em relação à autonomia.

Nesse sentido, o relacionamento com a hierarquia aparece como uma das fontes de sofrimento para estes profissionais, que se sentem muitas vezes sozinhos e inseguros. Não sabem a quem recorrer nos momentos de necessidade e se sentem amarrados entre tantas normas, protocolos e ordens superiores. Por essa razão, as ocorrências de maior gravidade são fonte de prazer no trabalho, pois como foi identificado anteriormente, nesses contextos a equipe mobiliza-se para a ação e a hierarquia fica em segundo plano.

Essa relação de desconfiança e perda da autonomia reflete na saúde desses trabalhadores, na qualidade de vida e consequentemente nos resultados de seu trabalho e, em longo prazo, os prejuízos psíquicos para esses indivíduos podem ser ainda maiores. Por isso, os atendimentos de maior gravidade parecem atrativos a estes profissionais, não apenas porque podem usar todas as suas capacidades, mas porque as tensões com a hierarquia diluem-se e a cooperação se sobressai.

O sistema de regulação também é uma fonte de desagrado para os indivíduos e contribui para o aumento da ansiedade, pois ficam muitas vezes de mãos atadas até que consigam contato com a regulação, como vemos na fala do participante abaixo:

O que a gente tem muita dificuldade no serviço (…) hoje é na parte de regulação (…) conseguir uma regulação mais rápida (…) a segunda regulação que tem que se falar com o médico pra saber qual o procedimento é bem mais demorado porque às vezes o médico tá em outras ligações (…) a gente tá com o paciente lá e (…) a família tá toda lá e estão cobrando que você faça alguma coisa e você não pode fazer alguns procedimentos sem ordem médica e fica aquela ou você faz ou você faz e às vezes a gente precisa (...) colocar na viatura e sair do local porque o público tá agressivo, às vezes bate na ambulância (…) (T.6).

A relação com os hospitais também aparece nessa categoria como uma fonte de sofrimento, isto porque o SAMU tornou-se um incômodo para os profissionais dos hospitais. Os médicos, enfermeiros e os próprios técnicos em enfermagem destratam frequentemente a equipe do SAMU, recusam-se a receber os pacientes e projetam na equipe a responsabilidade pela falta de aviso prévio da regulação, que, como já foi abordado anteriormente, é um processo falho, não por culpa dos médicos reguladores ou dos hospitais, mas devido às demandas dos serviços, à superlotação nos hospitais e aos mecanismos falhos de comunicação entre as instituições e o SAMU.

Tais achados, corroboram os estudos de Silva et al. (2009), que apontam o comprometimento da continuidade e qualidade do serviço prestado devido à ineficiência das condições de trabalho e infraestrutura da rede de assistência à saúde conforme pode ser constatado no relato a seguir:

(…) considero mais difícil (…) é deixar o paciente no hospital (…) você lidar com o médico, você chega ao hospital... (…) até porque não existe vaga nos hospitais (…)

Então assim, a gente briga muito, então essa é a parte mais difícil, é se estressar com o médico (…) pra ajudar meu paciente eu vou e eu brigo (…) (T.7).

Observamos então, que existem muitos conflitos interpessoais, mas a grande maioria deles ocorre devido às condições de trabalho, as limitações profissionais dos técnicos e aos constrangimentos organizacionais, tendo as normas e a posição da hierarquia como pontos centrais de dificuldades nesse processo.