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Suriye, Lübnan, Filistin Kültürleri

1.1. YAKINDOGU KÜLTÜRLERİ

1.1.3. Suriye, Lübnan, Filistin Kültürleri

tomar parte, como sinônimo de “voz, acção e construção da autonomia” (FERNANDES, 2003, p. 95).

Na América Latina, esse tema é encontrado na bibliografia que discute o conceito de protagonismo infantil, como os estudos de Gaitán, que relacionam o conceito como forma de garantir o interesse superior da criança e seu entendimento como sujeito de direitos:

O protagonismo é um processo social, mediante o qual se pretende que crianças e adolescentes desempenhem um papel principal no seu desenvolvimento e no da sua comunidade para alcançar a realização plena de seus direitos. (GAITÁN, 1998, p. 86).

Tomás (2007) apresenta os estudos de Jaume Trilla e Ana Novella, nos quais complementam esse pensamento ao elencar quatro critérios para a participação: (I) implicação; (II) informação/consciência; (III) capacidade de decisão e (IV) compromisso/responsabilidade.

A partir destes estudos, temos quatro possibilidades: a participação simples, como mero espectador; a participação consultiva; a participação projetiva em todos os momentos; e, por fim, a metaparticipação, em que as crianças exigem espaços e mecanismos de participação (TOMÁS, 2007).

A participação efetiva das crianças não se dá forma figurativa, com modos de imitação dos adultos, mas de acordo com suas capacidades, seu modo de pensar e de ver as coisas, a partir de um repertório de informações que são dadas a ela pelos adultos e pelas outras crianças, considerando que:

As crianças não são necessariamente bons parlamentares, mesmo em miniatura, nem dirigentes homunculizados de partidos políticos, ou decisores institucionais em ponto pequeno. São actores sociais políticos competentes, sem deixar de ser crianças. São, aliás, tanto mais competentes, quanto mais respeitados forem na sua condição geracional. (SARMENTO; FERNANDES; TOMÁS, 2007, p. 204).

Nessa linha de pensamento, Soares (2006) identifica três patamares de participação de crianças:

Patamar da mobilização: há um processo iniciado pelo adulto, em que a criança é

convidada a participar, numa possibilidade, ainda que reduzida, de escolhas;

entre crianças e adultos, sendo a tomada de decisão relativamente de todos, definidos em conjunto;

Patamar do protagonismo: depende exclusivamente da ação da criança,

encarando o adulto como consultor disponível e presente.

Podemos pensar que, na escola, esses três patamares podem depender de possibilidades criadas pelo adulto para a criança. A participação política ainda não se dá na maioria das instituições da nossa sociedade. Em algumas escolas, por exemplo, acontecem iniciativas para a promoção da participação infantil, ainda com muita tutela do adulto, como formas não infantis, tokenistas, de participação.

Hart (1992), uma das referências na discussão sobre participação infantil, construiu uma escala de participação, classificando três formas de não-participação: manipulação (as crianças são inspiradoras de ação, porque comovem, mas em nenhum momento são informadas sobre a ação), decoração (continuam presentes nas causas dos adultos, mas são meras figuras decorativas das ações dos adultos) e tokenismo. A abordagem tokenista é um tipo de participação simbólica, em que as crianças são escolhidas criteriosamente para participar de eventos pontuais devido às competências que evidenciam, representam as ideias adultas acerca de qualquer aspecto do cotidiano das crianças (SOARES, 2006, p. 30). A escolha de crianças que se destacam para apresentações públicas é um exemplo que se pode verificar nas festividades ou feiras de ciências de algumas escolas.

A participação política vai além e é um processo a ser conquistado e aprendido. Nesse sentido, Ribeiro (2010) alerta que simplesmente a fala não garante o diálogo:

[...] não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que vozes que foram silenciadas durante anos (para não dizer séculos) serão "escutadas" pelo simples fato de poderem "falar". Isso porque estão em jogo, neste processo, vozes com diferentes graus de poder, o que pode conferir maior ou menor legitimidade aos discursos proferidos por elas. (RIBEIRO, 2010, p. 39).

Nesse sentido, há uma dificuldade em legitimar a participação infantil, já que, culturalmente, o que está posto é a ideia da incompletude da infância, do infans, do não falante, daquele que virá a ser um adulto e aí poderá ter a plenitude de sua participação. Os ensaios para isso, que acontecem na infância, seriam uma participação figurativa, não legítima.

Por outro lado, a sensibilidade de adultos para o tema pode favorecer a escuta e o diálogo em todos os momentos do cotidiano, possibilitando a participação efetiva. Para Freire (1996), a escuta é um dos saberes necessários à pratica pedagógica e difere da pura cordialidade, sendo a capacidade de falar com o educando e não falar para o educando. Para ele, a escuta é requisito para o diálogo, e requer do educador a amorosidade e o empenho pela palavra. A palavra assume o sentido de dizer o mundo e fazer o mundo e o diálogo verdadeiro implica numa educação libertadora, ao oposto da educação bancária.

A educação libertadora começa pelo diálogo crítico e pelo testemunho do educador quando a educação é corporificada pelo exemplo. Freire (2002, p. 103) afirma que “a teoria dialógica da ação nega o autoritarismo, como nega a licenciosidade. E, ao fazê-lo, afirma a autoridade e a liberdade”. Do contrário, existe a negação do direito de dizer sua palavra, consequentemente, ocultando o mundo, desumanizando, opacizando seus significados libertadores (FREIRE, 2002). Dizer a palavra implica em romper com a cultura do silêncio e tomar a história nas mãos. Isso significa que é necessário reelaborar as relações na escola, dando ênfase à coautoria das crianças e dos professores e à colaboração entre as crianças, e não o isolamento e a relação verticalizada, como se crianças fossem receptáculos da informação fornecida pelo adulto.

É certo que a conquista de uma nova maneira de promover a participação infantil se sustenta na concepção dos adultos em relação à criança, como aquela que é informante fiável, que pensa e comunica acerca das suas experiências, práticas e sentimentos, com opiniões próprias.

A participação infantil, entre outros aspectos, considera a construção de espaços e práticas sociais para que as crianças manifestem com plenitude suas opiniões e sentimentos e isso significa a partilha de poder entre adultos e crianças. “As dificuldades na partilha deste poder decorrem, em muito, do facto de a sociedade adulta considerar que participação infantil é sinónimo de diminuição do poder e tutela dos adultos sobre as crianças” (SOARES, 2006, p. 28), que escondem um paternalismo e verticalismo dos adultos ao considerar as crianças como objetos sociais e cidadãos do futuro, ignorando sua capacidade de ir, paulatinamente, questionando, intervindo, transformando a realidade e contribuindo para sua autonomia e o seu desenvolvimento e da comunidade na qual faz parte.

tem o direito de expressar sua opinião livremente para melhorar as suas condições de vida, das suas famílias e das suas comunidades, das escolas, discutir outras formas de relações ente adultos e crianças e contribuir para novas formas de conhecimento sobre a infância. Para isso, não deve sofrer nenhum tipo de imposição ou influência que a impeça de expressar-se. Para Abramowicz (2011, p. 24), “a fala da criança é uma inversão nos processos de subalternização, é um movimento político [...], a criança ao falar, faz uma inversão hierárquica discursiva que faz falar aquelas cujas falas não são levadas em conta, não são consideradas”.

Quando as opiniões das crianças são respeitadas, podem não ser, necessariamente, acatadas, já que expressar um ponto de vista não significa tomar uma decisão. Para Crowley, “este processo incrementará a capacidade das crianças de converterem-se em colaboradores ativos com habilidades adequadas para participar […] e não simplesmente reagir ante os desejos, temores e expectativas (dos demais)” (CROWLEY, 1998, p. 9, tradução minha).

Diante destas afirmações, percebe-se o papel fundamental de familiares, professores e demais adultos das instituições em que as crianças fazem parte em proporcionar orientação e subsidiar as opiniões das crianças, para que, na medida em que crescem, sua autonomia vá progressivamente crescendo também.

Conforme Vygotsky (1995, p. 238), a autonomia acontece na medida em que o que uma criança só consegue fazer com a ajuda de outra pessoa, um pouco mais adiante ela certamente conseguirá fazer sozinha. Nesse sentido, Vygotsky defende a existência de dois níveis de desenvolvimento: o atual, quando a criança resolve problemas de forma autônoma, e o potencial, quando o novo conhecimento progressivamente favorece sua autonomia.

Sendo assim, provavelmente a importante contribuição de um adulto na vida da criança é ajudá-la a desenvolver, progressivamente, sua autonomia. Segundo Crowley (1998), adultos devem ser capazes de analisar e enfrentar com as crianças alguns desafios que têm a ver com valores sociais estabelecidos e forças políticas, culturais e econômicas complexas, que impedem crianças de tomar sua palavra nas decisões que afetam sua vida e contribuem para o desenvolvimento de sua personalidade, suas aptidões, seu respeito aos valores humanos e a outras culturas. O acesso à informação é conhecimento prévio para a participação infantil, daí a importância de esforços para que as informações verdadeiramente estejam ao alcance das crianças, para que, com elas, adquiram habilidade, confiança e

maturidade ao manifestar sua opinião.

Para Crowley (1998), a participação requer que adultos aceitem um processo de interação e negociação, num processo que contribui para o respeito mútuo, a tolerância, a aceitação da diversidade e a prevenção de conflitos, aumenta a capacidade das crianças de formar um juízo próprio e expressá-lo, de escolher e cumprir responsabilidades, promove os valores democráticos e prepara a criança para cuidar-se e cuidar dos outros, melhora as intervenções a favor das crianças e fomenta o reconhecimento das crianças como sujeitos de direitos e não simplesmente como futuros adultos à espera da maioridade.

Para finalizar essas reflexões, é importante salientar que o direito à participação não pode sobrepor-se a outros direitos, já que direitos humanos são indivisíveis e não existe hierarquia entre eles. É imprescindível garantir concomitantemente o direito à proteção, à não discriminação e ao seu superior interesse, com prioridade absoluta.

2.3 A INFÂNCIA SEM DIREITOS: ALGUNS ASPECTOS DO CONTEXTO

Benzer Belgeler