2.6 Tükenmişlik Sendromunun Tanımı
2.6.5 Tükenmişlikle Başa Çıkma Yolları
No trabalho de campo, perguntamos aos 36 sujeitos entrevistados: quem participava da gestão nas unidades escolares? Os depoentes eram livres para indicar quem quisessem e fazer as associações que julgassem melhor, para responder a questão. Os diretores escolares e os coordenadores foram os mais lembrados como membros integrantes da gestão escolar, com 97,2% e 86% respectivamente, como podemos observar no Quadro 7:
QUADRO 7 – Gestão Escolar na RME/BH: participantes
PARTICIPAM DA
GESTÃO ESCOLAR
ENTREVISTADOS TOTAL
(36)
SMED GERED D.E C.E CEI.E.
Direção SMED1 SMED2 SMED3 GERED1; GERED2; GERED3; GERED4; GERED5; GERED6; GERED7; GERED9
D.E1; D.E2; D.E3; D.E4; D.E5; D.E6;
D.E7; D.E8
C.E1; C.E2; C.E3; C.E4; C.E5; C.E6;
C.E7; C.E8
CEI.E1; CEI.E2; CEI.E3; CEI.E4; CEI.E5; CEI.E6;
CEI.E7; CEI.E8 35 (97,2%) Coordenadores SMED1 SMED2 SMED3 GERED1; GERED2; GERED3; GERED4; GERED5; GERED6; GERED7; GERED9
D.E4; D.E5; D.E6; D.E7
C.E1; C.E2; C.E3; C.E4; C.E5; C.E6;
C.E7; C.E8
CEI.E1; CEI.E2; CEI.E3; CEI.E4; CEI.E5; CEI.E6;
CEI.E7; CEI.E8 31 (86,1%)
Professores GERED5 D.E2; D.E4; D.E6 C.E1; C.E6 CEI.E2 7 (19,4%)
Colegiado SMED1 GERED7 D.E1; D.E4; D.E7; D.E8 CEI.E1 7 (19,4%)
Gestor Financeiro GERED1; GERED7 D.E3; D.E6 C.E5 5 (13,8%)
Secretário/a
Escolar GERED6; GERED7 C.E5 CEI.E3; CEI.E4 5 (13,8%)
Estudantes SMED1 D.E1; D.E2; D.E4 4 (11,1%)
Diretrizes da SMED/BH
SMED2
SMED3 GERED3; GERED5 4 (11,1%)
Funcionários D.E2; D.E4; D.E6 3 (8,3%)
Acompanhantes da GERED
GERED3; GERED4;
GERED5 3 (8,3%)
Pais D.E1; D.E2; D.E4 3 (8,3%)
Família SMED1 SMED3 2 (5,5%)
Grupos
Comunitários D.E2; D.E7 2 (5,5%)
Assembleia
Escolar D.E8 1 (2,7%)
Comunidade
Escolar GERED8 1 (2,7%)
Caixa Escolar D.E6 1 (2,7%)
Fonte: Banco de Dados elaborado pelo autor a partir das entrevistas.
Os ‘Professores’ e o ‘Colegiado Escolar’ aparecem empatados, sendo citados por sete
depoentes ou 19,4% do total. A Assembleia Escolar, instância máxima de deliberação das unidades escolares, de participação direta da comunidade escolar na gestão escolar, foi lembrada por uma única depoente (D.E8). Somente quatro depoentes (11,1%) incluíram o
segmento escolar dos estudantes e três (8,3%) incluíram o segmento dos pais. A baixa
‘presença’ desses segmentos na gestão escolar também foi identificada nos registros escolares
dos Colegiados Escolares e das Assembleias Escolares, como será demonstrado nas seções seguintes.
A eleição para o cargo comissionado de Diretor Escolar e a função de Vice-Diretor na RME/BH, como visto no capítulo quatro, continuam direta e secreta, garantida a participação de todos os segmentos da comunidade, como previsto na legislação82. Porém, como observado, no decorrer das duas últimas décadas, foram feitas várias alterações que impactaram diretamente no processo eleitoral, entre as quais, destacamos: formação de chapa com um ou dois Vice-Diretores, sendo um para a sede e outro, se for o caso, para a UMEI vinculada à escola; mandato da direção de três anos, mantido o direito de uma reeleição
consecutiva; redução paulatina nos ‘tempos’ destinados ao pleito; maior ingerência da
SMED/BH na feitura do Plano de Governo dos candidatos; obrigatoriedade da assinatura do
‘Termo Compromisso de Gestão’, com consequente centralização e responsabilização da
direção escolar, seja na oferta dos serviços educacionais, medido pelas avaliações sistêmicas dos governos federal (SAEB/Provinha Brasil), estadual (SIMAVE) e municipal (AVALIA- BH), seja na gestão de pessoal com a contratação de inúmeros profissionais, via Caixa Escolar, para manutenção e conservação do prédio escolar, cantina, portaria, vigilância e monitoria dos inúmeros programas criados pela própria SMED/BH.
Assim, na RME/BH, ao longo dos anos, as eleições são mantidas, mas com gradativos acréscimos nas funções/responsabilidades dos diretores escolares, trazendo, em meu entendimento, maior centralidade à sua figura, como será demonstrado a seguir.
No estudo documental detalhado no capítulo quatro, identificamos que a SMED/BH, principalmente pós-criação do PBHMR, instituiu a obrigatoriedade dos diretores eleitos
assinarem o ‘Termo de Compromisso da Gestão’, como registrado na fala da depoente D.E1: “(...) Na época do processo eleitoral, a gente tem, todo candidato tem, que apresentar uma proposta de trabalho e com ela o nosso compromisso”. A ‘proposta’ a ser apresentada pelos
82
BELO HORIZONTE. DECRETO MUNICIPAL N. 13.363/2008; BELO HORIZONTE. PORTARIA SMED/BH N. 262/2011.
candidatos segue um roteiro prescrito pela SMED/BH, cada vez mais detalhado e alinhado
aos ‘mapas estratégicos’ da própria SMED/BH, também apresentados no capítulo anterior.
Pós-eleição, o ‘Plano de Governo’ do Diretor e seu(s) Vice(s), construído seguindo
orientações da SMED/BH, se transforma em instrumento de monitoramento das ações, dos serviços prestados na unidade escolar e, principalmente, se as metas pactuadas estão sendo cumpridas, tudo sob a responsabilidade do Diretor Escolar (BELO HORIZONTE. PORTARIA SMED/BH N. 262/2011). Em síntese, a SMED/BH induz os diretores escolares
tanto nos momentos de feitura do ‘Plano de Governo’ e do ‘Plano de Metas’, quanto nos de
sua execução. Pode-se dizer que há uma ingerência da SMED/BH na gestão das escolas, por meio desses instrumentos, dando uma maior centralidade à figura do Diretor Escolar.
Perguntamos aos entrevistados se as unidades escolares da RME/BH têm ‘Plano de
Metas’ e quem o construiu. A maioria absoluta (83,3%) respondeu afirmativamente; somente
a depoente C.E4 disse que sua escola não tinha; os demais (cinco depoentes ou 14%) disseram não saber, conforme síntese apresentada no Quadro 8.
QUADRO 8 – Plano de Metas das escolas da RME/BH
A Escola tem
Plano de
Metas?
ENTREVISTADOS
TOTAL (36)
SMED GERED D.E C.E CEI.E
Sim SMED1; SMED2; SMED3 GERED1; GERED2; GERED3; GERED4; GERED5; GERED6; GERED7; GERED8 D.E1; D.E2; D.E3; D.E4; D.E5; D.E6; D.E7; D.E8 C.E1; C.E2; C.E3; C.E5; C.E6; C.E8 CEI.E2; CEI.E3; CEI.E4; CEI.E5; CEI.E7 30 (83,3%) Não C.E4 1 (2,7%)
Não sabe GERED9 C.E7 CEI.E1; CEI.E6;
CEI.E8 5 (14%)
Fonte: Banco de Dados elaborado pelo autor a partir das entrevistas.
Ao ser indagado sobre quem construiu/elaborou o ‘Plano de Metas’, a maioria dos entrevistados (19 ou 52,7%) citou a SMED/GERED como coautoras (participantes), seguido dos diretores escolares (16 entrevistados ou 44,4%), coordenadores (22,2%) e professores (11%). Os demais membros que compõem a comunidade escolar não são citados, como sintetizado no Quadro 9.
QUADRO 9 – Plano de Metas das Escolas: elaboradores Elaboradores do Plano de Metas (RESPOSTAS) ENTREVISTADOS TOTAL (36)
SMED GERED D.E C.E CEI.E
SMED/GERED SMED1; SMED2; SMED3 GERED3; GERED4; GERED5; GERED6
D.E2; D.E3; D.E4; D.E6; D.E7; D.E8
C.E1; C.E2; C.E7
CEI.E3; CEI.E4;
CEI.E7 19 (52,77%)
Direção SMED1; SMED3 GERED1; GERED3; GERED7; GERED8
D.E1; D.E2; D.E3; D.E4; D.E5; D.E6;
D.E8
C.E3; C.E8 CEI.E7 16 (44,4%)
Coordenadores SMED1 GERED3 D.E5; D.E6 C.E4; C.E5 CEI.E2; CEI.E5 8 (22,2%)
Professores D.E5 C.E4; C.E6 CEI.E2 4 (11%)
Sem registro de resposta
CEI.E1; CEI.E6;
CEI.E8 3 (8,3%)
Fonte: Banco de Dados elaborado pelo autor a partir das entrevistas.
Apesar de as depoentes D.E1 e D.E7 indicarem que socializam o Plano de Metas durante a Avaliação da Gestão e a depoente D.E4 informar que o divulga via cópias impressas, observamos que, tanto o momento da elaboração (construção) quanto o da apropriação (entendido como o ato de conhecer e tomar para si, fazer-se seu) estão mais restritos aos diretores, coordenadores e professores – ou seja, grande parte do segmento dos trabalhadores em educação. Os demais segmentos da escola (funcionários, pais, estudantes e representantes dos grupos comunitários – para as unidades que têm esse segmento representado), no geral, não se fizeram presentes na elaboração (construção) e nem têm conhecimento do Plano de Metas da unidade escolar, como pode ser observado no Quadro 10. QUADRO 10 – Plano de Metas das Escolas: formas de apropriação
Formas de apropriação do Plano de Metas (RESPOSTAS)
ENTREVISTADOS
TOTAL (24)
D.E C.E CEI.E
Reuniões com os Coordenadores D.E2; D.E3; D.E4; D.E5; D.E6; D.E8 6 (25%)
Reuniões Pedagógicas remuneradas
(Coordenadores e Professores) D.E2; D.E3 C.E1 CEI.E3; CEI.E5 5 (20,8%)
Via Direção Escolar C.E3 CEI.E6; CEI.E7 3 (12,5%)
Durante a Avaliação da Gestão D.E1; D.E7 2 (8,3%)
No dia a dia C.E5; C.E6 2 (8,3%)
Não sabe C.E8 CEI.E1 2 (8,3%)
Sem registro de resposta C.E3; C.E4 2 (8,3%)
Publicação impressa do Plano de Metas para
a comunidade D.E4 1 (4,1%)
Não há apropriação C.E7 1 (4,1%)
No Projeto Político-Pedagógico C.E4 1 (4,1%)
Na confecção do Plano C.E2 1 (4,1%)
Como dito, somente duas depoentes indicaram que o Plano de Metas da unidade
escolar é ‘tratado’ durante a Avaliação da Gestão que, conforme regulamentado83
, deve acontecer em Assembleia Escolar (BELO HORIZONTE. PORTARIA SMED/BH N. 262/2011). Mesmo nesses momentos coletivizados, quando a presença e a participação da comunidade escolar na gestão escolar deveriam acontecer, a depoente D.E3 dá algumas pistas de que pode haver predominância de alguns segmentos em detrimento de outros. Em suas palavras,
Ela (leia-se gestão escolar) é avaliada no final do ano, geralmente, ou no inicio do ano seguinte, pelos professores, pais e alunos. Mas, é o tipo de reunião que predomina professores. Então, acaba que a gente (Diretor e Vice) é muito avaliado pelos professores. A participação do pai e do aluno é pequena e, muitas vezes, ela fica mais abafada pela posição dos professores que têm um domínio maior nas reuniões. Então, acaba predominado, muitas vezes, a posição dos professores (ENTREVISTA COM D.E3).
A grande maioria (91,7%) dos depoentes disse se sentir responsável pelo cumprimento do Plano de Metas. E, em nosso entendimento, esse sentimento é externado por conta das obrigações inerentes ao cargo/função que ocupam, como pode ser observado nas falas transcritas a seguir:
(...) O cumprimento do Plano de Metas é de responsabilidade de todo o coletivo da escola, mas a direção tem que estar à frente desse plano, ela tem que incentivar, ela tem que colaborar, ela tem que participar, ela tem que dar o suporte, ela tem que ser a referência (ENTREVISTA COM D.E1).
(...) a escola tem a sua meta para cumprir e eu, enquanto acompanhante, tenho a responsabilidade de fazer com que a escola cumpra aquela meta. Então, a minha responsabilidade é ajudar a escola a achar o caminho para cumprir a meta proposta pela escola e exigida pela Secretaria (ENTREVISTA COM GERED3).
Totalmente, totalmente. (...) todos nós na sua atribuição, nós somos corresponsáveis na garantia de uma educação de qualidade, na implementação da política educacional e de todos os processos que se envolvem (ENTREVISTA COM SMED1).
(...) mesmo antes, quando estava na sala de aula, a gente sempre tinha metas pra cumprir. Têm dados pra entregar. (...) Eu sei que eu tenho que ensinar o meu aluno
83
Artigo 45: Ao final de cada ano de mandato, ou sempre que se fizer necessário, realizar-se-á a Avaliação da Gestão para averiguação do cumprimento do Plano de Metas pactuado.
§1º - A Avaliação da Gestão tem o objetivo de contribuir para o cumprimento do Plano de Metas e, visa, sobretudo, à eficiência e à qualidade do funcionamento da unidade de ensino.
§2º - A avaliação de que trata o caput deste artigo terá como foco o Termo de Compromisso da Gestão e o Plano de Metas assinados pelos Gestores, conforme dispuser regulamento próprio.
§3º A Gerência Regional de Educação - GERED deverá acompanhar a gestão de cada unidade de ensino de sua regional, zelando pelo cumprimento do Plano de Metas e procedendo aos registros e providências necessários à eficácia da avaliação, como participante ativa desse processo (BELO HORIZONTE. PORTARIA SMED/BH N. 262/2011).
(...) para que ele aprenda, se aproprie do conhecimento e consiga usar ele lá fora. Essa é minha meta. Agora, nós temos essas metas do governo, que quer prova, quer um índice alto. Isso tem. É claro que a gente faz isso pra o menino, pra ele conseguir também uma nota legal. (...) particularmente, nunca me preocupei com estas metas. Eu preocupo com a meta que eu tenho que é de ensinar o meu aluno pra que ele consiga se apropriar desse conhecimento (ENTREVISTA COM CEI.E6).
Sobre o Plano de Metas das respectivas unidades escolares, os depoentes informaram que os pontos mais difíceis de serem implementados são: segundo 25% dos depoentes, promover a participação da comunidade na unidade escolar, e, de acordo com 16,6% dos depoentes, cumprir as metas traçadas pela SMED/BH, como indicado no Quadro 11.
QUADRO 11 – Planos de Metas das Escolas: pontos de difícil implementação
Pontos de difícil implementação do Plano de Metas (RESPOSTAS)
ENTREVISTADOS
TOTAL (24)
D.E C.E CEI.E.
Participação da família e trazer a
comunidade para dentro da escola D.E2; D.E4; D.E6 C.E4; C.E5; C.E6 6 (25%) Atingir as metas colocadas pelo governo D.E7 CEI.E1; CEI.E3;
CEI.E5 4 (16,6%)
Falta de estrutura física D.E3 C.E8 CEI.E4 3 (12,5%)
Infrequência dos estudantes D.E1; D.E8 2 (8,3%)
Lidar com a falta dos professores C.E1 1 (4,1%)
Melhorar o atendimento aos estudantes D.E5 1 (4,1%)
Tornar a escola eficaz C.E7 1 (4,1%)
Aceitação da Escola Integrada pelos
professores CEI.E2 1 (4,1%)
Não tem pontos difíceis CEI.E7 1 (4,1%)
Não sei C.E3 1 (4,1%)
Sem registro de resposta C.E2 CEI.E6; CEI.E8 3 (12,5%)
Fonte: Banco de Dados elaborado pelo autor a partir das entrevistas.
No estudo documental, apresentado no capítulo quatro desta tese, vimos que ora os legisladores (formuladores) englobam a comunidade escolar como constituinte da gestão escolar, destacando a importância da sua participação por meio do Colegiado Escolar e da Assembleia Escolar, ora concentram-na na figura do Diretor, dando-lhes centralidade na condução da unidade escolar. Vimos acima que os segmentos escolares ou a maior parte da comunidade não se tem feito presente na elaboração do Plano de Governo e no Plano de Metas, documentos importantes e orientadores da gestão escolar. Outro documento escolar fundamental para o trabalho da gestão na RME/BH é o Projeto Político-Pedagógico. Este, segundo o Parecer CME/BH n. 052/2002, em especial por tratar da gestão escolar
democrática, é a base, o alicerce, da direção colegiada pretendida para todas as unidades escolares da RME/BH. Ademais,
A gestão democrática pressupõe o efetivo envolvimento e participação de todos os sujeitos na tomada de decisão do processo administrativo e no planejamento pedagógico escolar. Logo, considera-se de fundamental importância o projeto político-pedagógico (PPP) como instrumento de articulação entre os meios e os fins, fazendo o ordenamento de todas as atividades pedagógico-curriculares e a organização da escola, tendo em vista os objetivos educacionais (CABRAL NETO; CASTRO, 2011, p. 756).
Nesse sentido, perguntamos aos entrevistados lotados nas unidades escolares se sua
escola tinha ‘Projeto Político-Pedagógico’ e quem o construiu. A maioria absoluta, 87,5% dos
depoentes, respondeu positivamente e três (D.E7; C.E2 e CEI.E2) disseram que o documento estava (ainda) em construção e, portanto, não estava finalizado.
Como elaboradores/construtores do ‘Projeto Político-Pedagógico’, base de sustentação
da gestão escolar, o segmento dos trabalhadores em educação (direção escolar, coordenadores, professores e funcionários) é o mais lembrado pelos depoentes (41,6%). Diferentemente, os menos lembrados são os pertencentes aos segmentos dos estudantes (4,1%
dos depoentes), dos pais (com 12,5% dos depoentes) e a ‘comunidade’ (englobando todos os
segmentos escolares), com 20,8% dos depoentes, como sintetizado no Quadro 12. QUADRO 12 – Projeto Político-Pedagógico da Escola: elaboradores
Elaboradores do Projeto Político- Pedagógico da escola (RESPOSTAS)
ENTREVISTADOS TOTAL
(24)
D.E C.E CEI.E
Segmento dos Trabalhadores em Educação (Direção, coordenadores, professores e funcionários)
D.E1; D.E3;
D.E7 C.E1; C.E5; C.E6
CEI.E1; CEI.E2;
CEI.E3; CEI.E4 10 (41,6%)
Assessores contratados D.E6; D.E7 C.E4; C.E7 CEI.E2; CEI.E7 6 (25%)
Comunidade (termo genérico) D.E3; D.E4; D.E6 C.E1; C.E5 5 (20,8%)
Pais D.E3 CEI.E1; CEI.E3 3 (12,5%)
Estudantes CEI.E3 1 (4,1%)
Sem registro de resposta D.E2; D.E5 C.E3; C.E8 CEI.E5; CEI.E6;
CEI.E8 7 (29,1%)
Fonte: Banco de Dados elaborado pelo autor a partir das entrevistas.
No Quadro 12, mesmo se juntarmos os cinco respondentes que indicaram a participação da ‘comunidade’ na construção do ‘Projeto Político-Pedagógico’ com os três que indicaram a participação dos pais, ainda assim teríamos uma participação muito baixa desse segmento, com 33,3% dos depoentes. Em relação ao segmento dos estudantes, seguindo o mesmo raciocínio, teríamos 35% do total dos respondentes. Aplicando, ainda, esse raciocínio
com o segmento dos trabalhadores em educação, o percentual relativo a este segmento subiria para 70,8% dos depoentes. Os dados coletados nas unidades escolares corroboram a informação dos depoentes na medida em que o assunto ‘Projeto Político-Pedagógico’ pouco ou quase nada figurou nas pautas e deliberações das principais instâncias instituídas de participação da comunidade escolar na gestão da escola, como também será demonstrado nas
próximas seções. Por exemplo, no Colegiado Escolar, o ‘Projeto Político-Pedagógico’ figura
com o percentual de 3,3% entre todos os assuntos pautados, com o percentual de 4,7% entre os assuntos tratados e 1% entre os assuntos deliberados. Por seu turno, na Assembleia Escolar, essa temática figura com o percentual de 2,8% dos assuntos pautados, o percentual de 1% entre os assuntos tratados e o percentual de 5,1% entre todos os assuntos deliberados.
Perguntamos também aos depoentes quais seriam as principais atividades desenvolvidas na/pela gestão escolar nas escolas em que estavam lotados. As questões
relacionadas ao ‘financeiro’ da escola foram as mais citadas por 66,6% dos respondentes,
QUADRO 13 – Gestão Escolar na RME/BH: atividades desempenhadas
Fonte: Banco de Dados elaborado pelo autor a partir das entrevistas.
O Colegiado Escolar e a Assembleia Escolar, além de não serem lembrados pela maioria dos depoentes como instâncias importantes da gestão escolar, instituídos para garantir a participação da comunidade na gestão escolar, também não figuram entre as principais atividades desenvolvidas na/pela gestão escolar, como mostra o Quadro 13. Especificamente, o Colegiado Escolar é lembrado pela depoente D.E1 e a Assembleia Escolar pela depoente D.E6 como parte integrante das principais atividades da gestão escolar na RME/BH. Como
dito, as questões relacionadas ao ‘financeiro’ (Caixa Escolar) lideram o rol de atividades da
gestão escolar, sendo justificada por muitos depoentes da seguinte forma:
A Caixa Escolar atualmente vem demandando uma atenção das direções imensa (...) Com muito custo a gente conseguiu um Gestor administrativo-financeiro, uma pessoa que fica por conta disso, mas o volume de serviço e de trabalho é tão grande atualmente que a gente não pode contar mais só com uma pessoa, a gente precisa de uma equipe para atuar no administrativo-financeiro, uma vez que a escola tomou um caráter de empresa muito grande, está muito próximo de empresa e isso afasta a gente do pedagógico, da gestão do campo do pedagógico (ENTREVISTA COM D.E8). Atividades desempenhadas na Gestão
Escolar (RESPOSTAS)
ENTREVISTADOS TOTAL
(24)
D.E C.E. CEI.E
Financeira (Caixa Escolar): administrar contas; providenciar orçamentos, compras e materialidade; contratação, demissão, organização, pagamento e fiscalização dos funcionários etc.; locação de imóveis/espaços para a Escola Integrada.
D.E1; D.E3; D.E4; D.E5; D.E6; D.E7;
D.E8 C.E1; C.E2; C.E3; C.E4; C.E5; C.E7; C.E8 CEI.E6; CEI.E8 16 (66,6%)
Questões pedagógicas D.E1; D.E3; D.E5;
D.E7; D.E8 C.E1; C.E2; C.E4; C.E7; C.E8 CEI.E3; CEI.E4; CEI.E5; CEI.E8 14 (58,3%) Atendimento e acompanhamento dos estudantes –
desempenho; inclusão; disciplina
D.E4; D.E3; D.E5;
D.E6 C.E1; C.E8
CEI.E3; CEI.E5;
CEI.E6 9 (37,5%)
Organização e funcionamento da escola D.E7; D.E4 C.E2; C.E7 CEI.E6; CEI.E7 6 (25%)
Atendimento ao professorado – reuniões;
organização do trabalho D.E5; D.E6 C.E1; C.E4 CEI.E6 5 (20,8%)
Atendimento às famílias D.E3; D.E5 CEI.E5 3 (12,5%)
Mediação de conflitos D.E7 CEI.E3; CEI.E5 3 (12,5%)
Cumprir metas e melhorar índices/resultados D.E4 C.E2 2 (8,3%)
PPP – construção e implementação D.E7 CEI.E5 2 (8,3%)
Organizar atividades extraclasse D.E6; D.E7 2 (8,3%)
Administrativas D.E8 CEI.E5 2 (8,3%)
Assembleias Escolares D.E1 1 (4,1%)
Atendimento ao Colegiado Escolar D.E6 1 (4,1%)
Atendimento aos segmentos escolares D.E3 1 (4,1%)
Conselhos de classe D.E3 1 (4,1%)
Cronogramas de atividades D.E3 1 (4,1%)
Direção: cumprir o estabelecido e o que surgir CEI.E3 1 (4,1%)
Educação de Jovens Adultos: atendimento D.E6 1 (4,1%)
Participar das reuniões/formações da SMED/BH D.E4 1 (4,1%)
(...) a escola hoje é como se fosse uma empresa (...) tem funcionários da Caixa Escolar que adoecem, saem de férias, têm que ser contratados, demitidos. Então isso tudo é função da Direção (ENTREVISTA COM C.E7).
(...) é como se a escola fosse uma empresa, porque tudo da escola que resolve. (...) a Direção da escola fica presa a essas coisas e não tem tempo de se envolver muito na questão pedagógica (ENTREVISTA COM C.E4).
(...) às vezes o Diretor é um pouco síndico (...) tem que ficar: olha isso, olha aquilo, manter essa questão física mesmo demanda muito (ENTREVISTA COM C.E5). (...) tendo em vista, assim, as onze contas que a escola tem que administrar, e o Diretor tem que submeter ao Colegiado essas atas todas. Isso aí tem tomado todo o tempo da reunião do Colegiado. Então, eu acho que essa tem sido a tônica do Colegiado, discutir esse tipo de coisa (ENTREVISTA COM C.E7).
As outras atividades da gestão escolar elencadas pelos entrevistados são: questões pedagógicas, destacadas por 58,3% dos depoentes; atendimento aos estudantes (37,7% dos depoentes); organização e funcionamento da escola (25% dos depoentes); atendimento, reunião e organização do professorado (20,8%); atendimento às famílias (12,5%); mediação de conflitos (12,5%); cumprir metas e melhorar os índices/resultados (8,3%); Projeto Político- Pedagógico – construção e implementação (8,3%); organizar atividades extraclasse (8,3%); questões administrativas (8,3%) e as demais atividades foram destacadas, cada uma, por um único depoente – Assembleias Escolares e Colegiado Escolar; atendimento aos segmentos escolares; conselhos de classe; cronogramas de atividades; direção: cumprir o estabelecido formalmente e o que surgir no dia a dia; Educação de Jovens e Adultos: atendimento; participar das reuniões e formações da SMED/BH. Seis depoentes (16,6%) não identificaram especificamente as atividades desenvolvidas pela gestão escolar.
Os dados apresentados neste item indicam que a SMED/BH tem forte influência sobre a gestão escolar, em especial, sobre os diretores escolares, seja no processo de elaboração dos planejamentos (Plano de Governo, Plano de Metas) da unidade escolar já na fase de eleição da Direção Escolar, seja apresentando cotidianamente as suas demandas junto aos diretores escolares, criando relações díspares, ora de apoio, ora de cobrança; ora de partilhamento ora de imposição; ora de respeito, ora de intimidação; ora de incentivo à participação da comunidade escolar, ora de negligenciamento. Veremos essas questões nas seções seguintes, que tratam da participação da comunidade escolar no Colegiado Escolar e nas Assembleias Escolares.