VIII. 6502 Sayılı Tüketicinin Korunması Hakkında Kanun ‘da Tüketici Kredisi Olarak Kredi Kartı Sözleşmeler
10. Tüketici Kredisi Sayılan Kredi Kartı sözleşmelerinde Kart Aidatları ve Hesap İşletim Ücret
Nossa hipótese de trabalho é que o seminário católico, enquanto estabelecimento, constitui-se num bloco de condições materiais objetivas, de relações de comunicação, de saber e de poder, de práticas de si, de produção de subjetividade. Acreditamos que a atividade que assegura o aprendizado e a aquisição de aptidões ou tipos de comportamento aí se desenvolve através de todo um conjunto de comunicações reguladas (aulas, perguntas e respostas, ordens, exortações, signos codificados de obediência, marcas distintivas do valor de cada um e dos níveis de saber), através de uma série de procedimentos de poder (enclausuramento, vigilância, exame, recompensa e punição, hierarquia piramidal) e de um trabalho sobre si mesmo (auto-observação, auto-análise, práticas espirituais de meditação e de oração, etc). Esses elementos formam o plano instituído, que pode ser mapeado através de
observação participante e de entrevistas (BENELLI, 2006a) com os diversos atores institucionais.
No caso do seminário católico, um dos elementos fundamentais do plano instituinte provavelmente seria a experiência da fé num transcendente e do chamado à vida sacerdotal na Igreja católica: o seguimento de Jesus, a busca de união com Deus e o serviço da liderança na comunidade católica. O objeto institucional do seminário é a vocação sacerdotal. Sua função é acolher os jovens que se sentem chamados por Deus para serem ministros ordenados na Igreja, para discernir a autenticidade deste chamado e preparar os candidatos para assumirem o sacerdócio. Essa dimensão pode ser mapeada na produção teológica relativa à vocação sacerdotal e nos diversos estudos e propostas sobre a formação sacerdotal (JOÃO PAULO II, 1992; CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL, 1995, 2001; COZZENS, 2001, 2004; MARMILICZ, 2003, PEREIRA, 2004, 2005). Buscamos mapear os planos instituintes e instituídos, procurando verificar suas conexões, implicações, contradições e adequações, entendendo-os como produtores de uma subjetividade específica.
No plano teológico católico, a mística (SUDBRACK, 1993; LIMA VAZ, 2000) e a espiritualidade remetem a “uma experiência de Deus autêntica que brota do interior da existência” (RAHNER, apud LIBANIO, 2003, p. 96), a uma vida centrada na fé em Jesus Cristo (MOIOLI, 1989). Embora a “mística”, o conhecimento do Absoluto de Deus pela experiência e de Jesus como sentido fundamental da vida sejam algo da ordem do inefável, vivido no plano da fé, seu registro se encontra no plano teológico (BINGEMER, 2004a).
O plano místico e o psicossocial do seminário católico (relações de poder, práticas discursivas, práticas pedagógicas, psicológicas e espirituais) constituem dois universos certamente distintos e irredutíveis, mas não necessariamente opostos, pois podem ser considerados dialeticamente complementares: o candidato ao sacerdócio é um ser humano,
sujeito ao mesmo tempo constituído por espírito e psiquismo (SUDBRACK, 2001). “A graça supõe a natureza existente na pessoa humana, em suas condições psicossociais, e naturalmente, em suas condições bio-fisiológicas.” (ZAVALLONI, 1989, p. 994). Nesse sentido, a dimensão espiritual do seminarista não se opõe à sua dimensão psicológica, nem uma pode ou deve existir sem a outra. À Psicologia, como ciência, não cabe um juízo de verdade acerca do objeto da fé ou da mística, mas cabe uma análise acerca do comportamento humano intencionado para aquele objeto. É nesse plano que o grande psicólogo da religião, A. Vergote (1997), de Leuven, situa a possibilidade, e talvez a responsabilidade, do pesquisador em Psicologia. Não se trata, pois, a rigor, de um enfoque interdisciplinar, mas de um enfoque psicológico informado da especificidade do comportamento em tela.
“Se é verdade que a vida espiritual não depende em seu mistério senão da graça e que ela transcende, portanto, o psiquismo humano, também é certo que este último condiciona sua eficácia.” (ZAVALLONI, 1989, p. 999). Daí se conclui a importância da atividade educativa, do processo pedagógico formativo (PEREIRA, 2004, p. 274) que deve favorecer as condições humanas dos seminaristas e dirigi-los para a maturidade psicológica, alicerce da espiritual. A integração pessoal, a sociabilidade com o outro e o compromisso com a sociedade e com a história formam uma unidade radical fundada e transversalizada pela dimensão transcendental (LIBANIO, 2003, p. 100).
A formação, a educação, ou a produção institucional de um sacerdote católico pode ser estudada na dimensão psicossocial, analisando-se o dispositivo seminário católico no plano das práticas cotidianas, dos discursos dos atores institucionais e também do saber (teorias pedagógicas, psicológicas e teológicas sobre a formação sacerdotal). A dimensão mística pode ser captada no plano do saber (teologia espiritual e mística), no âmbito da prática (atividades específicas da dimensão espiritual da formação sacerdotal: liturgia, oração pessoal e comunitária, retiros espirituais, direção espiritual, etc) e nos relatos da experiência espiritual
(NUNES JÚNIOR, 2001), focalizando elementos que se aproximam de uma vivência mística: valores, atitudes e comportamentos dos seminaristas e formadores ao longo do processo formativo sacerdotal. Uma certa síntese de ambas as dimensões, porém estritamente a partir da epistemologia da Psicologia, é oferecida por A. Vergote (1969).
Nosso estudo anterior (BENELLI, 2006a, 2006d) permite-nos colocar a hipótese de que o seminário católico, de um modo geral, seria constituído pela conjunção do modelo monástico com o do internato escolar, adaptados aos dias de hoje, mas funcionando a partir das estruturas matriciais. Acreditamos que nesse microcosmo se desenvolve uma possível subjetividade específica, por isso focalizamos a vida institucional de um modo global. Procuramos elementos que nos permitissem cartografar essa especificidade. Quisemos assim verificar como a subjetividade é construída no seminário teológico e através de quais processos ela é produzida.
Algumas questões inquietantes emergiram a partir de nossa pesquisa de mestrado. Elas são passíveis de novos desenvolvimentos nesta pesquisa de doutorado, pois ainda não foram esgotadas no trabalho anterior.
Em que termos podemos definir a dimensão instituída, portanto reprodutora de relações sociais e subjetivas dominantes? Como essa dimensão se atualizará nas práticas de formação? Escaparia o seminário teológico ao conceito de Aparelhos Ideológicos do Estado (ALTHUSSER,1983), ou seja, instituições que mais operam pela forma do que pelo conteúdo? Pensando o seminário teológico como dispositivo de produção de subjetividade, qual será a característica dominante de sua produção: subjetividade serializada ou singularizada? Se considerarmos, por hipótese, que as funções instituídas do seminário teológico estão em paralelo com as das instituições totais (GOFFMAN, 1987), disciplinares (FOUCAULT, 1999) e dos Aparelhos Ideológicos do Estado, em que termos poderão atualizar-se suas funções instituintes, e em que proporções em relação às instituídas? Como os
sujeitos experimentam os efeitos de anos de vida institucionalizada no processo formativo sacerdotal?
No plano místico, aspecto não investigado na pesquisa de mestrado temos as seguintes interrogações: quais são as perspectivas místicas presentes na Igreja católica hoje? Qual é a configuração dessas tendências espirituais? Qual sua influência nos rumos da instituição eclesial? Elas aparecem no seminário teológico que é nosso campo de investigação? Qual é sua incidência na formação dos futuros presbíteros? Há uma espiritualidade sacerdotal que serve como fio condutor do processo formativo no seminário teológico? Quais são as intersecções e/ou contradições entre as dimensões místicas e as relações de poder no contexto eclesial e na instituição seminário teológico? É na direção dessas questões, entre outras, que fizemos avançar nossa pesquisa de doutorado.