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COMPOSER AND AN EMPEROR AFTER THE “TULIP ERA” PERIOD

4. SULTAN I. MAHMUD HAN’IN BU DÖNEMDEKİ MÛSİKİŞİNASLIĞI VE VEFATI

O município de Guarabira está localizado na microrregião que leva o mesmo nome, Guarabira, e na Mesorregião do Agreste Paraibano. O bioma em que se encontra é a Caatinga. Sua população, segundo o IBGE, é de 55.326 habitantes. Fica a 98 km da cidade de João Pessoa a capital da Paraíba. Por ser fundada em território indígena, já foi chamada de

Guaraobira ou Guirabira12. Apesar de não pertencer à microrregião do Brejo Paraibano, por motivos cartográficos organizacionais e talvez políticos, Guarabira é conhecida como a “Rainha do Brejo”. Isso devido ser a principal cidade polo de uma região que se caracteriza pela incidência regular das chuvas, característica essa do Brejo.

O povo local, uma boa parte localizada no meio rural em fazendas e sítios dessa região, é um povo marcado pela religiosidade, pelas crendices populares, pelas rezadeiras que misturam orações de cunho católico com elementos do misticismo, característica essa predominante no interior do Nordeste. Grande parte da população, especialmente os mais idosos, não possui um grau de escolaridade elevado. Na verdade ainda há um índice de analfabetismo bastante significativo na região.

A religião predominante, naturalmente, é o cristianismo católico. O catolicismo praticado ainda sustenta resquícios daquele catolicismo importado pelos portugueses. Um catolicismo marcado pelo desconhecimento e incompreensões, como bem fala Muchembled13 (1973 apud SOUZA, 1986, p. 90-91): “O cristianismo vivido pelo povo caracterizava-se por um profundo desconhecimento dos dogmas, pela participação na liturgia sem a compreensão do sentido dos sacramentos e da própria missa.” Ou seja, podemos muito bem intuir que o grau inferior de escolaridade, ou a ausência dele, contribui para essas incompreensões e consequentemente para o apego mais aos aspectos místicos e sobrenaturais do que à prática religiosa institucional em si.

Essas características tão arraigadas no catolicismo rural/sertanejo, observadas no parágrafo precedente, podem ser observadas na notável personalidade de Frei Damião e suas pregações, afeito aos discursos de ordem profética e escatológica do fim dos tempos e ao

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Fonte: IBGE.

13 MUCHEMBLED, Robert. Sorcellerie, culture populaire et christianisme, Annales, E. S. C., 28 année, nº. 1,

terror do inferno, nos moldes dos pais quando querem impedir que os filhos façam coisas de seu desagrado: amedrontam-nos com o bicho-papão; no discurso de Frei Damião o bicho- papão era o inferno. Em um discurso do frade, podemos observar esse aspecto de incutir o medo do inferno; ei-lo: “Um lugar de muito fogo onde vive o demônio. O demônio existe, estão ouvindo? Ele existe. Em Mirandiba, interior de Pernambuco, entrei numa casa abandonada e o demônio me jogou sete pedras.” (NOBLAT, 2008, p. 137). Diante de um discurso em tom tão ameaçador, “o povo ficava tremendo de medo, se lembrando desse fogo, desse calor, de cair no inferno. E caminhava léguas e mais léguas para assistir as Santas Missões, pagando um pouco seus pecados e procurando sempre viver no caminho do bem.” (MAIOR, 1998, p. 26).

É sobre essas bases religiosas e vida cultural do povo do Brejo, que se edificou um centro de culto e devoção que é o encontro da tradição, da cultura, da religiosidade e do próprio modelo de catolicismo nordestino com suas idiossincrasias rurais.

A confluência dessas idiossincrasias se deflagrou no encontro de dois centros religiosos em um projeto de peregrinação que une o Santuário de Frei Damião em Guarabira e

Figura 10: Fôlder explicativo da rota turística dos Caminhos do Padre Ibiapina tendo como ponto de partida da peregrinação o Santuário de Frei Damião.

Santa Fé em Solânea, na criação da rota turística rural de peregrinação intitulada “Nos Passos do Padre Ibiapina”. Como podemos observar na Figura 10, todas as três vias saem do Santuário de Frei Damião rumo a Santa Fé, inspiradas nos Caminhos de Santiago de Compostela, iniciativa esta criada em conjunto com a diocese de Guarabira, o governo do Estado da Paraíba, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PB) e a ONG Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip)) Para‟iwa, com o apoio da Empresa Paraibana de Turismo (PBTUR) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)14. Tal atividade turística está diretamente ligada ao ato devocional tendo origem nas romarias, peregrinações e pagadores de promessas. Atualmente a divulgação da referida rota turística apresenta-se tímida, ou quase inexistente no atual governo. Na época do seu lançamento em 2004, fôlderes, panfletos e estratégias de marketing e propaganda foram utilizados e divulgados nos santuários envolvidos, ao exemplo do fôlder da Figura 10. Tanto Santa Fé quanto o Santuário de Frei Damião são centros religiosos de significação cultural de importância não apenas local, mas regional pela história e valores de seus próprios ícones santos Frei Damião e Padre Ibiapina, cujos prestígios e fama são conhecidos em grande parte do Nordeste.

Mas o Santuário de Frei Damião em Guarabira apresenta-se com características importantes muito parecidas com o próprio Frei Damião, como por exemplo, Guarabira é apenas um dos lugares por onde passou o capuchinho, mas esta cidade o adotou como seu, tamanha foi a sua identificação com o santo que surgiu um santuário em sua homenagem e fruto de sua devoção. Da mesma forma Frei Damião não era brasileiro, muito menos nordestino, mas adotou o Nordeste como terra onde pregou, viveu e morreu. É verdade que foi ordem superior do clero que o fez vir ao Nordeste do Brasil, mas ele foi muito além da simples missão. Ele se fez nordestino. Ele “nordestinizou-se” identificando-se com a terra e seu povo e o povo encontrando nele conforto e fé.

A vocação turística supracitada juntamente com a atração do monumento de 34 metros de altura, a imagem de Frei Damião, faz de Guarabira alvo de devoção, peregrinação e turismo. Mas para se chegar à análise dos motivos da construção e às motivações que movem esse centro religioso, tão característico do povo nordestino quanto importante pelo ícone em questão, acredito que será preciso vislumbrar um pouco sobre a figura de Frei Damião. Daremos atenção a esse ícone religioso que tanto marcou o Nordeste brasileiro e em especial a cidade de Guarabira, analisando as várias facetas e significações de sua figura emblemática.

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FREI DAMIÃO E O CATOLICISMO RURAL:

A CONSTRUÇÃO DE UM ÍCONE

Figura 11: Réplica da imagem do Santuário de Frei Damião, na entrada da cidade de

Guarabira. Construção patrocinada por uma empresa privada em conjunto com a prefeitura da cidade.

As lendas arrepiadoras do Caapora travesso e maldoso, atravessando célere, montado em caititu arisco, as chapadas desertas, nas noites misteriosas de luares claros; os sacis diabólicos, de barrete vermelho à cabeça, assaltando o viandante retardatário, nas noites aziagas das sextas-feiras, de parcerias com os lobisomens e mulas sem cabeça notívagos; todos os mal-assombramentos, todas as tentações do maldito ou do diabo – esse trágico emissário dos rancores celestes em comissão na terra; as rezas dirigidas a S. Campeiro, canonizado in partibus, ao qual se acendem velas pelos campos; para que favoreça a descoberta de objetos perdidos; as benzeduras cabalísticas para curar os animais, para amarrar e vender sezões; todas as visualidades, todas as aparições fantásticas, todas as profecias esdrúxulas de messias insanos; e as romarias piedosas; e as missões; e as penitências... todas as manifestações complexas de religiosidade indefinida, são explicáveis.

(Euclides da Cunha. Os sertões. 2010, p. 143-144).